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Ano: 2009  Vol. 13   Num. 2  - Abr/Jun Print:
Case Report
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Miopericitoma em Fossa Nasal
Myopericytoma in Nasal Cavity
Author(s):
Arethusa Ingrid de Liz Medeiros1, Ian Selonke2, Elise Zimmermann3, Paulo Eduardo Przysiezny4, Sadi Roberto Menta5
Palavras-chave:
hemangiopericitoma, neoplasias nasais, obstruo nasal, tumor vascular.
Resumo:

Introduo: Os miopericitomas representam cerca de 1 % dos tumores vasculares, sendo relativamente comum na regio de cabea e pescoo, 25% dos casos, e raro nas cavidades nasais e paranasais. Objetivo: Descrever um caso de miopericitoma em fossa nasal. Relato do Caso: Apresentamos um caso de paciente adulta, do sexo feminino, com queixas de obstruo nasal, dor em regio de fossas nasais e epistaxe eventual em fossa nasal direita, apresentando massa angiomatosa e facilmente sangrante, no pulstil, ocupando toda fossa nasal direita. Comentrios Finais: Os mopericitomas so tumores vasculares incomuns, raramente localizados na cavidade nasal e nos seios paranasais. Devem ser includos no diagnstico diferencial das massas bem delimitadas, vasculares e de crescimento lento tomografia computadorizada.

INTRODUO

Os neoplasmas benignos perivasculares compreendem a famlia dos tumores glmicos e hemangiopericitomas (1). O tumor glmico uma neoplasia incomum originria de clulas neuromioarteriais (clulas glmicas).

Os hemangiopericitomas compreendem cerca de 1% dos tumores vasculares, ocorrendo em cerca de 25% dos casos na regio de cabea e pescoo, particularmente no couro cabeludo, face e pescoo. A ocorrncia nas cavidades nasais e paranasais rara (2).

Histologicamente, os hemangiopericitomas apresentam vasos sanguineos ramificados com paredes finas e fibras pericelulares de reticulina. No entanto, tem sido demonstrado que neoplasias mesenquimais de vrias linhas de diferenciao tm se encaixado nesta definio, sendo o termo "hemangiopericitoma" caracterstico de um padro morfolgico de crescimento ao invs de uma entidade clinicopatolgica distinta (1).

Um grupo de leses chamadas antigamente de hemangiopericitomas na verdade representam casos de miopericitomas, os quais mostram um arranjo radial e perivascular de clulas neoplsicas ovoides, fusiformes volumosas a redondas, as quais so chamadas miopericitos (micitos) (1, 3, 4).


RELATO DO CASO

MAP., feminina, 66 anos, natural e procedente de Curitiba / PR, compareceu ao ambulatrio de otorrinolaringologia do Hospital Angelina Caron em 15 de agosto de 2006. Nesta data, apresentava-se com queixas de obstruo nasal, dor em regio de fossas nasais e epistaxe eventual em fossa nasal direita, de longa data, com piora h cerca de 8 meses.

Ao exame rinoscpico anterior, observou-se massa angiomatosa frivel e facilmente sangrante, no pulstil, ocupando toda fossa nasal direita. Ao exame tomogrfico verificou-se velamento por material de densidade de tecido mole em toda fossa nasal direita.

Optou-se pela realizao de bipsia incisinal da leso via fossa nasal direita com saca-bocado, aps anestesia tpica com soluo de neotutocana e vasoconstritor, seguindo-se por tamponamento anterior com algodo embebido em vasoconstritor.

Cerca de dez dias aps a coleta de material, o resultado da bipsia demonstrou miopericitoma.

Realizou-se em 20 de setembro de 2006, estudo arteriogrfico que evidenciou massa bem vascularizada, delimitada, ocupando toda fossa nasal direita.

De posse destas informaes, optou-se pela realizao de embolizao dez dias antes do procedimento cirrgico endoscpico. Em primeiro de novembro de 2006, realizou-se interveno cirrgica nasosinusal endoscpica sob anestesia geral, removendo-se a leso de fossa nasal direita que estava pediculada em mucosa septal pstero-superior.

A paciente evoluiu bem, sem nenhum sangramento ps-operatrio, apresentando at a data de hoje excelente evoluo sem sintomas.


DISCUSSO

A designao "miopericitoma" foi primeiro sugerida por Requera e cols. (3) em 1996 para descrever um conjunto de miofibromas cutneos no adulto.

