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Ano: 2002  Vol. 6   Num. 2  - Abr/Jun Print:
Original Article
Estudo Comparativo entre os Achados dos Testes SSW e Reflexo Acstico em Indivduos Adultos com Audio Normal
Comparative Study between Findings of SSW and Acoustic Reflex Tests in Adults with Normal Hearing
Author(s):
Rosely Munhoz Bonilha Marotta*, Sandra Murad Quintero**, Silvio Antonio Monteiro Marone***.
Palavras-chave:
reflexo acstico, processamento auditivo, audio normal.
Resumo:

Introduo: A ausncia do reflexo acstico (RA) sem justificativa nos exames audiolgicos tem se tornado um achado freqente, chamando a ateno de audiologistas. A complexidade neural do arco reflexo estapediano sugere que a funo protetora seja a mais elementar do RA. A atividade dos msculos da orelha mdia propicia melhora no estado de ateno auditiva, da percepo de alteraes de intensidade, da localizao sonora e da inteligibilidade da fala. Objetivo: Correlacionar os testes do RA e SSW (Staggered Spondaic Word) em adultos com audio normal e ausncia do RA contralateral. Material e Mtodo: Foram estudados 100 indivduos de 19 a 59 anos, de ambos os sexos, distribudos igualmente nos Grupos Controle e Estudo. O Grupo Estudo apresenta ausncia do RA contralateral em pelo menos uma freqncia e foi ainda subdividido quanto a diferenas no tipo de ausncia do RA (freqncia, lateralidade e aferncia). Resultados: As mdias do RA contralateral e ipsilateral presentes nos indivduos do Grupo Estudo foram superiores s do Grupo Controle. O Grupo Estudo apresentou pior desempenho no teste SSW. Os resultados significantes para alteraes no teste SSW encontraram maior associao nos indivduos com ausncia do RA contralateral e presena do ipsilateral e nos indivduos com ausncia isolada em 4 kHz, principalmente bilateralmente. Concluses: Os resultados deste estudo reforam a relevncia do RA no processamento auditivo (PA), sugerindo que pacientes com audio normal e ausncia do RA contralateral, principalmente nos casos de presena do RA ipsilateral ou de ausncia isolada em 4 kHz, devam ser submetidos avaliao do PA.

INTRODUO

O reflexo acstico (RA) definido como a contrao dos msculos tensor do tmpano e estapdio, devido a estmulo sonoro de intensidade elevada. Ele pode ser observado por meio de mudanas na complacncia da orelha mdia, mensurveis pela imitncia acstica (1).

O conhecimento da anatomia e fisiologia do arco reflexo estapediano de fundamental importncia para a interpretao dos achados em testes auditivos. O estudo de Borg (2) considerado um dos estudos pioneiros do arco reflexo estapediano. Nesse estudo, o autor localiza a via direta do reflexo acstico no tronco enceflico, composta de duas rotas: a ipsilateral, ou seja, a contrao ocorre do mesmo lado em relao ao estmulo sonoro e a contralateral, em que a contrao ocorre do lado oposto ao estmulo sonoro.

A ausncia do RA contralateral, sem justificativa nos exames de audiometria tonal, audiometria vocal e timpanometria tem chamado a ateno dos audiologistas e tem sido um achado relativamente frequente em prtica clnica.

No estudo de Jerger et al. (3) a respeito das medidas de imitncia acstica, so analisados 382 indivduos com audio normal. Observam ausncia do RA contralateral em 25 pacientes, totalizando 6,7% do total. Em nenhum desses pacientes evidencia-se comprometimento da orelha mdia, levantando-se a hiptese de presena de desordem auditiva central.

O teste do RA considerado como importante ferramenta diagnstica das desordens do sistema nervoso central auditivo (4).

