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Ano: 2009  Vol. 13   Num. 2  - Abr/Jun Print:
Case Report
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Corneto Inferior Bolhoso Bilateral
Bilateral Bubble-like Inferior Turbinate
Author(s):
Caio Athayde Neves1, Henrique Fernandes de Oliveira2, Mario Orlando Dossi2, Giovanni Paolo Seronni3, Oswaldo Nascimento Jnior4
Palavras-chave:
obstruo nasal, conchas nasais, cirurgia.
Resumo:

Relato do Caso: Apresentamos um caso de pneumatizao bilateral dos cornetos inferiores, condio muito rara, clinicamente manifesta por obstruo. A abordagem cirrgica foi cuidadosamente planejada e conduzida, devido a uma grande comunicao entre os seios maxilares e as conhas inferiores bolhosas.

INTRODUO

Neste artigo apresentamos caso de paciente com obstruo nasal e cornetos inferiores bolhosos bilateralmente, com ampla comunicao com seios maxilares, e sua abordagem cirrgica. Trata-se de condio clnica muito rara, com pouqussimos casos descritos. Na literatura em lngua inglesa foram descritos 12 casos de cornetos inferiores bolhosos, 06 deles bilaterais.

Obstruo nasal uma das queixas mais comuns em consultas otorrinolaringolgicas e relaciona-se proporcionalmente resistncia das fossas nasais. Esta, por sua vez, tem como principal fator a hipertrofia dos cornetos inferiores, notadamente na sua regio anterior (1), que faz da regio da vlvula nasal o menor dimetro da coluna area das vias areas superiores.

Os cornetos inferiores (CI) so compostos pela poro interna, constituda pelo osso conchal, esponjiforme, que se articula com a face nasal da maxila e com a lmina perpendicular do osso palatino; e pela poro externa que recobre o osso, a superfcie mucosa com capacidade expansiva (2). Os CI tm papel importante na fisiologia nasal e na proteo das vias areas, proporcionando umidificao e regulao da temperatura do ar inalado. Ambos componentes (sseo e mucoso) podem, separados ou conjuntamente (mais comum), ser responsveis pela hipertrofia dos cornetos inferiores, manifestando-se clinicamente pela obstruo nasal.

Os CI podem ser classificados tomograficamente de acordo com sua configurao ssea (3) em Tipo I, ou lamelar, com osso caracterizado por fina lamela; Tipo II, ou compacto, com volumosa massa ssea; Tipo III, o misto, combinando caractersticas dos tipos anteriores; e o Tipo IV, uma variante rara do corneto inferior, o tipo bolhoso, que tem sido diagnosticado incidentalmente pela difuso da tomografia computadorizada (TC) (4).


RELATO DO CASO

Paciente de 18 anos, masculino, apresentou-se em nosso servio com obstruo nasal importante bilateral, sem resposta terapia medicamentosa. Sem histria de sinusopatia ou cirurgia nasossinusal. Apresentou hipertrofia de cornetos inferiores e desvio septal acentuado para esquerda rinoscopia anterior.

Exame endoscpico de rotina pr-operatrio apontou cornetos inferiores obstrutivos e no responsivos volumetricamente vasoconstrio, alm do desvio septal.

Na TC de seios paranasais (Figura 1) encontrou-se cornetos inferiores bolhosos (pneumatizados) bilateralmente, ambos com ampla comunicao de sua cavidade ssea com o seio maxilar ipsilateral.


Figura 1. TC coronal mostrando pneumatizao dos cornetos inferiores.



Durante ato operatrio foi feita correo do desvio do septo nasal seguida pela abordagem do corneto inferior, com inciso mucosa na poro antero-inferior e disseco subperiostal das mucosas medial e lateral, com exposio do osso turbinal. Na poro mdio-posterior do CI, correspondente a poro bolhosa, foi ressecada poro inferior do osso turbinal. Neste momento estava feita a antrostomia maxilar pelo corneto inferior, agora com a disposio de duas lminas sseas permitindo a aproximao da lmina lateral a lamina medial, desfazendo a poro bolhosa. As mucosas lateral e medial foram dispostas de modo a recobrir o osso (Figura 2).


