Title
Search
All Issues
8
Ano: 1997  Vol. 1   Num. 2  - Abr/Jun Print:
Original Article
Versão em PDF PDF em Português
Exame por Ressonncia Magntica Submilimtrica do Osso Temporal na Doena de Mnire.
Author(s):
Maria Ceclia Lorenzi
Palavras-chave:
RESUMO

Os autores lembram que a etiologia da Doena de Mnire (D. M.) ainda no foi estabelecida e destacam um dos principais fatores aventados: a presena de Ductos Endolinfticos (D. E.s) encurtados e estreitados quando comparados a ductos de indivduos normais.

Citam-se estudos antomo-patolgicos e outros trabalhos com mtodos de avaliao por imagem que j demonstraram em casos de D. M. a presena de estreitamento e encurtamento do D. E., que seria a base da gnese da hidropsia endolinftica retrgrada e, conseqentemente, dos sintomas clssicos observados.

Foram estudados 12 pacientes portadores de D. M. unilateral (3 pacientes do sexo masculino e 9 do sexo feminino, com idade variando entre 18 e 65 anos) e 11 controles normais (5 de sexo masculino e 6 de sexo feminino, com idade entre 23 e 64 anos).

Os parmetros avaliados foram a capacidade de visualizao do D. E. e a distncia entre o canal semi-circular posterior e o labirinto e o espao subaracnoideo.

Os exames por Ressonncia Magntica (R. M.) foram realizados em aparelho Sigma, 1,5 Tesla, da G. E., com cortes axiais de 0,7 mm de espessura. Todas as imagens obtidas foram avaliadas independentemente por 2 neurorradiologistas.

Quanto aos resultados obtidos, os D. E.s puderam ser visualizados em 7 (29%) dos 24 ossos temporais de pacientes portadores da D. M. Note-se que no houve diferena estatisticamente significativa no que diz respeito visualizao do D. E. das orelhas sintomticas e assintomticas nestes pacientes. Quanto ao grupo controle, houve visualizao do D. E. em 20 (91%) dos ductos avaliados. Alm da menor taxa de visualizao do D. E., as medidas dos ossos temporais tambm se revelaram menores nos pacientes portadores da D. M.

Correlao muito interessante foi observada entre boa resposta ao tratamento cirrgico e boa visualizao do D. E. R. M. Cinco (5) pacientes estudados foram submetidos a "shunt" endolinftico, aps a realizao do exame por R. M. Dois (2) destes pacientes apresentaram alvio importante dos sintomas aps a cirurgia e, coincidentemente, estes pacientes apresentaram D. E.s visveis bilateralmente. Os demais trs (3) pacientes, que no apresentaram D. E.s visveis R. M., tiveram resposta muito pobre ao tratamento cirrgico.

Os autores concluem quanto presena de menor grau de visualizao do D. E. em portadores de D. M. correlacionando-a presena de ossos temporais de menores dimenses na regio estudada. A relao observada entre resposta ao tratamento cirrgico e visualizao do D. E. R. M. deve ainda ser confirmada em estudos com maior nmero de pacientes.

COMENTRIO

Iniciamos este comentrio ressaltando um aspecto pertinente muito interessante. Ao nos depararmos pela primeira vez com o tema "Ressonncia Magntica na Doena de Mnire" quase que instantaneamente imaginamos que finalmente se pde observar "in vivo" a presena de hidropsia, com visualizao de certo grau de alargamento das estruturas do labirinto membranoso. Isto finalmente resolveria o enorme problema que o diagnstico da Doena de Mnire at os dias atuais. Percebemos, ento, que os achados observados no tm qualquer relao com a avaliao direta da presena de hidropsia. Assim, a validade da realizao do exame por R. M. em portadores de D. M. no tanto diagnstica quanto prognstica (embora seja importante para afastar alguns dos principais diagnsticos diferenciais). Alm disso, os achados descritos quanto ao D. E. na D. M. enfatizam a importncia de fatores genticos e de desenvolvimento do osso temporal com relao etiologia do distrbio.

Este estudo, embora realizado em srie pequena de pacientes acometidos pela D. M., confirma os achados anteriormente descritos de que se observa na D. M. a presena de D. E.s estreitos e encurtados, quando comparados a indivduos normais, tanto nas orelhas sintomticas quanto nas assintomticas. Acredita-se que esta variante de desenvolvimento, gerando estrutura de drenagem anatomicamente menor em tamanho, funcionaria como fator predisponente junto ao qual inmeros outros fatores poderiam atuar, gerando hidropsia endolinftica retrgrada e a conhecida sintomatologia.

Estudo mais detalhado a este respeito vem sendo realizado em nosso Servio, em colaborao com o Departamento de Ressonncia Magntica do HC-FMUSP. Avaliando-se maior nmero de pacientes e indivduos normais como grupo controle, pretende-se estabelecer o grau de visualizao do DE nas vrias dcadas da vida, correlacionando-se os achados observados com o tempo de evoluo nos casos de presena da doena.

1- Mdica Assistente da Clnica Otorrinolaringolgica do Hospital das Clnicas da Faculdade de Medicina da Universidade de So Paulo.
  Print:

 

All right reserved. Prohibited the reproduction of papers
without previous authorization of FORL © 1997- 2024