Title
Search
All Issues
6
Ano: 2003  Vol. 7   Num. 2  - Abr/Jun Print:
Original Article
Prednisolona e Claritromicina no Tratamento da Rinossinusite Aguda - Estudo Multicntrico Brasileiro
Predisolone and Clarythromicin in the Treatment of AcuteRhinosinusitis - Brazilian Multicenter Study
Author(s):
Miniti A*, Voegels RL**, Mocellin M***, Ks AOA****, Stamm AEC*****, Menon-Miyake MA******, Abritta D*******.
Palavras-chave:
rinossinusite bacteriana, prednisolona, claritromicina.
Resumo:

Introduo: A rinossinusite bacteriana aguda uma afeco de alta prevalncia, na sua maioria originada de viroses das vias areas superiores. A terapia antimicrobiana com a claritromicina est bem estabelecida na literatura e a corticoterapia sistmica contribui como adjuvante no controle da inflamao, diminuindo o edema, facilitando a drenagem das secrees e a manuteno da permeabilidade dos stios, favorecendo assim, a cura clnica. Objetivos: Este estudo prospectivo, multicntrico, no-comparativo teve como objetivo primrio analisar a evoluo da sintomatologia da rinossinusite aguda bacteriana durante a associao de prednisolona sistmica e claritromicina. A freqncia dos eventos adversos tambm foi avaliada durante o perodo de estudo. Mtodos: Foram includos 73 pacientes que receberam 2 comprimidos de prednisolona 5mg pela manh por 10 dias e claritromicina 500mg uma vez ao dia durante 7 dias. Foi permitido o uso de paracetamol 750mg trs vezes ao dia se necessrio e soluo salina para uso nasal vontade. Foram avaliados pelo investigador no D7 e D14 a intensidade da cefalia, quantidade e aspecto da rinorria, a obstruo nasal, o aspecto da mucosa nasal, febre, tosse, rinorria posterior, plenitude auricular, aspecto das membranas timpnicas e da mucosa orofarngea, a ocorrncia de halitose, odinofagia e fadiga. Resultados: Houve melhora significativa do aspecto da mucosa nasal a partir do D7 de tratamento. A secreo, que era purulenta na maioria dos pacientes no D1 (88,7%), no mais estava presente no dia 14 em 32,4% dos pacientes (c2 = 20,05 - p<0,001) e em 61,2% dos pacientes no dia 14 (c2 = 36,21 - p<0,001). A nasofibroscopia foi realizada no incio e no final do estudo tendo sido observadas alteraes significativas em todas as variveis estudadas. Os sintomas clnicos obstruo nasal, tosse, halitose, odontalgia, hiposmia, plenitude auricular e fadiga melhoraram significantemente com o tratamento proposto j no D7 ( p< 0,001). Os pacientes que receberam ao menos uma dose da medicao foram includos na anlise de tolerabilidade, sendo que deste total, 38,4% deles reportaram ao menos um evento adverso, sendo o mais comum a epigastralgia. Destes eventos, 42,9% foram classificados pelos investigadores como provavelmente relacionados s medicaes do estudo. Concluso: A associao da claritromicina e a prednisolona no tratamento da rinossinusite bacteriana aguda demonstrou ser eficaz, com praticamente todas as variveis estudadas apresentando significncia estatstica. Os eventos adversos de origem gastrointestinal foram os mais freqentes.

INTRODUO

A rinossinusite bacteriana aguda (RBA) definida como uma resposta inflamatria da membrana mucosa que reveste a cavidade nasal e os seios paranasais (1). uma afeco de alta prevalncia, originando-se, na maioria dos casos, de um resfriado comum ou outras viroses das vias areas superiores (2). Mltiplos fatores tambm esto envolvidos na predisposio a esta afeco, como rinite alrgica, polipose nasal ou obstruo de origem anatmica.

Estes fatores esto relacionados ao fechamento dos stios no complexo ostiomeatal por bloqueio mecnico ou edema da mucosa, criando assim condies favorveis proliferao bacteriana e predispondo ao desenvolvimento da RBA (3). O diagnstico da RBA feito com base na histria clnica e no exame fsico do paciente, sendo que para o diagnstico por imagem, a tomografia computadorizada no plano coronal o mtodo de escolha para a sua avaliao.