A complexidade neural envolvida no mecanismo do arco reflexo estapediano nos leva a acreditar que a funo de proteo de danos causados a estruturas da orelha interna pela exposio de sons intensos seja a funo mais elementar do RA. Os msculos da orelha mdia so ativos em eventos motores sem a presena de sons intensos e algumas dessas atividades no so nem associadas a fenmenos acsticos. A atividade muscular da orelha mdia propicia a melhora do estado de ateno auditiva e da percepo de alteraes de intensidade, melhora da identificao da origem do som e a atenuao dos rudos de baixas freqncias provocados por atividades como mastigao, vocalizao e movimentos da cabea, facilitando, portanto, a percepo de sons externos concomitantes e de altas freqncias (5).

As vias aferentes e eferentes do RA podem estar envolvidas numa variedade de doenas neurolgicas, inflamatrias, degenerativas e neoplsicas. Associa-se a funo do RA de melhorar a seletividade de freqncia e a discriminao da fala na presena de rudo competitivo (6).

Diversos autores tm relacionado o RA com o processamento auditivo (PA). A pesquisa do RA considerada como a informao mais importante fornecida pela imitncia acstica na avaliao do PA. O RA fornece medidas funcionais de estruturas localizadas no tronco enceflico, em virtude do envolvimento desse arco reflexo com as atividades neurais dos ncleos auditivos a localizados. Como esses ncleos tambm desempenham atividades envolvidas no PA, possvel que uma disfuno em alguns deles leve tanto a alteraes do RA com reflexos aumentados (limiares superiores a 90 dBNS) e ausentes em algumas freqncias, como tambm a falhas em habilidades envolvidas no PA, como localizao, ateno seletiva, reconhecimento de fala no rudo, seletividade de freqncia (7).

O PA a decodificao e interpretao de padres sonoros, desde a orelha externa at o crtex auditivo. resumidamente o que fazemos com o que ouvimos (8). A avaliao do PA tem incio com Bocca et al. (9), que padronizam um teste capaz de identificar casos de tumores no lobo temporal.

Kimura (10) considerado o pioneiro na utilizao de testes dicticos na avaliao do PA. A autora aplica o teste dictico de dgitos em um grupo de pacientes com leso de lobo temporal unilateral e, baseada nesses achados, desenvolve um modelo para explicar o funcionamento do sistema nervoso auditivo central, na percepo de estmulos dicticos. O modelo baseado no fato de que as vias auditivas contralaterais so mais numerosas que as vias ipsilaterais e, em caso de estmulos dicticos, a via contralateral dominante, suprimindo a via ipsilateral. Espera-se uma vantagem da orelha direita sobre a esquerda, em escuta dictica, j que o hemisfrio cerebral esquerdo o dominante para a linguagem.

Dentre os inmeros testes dicticos para avaliao do PA, destaca-se o teste SSW (Staggered Spondaic Word), padronizado por Katz (11). O autor desenvolve um teste pouco vulnervel s diferenas individuais no relacionadas com a alterao central, como por exemplo, a perda auditiva perifrica. O teste SSW empregado para identificar leso cortical ou no tronco enceflico. um teste de fcil aplicao e leva cerca de dez minutos para ser completado. No sofre a interferncia de deficincias auditivas perifricas, pode ser utilizado dos 5 aos 70 anos em pacientes com patologias diversas e requer pouco treino por parte do paciente.

Borges (12) adapta o teste SSW da verso em ingls para o portugus. Nessa adaptao, a autora seleciona vocbulos que permitem tornar a verso em portugus o mais fiel possvel proposta original em ingls.

O teste SSW apresenta indubitvel aplicabilidade clnica, fornecendo-nos dados importantes a respeito do reconhecimento de fala dictica, tarefa requisitada constantemente no nosso dia a dia.

Teriam os pacientes com audio perifrica normal, embora com ausncia do RA, dificuldades em reconhecer a fala em situao de escuta dictica? Como seriam as correlaes entre o tipo de ausncia do RA contralateral (se uni ou bilateral, se em todas as freqncias) e o desempenho no teste SSW?

