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Ano: 2009  Vol. 13   Num. 4  - Out/Dez Print:
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Prevalncia de Alteraes Larngeas no Ambulatrio de Endoscopia Respiratria Alta
Prevalence of Laryngeal Alterations in the High Respiratory Endoscopy Service
Author(s):
Amelia Araujo1, Eduardo Walker Zettler2, Marcos Andre dos Santos3, Andrea Leal Figueiredo4.
Palavras-chave:
endoscopia, distrbios da voz, refluxo gastroesofgico, prevalncia, neoplasias de cabea e pescoo.
Resumo:

Introduo: Atualmente, a fibrolaringoscopia flexvel considerada um mtodo de primeira escolha no exame otorrinolaringolgico, principalmente na avaliao da funcionalidade larngea. Objetivo: O objetivo do estudo descrever a prevalncia de alteraes larngeas, observadas no servio de endoscopia respiratria alta da Universidade, correlacionado-as com a idade e sexo dos pacientes. Mtodo: Realizamos um estudo retrospectivo abordando pronturios de duzentos e quatorze pacientes do Ambulatrio de Endoscopia Respiratria Alta atendidos num perodo de 18 meses. Os resultados foram avaliados no programa SPSS, verso 10.0, sendo realizadas freqncias, medidas de tendncia central e desvio-padro e teste de associao (qui-quadrado). Resultados: Dos 214 pacientes analisados, 21% (n=45) sinais sugestivos de doena do refluxo gastroesofgico (DRGE) e 7,5% (n=16) sinais sugestivos de cncer de laringe (onde 7 foram confirmados), sendo os restantes 71,5 % (n=153) considerados normais. Dos 45 pacientes que apresentaram DRGE, a freqncia foi maior no sexo feminino, predominando na faixa etria superior a 43 anos. Dos sete pacientes que tiveram cncer de laringe confirmado, todos os casos foram no sexo masculino e na faixa etria superior a 43 anos. Concluso: O cncer de laringe foi claramente mais prevalente em homens. Com relao aos pacientes com sinais sugestivos de DRGE, no se observou diferena significativa de prevalncia entre os sexos.

INTRODUO

A moderna laringologia dispe de um amplo repertrio de mtodos diagnsticos. A laringoscopia realizada por endoscpio flexvel, introduzida por SAWASIMA e HIROSE em 1968 (1), permite no apenas a visualizao de toda a cavidade nasal, como tambm possibilita o exame da rinofaringe, orofaringe e hipofaringe e da laringe (2, 3).

Essa tcnica considerada de primeira escolha nas situaes em que a inspeo visual das diversas estruturas que compem as vias areas superiores necessria, o que nem sempre possvel atravs dos meios tradicionais, como a rinoscopia anterior e posterior, a oroscopia direta e a laringoscopia indireta (3).

Nos ltimos anos, a fibrolaringoscopia flexvel tem adquirido parmetros mais objetivos para a avaliao das patologias otorrinolaringolgicas mais comuns, possibilitando utiliz-la como um meio propedutico no diagnstico inicial e no acompanhamento das respostas s terapias clnicas ou cirrgicas estabelecidas (4).

A doena do refluxo gastroesofgico (DRGE) definida como uma afeco crnica decorrente do refluxo de parte do contedo gstrico (e por vezes, gastroduodenal) para o esfago e/ou rgos adjacentes (faringe, laringe, brnquios), acarretando um espectro varivel de sintomas e sinais esofgicos e/ou extra-esofgicos, associados ou no a leses teciduais (5).

Estima-se que 5% a 20% da populao mundial tenha complicaes extra-esofgicas da DRGE. Manifestaes respiratrias, otorrinolaringolgicas e mesmo dentrias tm sido relatadas com maior freqncia nos ltimos anos (6).

A presena de sinais e sintomas otorrinolaringolgicos pode ser encontrada em 4% a 10% dos pacientes com DRGE (7). Uma das queixas mais freqentes em ambulatrios de Otorrinolaringologia a sensao de globus, que em 23% a 60% dos casos tem a DRGE como o fator etiolgico (5, 8).

Alm disto, a DRGE pode levar a situaes mais graves, como displasias mucosas e/ou cncer da laringe e hipofaringe em virtude do epitlio local no estar preparado para a exposio do cido (9).