A radiografia simples possui valor diagnstico controverso (1). A RBA o quinto diagnstico mais freqente para a prescrio de antibiticos (4), e as bactrias mais comumente isoladas nas secrees nasais de adultos e crianas so o Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e a Moraxella catarralis (5, 6), esta ltima, encontrada em menor freqncia em nosso meio (1). Quando no tratada adequadamente, a rinossinusite aguda pode levar complicaes importantes, como a osteomielite facial, trombose do seio cavernoso, celulite ou abscesso orbital, meningite e outras (7). Habitualmente, a terapia antimicrobiana institu- da de forma emprica, com base nos dados microbiolgicos (culturas e sensibilidade aos antibiticos in vitro) publicados na literatura (1) .

Com a crescente freqncia dos patgenos produtores de blactamase, tem havido uma maior preocupao em empregar-se um agente antibacteriano com amplo espectro de ao. O antibitico macroldeo claritromicina um derivado semi-sinttico da eritromicina e como ela, possui uma ampla atividade in vitro contra aerbios Gram positivos e negativos e anaerbios, incluindo os agentes responsveis pela RBA (8), de forma que seu uso aprovado pelo Food and Drug Administration para o tratamento da sinusite (9). O uso dos corticosterides sistmicos (CES) e tpicos como terapia secundria das RBAs tem sido muito benfico.

Sua contribuio advm do controle da inflama- o, diminuindo o edema, facilitando a drenagem das secrees e a manuteno da permeabilidade dos stios, favorecendo assim, a cura clnica.

O CES est tambm indicado nos casos de polipose, rinossinusite alrgica ou eosinoflica no-alrgica concomitantes ao processo infecioso nasossinusal (1). A prednisolona um corticosteride com ao predominante dos glicocorticides.

Possui meia-vida biol- gica intermediria em relao aos demais CES, o que implica em menor supresso do eixo hipotlamo-hipfiseadrenal comparado aos CES com meia-vida biolgica longa e assim, num melhor perfil de tolerabilidade (10, 11). Este estudo foi desenhado com o intuito de estudar a evoluo da sintomatologia da RBA tratada com a associao de claritromicina e prednisolona oral.

MATERIAL E MTODOS

Foram recrutados para este estudo multicntrico, prospectivo e no-comparativo 73 pacientes de ambos os sexos, com idades entre 18 e 65 anos. A anlise de tolerabilidade considerou todos os pacientes, embora dois pacientes tenham interrompido o tratamento devido aos eventos adversos. A anlise de eficcia incluiu 71 pacientes, entretanto, 4 deles descontinuaram o tratamento e no completaram a visita do D14, e assim, o estudo foi finalizado com 67 pacientes. O protocolo do estudo foi aprovado pelo Comit de tica das cinco instituies participantes e os pacientes assinaram o termo de consentimento informado. Os critrios de incluso no estudo foram: diagnstico clnico de rinossinusite aguda definido pelos sinais e sintomas: no mnimo dois dias de rinorria purulenta ou quadro gripal sem melhora h dez dias e ao menos um dos critrios maiores: um dia de febre 38o C, dor compresso da regio frontal, etmoidal e/ou maxilar, cefalia na regio frontal /etmoidal/retrocular e/ou maxilar ou no mnimo trs dos seguintes critrios menores: odontalgia, presena de secreo em rino e/ou orofaringe, tosse noturna, plenitude auricular, odinofagia, obstruo nasal, halitose, hiposmia ou fadiga.