Para melhor compreendermos essa relao, o objetivo deste trabalho o de correlacionar os achados do teste do RA com o teste SSW em indivduos adultos com audio perifrica normal e ausncia do RA contralateral.

MATERIAL E MTODO

Este estudo foi realizado na Clnica Otorhinus - Centro de Diagnose em Otorrinolaringologia de SP em 100 pacientes de 19 a 59 anos, assim distribudos:

1. Grupo Controle: composto de 50 indivduos, sendo 39 mulheres e 11 homens com idades entre 19 e 59 anos que apresentaram audiometria tonal com limiares areos e sseos de 25 dBNA, audiometria vocal com LRF (limiar de recepo da fala) compatvel com mdia dos limiares de 0.5, 1 e 2 kHz (13) e IPRF (ndice porcentual de reconhecimento da fala) de 96% em ambas as orelhas. Apresentaram tambm imitncia acstica com curvas timpanomtricas tipo A (14) e presena do RA contralateral e ipsilateral nas freqncias de 0.5, 1, 2 e 4 kHz, bilateralmente.

2. Grupo Estudo: composto de 50 indivduos, sendo 36 mulheres e 14 homens, com idades entre 19 e 59 anos que apresentaram audiometria tonal com limiares areos e sseos de 25 dBNA, audiometria vocal com LRF (limiar de recepo da fala) compatvel com mdia dos limiares de 0.5, 1 e 2 kHz (13) e IPRF (ndice porcentual de reconhecimento da fala) de 96% em ambas as orelhas. Apresentaram tambm Imitncia Acstica com curvas timpanomtricas Tipo A (14) e ausncia do RA contralateral em uma ou mais das freqncias testadas (0.5, 1, 2 e 4 kHz), uni ou bilateralmente. O RA ipsilateral esteve indiferentemente ausente ou presente.

Ambos os grupos foram pareados por sexo e idade. Todos os pacientes eram brasileiros, falantes do portugus com 1 Grau completo e destros. Foram excludos deste estudo pacientes portadores de rolha de cerume, doenas otolgicas ou neurolgicas atuais ou pregressas.

Procedimentos:

- Meatoscopia para se excluir a presena de cerume.

- Anamnese para levantamento de dados pessoais, queixas auditivas, dentre outros.

- Audiometria tonal com pesquisa dos limiares auditivos nas freqncias de 0.25, 0.5, 1, 2, 3, 4, 6 e 8 kHz e vocal, com pesquisa do LRF e do IPRF em cabina acstica, sendo utilizado audimetro marca Maico MA41, com fone TDH-39 e coxim MX41.

- Imitncia acstica nas provas de timpanometria e RA contralateral (dBNS) e Ipsilateral (dBNPS), com pesquisa dos limiares em 0.5, 1, 2 e 4 kHz, sendo utilizado o aparelho Damplex modelo ZA-28, com sonda de 226 Hz e fone TDH39. O mximo de sada para RA contralateral de 120 dBNA, em 0.5, 1, 2 e 4 kHz e, para o RA ipsilateral, de 100 dBNPS em 0.5, 1 e 2 kHz e 90 dBNPS em 4 kHz.

- Teste SSW, adaptado para o portugus (12), sendo utilizado o audimetro marca Madsen modelo Midimate 602, com fones TDH-39, coxim MX41 e CD player Sony, modelo D-181 que permitiu a apresentao do teste por meio do CD anexo - Vol. 2/Faixa 6 (15).

Foram realizadas as seguintes anlises do teste SSW, conforme proposta por Katz (16):

* Anlise quantitativa nas situaes de competio de direito competitivo (DC) e esquerdo competitivo (EC).

* Anlise qualitativa nas tendncias de respostas de efeito auditivo (EA), efeito de ordem (EO), tipo A e inverso (I).

