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Ano: 2000  Vol. 4   Num. 2  - Abr/Jun Print:
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Comit Nacional de Rudo e Conservao Auditiva (Boletim n 6)
Author(s):
.
Palavras-chave:
Diretrizes Bsicas de um PCA (Programa de Conservao Auditiva)

Recomendaes Mnimas para a Elaborao de um PCA

1. Considerando as seguintes publicaes oficiais que determinam a elaborao de um PCA:

 PCMSO e PPRA, (Portaria N 24, 1994)

 Portaria N 19 de 09/04/98 do MTb

 OS N 608 de 05/08/98 do MPS

2. Considerando a necessidade de estabelecer uma padronizao de um PCA como subsdio para os profissionais da rea de sade e segurana do trabalho.

3. Considerando a possibilidade de preveno, a alta prevalncia, a irreversibilidade e a severidade dos efeitos da PAIR,

O Comit Nacional de Rudo e Conservao Auditiva, rgo interdisciplinar constitudo pela ANAMT (Associao Nacional de Medicina do Trabalho), SOBRAC (Sociedade Brasileira de Acstica), SBFa (Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia), SBO (Sociedade Brasileira de Otologia) e SBORL (Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia) vem sugerir as seguintes diretrizes bsicas para elaborao de um PCA:

Para a realizao do PCA necessrio o envolvimento de profissionais da rea de sade segurana, da gerncia industrial e de RH das empresas e principalmente dos trabalhadores.

ETAPAS

I. Reconhecimento e avaliao de riscos para audio

1. Identificar e avaliar, todos os riscos que possam afetar a audio, a saber: nveis elevados de presso sonora, produtos qumicos, vibraes e outros levando em conta as possibilidades de interaes entre estes agentes.

2. A caracterizao da exposio s possvel por meio de avaliao individual ou coletiva e por funo.

II. Gerenciamento Audimtrico

Padronizao dos procedimentos para a realizao e anlise de exames com o objetivo de identificar alteraes audiomtricas ocupacionais ou no ocupacionais.

III. Medidas de Proteo Coletiva (Engenharia, Administrativas)

Uma vez identificados e avaliados os agentes de risco, sugerimos a seguinte hierarquia de aes sempre que possvel:

1 Controle da emisso na fonte principal de exposio ou risco.

2 Controle da propagao do agente no ambiente de trabalho.

3 Controles administrativos.

IV. Medidas de Proteo Individual

Seleo, indicao, adaptao e acompanhamento da utilizao do equipamento de proteo individual adequado aos riscos.

V. Educao e Motivao

Desenvolvimento de atividades que propiciem informao, treinamento e motivao tanto dos trabalhadores como dos profissionais das reas de sade, segurana e administrao da instituio.

VI. Gerenciamento dos Dados

Sistematizao dos dados obtidos nas etapas anteriores, de modo a subsidiar aes de planejamento e controle do PCA.

VII. Avaliao do Programa

Sendo o objetivo primordial de qualquer PCA evitar ou reduzir a ocorrncia de perdas auditivas ocupacionais, esta etapa deve priorizar os seguintes aspectos:

1 Avaliar a abrangncia e a qualidade dos componentes do programa.

2 Avaliar os resultados dos exames audiomtricos individual e setorialmente.

O Comit Nacional de Rudo e Conservao Auditiva enfatiza que devero serem observadas as peculiaridades de cada instituio na elaborao de um PCA.

Estas recomendaes podem ser revistas de acordo com os avanos tcnico-cientficos.

So Paulo (SP), 20 de agosto de 1999.

