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Ano: 2004  Vol. 8   Num. 1  - Jan/Mar Print:
Original Article
Infrared: Uma Nova Opo Teraputica na Rinite
Infrared: A New Option in the Treatment of Rhinitis
Author(s):
Paulo S. L. Perazzo*, Luiz Ricardo L. Martin**, Washington L. C. Almeida***, Milton P. C. Moura****, Csar A. Lira*****.
Palavras-chave:
Turbinectomia inferior, obstruo nasal, infrared.
Resumo:

Introduo: A obstruo nasal por hipertrofia de cornetos inferiores uma queixa otorrinolaringolgica bastante comum. Objetivo: Demonstrar o uso do aparelho de coagulao Infrared como opo teraputica para alvio da obstru o nasal causada pela hipertrofia da cabea do corneto inferior. Mtodo: Foi realizado um estudo prospectivo com 34 pacientes que obedeciam aos seguintes critrios de incluso: obstruo nasal rebelde a tratamento clnico por no mnimo 3 meses; hipertrofia da cabea do corneto inferior; ausncia de infeco local ou sistmica, plipos, perfurao ou desvio septal importante. Os procedimentos foram realizados sob anestesia local. Em seguida, a ponta da agulha era introduzida na cabea do corneto inferior, em cada fossa nasal. A aplicao durava cerca de 1 segundo e foi repetida de 6 a 10 vezes de acordo com o caso. Resultados: Um ano aps a aplicao do Infrared, 33 pacientes (97%) relataram melhora da obstruo nasal e 3 pacientes mantiveram o quadro de coriza. Concluses: O Infrared, primordialmente utilizado para cirurgia proctolgica, proporciona vantagens em relao a outros mtodos teraputicos: conforto, baixo custo, praticidade na aplicao e poucos efeitos colaterais.

INTRODUO

A obstruo nasal uma das queixas que mais afligem os portadores de rinite crnica, acompanhada ou no de prurido, espirros e rinorria. Estes sintomas podem ser controlados atravs de medidas ambientais, medicamentos tpicos ou sistmicos. A obstruo nasal melhora em aproximadamente 50% dos pacientes tratados com corticide intranasal (1). Nos casos em que a terapia tpica invivel ou ineficaz, a opo cirrgica para reduo volumtrica dos cornetos oferecida ao paciente. O Infrared, aparelho de coagulao por infravermelho desenvolvido por NATH e KIEFHABER em 1975, primordialmente utilizado para cirurgia proctolgica, prope-se a reduzir o volume da cabea dos cornetos inferiores, ao promover necrose dos tecidos a uma temperatura mxima de 100o C (Figuras 1 e 2).

A luz oriunda de uma lmpada de tungstniohalog nio de 15V reflete em uma superfcie de ouro. O reflexo produzido no convergente, de mltiplo espectro, com espectro mximo em 10.000a (infravermelho). O contato com o tecido nasal feito atravs da ponta de uma coluna de quartzo de 2, 6 ou 10mm de dimetro, recoberta por teflon no aderente, onde a luz passa com uma temperatura nunca superior a 100o C. No transmite eletricidade ao paciente e no h carboniza o de tecido, fumaa, odor ou qualquer tipo de substancia nociva (2).

O Infrared leva a uma reduo da cabea dos cornetos inferiores, sem complicaes importantes, alvio imediato, segurana e maior aceitao pelo paciente, alm do baixo custo. O objetivo do estudo avaliar o efeito da aplicao do Infrared na reduo volumtrica da cabea dos cornetos inferiores em pacientes com obstruo nasal. CASUSTICA E MTODOS Trinta e quatro pacientes da Clnica Otorrinos de Feira de Santana BA foram includos no estudo entre outubro de 1995 a outubro de 1996.

A idade variou de 9 a 46 anos, com mdia de 25,6 anos, sendo 15 pacientes do sexo masculino e 19 do feminino. Foram selecionados os pacientes que obedeciam os seguintes critrios: histria de obstruo nasal rebelde a tratamento clnico pelo tempo mnimo de 3 meses, hipertrofia da cabea do corneto inferior, ausncia de infeco local ou sistmica, ausncia de plipos, perfura- o ou desvio septal importante. Aps orientao sobre o procedimento ao paciente, a anestesia local foi feita colocando-se algodo embebido em neotutocana a 2% no meato mdio e ao longo dos cornetos inferiores em ambas fossas nasais por um perodo de 20 minutos.