Na anlise dos resultados, subdividimos o Grupo Estudo nos seguintes sub-grupos:

Grupo E-1: indivduos que apresentaram ausncia do RA contralateral, uni ou bilateral, em uma das freqncias testadas e presena do RA ipsilateral bilateralmente.

Grupo E-2: indivduos que apresentaram ausncia do RA contralateral, uni ou bilateral, s em 4 kHz.

Grupo E-2 UNILATERAL: indivduos que apresentaram ausncia do RA contralateral unilateral, s em 4 kHz. Grupo

E-2 BILATERAL: indivduos que apresentaram ausncia do RA contralateral bilateral, s em 4 kHz.

Grupo E-3: indivduos que apresentaram ausncia do RA contralateral em todas as freqncias testadas (0.5, 1, 2 e 4 kHz), uni ou bilateralmente.

Grupo E-3 UNILATERAL: indivduos que apresentaram ausncia do RA contralateral em todas as freqncias testadas (0.5, 1, 2 e 4 kHz), unilateralmente.

Grupo E-3 BILATERAL: indivduos que apresentaram ausncia do RA contralateral em todas as freqncias testadas (0.5, 1, 2 e 4 kHz), bilateralmente.

Grupo E-3 AFERNCIA D: indivduos que apresentaram ausncia do RA contralateral em todas as freqncias testadas (0.5, 1, 2 e 4 kHz), na aferncia direita.

Grupo E-3 AFERNCIA E: indivduos que apresentaram ausncia do RA contralateral em todas as freqncias testadas (0.5, 1, 2 e 4 kHz), na aferncia esquerda.

Utilizamos os valores de normalidade do teste SSW conforme Katz (16).

Foi utilizado o teste estatstico quiquadrado (x2) ou o teste de Fisher com nvel de significncia de 5%, para verificar diferenas na distribuio de uma caracterstica categorizada entre duas amostras independentes.

Este estudo foi aprovado pela Comisso de tica para Anlises de Projetos de Pesquisa-CAPPesq do Hospital das Clnicas e da FMUSP com protocolo n 365/99 em 26-8-99.

RESULTADOS

Para facilitar a leitura e anlise dos resultados, eles sero assim divididos:

1. Resultados do RA na comparao dos Grupos Controle e Estudo.

A distribuio dos limiares do RA contralateral presentes, com suas mdias, medianas, desvios-padres, mximos e mnimos valores nos grupos Controle e Estudo encontra-se na Tabela 1. As porcentagens de ausncias do RA contralateral no Grupo Estudo na aferncia direita so de 20%, 20%, 28% e 64% e na aferncia esquerda de 34%, 34%, 42% e 84% respectivamente para 0.5, 1, 2 e 4 kHz.

A distribuio dos resultados do RA ipsilateral presentes, com suas mdias, medianas, desvios-padres, mximos e mnimos valores nos Grupos Controle e Estudo encontra-se na Tabela 2. Na distribuio da porcentagem das ausncias do RA ipsilateral no grupo Estudo por freqncia obtivemos valores de 44%, 44%, 46% e 58% na aferncia direita e de 36%, 36%, 36% e 48% na aferncia esquerda respectivamente para 0.5, 1, 2 e 4 kHz.

2. Resultados do teste SSW nas anlises quantitativa (DC e EC) e qualitativa (tendncias de respostas de EA, EO, Tipo A e I) nos Grupos Controle e Estudo.

A distribuio do nmero de erros com suas respectivas mdias, medianas e desvios padres do teste SSW nas anlises quantitativa (condies de DC e EC) e anlise qualitativa (EA, EO, Tipo A e I) nos grupos Controle e Estudo, est na Tabela 3.

3. Resultados da correlao do reflexo acstico com o teste SSW, na comparao dos subgrupos E com o Grupo Controle e entre si.

A comparao dos achados de normal e alterado do teste SSW entre o Grupo Controle e os subgrupos E, est descrita na Tabela 4.