Baseado nos avanos diagnsticos proporcionados pelo nasofibroscopia flexvel, este trabalho tem como objetivo descrever a prevalncia de alteraes larngeas observadas no Servio de Endoscopia Respiratria Alta, correlacionando-as com a idade e sexo dos pacientes.


MTODO

Trata-se de um estudo de prevalncia, em que foram analisados os laudos dos exames endoscpicos nasosinusal e larngeos de 214 pacientes, realizados no Servio de Endoscopia Respiratria Alta da Universidade num perodo de 18 meses.

Com relao a presena ou no de disfonia, incluiu-se num mesmo grupo a disfonia funcional, orgnica e orgnico-funcional. Com relao aos sinais larngeos, foram descritos qualquer tipo de alterao que no se enquadrava dentro da normalidade, onde no caso de carcinoma larngeo, apresentava-se leso exoftica ulcerada e/ou papilomatosa. Como sinais sugestivos de DRGE incluram-se alteraes como espessamento da prega interaritenidea, hiperemia ou edema da laringe e/ou parede posterior, paquidermia larngea e/ou granuloma/lcera de contato.

As endoscopias eram realizadas de rotina no Servio, sendo que os resultados foram analisados no programa estatstico Statistical Package for the Social Sciences for Windows (SPSS), verso 10.0, atravs das medidas de freqncia, medidas de tendncia central, desvio-padro e teste de associao (Qui-quadrado).

As variveis analisadas foram idade, sexo e diagnstico. Para fins de anlise estatstica, os pacientes foram divididos conforme a idade em dois grupos: menos de 43 anos e mais de 43 anos.

O trabalho foi aprovado pelo Comit de tica em Pesquisa da Universidade.


RESULTADOS

Foram revisados laudos de fibrolaringoscopias realizadas em 214 pacientes, sendo 127 do sexo feminino (59,3%) e 87 do sexo masculino (40%). A mdia de idade foi de 40,5 (17,4) anos. Apenas 50 (23,4%) pacientes apresentaram disfonia.

Os achados das fibrolaringoscopias revelaram que, entre os laudos pesquisados, 16 (7,5%) apresentaram suspeita de carcinoma da laringe (destes, 7 confirmados histologicamente) e 45 (21%) diagnstico sugestivo de DRGE. Os demais 153 (71,5%) pacientes, apresentavam-se dentro dos limites de normalidade.

A relao entre os diagnsticos endoscpicos e a idade e o sexo dos pacientes est demonstrada nas Tabelas 1 e 2.

Dos 16 pacientes que tiveram suspeita de carcinoma da laringe, 11 eram do sexo masculino (68,7%) e 5 do sexo feminino (31,3%). Foi observada, atravs do Teste Qui-quadrado, diferena estatisticamente significativa entre os dois grupos (p=0,017). A prevalncia dos sintomas larngeos foi maior em indivduos com idade superior a 43 anos (87,5%), sendo a diferena entre os grupos estatisticamente significativa (p=0,001).

Em relao ao diagnstico sugestivo de DRGE, 24 pacientes eram do sexo feminino (53,3%) e 21 do sexo masculino (43,7%). Quando comparados os dois grupos, atravs do teste qui-quadrado, no houve diferena estatisticamente significativa (p>0,05), sendo mais prevalente acima de 43 anos (51,1%) (p>0,05).








DISCUSSO

Em relao DRGE, observou-se neste estudo uma maior prevalncia da mesma no sexo feminino. Esse resultado est em desacordo com WANG et al. (10), que estudaram a epidemiologia da DRGE em uma populao adulta do noroeste da China, com 2.789 residentes da regio entre idades de dezoito a setenta anos, tendo observado prevalncia significativamente maior no sexo masculino e na faixa etria dos trinta aos setenta anos de idade.

J KOUFMAN et al. (11) observaram a prevalncia do refluxo gastroesofgico em 113 pacientes com desordens larngeas e da voz em um perodo de cinco meses, na faixa etria superior a cinqenta anos.