Nos casos em que o paciente queixava-se de dor durante o procedimento, lidocana sem vasoconstrictor foi infiltrada na sua poro anterior do corneto. A ponta estril de 6 mm do Infrared foi aplicada na cabea do corneto por um tempo mximo de 1 segundo, por 6 a 10 vezes em cada fossa nasal.

O procedimento foi repetido 1 ou 2 vezes com intervalos de seis semanas se a queixa de obstruo nasal persistisse. Aps a aplicao, continuamos o uso de corticide intranasal por um perodo de 60 dias. A seguir, os pacientes eram acompanhados por um perodo de 12 meses, sem uso de corticide nasal ou sistmico.

Foram registradas a progresso dos sintomas e as complicaes.

RESULTADOS

Como queixas principais, antes do procedimento, foram observadas: obstruo nasal (34 pacientes), coriza abundante (19 pacientes), teste cutneo alrgico positivo (23 pacientes), espirros em salva (18 pacientes) e cefalia (9 pacientes) (Tabela 1). Um ano aps a aplicao do infrared, 33 pacientes relataram melhora da obstruo nasal, sendo que em um paciente o quadro clnico de obstruo nasal permaneceu inalterado.

Trs pacientes mantiveram o quadro de coriza e os 31 restantes observaram melhora do sintoma (Tabela 2). As complicaes, apesar de serem leves, ocorreram imediatamente ou at uma semana aps o procedimento: crostas no corneto inferior (9 pacientes); dor aps aplica- o (3 pacientes); sangramento nasal sem necessidade de interveno (2 pacientes); e dor durante a aplicao (1 paciente) (Tabela 3).

Nos 13 pacientes em que a 2 interveno foi necessria, no houve recusa realizao do procedimento. No foi preciso uma 3 aplicao em nenhum desses pacientes.











DISCUSSO

Os cornetos inferiores so estruturas longas que pendem para baixo na parede lateral das fossas nasais e se estendem horizontalmente em quase toda sua extenso. Tm um formato aerodinmico quase globoso na parte anterior e reduzido no dimetro em direo s extremidades posteriores, que so mais delgadas.O epitlio respirat rio, que serve para regular o seu tamanho, tipicamente pseudo-estratificado colunar, composto por clulas longas colunares ciliadas.

Nos locais onde o turbilhonamento do ar mais intenso (tero anterior das fossas nasais) o epitlio respiratrio sofre uma metaplasia com diminuio dos clios e sem corneificao na superfcie. Nos pacientes com hipertrofia dos cornetos, a vlvula laminar oferece maior resistncia circulao do ar, o que provoca bastante incmodo (3). A principal rea de resist ncia passagem do ar nas fossas nasais durante a inspirao est situada na vlvula nasal. A cabea do corneto inferior, situada imediatamente atrs da vlvula, contribui bastante para o aumento da resistncia respirat- ria.

A reduo volumtrica da cabea dos cornetos visa diminuir essa resistncia, para facilitar o fluxo de ar nas fossas nasais. A obstruo nasal uma das queixas que mais afligem os portadores de rinite crnica, acompanhada ou no de prurido, espirros e rinorria. Estes sintomas podem ser controlados atravs de medidas ambientais, medicamentos tpicos ou sistmicos. Ocorre melhora em aproximadamente 50% dos pacientes tratados com corticide intranasal. No entanto, a eficcia da teraputica encontra obstculos, como a impossibilidade financeira de muitos pacientes em manter o uso continuado da medicao.

Nos casos em que a terapia tpica invivel ou ineficaz, geralmente oferecida a opo cirrgica dos cornetos para reduo volumtrica.

H uma variedade de mtodos e equipamentos disponveis para a realizao desse procedimento. O relato de complicaes freqentes ou graves so fatores que devem ser avaliados. O mecanismo da ao do infrared uma injria da mucosa, cuja profundidade de ablao determinada pela durao da exposio (1). Geralmente utilizamos 1 segundo que causa uma escara homognea de 3 a 4 mm de profundidade.