A comparao dos achados de normal e alterado do teste SSW entre os subgrupos E est descrita na Tabela 5.

A comparao dos achados de normal e alterado da condio de DC entre o Grupo Controle e os subgrupos E e dos subgrupos E entre si est descrita na Tabela 6.

A comparao dos achados de normal e alterado da condio de EC entre o Grupo Controle e os subgrupos E e dos subgrupos E entre si est descrita na Tabela 7.

DISCUSSO

A importncia do RA no PA ainda questionada. Existe uma tendncia em conferir ao RA apenas o papel de proteo da orelha interna leso causada pela exposio a sons de intensidades elevadas (17).

Estudos tericos e experimentais relacionam as funes dos msculos da orelha mdia a habilidades auditivas como localizao sonora e seletividade de freqncia, dentre outros. Dentre os estudos que relacionam o RA e o PA, o trabalho de Carvallo (7) considerado um marco na produo cientfica brasileira.

Partindo do pressuposto que existe estreita relao entre o RA e o PA, este trabalho teve como objetivo correlacionar os achados do teste SSW com os do RA em indivduos adultos com audio normal e ausncia do RA contralateral. Desta forma, discutiremos os resultados desta pesquisa nos seguintes aspectos:

1. Discusso dos resultados do RA na comparao dos Grupos Controle e Estudo.

Conforme observamos na Tabela 1, as mdias dos limiares do RA contralateral dos indivduos do grupo Estudo, foram maiores em relao dos indivduos do grupo Controle em todas as freqncias testadas bilateralmente e estiveram fora da faixa da normalidade em relao intensidade em nvel de sensao nas freqncias de 0.5, 1 e 2 kHz (7,18). Na freqncia de 4 kHz, observamos elevadas porcentagens de ausncias em aferncia bilateral, concordando com a literatura (3).Essa elevada porcentagem de ausncias na freqncia de 4 kHz, no nos parece desprovida de significado patolgico, discordando da literatura (3).

Na Tabela 2, observamos tambm que as mdias dos limiares do RA ipsilateral foram superiores nos indivduos do Grupo Estudo em relao aos indivduos do Grupo Controle, em todas as freqncias testadas. O RA ocorre devido a sensao sonora de elevada intensidade e por esse motivo, deduz-se que a sensao de intensidade sonora apresenta via nervosa comum do arco reflexo estapediano (7,19). Esse fato poderia nos levar a supor que em indivduos com audio normal e ausncia do RA ou RA aumentado em Nvel de Sensao, o Complexo Olivar Superior estaria realizando uma anlise alterada da intensidade do estmulo sonoro, sendo necessrios estmulos mais intensos para desencadear o RA, levando a alteraes no PA.

2. Discusso dos resultados do teste SSW nos Grupos Controle e Estudo.

Conforme observamos na Tabela 3, as mdias do nmero de erros das anlises quantitativa e qualitativa do teste SSW mostrou-se maior nos indivduos do Grupo Estudo em relao ao Grupo Controle nas situaes de DC e EC e nas tendncias de respostas de EA, Tipo A e I e equivalente no EO. Esses achados revelam pior desempenho no teste SSW nos indivduos com ausncia do RA concordando com outras pesquisas que aplicaram testes de PA em indivduos com ausncia do RA (6,20,21,22).

O RA participa ativamente de inmeras habilidades auditivas importantes para o PA, explicando a diferena no desempenho dos grupos. Permitimo-nos levantar a hiptese que alteraes do RA acarretariam maiores prejuzos quanto ao PA, j que este mecanismo do msculo do estapdio parece ter relao direta com a facilitao da captao dos sons da fala, melhorando sua inteligibilidade.

3. Discusso dos resultados da correlao do Reflexo Acstico com o teste SSW, dos subgrupos E com o Grupo Controle e entre si.

Conforme observamos na Tabela 4, os resultados significantes encontraram maior associao dos Grupos E-1, E-2 e E-2BILATERAL em relao ao Grupo Controle com alterao para o teste SSW.