Alm disso, os pacientes deveriam ser cooperativos, capazes de compreender os objetivos do estudo, psicologicamente e legalmente habilitados a participar do mesmo. Foram considerados critrios de excluso: sintomatologia presente h mais de quatro semanas, antecedentes de mais de dois episdios de rinossinusite no ano anterior incluso neste estudo, estando no mnimo, h quatro semanas assintomtico aps o ltimo episdio no dia da incluso; pacientes com antecedentes de hipersensibilidade claritromicina ou outro antibitico macroldeo; pacientes portadores de tuberculose, infec- es fngicas sistmicas, diabetes mellitus de Tipo II no compensado, insuficincia cardaca congestiva, hipertens o arterial com presso diastlica acima de 100 mmHg, bradicardia, arritmias, prolongamento do intervalo QT, cardiopatia isqumica, lcera pptica gastroduodenal ou gastrite, colite ulcerativa, herpes simples ocular, catarata ou glaucoma, insuficincia heptica ( transaminases uma vez e meia acima dos nveis normais) ou renal (creatinina srica > 2,0mg/dl), patologias hematolgicas ou metablicas graves; pacientes apresentando desvio septal que comprometesse o fluxo areo, polipose nasal ou qualquer outra afeco obstrutiva nasal; pacientes com qualquer tipo de imunodeficincia; pacientes que necessitassem fazer uso das seguintes medicaes durante o perodo do estudo: teofilina, carbamazepina, warfarina, alcalides do ergot, triazolam, midazolam, ciclosporina, terfenadina, astemizol, ritonavir e zidovudina; pacientes que tenham feito uso de CES no ms anterior incluso no estudo e de antibioticoterapia nos dez dias anteriores incluso no estudo, bem como gravidez e lactao; alcoolismo ou abuso de drogas, doena neurolgica que pudesse comprometer o andamento do estudo e os pacientes que tivessem participado de outro ensaio clnico nos ltimos trs meses antes da visita de incluso. Na Visita inicial (V1), os pacientes foram orientados a receber dois comprimidos de 5mg de prednisolona pela manh por 10 dias e um comprimido de claritromicina 500mg uma vez ao dia por 7 dias.

Caso houvesse febre e/ ou cefalia, os pacientes poderiam fazer uso de paracetamol, 750mg trs vezes ao dia, e soluo salina nasal vontade. Os dados demogrficos, bem como as doenas e medica- es concomitantes foram registrados na V1. Ainda nesta ocasio, foram aferidos os sinais vitais: presso arterial, freqncia cardaca e temperatura. O exame fsico otorrinolaringolgico foi realizado nas trs visitas (D1, D7 e D14), compreendendo:
Inspeo da face: presena de edema e/ou eritema em regio maxilar, frontal e orbital; Palpao da face: presena de dor compresso das regies maxilar, frontal, etmoidal anterior; Otoscopia: aspecto dos condutos auditivos externos (CAEs) e das membranas timpnicas (MTs) direita/esquerda; Oroscopia: aspecto da orofaringe e presena de rinorria posterior; Rinoscopia anterior: aspecto da mucosa, aspecto dos cornetos inferiores, secreo nasal, e, quando presente, seu aspecto. Tambm nas trs visitas, foram registrados os seguintes sintomas: a obstruo nasal foi avaliada quanto sua intensidade e freqncia, onde 0=ambas narinas desobstrudas, 1=obstruo em bscula, 2=ambas narinas parcialmente obstrudas algumas vezes durante o dia e 3=ambas narinas totalmente obstrudas na maior parte do tempo. A freqncia da tosse foi classificada como 0=aus ncia de tosse, 1=poucas vezes ao dia, 2=vrias vezes durante o dia e a noite e 3=muitas vezes durante o dia e a noite.

J a intensidade da tosse foi classificada como 1=fraca, 2= moderada e 3=forte, caracterizando-a como 1=produtiva ou 2=improdutiva. A odontalgia e a halitose foram registradas como 0=ausente ou 1=presente. A presen a de hiposmia foi classificada como 0=ausente, 1=diminui o moderada ou 2=anosmia. A plenitude auricular foi avaliada em 0=ausente, 1=intermitente/discreta, 2=intermitente/ moderada e 3=constante. A fadiga foi classificada como 0=ausente, 1=discreta, 2=moderada e 3=intensa. Durante todo o perodo do estudo, os pacientes foram orientados a preencher um dirio onde registraram a intensidade da cefalia em uma escala visual analgica (EVA) de 100mm, onde 0 correspondeu a nenhuma dor e 100 a dor mxima.