Figura 2. A- Pr-operatrio. B- Intra-operatrio - Meatotomia turbinal. C- Intra-operatrio - Disseco e lminas mucosa(m), sseas(o) e maxilar (*). D- Aspecto ps-operatrio.



O acompanhamento ps-operatrio foi sem particularidades e na terceira semana de seguimento, com melhora da respirao nasal, nova endoscopia nasal permitiu a visualizao da imagem do corneto inferior de tamanho normal, sem sinal de comunicao do meato inferior com seio maxilar.


DISCUSSO

A avaliao de paciente com queixa de obstruo nasal deve incluir exame fsico e endoscopia nasal de rotina, visando identificar alteraes funcionais e anatmicas que embasem o tratamento clnico e/ou cirrgico. Em pacientes com quadro suspeito de rinossinusite fundamental o estudo tomogrfico para planejamento cirrgico e acompanhamento.

At dois teros da resistncia das vias areas superiores produzida pela cabea do corneto inferior na regio da vlvula nasal (1), tornando esta regio a de menor dimetro transverso das vias areas superiores. Geralmente a hipertrofia mista dos cornetos inferiores (ssea e mucosa) observada em pacientes com obstruo nasal e inmeras tcnicas so descritas e aplicadas no tratamento desta alterao.

O manejo cirrgico est indicado quando tratamento medicamentoso com anti-histamnicos e corticosteroides tpicos falharam e o paciente tem causa tratvel cirurgicamente de obstruo, que pode ser feita pelo uso de lmina fria, eletrocautrio, laser, microdebridador, entre outros (2).

Cornetos inferiores bolhosos (pneumatizados) so raramente encontrados e por isso ignorados por muitos otorrinolaringologistas.

Este achado bilateral ainda mais raro e deve ser tratado (5) quando responsvel por sintomas obstrutivos, como no caso apresentado. Entretanto, a ampla comunicao da regio pneumatizada do corneto com o seio maxilar mostrou-se um desafio, no sentido de abordar o corneto sem provocar uma comunicao do meato inferior com o seio.

Apesar de achado raro, o corneto inferior pnematizado deve fazer parte do diagnstico diferencial da obstruo nasal, a fim de possibilitar programao cirrgica adequada e evitar surpresas durante operaes comuns como a turbinectomia inferior.


REFERNCIA BIBLIOGRFICA

1. Egeli E, Demirci L, Yazc B, Harputluoglu U. Evaluation of the inferior turbinate in patients with deviated nasal septum by using computed tomography. Laryngoscope. 2004, 114:113-17.

2. Berger G, Balum-Azim M, Ophir D. The Normal Inferior Turbinate: Histomorphometric Analysis and Clinical Implications. Laryngoscope. 2003, 113:1192-98.

3. Akoglu E, Karazincir S, Balci A, Okuyucu S, Sumbas H, Dagli AS. Evaluation of the turbinate hypertrophy by computed tomography in patients with deviated nasal septum. Otolaryngol Head Neck Surg. 2007, 136(3):380-4.

4. Braun H, Stammberger H. Pneumatization of turbinates. Laryngoscope. 2003, 113:668-72.

5. Kiroglu AF, Cankaya H, Yuca K, Kara T, Kiris M. Isolated turbinitis and pneumatization of the concha inferior in a child. Am J Otolaryngol. 2007, 28(1):67-8.










1. Mdico. Residente R3 do Hospital das Foras Armadas.
2. Mdico. Residente R2 de Otorrinolaringologia.
3. Mdico. Residente R3 de Otorrinolaringologia.
4. Otorrinolaringologista. Chefe da Clnica de Otorrinolaringologia do Hospital das Foras Armadas.

Instituio: Hospital das Foras Armadas. Braslia / DF - Brasil.

Endereo para correspondncia:
Caio Athayde Neves
Avenida Contorno do Bosque S/N - HFA (Otorrinolaringologia)
Cruzeiro Novo - Braslia - DF - Brasil - CEP: 7065-8900

Artigo recebido em 20 de Julho de 2008.
Artigo aceito em 05 de Maro de 2009.
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