Nos indivduos que apresentam RA contralateral ausente e ipsilateral presente (Grupo E1), suspeita-se de leso no tronco enceflico devido a problemas no cruzamento das fibras nervosas que compem o arco reflexo estapediano (1,2,4). No Grupo E-1, 72% apresentaram alterao no teste SSW, com diferenas estatisticamente significantes em relao ao Grupo Controle, no qual h apenas 20% de casos alterados. Esse achado vem reforar a importncia de pesquisarmos o RA ipsilateral, quando o RA contralateral estiver ausente em uma ou mais das freqncias testadas.

A ausncia isolada do RA contralateral na freqncia de 4000 Hz considerada desprovida de significado patolgico (3). O fato de encontrarmos diferenas significantes entre o Grupo E-2 e E-2BILATERAL com o Grupo Controle refora nosso questionamento de considerar apenas um dado de exame a ausncia isolada do RA em 4 kHz, principalmente a ausncia bilateral (Grupo E-2BILATERAL). Por que o complexo Olivar superior analisaria somente o estmulo sonoro de 4 kHz como no intenso o suficiente para desencadear o mecanismo do RA? Essa decodificao alterada do estmulo sonoro com relao a intensidade, numa freqncia importante para o processamento auditivo da fala, no configuraria uma desordem de PA?

A ausncia do RA contralateral em todas as freqncias testadas (0.5, 1, 2 e 4 kHz) uni ou bilateral no mostrou resultados estatisticamente significantes para alteraes no teste SSW, embora observamos maior porcentagem de casos alterados nos indivduos do Grupo E-3 (41,66%) em relao ao Grupo Controle (20%).

Na Tabela 5 na comparao dos sub-grupos entre si, no houve diferenas estatisticamente significantes quanto a alterao do teste SSW. O fato da ausncia ser unilateral ou bilateral, tanto nos indivduos do Grupo E-2 quanto no Grupo E-3, bem como a aferncia da ausncia, direita ou esquerda, nos indivduos do Grupo E-3, tambm no se mostrou um fator relevante nessa comparao dos subgrupos. Talvez o nmero reduzido dos indivduos dos subgrupos tenha influenciado os resultados.

Nas Tabelas 6 e 7 observamos que os nicos resultados significantes ocorreram na comparao do Grupo E-2 com o Grupo Controle, respectivamente para os achados de alterao nas situaes de direito e esquerdo competitivos. A escuta dictica uma situao de escuta freqentemente solicitada aos ouvintes e esses achados de pior desempenho nas situaes de competio do teste, com diferenas significantes somente dos indivduos com ausncia em 4kHz nos leva a considerar ainda mais relevante essa ausncia isolada levantando a suspeita de alterao auditiva central.

Ainda nas Tabelas 6 e 7, observa-se que a aferncia da ausncia do RA nos indivduos do Grupo E-3 tambm no mostrou diferenas estatisticamente significantes na comparao entre os grupos. No entanto, nos indivduos do Grupo E-3AFERNCIA D, encontramos 50% de casos alterados na condio de DC e 37,50% na EC. J nos indivduos do Grupo E-3AFERNCIA E, encontramos 28,56% de casos alterados para a condio de DC e nenhum caso de alterao para EC. Considerando que em situao de escuta dictica a via preferencial a contralateral e que o hemisfrio dominante para a linguagem em indivduos destros o esquerdo, levando a uma vantagem da orelha direita (10), a ausncia do RA contralateral em aferncia direita poderia levar a uma maior incidncia de casos de desordem no PA.

Tabela I. Resultados do relexo acstico contralateral nos grupos controle e estudo.

Legenda: C = Controle; E = Estudo; X = mdia; M = mediana; dp = desvio padro; Mn. = mnimo valor do Reflexo Acstico; Mx. = mximo valor do Reflexo Acstico.