Foram registrados tambm a quantidade da rinorria, sendo 0=nenhuma secreo, 1=at uma colher de sopa, 2=de 1 a 2 colheres de sopa e 3=mais de duas colheres de sopa e seu aspecto: 0=nenhuma secreo, 1=aquosa, 2=aquosa, 3=esbranquiada, semelhante clara de ovo e 4=catarro amarelo esverdeado. A freqncia da obstruo nasal foi caracterizada em 0=nunca, 1=s vezes durante o dia e a noite, 2=apenas noite, 3=a maior parte do dia e da noite. A tosse foi registrada como 0=nehnuma, 1=de vez em quando, 2=vrias vezes em alguma parte do dia e 3=vrias vezes durante o dia todo. Os eventos adversos foram registrados no decorrer do estudo, sendo classificados quanto intensidade em leves, moderados e muito intensos e quanto relao causal, em provavelmente relacionados, no avaliados e improvveis. A evoluo dos resultados da nasofibroscopia e da avaliao otorrinolaringolgica foram analisados pelo Teste de McNemar.

Os sinais vitais foram analisados pela anlise de varincia e teste de mdias de Newman-Keuls. Foi adotado 0,05 (a = 5%) como nvel de significncia. RESULTADOS A idade mdia dos pacientes foi de 32,7 anos, sendo que 69% destes eram do sexo feminino e 73,2% caucasianos. Treze pacientes (18,3%) apresentavam doenas concomitantes, sendo a hipertenso a mais freqente.

O paracetamol ou outra medicao concomitante ao tratamento foram utilizados por 69% dos pacientes (Tabela 1). As presses arteriais sistlica e diastlica e a freqncia cardaca no sofreram alteraes significativas durante o estudo (PAS: F = 0,48 ns / PAD: F = 2,08 ns / FC: F = 0,26 ns).

Nas informaes obtidas da temperatura corprea, por no apresentarem homogeneidade da varincia dos dados, foi aplicado o teste no-paramtrico de Friedman para sua anlise e verificada uma diminuio significativa a partir do dia 7 (Fr = 27,84 p<0,000001) (Tabela 2). Quando realizada a inspeo da face - maxilar, frontal e periorbital observou-se significncia estatstica a partir do stimo dia de tratamento e assim se mantendo aps 14 dias de observao.

No dia 14, 98,5% dos pacientes no tinham alteraes nas regies maxilar (c2 = 24,04 -p<0,001) e periorbital (c2 = 9,60 -p<0,01) e 100% deles no apresentavam alteraes frontais (c2 = 6,13 - p<0,02) (Tabela 3). Significncia estatstica tambm foi observada quanto dor referida na palpao da face no stimo dia de tratamento, onde 87,3% dos pacientes no apresentavam dor maxilar, 91,5% no referiam dor frontal e 90,1% no referiam dor periorbital. No D14, 97% dos pacientes apresentavam-se sem dor maxilar (c2 = 41,02 - p<0,001), 100% sem dor frontal (c2 = 31,03 - p<0,001) e 95,5% sem dor periorbital (c2 = 21,04 - p<0,001). A otoscopia demonstrou que os condutos auditivos externos direito e esquerdo estavam alterados em um nmero pequeno de pacientes, no tendo sido verificada significncia estatstica.

J o aspecto das membranas timpnicas direita e esquerda melhorou significantemente desde o stimo dia de tratamento (MTD c2 = 16,06 - p<0,001 e MTEc2 = 11,08 - p<0,001 (Tabela 4 - Figura 1). O aspecto da orofaringe estava alterado em 57 pacientes (80,3%) no dia 1, 32 (45,1%) no D7 e apenas 9 (13,4%) no D14. Comparando-se o dia 1 ao 7 e o dia 1 ao 14 verificou-se que o aspecto da orofaringe obteve melhora significativa (Dia 7: c2 = 19,86 - p<0,001 / Dia 14: c2 = 41,19 - p<0,001). No D7 j encontramos um nmero significante de pacientes sem secreo na parede posterior da orofaringe (c2 = 28,03 - p<0,001), o mesmo ocorrendo no D14 (c2 = 34,23 - p<0,001) (Tabela 5). A rinoscopia anterior demonstrou que 97,2% apresentavam a mucosa nasal alterada ao incio do estudo.