Embora raros, os miopericitomas devem ser lembrados no diagnstico diferencial das massas bem delimitadas a tomografia. As angiografias demonstram que esses tumores so ricamente vascularizados (5).

Afetam com maior frequncia adultos de meia idade, podendo se localizar no tecido drmico ou subcutneo com preferncia pela parte distal das extremidades (6).

O quadro clnico depende da localizao e do tamanho, podendo quando nas fossas nasais causarem obstruo nasal e epistaxe (2).

A maioria dos miopericitomas se comporta de forma benigna (indolor e com crescimento lento), no entanto, raros casos de miopericitoma maligno tm sido relatados recentemente, sendo neste caso mais agressivo (1, 6).

Granter e cols. (7) descreveram sete casos localizados em regio subcutnea. Cox e Giltman (4) relatam um caso em vrtebra torcica causando lise ssea.

Seu tratamento cirrgico (6), podendo assim como o nasoangiofibroma ser feito via endoscpica ou via aberta (8). Atualmente convm realizar embolizao tumoral seletiva previamente a todas as tcnicas, para facilitar o acesso cirrgico. A via endoscpica uma tima alternativa, pois alm de menos agressiva, observa-se menor morbidade, sangramento mnimo, menor tempo de cirurgia e maior eficcia, alm de menos complicaes trans e ps-operatrias (8).

Os hemangiopericitomas sinonasais ps cirurgia recidiva localmente em 25% dos casos, e menos de 5% metastizam (2).


COMENTRIOS FINAIS

Os mopericitomas so tumores vasculares incomuns, raramente localizados na cavidade nasal e nos seios paranasais. Devem ser includos no diagnstico diferencial das massas bem delimitadas, vasculares e de crescimento lento tomografia computadorizada.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. Mentzel T, Dei Tos AP, Sapi Z, Kutzner H. Myopericytoma of Skin and Soft Tissues Clinicopathologic and Immunohistochemical Study of 54 Cases. Am J Surg Pathol. 2006, 30(1),104-13.

2. Sennes LU, Sanchez TG, Butugau O, Miniti A. Hemangiopericitoma nasal: relato de um caso. Rev Bras Otorrinolaringol. 1993, 59(3),209-11.

3. Requena L, Kutzner H, Hugel H, et al. Cutaneous adult myofibroma: a vascular neoplasm. J Cutan Pathol. 1996, 23(5):445-57.

4. Cox DP, Giltman L. Myopericytoma of the thoracic spine: a case report. SPINE. 2003, 28(2),E30-E32.

5. Alves APX, Flix PR, Cruz AAV. Hemangiopericitoma de rbita. Arq Bras Oftalmol. 2001, 64:159-62.

6. Torres AM, Carrera ML, Megias VC, Dovao JT. Ndulo em dorso de Mueca. Servio de anatomia patolgica. Reunin de la Asociacin Territorial de Madrid Acesso em 01/04/2007, Disponvel em http://www.seap.es/regional/madrid/junio04/hfuenlabrada.htm

7. Granter S, Badizadegan K, Fletcher C. Myofibromatosis in adults, glomangiopericytoma, and myopericytoma: a spectrum of tumors showing perivascular myoid differentiation. Am J Surg Pathol. 1998, 22:513-25.

8. Ferreira LMBM, Gomes EF, Azevedo JF, Souza JRF, Arajo RP, Rios ASN. Resseco endoscpica de nasoangiofibroma. Rev Bras Otorrinolaringol. 2006, 72(4):475-80.










1. Residente Otorrinolaringologia.
2. Mestrado. Preceptor Servio Otorrinolaringologia Hospital Angelina Caron.
3. Mdica Otorrinolaringologista.
4. Residente. Mdico Otorrinolaringologista.
5. Mdico.

Instituio: Hospital Angelina Caron - Servio de Otorrinolaringologia. Curitiba / PR - Brasil.

Endereo para correspondncia:
Arethusa Ingrid de Liz Medeiros
Praa Osrio, 225 - Apto. 401 - Centro
Curitiba / PR - Brasil - CEP: 80020-010
Telefone: (+55 41) 3111-3099
E-mail: ianselonke@yahoo.com.br

Artigo recebido em 13 de Julho de 2008.
Artigo aceito em 11 de Abril de 2009.
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