Tabela II. Resultados do relexo acstico ipsilateral nos grupos controle e estudo.

Legenda: C = Controle; E = Estudo; X = mdia; M = mediana; dp = desvio padro; Mn. = mnimo valor do Reflexo Acstico; Mx. = mximo valor do Reflexo Acstico.

Tabela III. Resultados do teste SSW nos grupos controle e estudo.

Legenda: C = Controle; E = Estudo; X = mdia; M = mediana; dp = desvio padro; DC = direito competitivo; EC = esquerdo competitivo; EA = efeito auditivo; EO = efeito de ordem; I = inverso.

Tabela IV. Comparao dos achados Normal e Alterado do Teste SSW do Grupo Controle com os Sub-grupos E.

Legenda: X2= Teste quiquadrado; V.O.= Valor observado; V.C.= Valor crtico; * = valores estatisticamente significantes.

Tabela V. Comparao dos achados Normal e Alterado do Teste Ssw entre os Sub-grupos E.

Legenda: X2 = Teste quiquadrado; V.O. = Valor observado; V.C. = Valor crtico; p = valor crtico para o teste de Fisher; * = valores estatisticamente significantes.

Tabela VI. Comparao dos achados Normal e Alterado da condio Dc do Grupo Controle X Sub-grupos e Sub-grupos entre si.

Legenda: X2 = Teste quiquadrado; V.O.= Valor observado; V.C. = Valor crtico; P = Valor crtico para o teste de Fisher; * = Valores estatisticamente significantes.

Tabela VII. Comparao dos achados Normal e Alterado da condio EC do Grupo Controle X Sub-grupos e Sub-grupos entre si.

Legenda: X2= Teste quiquadrado; V.O.= Valor observado; V.C.= Valor crtico; p= Valor crtico para o teste de Fisher; * = Valores estatisticamente significantes.


CONCLUSES

1. Os achados de alteraes do RA, incluindo os reflexos ausentes e os limiares presentes mas com intensidades fora dos limites da normalidade podem indicar tambm a presena de alterao no PA.

2. Os achados de pior desempenho no teste SSW do grupo composto de indivduos com alteraes do RA, reforam as relaes entre o PA e o RA.

3. As alteraes do RA que mostraram maior associao com alteraes no teste SSW foram as relacionadas com ausncia do RA contralateral em qualquer das freqncias testadas, e presena do RA ipsilateral bilateralmente e a ausncia isolada do RA contralateral em 4000 Hz, principalmente em aferncia bilateral.

4. A aferncia da ausncia do RA contralateral no mostrou relaes estatisticamente significantes para alteraes no Teste SSW, embora tenhamos observado maior porcentagem de casos alterados tanto na Condio de DC, quanto EC do Teste SSW nos indivduos com ausncia do RA em aferncia Direita.

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* Fonoaudiloga, Mestre em Cincias pelo Departamento de Fisiopatologia Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de So Paulo, com atuao no Setor de Audiologia da Clnica Otorhinus- Centro de Diagnose em Otorrinolaringologia de So Paulo.
** Fonoaudiloga, Mestre em Cincias pelo Departamento de Fisiopatologia Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de So Paulo, com atuao no Setor de Audiologia da Clnica Otorhinus- Centro de Diagnose em Otorrinolaringologia de So Paulo.
*** Professor Doutor do Departamento de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de So Paulo, diretor da Clnica Otorhinus- Centro de Diagnose em Otorrinolaringologia de SP.

Trabalho realizado na Clnica Otorhinus, em So Paulo. Endereo para correspondncia: Rosely Munhoz Bonilha Marotta - Rua Padre Joo Manuel, 461 - Apto. 71 - Cerqueira Csar - So Paulo /SP - CEP: 01411-001 - Telefone: (11) 3062-9481 / 9939-6171 - E-mail: munhozmarotta@bol.com.br Artigo recebido em 13 de dezembro de 2001. Artigo aceito em 11 de abril de 2002.
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