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Ano: 2008  Vol. 12   Num. 3  - Jul/Set Print:
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Rinoplastia - Análise das Técnicas Utilizadas em Serviço no Sul do Brasil
Rhinoplasty - Analysis of the Techniques Used in a Service in the South of Brazil
Author(s):
Murilo Carlini Arantes1, Daniela P. Dall'Igna2, Marina Serrato Coelho1, Andréa T. Soccol2, Rogério C. Pasinato3, Marcos Mocellin4
Palavras-chave:
rinoplastia, técnicas, tendências
Resumo:

Introdução: Nas rinoplastias, como em outras cirurgias, uma exposição adequada das estruturas manipuladas é fundamental para um bom resultado cirúrgico. Diversas são as técnicas empregadas, e essas variam, principalmente, em razão das alterações anatômicas encontradas. Objetivo: Avaliar quais as técnicas e manobras cirúrgicas mais realizadas em nosso serviço. Método: Análise retrospectiva das descrições de cirurgia dos pacientes submetidos à rinoplastia no Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas - UFPR no ano de 2007. Resultados: Foram avaliados 79 pacientes; em 86% foi realizada a rinoplastia com técnica básica, em 6,4% e 7,6% foi realizado "delivery" e rinoplastia externa, respectivamente. Conclusão: Em nosso serviço realizamos rinoplastias com técnica básica na grande maioria dos pacientes.

INTRODUÇÃO

No final do século XX, quando a cirurgia plástica facial começou a ser mais apreciada, variedades étnicas e anatômicas foram sendo cada vez mais discutidas (1). Na mesma época, os conceitos de beleza forma revistos, sendo que a diversidade de achados e variações anatômicas encontrados tornou-se decisiva na escolha da técnica a ser empregada em cada caso.

O objetivo do presente estudo é avaliar as técnicas e manobras empregadas nas rinoplastias realizadas pelo Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná durante o ano de 2007, confrontando-as com estudos realizados em outras regiões do país.


MÉTODO

Foram avaliadas, retrospectivamente, as descrições cirúrgicas de 79 pacientes submetidos a rinoplastias no Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas - UFPR no ano de 2007.

Para toda cirurgia foi preenchido um formulário, contendo detalhadamente: incisões de acesso; realização concomitante de septoplastia; manobras sobre o dorso ósteo-cartilaginoso, sobre a ponta nasal, sobre a cartilagem lateral inferior; bem como os tipos de osteotomias empregadas. Em todos os pacientes, as cirurgias foram realizadas sob anestesia local com sedação endovenosa.

Os resultados obtidos foram organizados em tabelas. Foram analisados em separados quanto aos tipos de incisão, procedimentos sobre a ponta nasal, colocação de enxertos e osteotomias sobre o total de pacientes operados, obtendo-se assim as técnicas prevalentes em nosso serviço.


RESULTADOS

As cirurgias foram realizadas por três abordagens: fechada (86%); "delivery" (6,4%); externa (7,6%) (Gráfico 1).


Gráfico 1. Técnica utilizada.



Quanto às incisões de acesso, a incisão intercartilaginosa foi realizada em 78 (98,7%) pacientes, a transcartilaginosa em 7 (8,9%), a marginal em 10 (12,7%) e a transfixante em 76 (96,2%) (Tabela 1).




Foi realizado um elevado número de septoplastias (67 pacientes - 84,8%), concomitantemente a rinoplastia, com objetivo de melhora da função respiratória. Houve ressecção do dorso ósteo-cartilaginoso em 71 (89,9 %) pacientes, colocação de enxerto de dorso em 4 (5,1%) pacientes (Tabela 2).




Foram realizadas osteotomias laterais em 77 (97,5%) pacientes e paramedianas em 19 (24,1%) pacientes (Tabela 3).




Com relação aos procedimentos realizados sobre a ponta nasal, ocorreram em 47 (59,5%) pacientes; sendo o ponto interdomal realizado em 26 (32,9%) pacientes; ressecção cefálica em 20 (25,3%); enfraquecimento da cartilagem lateral inferior em 4 (5,1%); manobra de La Garde em 37 (46,8%); McIndoe em 4 (5,1%); flaring em 4 (5,1%). Foi realizada a colocação de enxerto columelar em 12 (15,2%) pacientes, desses, em 11 foi colocado "strut" (91,6%) e em 1 foi utilizado o escudo de Sheen (8,4%) (Tabela 4 e Gráfico 2).




Gráfico 2. Tipo de enxerto columelar.



Quanto aos procedimentos realizados na base alar, foi realizado vestibuloplastia em 6 (7,6%) pacientes, e ponto em "8" em 10 (12,7%) (Gráfico 3).


Gráfico 3. Procedimentos sobre a base alar.



