Title
Search
All Issues
5
Ano: 2000  Vol. 4   Num. 3  - Jul/Set Print:
Original Article
Versão em PDF PDF em Português
Epistaxe severa: tratamento clnico
SEVERE EPISTAXIS: MEDICAL TREATMENTq
Author(s):
1Helio F. Abreu, 2Carlos E. N. Nigro, 3Josiane F. A . Nigro
Palavras-chave:
epistaxe, tratamento.
Resumo:

Epistaxe uma afeco frequentemente encontrada na prtica mdica, sendo na maioria dos casos de pequena intensidade. Quando continuam a sangrar profusamente requerem procedimentos para controlar o sangramento, conservadores ou cirrgicos. Foram estudados, retrospectivamente, 27 pacientes com quadro de epistaxe atendidos no pronto socorro municipal de Taubat de setembro de 1998 a agosto de 1999. A idade variou de 05 a 85 anos, sendo a maioria do sexo masculino. Como fatores clnicos, foram observados: alterao anatmica das fossas nasais, doenas nasais, doenas sistmicas e uso de anticoagulantes. A cauterizao qumica nasal foi realizada em 29,6%, tamponamento anterior em 22,2% e ntero-posterior em 48,1% dos casos. Concluiu-se que o tratamento clnico oferece bons resultados para os pacientes com epistaxe severa.

INTRODUO

Epistaxe uma afeco frequentemente encontrada na prtica mdica, sendo que na maioria das vezes de pequena intensidade, no precisando de cuidados mdicos. J os casos de epistaxe profusa e contnua requerem medidas especiais, por se tratar tambm de uma situao de extrema preocupao para o paciente e seus familiares.

De acordo com a liteteratura, 60% da populao j teve pelo menos um episdio de sangramento nasal1, sendo que 6% necessitou de assistncia mdica e 7 a 15% foi recorrente2.

Os sangramentos que se originam da poro posterior das fossas nasais so mais preocupantes e mais difceis de serem debelados, perfazendo de 5 a10% dos casos de epistaxe2-5.

Os tratamentos recomendados para epistaxe de origem anterior so a cauterizao qumica ou eltrica e o tamponamento anterior. Para o sangramento posterior so feitos o tamponamento ntero-posterior, cauterizao eltrica, embolizao ou ligadura arterial.

O objetivo deste estudo foi relatar nossa experincia no tratamento de 27 pacientes com epistaxe severa.

MATERIAL E MTODOS

Foram avaliados retrospectivamente 27 pacientes atendidos no pronto socorro municipal de Taubat, no perodo de setembro de 1998 a agosto de 1999.

Os pacientes com histria de epistaxe com resoluo espontnea e os que apresentavam epistaxe aps trauma nasal ou cirurgia nasal foram excludos deste estudo.

No atendimento foi realizada breve anamnese e controle do sangramento, no sendo realizado de rotina exames laboratoriais ou radiolgicos.

Analisamos fatores tais como: idade, sexo, sazonalidade, doenas pr-existentes, uso de medicamentos, presena de doena nasal, alteraes anatmicas das fossas nasais, local de sangramento e tratamento efetuado.

RESULTADOS

Foram analisados 27 pacientes, sendo 15 do sexo masculino (55,5%) e 12 do sexo feminino (44,5%). Quanto idade, 3 pacientes (11,1%) tinham menos que 12 anos; 16 (59,2%) entre 12 e 60 anos e 08 (29,6%) acima de 60 anos (Grfico 1).

Os casos de epistaxe ocorreram mais frequentemente nos meses de junho a setembro (62,9%).

Em nosso estudo 6 pacientes (22,2%) referiam IVAS, rinite no alrgica e/ou sinusite; 5 pacientes (18,5%) com histria de rinopatia alrgica; 8 pacientes (29,6%) com histria de cardiopatia e/ou hipertenso arterial; 1 paciente (3,7%) com coagulopatia; 9 pacientes (33,3%) referiram uso de anticoagulante, 1 paciente usava heparina e 8 fizeram uso de cido acetil-saliclico (Tabela 1).

Entre as alteraes encontradas na rinoscopia anterior, 3 pacientes (11,1%) apresentavam desvio septal e hipertrofia das conchas; 4 pacientes (14,8%) apresentavam apenas desvio septal e 4 (14,8%) apresentavam apenas hipertrofia das conchas.

Foi observada a presena de sangramento nasal anterior em 14 pacientes (51,8%) e posterior em 13 pacientes (48,2%). Destes pacientes, 5 (18,5%) referiam epistaxe recorrente.

A cauterizao qumica nasal com cido tri-cloro-actico a 50% foi realizada em oito pacientes (29,6%), tamponamento anterior com gazes furacinadas em seis pacientes (22,2%) e tamponamento ntero-posterior em 23 pacientes (48,1%) sendo que em um paciente o tamponamento anterior havia falhado. Quatro pacientes foram internados por j apresentarem sinais sistmicos de hipovolemia. A interveno cirrgica no foi necessria em nenhum dos casos.


Grfico 1. Distribuio por faixa etria.


Tabela 1. Fatores associados.


DISCUSSO

De acordo com a literatura, a epistaxe profusa acontece com maior prevalncia em pacientes idosos6,7 e do sexo masculino6.

Os sangramentos nasais ocorrem mais frequentemente nos meses mais secos8,9. A diminuio da umidade do ar propicia um ressecamento da mucosa nasal e uma maior fragilidade capilar. Em nosso estudo observamos que 17 pacientes (62,9%) apresentaram epistaxe nos meses de junho a setembro.

