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Ano: 1997  Vol. 1   Num. 4  - Out/Dez Print:
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Cisto de Thornwaldt: Reviso da Literatura e Relato de Um Caso
Author(s):
Lus Miguel Soares Vasconcelos Maia, Saramira Cardoso Bohadana, Carlcio Martins Ragognete, Luz Ubirajara Sennes, Mrio Bernardo Guiss Rausis, Oswaldo Martucci Junior, Slvio Antnio Monteiro Marone
Palavras-chave:
INTRODUO

Mayer, em 1840, foi o primeiro a descrever a existncia de uma depresso na regio pstero-superior do cavum6. Esta descrio foi completada por Luschka, em 1868, tambm mediante observao post-mortem. Em 1880, Dursey descreveu a falta de relao entre a bolsa farngea e a bolsa de Rathke6. Foi Thornwaldt, em 1885, o primeiro a descrever as conseqncias patolgicas relacionadas com esta formao, a qual chamou de bolsa farngea3,6.

Os cistos nasofarngeos podem ser congnitos ou adquiridos. Os cistos congnitos da linha mdia podem surgir tanto na bursa farngea, os quais denominam cistos de Thornwaldt, como da bolsa de Rathke. Os cistos adquiridos so de reteno e se atribuem coalescncia do recesso medial da amgdala farngea4. A bolsa retro-farngea, tambm chamada de bolsa naso-farngea de Luschka, realidade anatmica em 3% dos indivduos adultos2,3,6, e est situada, na forma de invaginao saculiforme, na parede pstero-superior, na linha mdia nasofarngea, por baixo da amgdala farngea, drenando no cavum atravs de um curto conduto. Seu orifcio de drenagem localiza-se imediatamente acima das fibras superiores do msculo constrictor superior da faringe e d acesso a um canal mais ou menos largo, orientado acima do tubrculo farngeo da apfise basilar do occipital, ao qual pode contactar-se.

considerado "relquat" embriolgico resultante da comunicao existente entre o extremo distal e anterior da notocorda e o endoderma nasofarngeo, o qual se invagina no fundo de saco induzido pela prpria notocorda3,6.

A obstruo do seu orifcio de drenagem, ocasiona o acmulo de secreo mucide, gerando um cisto cujo tamanho pode ser varivel3,6 e assim como sintomatologia, variando de obstruo nasal e rinorria posterior, at a hipoacusia e cefalia.

RELATO DO CASO

T. A. M., 39 anos, masculino, natural de So Paulo, com queixa de obstruo nasal bilateral de longa data, respirao bucal de suplncia, roncos noturnos, apnia do sono, quadro este que evoluiu com piora progressiva no decorrer do tempo. Negava queixas otolgicas. Como antecedentes, negava alteraes ponderais. Tabagista de 20 cigarros/dias e etilista social.

Ao exame otorrinolaringolgico, foi observado desvio septal direita, hipertrofia de cornetos e palidez da mucosa nasal (+3/+5). orofaringoscopia, verificamos alongamento do vu palatino com ausncia das amigdalas. otoscopia: exame normal.

Foi submetido a nasofibrolaringoscopia, onde se verificou, alm das alteraes anteriormente citadas, a presena de massa de aspecto cstico, com bordos regulares, de colorao vinhosa, despressvel ao toque obstruindo o cavum em aproximadamente 90% (Figura 1).

A tomografia computadorizada dos seios da face mostrou presena de massa slida, noduliforme, sem planos de clivagem evidentes na parede posterior da rinofaringe, obstruindo em cerca de 70% sua luz (Figura 2).

O tratamento proposto foi cirrgico, pela via transoral. O paciente, sob anestesia geral, foi colocado em posio de Rose, com exposio da nasofaringe e retratao do palato mole atravs de sondas introduzidas pelas fossas nasais e tracionadas pela boca. Visualizado o cisto, foi realizada sua resseco completa. Houve extravazamento de lquido viscoso e turvo.

O exame antomo-patolgico mostrou processo inflamatrio crnico, compatvel com parede de mucocele. Diante destes achados, ficou compatvel o diagnstico de cisto de Thornwaldt, evoluindo o paciente com remisso total dos sintomas e resoluo do processo.

DISCUSSO

Os cistos de Thornwaldt predominam no sexo masculino, em relao de 3:1 e na faixa etria dos 14 aos 65 anos de idade4. No caso descrito, o paciente do sexo masculino e situa-se dentro desta faixa etria. Estes cistos podem ser de pequeno tamanho, no gerando sintomatologia clnica, porm podem atingir grandes propores, obstruindo a nasofaringe. Tambm podem infectar-se levando formao de abscessos, produzindo cefalia occipital que piora com a movimentao da cabea, rinorria posterior, halitose, rigidez da musculatura do pescoo e sintomatologia otolgica.

Ao exame fsico, visualizada, atravs da nasofibroscopia ou da rinoscopia posterior, massa submucosa lisa na parede posterior da nasofaringe, na linha mdia3,4,5,6. tomografia computadorizada, aparece como massa na nasofaringe, de baixa densidade na linha mdia que no se impregna aps injeo de contraste intravenoso. Ocasionalmente, pode haver foco de calcificao no cisto.

O diagnstico diferencial feito com cisto adenoideano, cisto da bursa de Rathke, encefalocele, mucocele do seio esfenoidal, meningocele e cisto de reteno das glndulas seromucosas. O cisto de reteno adenoideano pode ocorrer, em geral, na regio da bursa farngea e pode ser confundido com o cisto de Thornwaldt, especialmente se infectado; mas apresentam abundante tecido linfide e podem ser mltiplos2,3.

Os cistos de reteno das glndulas seromucosas aparecem na parede lateral da faringe e tambm podem ser mltiplos. Os demais diagnsticos diferenciais so feitos pela tomografia computadorizada.

O tratamento do cisto de Thornwaldt a drenagem atravs da marsupializao2,3; neste caso, a marsupializa-o no foi realizada, pois houve ruptura do cisto. O ato cirrgico pode ser realizado atravs de acesso transoral, como neste caso; transpalatino, que oferece melhor visua-lizao do leito e remoo total da tumorao, diminuindo as possibilidades de rescidiva4; e endoscpico transnasal.

Com a realizao de exames endoscpicos, os diagnsticos de cisto de Thornwaldt podero ser mais freqentes.

BIBLIOGRAFIA

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Figura 1. Nasofibroscopia com massa de aspecto cstico, bordos regulares, colorao vinhosa e despressvel ao toque, obstruindo mais de 90% do cavum.


Figura 2. Tomografia computadorizada de seios da face com massa de aspecto slido, noduliforme, sem plano de clivagem em parede posterior da rinofaringe, causando obstruo importante de sua luz.


1- Mdico Estagirio de Otorrinolaringologia da Clnica Otorhinus.
2- Mdica Estagiria de Otorrinolaringologia da Clnica Otorhinus
3- Mdico Estagirio de Otorrinolaringologia da Clnica Otorhinus.
4- Mdico Colaborador da Clnica Otorhinus e Mdico Assistente do HCFMUSP.
5- Mdico Colaborador da Clnica Otorhinus e Mdico Assistente do HCFMUSP.
6- Mdico da Clnica Otorhinus e Mdico Assistente do HCFMUSP.
7- Mdico da Clnica Otorhinus e Professor Doutor da FMUSP.
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