ANAMT - Associao Nacional de Medicina do Trabalho
Dr. Joo Alberto Maeso Montes - RS
Dr. Osny de Melo Martins - PR

SOBRAC - Sociedade Brasileira de Acstica
Fga. Mestre Ana Cladia Fiorini - SP

SBFa - Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia
Fga. Dra. Ida Chaves Pacheco Russo - SP
Fga. Mestre Marcia Tiveron de Souza - SP

SBO - Sociedade Brasileira de Otologia
Dr. Jos Seligman - RS
Dr. Raul Nielsen Ibaez - RS

SBORL - Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia
Dr. Alberto Alencar Nudelmann - RS
Dr. Everardo Andrade da Costa - SP

Comit Nacional de Rudo e Conservao Auditiva (Reviso dos Boletins N 1, 2, 3 e 4) - Boletim 7

Boletim n 1

Perda Auditiva Induzida pelo Rudo Relacionada ao Trabalho

O Comit Nacional de Rudo e Conservao Auditiva, rgo interdisciplinar composto por membros indicados pela Associao Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) e pelas Sociedades Brasileira de Acstica (SOBRAC), Fonoaudiologia (SBFa), Otologia (SBO) e Otorrinolaringologia (SBORL) definiu e caracterizou a perda auditiva induzida pelo rudo (PAIR) relacionada ao trabalho, com o objetivo de apresentar o posicionamento oficial da comunidade cientfica brasileira sobre o assunto.

Definio

A perda auditiva induzida pelo rudo relacionada ao trabalho, diferentemente do trauma acstico, uma diminuio gradual da acuidade auditiva, decorrente da exposio continuada a elevados nveis de presso sonora.

Caractersticas Principais

1. A PAIR sempre neuro-sensorial, em razo do dano causado as clulas do rgo de Corti.

2. Uma vez instalada, a PAIR irreversvel e, quase sempre, similar bilateralmente.

3. Raramente leva perda auditiva profunda pois, no ultrapassa os 40 dB Na nas freqncias baixas e mdias e os 75 dB Na nas freqncias altas.

4. Manifesta-se primeira e predominantemente nas freqncias de 6, 4 e 3 kHz e, com agravamento da leso, estende-se s freqncias de 8, 2, 1, 0,5 e 0,25 kHz, as quais levam mais tempo para serem comprometidas.

5. Tratando-se de uma doena predominantemente coclear, o portador da PAIR relacionada ao trabalho pode apresentar intolerncia sons intensos, zumbidos, alm de ter comprometida a inteligibilidade da fala, em prejuzo do processo de comunicao.

6. Uma vez cessada a exposio ao rudo no dever haver progresso da PAIR.

7. A PAIR relacionada ao trabalho e, principalmente, influenciada pelos seguintes fatores: caractersticas fsicas do rudo (tipo, espectro e nvel de presso sonora), tempo de exposio e suscetibilidade individual.

8. A PAIR relacionada ao trabalho geralmente atinge o nvel mximo para as freqncias de 3, 4 e 6 kHz nos primeiros 10 a 15 anos de exposio, sob condies estveis de rudo. Com o passar do tempo, a progresso da leso torna-se mais lenta.

9. A PAIR relacionada ao trabalho no torna o ouvido mais sensvel a futuras exposies.

10. O diagnstico nosolgico de PAIR relacionada ao trabalho s pode ser estabelecido por meio de um conjunto de procedimentos que envolvam anamnese clnica e ocupacional, exame fsico, avaliao audiolgica e, se necessrio, exames complementares.

11. A PAIR relacionada ao trabalho pode ser agravada pela exposio simultnea a outros agentes, como por exemplo produtos qumicos e vibraes.

12. A PAIR relacionada ao trabalho uma doena passvel de preveno e pode acarretar ao trabalhador alteraes funcionais e psicossociais capazes de comprometer sua qualidade de vida.

Estes conceitos podem ser revistos de acordo com os avanos tcnico-cientficos.

Emitido em So Paulo, em 29/06/94
Revisto em So Paulo, em 14/11/99

Boletim n 2

Padronizao da Avaliao Audiolgica do Trabalhador Exposto ao Rudo

O Comit Nacional de Rudo e Conservao Auditiva, rgo interdisciplinar composto por membros indicados pela Associao Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) e pelas Sociedades Brasileira de Acstica (SOBRAC), Fonoaudiologia (SBFa), Otologia (SBO) e Otorrinolaringologia (SBORL) considerando que:

1. A audiometria tonal limiar, exame obrigatrio por lei, um dos mtodos que compem a avaliao audiolgica;

2. Este mtodo subjetivo e, como tal, pode sofrer variaes relacionadas ao trabalhador, examinador, ambiente e equipamento. Para reduzir os efeitos destas variaes e aumentar a confiabilidade dos resultados recomenda a observao dos seguintes requisitos:

Requisitos

a) Repouso auditivo de, no mnimo 14 horas;

b) exame realizado por profissional legalmente habilitado - fonoaudilogo ou mdico;

c) identificao do trabalhador com documento oficial que contenha fotografia;

d) anamnsese clnica e ocupacional;

e) inspeo visual do meato acstico externo no momento do exame;

f) ambiente para a realizao do exame segundo a norma ISO 8253-1;

g) calibrao acstica anual do audiometro, pela RBC (Rede Brasileira de Calibrao);

h) verificao subjetiva do audiometro precedendo a realizao dos exames audiomtricos;

i) orientao ao trabalhador quanto a finalidade e a sistemtica do exame;

j) via area: freqncias de 250, 500, 1000, 2000, 3000, 4000, 6000 e 8000 Hz

k) via ssea, quando necessria: freqncias de 500, 1000, 2000, 3000 e 4000 Hz;

l) Limiar de Reconhecimento de Fala (SRT) e Imitanciometria devem ser realizados a critrio do examinador;

m) periodicidade dever ser, no mnimo: pr-admissional, seis meses aps a admisso, anualmente a seguir e demissional;

n) a ficha de registro audimtrico deve conter no mnimo: nome, idade, identificao do examinado, data do exame, nome, assinatura e registro profissional do examinador, equipamento utilizado, data da calibrao acstica, traado audiomtrico, tempo declarado de repouso auditivo, achados da inspeo visual do meato acstico externo e observaes.

Gerenciamento

a) Consiste na monitorao audiomtrica do trabalhador com o objetivo de acompanhar a evoluo dos limiares auditivos, partindo de uma audiometria de referncia;

b) para cumprir este objetivo, a determinao dos limiares tonais poder ser realizada somente por via area.

Interpretao audiomtrica

a) O valor de 25 dB Na constitui o limite aceitvel na rea de sade ocupaciona;

b) na comparao com o exame de referncia, considerada mudana significativa de limiares auditivos, os critrios recomendados pelo SBO em 1993, ou seja: "diferenas entre as mdias aritmticas que atingirem 10 dB, ou mais, no grupo de freqncias de 500, 1000 e 2000 Hz, ou no grupo de 3000, 4000 e 6000 Hz. As pioras em freqncias isoladas s sero consideradas significativas quando atingirem 15 dB ou mais".

Estes conceitos podem ser revistos de acordo com os avanos tcnico-cientficos.

Referncias Bibliogrficas

INFORMATIVO SBORL, Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia, janeiro de 1994, n 1.

Norma ISO 8253-1 (1989).

Emitido em So Paulo em 18/03/95
Revisto em Belo Horizonte em 04/11/95 e em so Paulo e 14/11/99

Boletim n 3

Condutas na Perda Auditiva Induzida pelo Rudo

Uma vez estabelecido o diagnstico de Perda Auditiva Induzida pelo Rudo relacionada ao trabalho, o Comit Nacional de Rudo e Conservao Auditiva, rgo interdisciplinar composto por membros indicados pela Associao Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) e pelas Sociedades Brasileiras de Acstica (SOBRAC), Fonoaudiologia (SBFa), Otologia (SBO) e Otorrinolaringologia (SBORL) recomenda as seguintes condutas, diante de um trabalhador acometido por PAIR:

a. Relativas ao exame audimtrico admissional

a.1. Na presena de exames anteriores:

a.1.1. considerar de baixo riso a admisso o trabalhador portador de PAIR com limiares auditivos comprovadamente estabilizados, sem sintomatologia clnica;

a.1.2. considerar de alto risco a admisso do trabalhador para postos ou ambientes de trabalho ruidosos se o mesmo apresentar progresso dos limiares auditivos, segundo critrios definidos no Boletim n2 deste Comit.