No D7 encontramos 39,4% dos pacientes com mucosa normal e no D14 eram 82,1% - alteraes significativas desde o stimo dia de tratamento.

Inicialmente todos os pacientes apresentavam a mucosa nasal hiperemiada e no D14 em 80,6% dos pacientes a mucosa encontrava-se normal (c2 = 52,02 - p<0,001). Poucos pacientes tinham a mucosa nasal plida, no sendo observado alteraes significativas. A maioria dos pacientes apresentavam edema importante na mucosa nasal (88,7%) no incio do estudo, passando para 9,9% no D7 e para 1,5% dos pacientes no D14. A secreo presente no meato mdio ao incio do estudo desapareceu significantemente a partir do stimo dia de tratamento (c2 = 46,02 - p<0,001).

A hipertrofia de conchas foi significantemente reduzida com o tratamento (Figura 2). A secreo nasal, que na maioria dos pacientes era purulenta no D1 (88,7%), estava ausente no D7 em 32,4% dos pacientes (c2 = 20,05 - p<0,001) e em 61,2% dos pacientes no D14 (c2 = 36,21 - p<0,001) (Tabela 6 Figura 3). A nasofibroscopia foi realizada no incio (D1) e ao final (D14) do estudo e em todas as variveis estudas foram observadas alteraes significativas, com exceo da informa o sobre o normoposicionamento da lngua (Tabela 7 Figura 4 ). Os pacientes com ambas narinas desobstrudas no D7 correspondiam a 33,8% (c2 = 12,00 - p<0,001) e no D14 eram 58,2% (c2 = 28,66 - p<0,001) (Figura 5). As informaes sobre a freqncia, intensidade e tipo de tosse encontram-se na Tabela 8, demostrando a evoluo significativa quanto ausncia da tosse aps o tratamento (D7: c2 = 17,39 - p<0,001 / D14: c2 = 44,02 - p<0,001). Houve uma melhora significativa da odontalgia a cada visita, sendo que no D14 nenhum paciente apresentava dor (Figura 6). O nmero de pacientes com ausncia da halitose e da hiposmia j era significativo desde o stimo dia de tratamento, mantendo-se at o D14, conforme a Tabela 9. A plenitude auricular estava presente em 47,8% dos pacientes no incio do estudo, passando para 12,6% no D7, estando ausente na totalidade de pacientes (100%) no D14 (c2 = 29,03 - p<0,001) (Figura 7). A fadiga, presente em 88,7% dos pacientes no D1, no era mais observada em 59,1% deles no D7 e em 94% dos paciente no D14 tendo havido melhora estatisticamente significativa (Figura 8). Todo os parmetros avaliados pelo dirio do paciente apresentaram melhora progressiva (Figuras 9 a 13), demonstrando uma evoluo favorvel do quadro clnico, especialmente a cefalia e a quantidade da secreo nasal. Observamos um aumento da tosse e da secreo catarral no segundo dia do tratamento, provavelmente relacionado melhora da obstruo e conseqente facilidade na drenagem dos seios paranasais.

Nos dias subsequentes, houve melhora progressiva e rpida do aspecto da secreo, diminuio da freqncia da tosse e da obstruo nasal. Houve uma melhora significativa de todos os sintomas clnicos com o tratamento proposto ao final do estudo. Todos os pacientes que receberam pelo menos uma dose da medicao em estudo foram includos na anlise de tolerabilidade (73 pacientes). Deste total, 38,4% reportaram pelo menos um evento adverso, sendo o mais comum a epigastralgia. Foram de intensidade leve 51,4% dos eventos apresentados, 40% moderados e 8,6% muito intensos, conforme Tabela 9. Quando solicitado ao investigador que relacionasse ou no o evento adverso medicao em estudo, tivemos 42,9% dos eventos classificados como provavelmente relacionados, 34,3% no avaliados e 22,9% improvveis.





