DISCUSSÃO

Como em todas as cirurgias, a rinoplastia exige exposição adequada das estruturas manipuladas. Sendo assim, as incisões devem ser selecionadas de acordo com as estruturas que serão abordadas. PATROCÍNIO et al relatam que uma análise detalhada e cuidadosa do que deve ser corrigido é imperativa numa rinoplastia. Tebbetts sugere que se deve utilizar quantas incisões forem necessárias para uma adequada exposição de estruturas.

No presente estudo, a rinoplastia técnica básica foi a mais usada em nosso serviço, responsável por 86% das cirurgias realizadas. A rinoplastia externa e a técnica de "delivery" responderam respectivamente por 7,6% e 6,4% das cirurgias. Tal fato difere de alguns trabalhos nacionais; PATROCÍNIO et al em 2006 referiram um índice de 71,1% de rinoplastias com "delivery", e apenas 27,1% de rinoplastias com técnica básica. Acreditamos que a razão dessa diferença encontra-se na população alvo de cada estudo, pela grande quantidade de nariz mestiço e negróide naquela região. Já em nosso serviço, encontramos, na grande maioria, pacientes caucasianos em que a técnica básica é adequada para a maioria dos casos.

O número de septoplastias concomitantes (84,8%) a rinoplastia foi elevado, visando, principalmente, a melhora do padrão respiratório e servindo também como material de enxerto.

A osteotomia lateral foi realizada em 97,5% dos pacientes, visando afinar a base óssea e o fechamento do teto do nariz. A ressecção do dorso ósteo-cartilaginoso ocorreu em 89,9% dos pacientes visando à melhora do ângulo nasofrontal, a colocação de enxerto de dorso ocorreu em apenas 5,1% dos pacientes.

Dos procedimentos realizados sobre a ponta nasal, os mais utilizados foram à realização da manobra de La Garde e ponto interdomal (46,8% e 32,9%, respectivamente), seguido pela ressecção da porção cefálica da cartilagem lateral inferior (25,3%), enxerto columelar (15,2%). Patrocínio et al, no estudo já citado, refere um maior número de intervenções sobre a ponta nasal; com ressecção da porção cefálica da cartilagem inferior em 58,4% dos casos; ponto interdomal em 45,1%; enxerto columelar em 45,7%. Essa diferença, também pode ser explicada por diferenças regionais, pois em narizes mestiços e negróides faz-se necessário um maior número de intervenções para melhor definição da ponta nasal.


CONCLUSÃO

A técnica básica de rinoplastia predomina em nosso serviço, havendo, portanto, uma menor necessidade de técnicas como o "delivery" e a rinoplastia externa, quando comparado a serviços de outras regiões.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Westrid RW, Lawson W. The tripod theory of nasal tip support revisited: the cantilevered spring model. Arch Facial Plast Surg. 2008, 10(3):170-9.

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9. Sheen JH. Aesthetic Rhinoplasty. Saint Louis: Mosby; 1978.

10. Patrocínio JA, Sousa AD, Coelho SR. Incisões para inserção de implantes no nariz. Acta AWHO. 1986, 5(2):45-52.

11. Mocellin M, Maniglia JJ, Patrocínio JA, Pasinato R. Septoplastia Técnica de Metzembaum. Rev Bras Otorrinolaringol. 1990, 56:105-10.

12. Patrocínio JA, Patrocínio LG. Nariz em sela. In: Campo CAH, Costa HOO (editores). Tratado de Otorrinolaringologia. Vol. 5 - Técnicas Cirúrgicas. São Paulo: Roca; 2002. p. 727-38.

13. Patrocínio LG, Patrocínio JA. Uso de enxertos na rinoplastia. Arq Otorrinolaringol. 2001, 5(1):21-5.

14. Patrocínio LG, Patrocínio JA. Atualização em enxertos na Rinoplastia. Rev Bras Otorrinolaringol. 2001, 67(3):394- 402.

15. Patrocínio JA, Madalena CA, Nonato S, Coelho SR. Complicações e dificuldades em Rinosseptoplastia. F.Med - Caderno de Otorrinolaringologia. 1995, 110(2):131-6.














1. Médico (a) Residente em Otorrinolaringologia do HC-UFPR.
2. Médica Otorrinolaringologista.
3. Doutor. Professor da Disciplina de Otorrinolaringologia do HC-UFPR.
4. Doutor. Chefe do Departamento de Otorrinolaringologia do HC-UFPR.

Instituição: Hospital de Clínicas da UFPR.

Registro no comitê de ética do HC-UFPR 1780.197/2008-09. Curitiba / PR - Brasil

Endereço para correspondência:
Murilo Carlini Arantes
Rua Mariano Torres, 401 102 Curitiba/PR - Brasil
CEP: 80060-120 - Fax (+55 41) 3360-6291
E-mail: murilocarlini@yahoo.com.br

Artigo recebido em 25 de agosto de 2008.
Artigo aprovado em 17 de outubro de 2008.
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