BURATI et al. (12) realizaram um estudo retrospectivo com 157 pacientes portadores de sinais sugestivos de refluxo gastroesofgico ao exame videolaringoscpico. Foram avaliados segundo a idade, sexo e queixas principais, onde 110 pacientes do sexo feminino (70%) e 47 do sexo masculino (29,9%) na faixa etria de 21 a 85 anos, estando em de acordo com o nosso estudo.

A prevalncia da DRGE com relao a sexo e faixa etria tem sido pouco estudada. Segundo a literatura, sua prevalncia de 10% a 20% da populao geral, afetando qualquer faixa etria, sendo que na criana predomina nos lactentes, desaparecendo em 60% dos casos at a idade de dois anos e, em quase todo restante, persistindo at a idade de quatro anos (13). Contrariamente, observamos que, na nossa amostra estudada, houve uma maior prevalncia desta doena acima de 43 anos de idade.

Em outro estudo, observou-se a prevalncia de disfonia em 86% dos pacientes analisados, sendo mais frequente no sexo feminino (14), mostrando que, como tambm observamos, o sexo feminino tem uma maior tendncia a apresentar mais alteraes larngeas em relao ao sexo masculino, o que tambm descrito por outros autores (15, 16, 17).

ALTMAN et al. (18) relataram em seu estudo que, ao analisarem cento e vinte pacientes que frequentaram o centro da voz apresentando disfonia, em um perodo de trinta meses, verificando prevalncia de faixa etria, sexo, principais sintomas e achados laringoscpicos, observaram a prevalncia de disfonia no sexo feminino (60%) e a mdia de faixa etria de 42,3 anos, sendo achados semelhantes tambm observados por SAMA et al (19).

No nosso estudo, constatamos que havia 7,5% (n=16) dos pacientes com suspeita de cncer da laringe, tendo este sido confirmado em sete. A prevalncia foi significativamente maior entre sexo masculino e na faixa etria superior a quarenta e trs anos.

MOLONY et al. (20) relataram que o cncer de laringe tem maior prevalncia em homens com pico de faixa etria entre 60 e 70 anos. Descreve, ainda, que o tumor est mais presente no sexo masculino do que no feminino (10:1).

Nos trabalhos de CURIONI et al. (21), MIRANDA et al. (22), e JASEVICIENE et al. (23) tambm foram observados maior prevalncia do cncer de laringe no sexo masculino e na faixa etria entre a sexta e stima dcada de vida.

WUNSCH (24) estudou a epidemiologia do cncer de laringe no Brasil, onde observou que o carcinoma da laringe era predominantemente encontrado na faixa etria que vai dos 50 aos 70 anos (63%) e, a proporo entre os sexos masculino e feminino chegava a ser de 6:1, onde em comparao com o nosso estudo, esta proporcionalidade foi de 2:1 a favor do sexo masculino.


CONCLUSO

Quanto prevalncia das doenas diagnosticadas no Servio de Endoscopia Respiratria Alta, observou-se que o cncer de laringe foi mais prevalente no sexo masculino acima dos 43 anos de idade.

J a DRGE no apresentou diferena significativa de prevalncia entre os sexos. Sabe-se que uma doena que vem apresentando um aumento de freqncia importante nos ltimos anos, embora muitas vezes comporte-se de maneira silenciosa.


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1. Medica Graduada pela Universidade Luterana do Brasil. Clnica Mdica.
2. Doutor em Medicina pela UFRGS. Professor Adjunto Doutor de Pneumologia do Curso de Medicina da Universidade Luterana do Brasil.
3. Aluno do PPG em Odontologia (Doutorado) pela ULBRA. Mdico Assistente do Servio de Cirurgia de Cabea e Pescoo da Universidade Luterana do Brasil e da Universidade Federal de Santa Maria.
4. Doutora em Odontologia. Professora Adjunta Doutora de Epidemiologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Instituio: Servio de Cirurgia de Cabea e Pescoo da Universidade Luterana do Brasil. Porto Alegre / RS - Brasil. Endereo para correspondncia: Marcos Andr dos Santos - Rua Ramiro Barcelos, 910 - Conj. 701 - Porto Alegre / RS - Brasil - CEP: 90035-001 - Telefone: (+55 51) 3268-9994 - Email: marcosandre@marcosandre.med.br

Artigo recebido em 25 de Outubro de 2009. Artigo aprovado em 11 de Dezembro de 2009.

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