DISCUSSO

Dentre os fatores causais da rinossinusite bacteriana aguda esto a obstruo da drenagem dos seios paranasais e a reteno da secreo produzida, relacionadas hiperplasia da mucosa e a perda da funo ciliar adequada (12). Seu diagnstico feito com base nos sinais e sintomas clnicos, como a rinorria, cefalia, obstruo nasal, dor facial e tosse. Desta forma, os benefcios da antibioticoterapia instituda empiricamente para a rinossinusite aguda so amplamente reconhecidos (13-15). Foi sugerido que o emprego de corticosterides beneficiem os pacientes uma vez que estes promovem uma diminuio da resposta inflamatria e assim, do edema da mucosa.

Estas aes acarretariam uma maior aerao dos seios paranasais, melhorando sua drenagem e contribuindo para a melhora da sintomatologia (1). Este rpido recrudescimento do quadro clnico relevante, medida que sabemos hoje do impacto que a rinossinusite tem sobre a asma, bem como da freqncia do absentesmo ao trabalho e escola decorrentes desta afeco. A melhora dos sintomas clnicos e dos achados nasofibroscpicos de todos os parmetros clnicos estudados foram estatisticamente significantes desde o D7, especialmente do edema da mucosa nasal, presena de secre- o no meato mdio, evoluo o aspecto da secreo nasal e da tosse.

Tambm no D14 a significncia em relao aos dados basais relevante para todos os sinais e sintomas estudados. Atravs do dirio do paciente, observou-se uma rpida melhora da cefalia, e da quantidade da secreo nasal. Tambm a obstruo, o aspecto da rinorria e a tosse melhoraram de forma relevante nos primeiros dias de tratamento. Ambas os frmacos foram bem tolerados, com a maioria dos eventos adversos sendo de intensidade leve a moderada, predominando a origem gastrointestinal destes. Dentre os antibiticos macroldeos, a claritromicina est descrita como apresentando menor freqncia de eventos adversos gastrointestinais (16). Tambm a disgeusia, freqentemente relacionada claritromicina, foi relatada em concordncia com os estudos publicados (7).

Apenas dois pacientes saram do estudo devido falha teraputica. Uma vantagem adicional seria a administrao em dose nica das medicaes do estudo, relacionada maior aderncia ao tratamento. Dados da literatura demonstram a eficcia superponvel da amoxicilina e da claritromicina no tratamento da rinossinusite aguda e de outras infeces do trato respiratrio (8) (16) (17). Em concluso, este estudo reproduziu a prtica diria, onde a associao antibioticoterapia mais corticoterapia sistmica demonstrou ser eficaz, trazendo uma melhora importante da sintomatologia de todos os parmetros estudados. As medicaes do estudo foram bem toleradas, com os eventos adversos gastrointestinais sendo os mais freqentes.

REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. I Consenso Brasileiro sobre Rinossinusite. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, 65(3 Pt 2), suplemento 9:5-30,1999.
2. Henry DC, Moller DJ, Adelglass J, et al. Comparison of sparfloxacin and clarithromycin in the treatment of acute bacterial maxillary sinusitis. Clinical Therapeutics, 21(2): 340-52, 1999.Figura 13. Evoluo da obstruo nasal, segundo o Dirio do Paciente.141
3. Reiner A, von Mechlenburg C, Toremalm NG. The mucociliary activity of the upper respiratory tract . A functional and morphologic study on human and animal material with special reference to the maxillary sinus diseases. Acta Otolaryngol Suppl (Stockh), 355:1, 1978.
4. Agency for Health Care Policy and Research. Diagnosis and treatment of Acute bacterial Rhinosinusitis. Rockville,MD: Agency for Health Care Policy and Research, 1999.
5. Lanza DC, Kennedy DW. Adult rhinosinusitis defined. Otolaryngol Head Neck Surg, 117:S1-S7, 1997.
6. Sinus and Allergy Health Partnership. Antimicrobial treatment guidelines for acute bacterial rhinosinusitis. Otolaryngol Head Neck Surg, 23:S1-S32, 2000.
7. Adelglass J, Jones TM, Ruoff G, Kahn JB, Wiesinger BA, Gauvin, KR, Siu CO. A multicenter, investigator-blinded, randomized comparison of oral levofloxacin and oral clarithromycin in the treatment of acute bacterial sinusitis. Pharmacotherapy, 18(6):1255-63, 1998.
8. Calhoun KH, Hokanson J. Multicenter comparison of clarithromycin and amoxicillin in the treatment of acute maxillary sinusitis. Arch Fam Med, 2:837-840, 1993.
9. Goldman MP, Longworth DL. The role of azithromycin and clarithromycin in clinical practice. Cleveland Clinic Journal of Medicine, 60(5):359-363, 1993.
10. Marwah RJ, Pickup ME, et als. A pharmacological and clinical comparison of prednisolone and betamethasone in Rheumatoid Arthritis. Eur J Clin Pharmacol, 23:321-5, 1982.
11. Drug Information for the Health Care Professional vol 1, 19th Edition, Micromedex, 1999.
12. Stefansson P, Jacovides A, Jablonicky P, Sedani S, Staley H. Cefuroxime axetil versus clarithromycin in the treatment of acute maxillary sinusitis. Rhinology, 36(4):173 .178, 1998.
13. Henry DC, Moller DJ, Adelglass J, Scheld WM, Jablonski CK, Zhang H, Talbot GH. Comparison of sparfloxacin and clarithromycin in the treatment of acute bacterial maxillary sinusitis. Clinical Therapeutics, 21(2):340-352, 1999.
14. Williams JW, Holleman DR Jr, Samsa GP, Simel DL. Randomized controlled trial of 3 vs 10 days of thrimetoprim/ sulfamethoxazole for acute maxillary sinusitis. JAMA, 273:1015-1021, 1995.
15. Van Buchem FL, Knottnerus JA, Schrijnaemakers VJ, Peeters MF. Primary-care based randomised placebocontrolled trial of antibiotic treatment in acute maxillary sinusitis. Lancet, 349:683-687, 1997.
16. Marchi E. Comparative efficacy and tolerability of clarithromycin and amoxycillin in the treatment of outpatients with acute maxillary sinusitis. Curr Med Res Opin, 12(19):19-24, 1990.
17. Karma P, Pukander J, Pentilla M, Ylikoski J, Savolainen S, Oln L, Mlen I, Lth S. The comparative efficacy and safety of clarithromycin in the treatment of outpatients with acute maxillary sinusitis. Journal of Antimicrobial Chemotherapy, 27(Suppl A):83-90, 1991.

* Professor Doutor Titular da Disciplina de Otorrinolaringologia do HCFMUSP; Diretor da Diviso de Otorrinolaringologia do HCFMUSP.
** Professor Associado da Disciplina de Otorrinolaringologia do HCFMUSP.
*** Professor Doutor Titular da Disciplina de Otorrinolaringologia do HCFMUFPR. Chefe do Servio de Otorrinolaringologia do Hospital das Clnicas da Faculdade de Medicina
da Universidade do Paran.
**** Ex - Professor Titular do Setor de Otorrinolaringologia da UFRJ.
***** Chefe do COF - Centro de Otorrinolaringologia e Fonoaudiologia do Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos-SP.
****** Mdica otorrinolaringologista e alergologista do Hospital Srio Libans - SP e do COF - Centro de Otorrinolaringologia e Fonoaudiologia do Hospital Prof. Edmundo
Vasconcelos - SP. Ps-graduanda (Doutorado) em Otorrinolaringologia do HCFMUSP.
******* Professora Assistente da Disciplina de Otorrinolaringologia e Servio de Cabea e Pescoo da FAMERP - Faculdade de Medicina de So Jos do Rio Preto - SP.

Endereo para correspondncia: Dr. Aroldo Miniti . Diviso de Clnica Otorrinolaringolgica . Hospital das Clnicas da FMUSP - Avenida Dr. Enas de Carvalho Aguiar,
255 . 6 andar . sala 61-67 . Telefax (11) 3088 0299.
Patrocinador: ASTA Medica Ltda
Artigo recebido em 28 de abril de 2003. Artigo aceito em 6 de maio de 2003.
  Print:

 

All right reserved. Prohibited the reproduction of papers
without previous authorization of FORL © 1997- 2023