Com este tempo diminui-se o ndice de complicaes, principalmente com relao s crostas e sangramento. O achado mais importante deste estudo foi a melhora rpida dos pacientes aps a aplicao do infrared e a manuteno desta durante o perodo de acompanhamento (12 meses) na maioria dos casos. Uma dificuldade que encontramos na aplicao desta tcnica foi o difcil acesso em todo o corpo ou cauda do corneto inferior, por isto seu uso deve ser indicado apenas quando h hipertrofia da sua poro anterior.

Uma boa anamnese acompanhada de exame fsico e nasofaringoscopia so de fundamental importncia para uma indicao correta e, conseqentemente, resultados satisfatrios. Comparando-o a outros mtodos teraputicos,a turbinectomia requer anestesia geral, tamponamento nasal e possui como complicaes sangramento nasal, infeco e perfurao septal com ndices de 11%, 3% e 2% respectivamente (4).

A pulverizao a laser possui alto custo, necessita de protetores oculares e possui 9% de ndice de hiperrinorria e obstruo nasal, 8% de crostas e 5% de sinquias (5).

A eletrocoagulao apresenta dor quando a anestesia local, queimaduras acidentais, riscos de necrose ssea e necessita de curativos freqentes no ps-operatrio (2). Na crioterapia, 11% dos pacientes apresentaram cicatrizao demorada por infeco ou exposio ssea, 4,3% perfurao septal, 4,3% otite serosa, e 2,2% sinusite aguda (6,7).

CONCLUSO

A hipertrofia dos cornetos inferiores ainda um desafio para o otorrinolaringologista. Vrios pontos devem ser avaliados para escolhermos o melhor procedimento para cada caso clnico. O Infrared proporciona algumas vantagens que devem ser consideradas: conforto para o paciente, baixo custo, praticidade na aplicao, ausncia de internamento hospitalar e poucos efeitos colaterais quando comparados com outras tcnicas de reduo de corneto.

REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. Hillas J, Booth R, Somerfield S. A comparative trial of intra-nasal betaclomethasone dipionate and sodium cromoglycate in patients with chronic perennial rhinitis. Clin. Allergy, 10: 253-258,1980.
2. Molton-Barret R, Passy, V. Infrared. Otolaryngol. Head Neck Surg., 111: 674-679, 1994.
3. Gluckman JL. In: Papparella MM, Schumrick DA. Enfoque clnico de la obstrucin nasal. Otorrinolaringol., 2 Edio, Buenos Aires, Editora Mdica Panamericana, 1982, 2030-2035.
4. Dawes PJD. The early complications of inferior turbinectomy. J Laringol Otol, 101:1136-1139, 1987.
5. Fukutake T, Yamashita T, Tomoda K, Kumazawa T. Laser surgery for allergic rhinitis . Arch. Otoralyngol. Head Neck Surg., 112:1280-1282, 1986.
6. Williamson JG, Timms M, Canty P. A new cryoproble with advantages in turbinate freezing. J Laringol Otol,102:503-505, 1988.
7. Krj J, Jokinen K, Palva A. Experiences with cryotherapy in otolaryngological practice. J Laringol Otol,89:519-526, 1975.

* Mestrando da Disciplina de Otorrinolaringologista da Santa Casa de Misericrdia de So Paulo.
** Residente do 2 ano de otorrinolaringologia do Hospital Otorrinos.
*** Doutor pela Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da USP.
**** Preceptor da residncia de ORL do Hospital Otorrinos.
***** Concludente da residncia em Otorrinolaringologia do Hospital Otorrinos.

Trabalho realizado no Hospital Otorrinos, Feira de Santana-BA
Endereo para correspondncia: Paulo Srgio Lins Perazzo . Rua Baro de Cotegipe, 1141 . Feira de Santana / BA / CEP 44025-030 . Telefone: (75) 623-4455 .
Fax: (75) 223-4117 . e-mail: otorrinos@gd.com.br
Artigo recebido em 25 de fevereiro de 2002. Artigo aceito com modificaes em 9 de dezembro de 2003.
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