Os fatores clnicos mais frequentemente associados so as doenas nasais e as alteraes anatmicas das fossas nasais10, hipertenso arterial5,6,8 e o uso de anticoagulantes5. Nossos resultados mostram predomnio de pacientes com alterao anatmica das fossas nasais e/ou doena nasal.

Para o tratamento da epistaxe de origem anterior utilizamos a cauterizao qumica com cido tri-cloro-actico a 50%, promovendo esclerose dos vasos e espessamento da mucosa10. Murthy e cols. relatam alta taxa de falha no controle do sangramento quando existe um quadro de vestibulite, sendo recomendado nestes casos o uso de creme nasal com antibitico3.Nos casos em que a cauterizao no foi suficiente, o tamponamento anterior com gazes furacinadas foi realizado por perodo de 48 a 72 horas.

Para os casos mais severos, os de sangramento posterior, foram usados tamponamento ntero-posterior com preservativo e espuma, no havendo falha com este tampo para nenhum caso. Na literatura encontramos uma taxa varivel de insucesso com tampo antero-posterior de 2 a 52%4,6,7. Montgomery4 relatou falha em 25% com tamponamentos posteriores para sangramentos mais intensos, Stamm e cols. 20% e Procino, 14%11.

O tratamento clnico com tamponamento menos invasivo, de menor custo, boa eficcia e fcil realizao para maioria dos otorrinolaringologistas quando comparado com a cirurgia para epistaxe. Apresenta como desvantagem, alm do desconforto, algumas complicaes tais como obstruo nasal, disfuno tubria, disfagia, hipxia, arritmia cardaca, apnia e sepsis11. Strauss e cols.6 tiveram 20% de complicaes utilizando o tamponamento e 24% de falha com tratamento cirrgico. A mdia na literatura encontrada de complicaes com tampo foi 26% e falha com cirurgia de 14%6. Em nossa casustica no foi observada nenhuma complicao severa devido ao tamponamento, tais como hipxia, arritmia, apnia ou sepsis.

Em nossa experincia reservamos a cirurgia para os casos que no puderem ser controlados com as medidas j relatadas ou apresentarem alguma complicao consequente s medidas adotadas.

CONCLUSO

Na nossa experincia o tratamento clnico da epistaxe severa mostrou-se eficaz, no havendo necessidade de interveno cirrgica em nenhum dos casos tratados.

REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. SHAW, C. B.; WAX, M. K.; WETMORE, S. J. - Epistaxis: a comparison of treatment. Otolaryngology Head Neck Surg., 109(1): 60-5, 1993.

2. JOSEPHSON, G. D. GOLDEY, F. A.; STIERNA, P. - Pratical management of epistaxis. The Medical Clinics of North America, 75(6): 1311-1320, 1991.

3. MURTHY, P.; NILSSEN, E. K.; RAO, S.; McCLYMONT, L. G. - A randomised clinical trial of antiseptic nasal carrier cream and silver nitrate cautery in the treatment of recyrrent anterior epistaxis. Clinical Otolaryngology, 24(3): 228-31, 1999.

4. RANDAL, D. A.; FREEMAN, S. B. - Management of anterior and posterior epistaxis. Am. Fam. Physician, 43(6): 2007-14, 1991.

5. VIDUCICH, R. A.; BLANDA, M. P.; GERSON, L. W. - Posterior epistaxis: clinical features and acute complications. Ann. Emerg. Med., 25(5): 592-6, 1995.

6. STRAUSS, M.; SCHAITKIN, B.; HOUCK, J. - Epistaxis: Medical Versus Surgical Therapy: Acomparison of Efficacy, Complications, and Economic Considerations. Laringoscope, 7: 1392-1395, 1987.

7. VENOSA, A.; BUTUGAN, O.; VOEGELS, R. L.; VALENTINI, M.; COCHIARALI, C. R.; IKINO, C. M. Y.; ALVES, R. B. F. - Epistaxe Severa: Estudo Retrospectivo. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, 65(2): 149-153, 1999.

8. KURIEN, M.; RAMAN, R.; THOMAS, K. - Profuse epistaxes : na argument for conservative medical management. Singapore Medical Journal, 34(4): 335-6, 1993.

9. POLLICE, P. A.; YODER, M. G. - Epistaxis: a retrospective review of hospitalized patients. Otolaryngology Head Neck Surg., 117(1): 49-53, 1997.

10. IKINO, C. M. Y.; DANTONIO, W. E. P. A.; MURAKAMI, M. S.; MIZIARA, I. D.; BUTUGAN, O. - Epistaxe Recorrentes: Estudos dos Fatores Clnicos e Laboratoriais Associados. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, 65(2): 149-153, 1999.

11. STAMM, A.; TEUFERT, K. B.; FREIRE, L. A. S. - Epistaxe Severa- Cirurguia Micro- Endoscpica. Revista Brasileira Otorrinolaringologia, 64(6) Suplemento n. 7: 22-30, 1998

Endereo para correspondncia: Rua Duque de Caxias, 169, cj. 62 - Centro - Taubat - SP - CEP:12020-050 - Telefax: (0xx12) 233-3977 - E-mail: otorrinoclinica@iconet.com.br

1- Mest
2- Professor Colaborador Assistente da Clnica de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Taubat.
3- Professora Colaboradora Assistente da Clnica de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Taubat.
  Print:

 

All right reserved. Prohibited the reproduction of papers
without previous authorization of FORL © 1997- 2024