a.2. Na presena ou ausncia de exames anteriores:

a.2.1. considerar de alto riso a admisso do trabalhador para postos ou ambientes de trabalho ruidosos quanto este apresentar anacusia unilateral, mesmo que a audio contra-lateral esteja normal;

a.2.2. considerar de alto riso a admisso do trabalhador com perda auditiva neuro-sensorial causada por agente etiolgico que no o rudo que comprometa as freqncias de 2000 e/ou 1000 e/ou 500 Hertz;

a.2.3. considerar de alto riso a admisso do trabalhador com PAIR em empresas nas quais no esteja implantado um Programa de Conservao Auditiva (PCA).

b. Relativas ao exame audiomtrico peridico

Uma vez constatada a PAIR e seu agravamento (clnico e/ou audiomtrico), deve-se:

b.1. controlar a exposio ao risco por meio da adoo de medidas de proteo coletiva e individual;

b.2. afastar da exposio ao risco o trabalhador com PAIR em progresso na empresa em que no esteja implantado um PCA.

c. Relativas ao trabalhador

Todo o trabalhador que apresenta uma PAIR relacionada ao trabalho deve ser includo imediatamente em PCA que contenha, no mnimo, esclarecimentos sobre:

c.1. o fato ocorrido com sua audio;

c.2. os potenciais danos causados pelo rudo;

c.3. o mecanismo de instalao e agravamento das perdas auditivas;

c.4. os mecanismos de proteo ao tipo de rudo a que esta exposto;

c.5. os direitos e deveres dos trabalhadores que trabalham sob estas condies

c.6. o uso de protetores auditivos;

c.7. encaminhamentos necessrios para cada caso.

Estes critrios podem ser revisto de acordo com os avanos tcnico-cientficos.

Emitido em Belo Horizonte em 04/11/95
Revisto em So Paulo em 14/11/99

Boletim n 4

Recomendaes para a avaliao dos prejuzos ocasionados pela perda auditiva induzida pelo rudo

O Comit Nacional de Rudo e Conservao Auditiva, rgo interdisciplinar composto por membros indicados pela Associao Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) e pelas Sociedades Brasileiras de Acstica (SOBRAC), Fonoaudiologia (SBFa), Otologia (SBO) e Otorrinolaringologia (SBORL), considerando que:

a) a PAIR pode acarretar ao trabalhador importantes alteraes as quais interferem na sua qualidade de vida;

b) o audiograma vem sendo, freqente e indevidamente utilizado pela comunidade como nico instrumento para avaliao dos prejuzos ocasionados pela exposio a nveis de presso sonora elevados;

c) o audiograma, por si s, no indicativo dos prejuzos ocasionados pela exposio a nveis de presso sonora elevados;

d) a perda auditiva, por si s, no indicativa de inaptido para o trabalho e que porcentagens ou graus de perda auditiva no refletem os prejuzos ocasionados pela exposio a nveis de presso sonora elevados;

Discutiu e elaborou as seguintes recomendaes referentes a avaliao dos prejuzos pela PAIR, valorizando:

1.- Na histria clnica do trabalhador a idade, a queixa de perda auditiva, a dificuldade de compreender a fala em ambientes acusticamente desfavorveis, o desconforto para sons intensos e a presena de zumbidos;

2.- outros testes audiolgicos alm da audiometria tonal liminar;

3.- o desenvolvimento e a utilizao de mtodos que permitam avaliar os problemas de comunicao vivenciados pelo trabalhador acometido de PAIR, ou seja, testes de fala em presena de rudo e questionrios de auto avaliao, que possam fornecer informaes sobre as implicaes psicossociais da PAIR do ponto de vista de seu portador.

Estas recomendaes podem ser revistas de acordo com os avanos tcnico-cientficos.

Emitido em Recife em 02/11/96
Revisto em So Paulo em 14/11/99

Participantes

ANAMT - Associao Nacional de Medicina do Trabalho
Dr. Osny de Melo Martins - PR

SOBRAC - Sociedade Brasileira de Acstica
Fga. Mestre Ana Cludia Fiorini

SBFa - Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia
Fga. Dra. Ida Chaves Pacheco Russo

SBO - Sociedade Brasileira de Otologia
Dr. Jos Seligman
Dr. Raul Nielsen Ibaez

SBORL - Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia
Dr. Alberto Alencar Nudelmann (coordenador)
Dr. Everardo Andrade da Costa
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