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Ano: 2005  Vol. 9   Num. 4  - Out/Dez Print:
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Achados Vestibulares em Crianas Deficientes Auditivas
Vestibular Findings in Children with Hearing Loss
Author(s):
Tas Rodrigues Lisboa*, Ari Leon Jurkiewicz**, Bianca Simone Zeigelboim***,
Jacqueline Martins-Bassetto****, Karlin Fabianne Klagenberg****.
Palavras-chave:
perda auditiva, doenas vestibulares, testes de funo vestibular
Resumo:

Introduo: O exame da funo vestibular um mtodo objetivo que permite a avaliao funcional dos sistemas vestibular, visual e proprioceptivo. Objetivo: Investigar o grau de perda auditiva, sua etiologia e a existncia de comprometimento vestibular, segundo as variveis lado e sexo, em crianas portadoras de deficincia auditiva. Mtodos: Avaliaram-se 26 crianas (11 do sexo feminino e 15 do sexo masculino) de 10 a 14 anos de idade. Realizaram-se anamnese, avaliao otorrinolaringolgica, avaliao audiolgica convencional bsica completa seguida da vectoeletronistagmografia (VENG). Resultados: Houve um predomnio da perda auditiva profunda bilateral, maior prevalncia da meningite ps-natal e da sndrome vestibular perifrica deficitria bilateral independente do sexo, etiologia e do grau de perda auditiva. Concluso: A alta incidncia de alterao revela a importncia do exame vestibular na populao infantil.

INTRODUO

A deficincia auditiva um assunto muito pesquisado por profissionais da sade e educao, abordando vrios aspectos como: anatomia e fisiologia da audio, linguagem, comunicao, entre outros. Os surdos e os dedicados ao tratamento da surdez sabem da importncia que tem esta falha sensorial no comportamento do indivduo (1).

J a capacidade de ouvir na verdade uma caracterstica secundria. A responsabilidade primeira do rgo auditivo a manuteno do equilbrio (2). O aparelho vestibular o rgo que detecta as sensaes de equilbrio corporal de fundamental importncia no relacionamento espacial do organismo com o ambiente. Assim, necessria uma perfeita integrao entre a viso, a sensibilidade proprioceptiva e o aparelho vestibular. No importa o que estejamos fazendo, no precisamos ter qualquer preocupao em manter o nosso equilbrio, que se estabelece automaticamente (3,4).

O equilbrio humano uma complexa tarefa motora que envolve a deteco sensorial dos movimentos do corpo, a integrao das informaes sensoriomotoras no sistema nervoso central e a execuo das respostas musculoesquelticas apropriadas (5). O sistema vestibular atravs dos movimentos oculares estabiliza o eixo visual e auxilia em evitar o deslocamento das imagens na retina (6).

As infeces (meningite e rubola), as substncias ototxicas estreptomicina, neomicina, gentamicina, viomicina, diidroestreptomicina, kanamicina, vancomicina, ou seja o grupo das "micinas", cloranfenicol, salicilatos e quinino, entre outros e as anormalidades congnitas hereditrias ou intra-uterinas, como a rubola gestacional so as principais causas das deficincias auditivas neurossensoriais congnitas ou adquiridas na infncia (7-11).

Crianas com hipoacusia apresentam uma variedade de caractersticas e necessidades: localizao, causa, tempo de aquisio, grau de deficincia e estabilidade do limiar (12). A hipoatividade vestibular citada como achado freqente em crianas com hipoacusia severa (7,9,13,14).

A equilibriometria ou vestibulometria um mtodo objetivo, no invasivo, que permite a avaliao funcional da trade composta pelos sistemas vestibular, visual e proprioceptivo, com a finalidade de confirmar ou infirmar o comprometimento auditivo e/ou vestibular, saber o lado lesado, se o distrbio perifrico, central ou misto; e verificar se a sndrome vestibular irritativa ou deficitria (15,16).

A vestibulometria deve ser sistematicamente realizada nas seguintes eventualidades: tonturas de qualquer tipo, perdas auditivas neurossensoriais, mesmo na ausncia de tonturas, e na hiptese diagnstica de sndrome da fossa posterior (tronco enceflico e cerebelo), mesmo na ausncia de perda auditiva e tonturas (17).

GUILDER e HOPKINS (7) estudando crianas surdas mediante estmulos rotatrios, acharam os resultados dos exames labirnticos muito variados. Contudo, afirmaram que crianas com hipoacusia severa tinham freqentemente hipoatividade vestibular. Porm, em crianas surdas por meningite, no havia reao vestibular.

ALCOHOLADO (13) relata que de sete casos de deficincia auditiva, seis obtiveram resposta de hipoexcitabilidade pela VENG.

COSTEFF, KORB e GREENGART (18) em Israel avaliaram a funo vestibular de crianas com perda auditiva e no descobriram relao entre resposta vestibular e motora com funo cognitiva; contudo, 13 das 42 crianas que no exibiram nenhum nistagmo ps-rotatrio queixaram-se de desconforto e tontura aps o teste, e quatro delas exibiram sinais objetivos de palidez, sudorese e transitria dificuldade em olhar para cima. Todas as 13 crianas eram portadoras de surdez congnita bilateral, de etiologia desconhecida, provavelmente devido hereditariedade recessiva. Portanto, a ausncia de nistagmo ps-rotatrio nestes casos no pode facilmente ser explicada pelas leses nas fibras ou ncleo do oitavo nervo craniano, e mais plausivamente pode ser devido ao dano cerebral ou nas proximidades dos fascculos mdios longitudinais. Pode-se observar este fenmeno de reao central do estmulo vestibular na ausncia de nistagmo.

Os resultados da avaliao da funo labirntica em crianas com surdez profunda mostram elevada incidncia de achados ENG anormais, independente do provvel diagnstico topogrfico (perifrico, central ou misto), em todos os testes realizados (14).

GONALVES et al (9) estudaram 42 crianas deficientes auditivas neurossensoriais congnitas ou adquiridas na faixa etria de quatro a sete anos e verificaram que dependendo da etiologia pode ocorrer anormalidade vestibular, variando de 49% a 95%. Algumas causas de deficincia auditiva neurossensorial podem envolver o labirinto, provavelmente destruindo o ouvido interno, como por exemplo meningite, traumatismos, hemorragias e sndromes genticas. Algumas drogas como a estreptomicina e aminoglicosdeos afetam o sistema coclear e vestibular. Tem sido documentada nas deficincias auditivas diminuio da funo vestibular nas provas calricas e rotatrias, onde esto envolvidos os canais semicirculares horizontais, ncleos vestibulares, ncleos e msculos oculomotores.

Nas sndromes cocleovestibulares hereditrias e adquiridas no que se refere aos sinais avaliao do sistema vestibular, observa-se no equilbrio esttico: instabilidade, principalmente com os olhos fechados, tendncia a quedas ou sem anormalidades; e no equilbrio dinmico: ataxia, principalmente com os olhos fechados, ou ausncia de anormalidades. Nistagmo posicional, nistagmo espontneo, nistagmo semi-espontneo, movimentos sacdicos, rastreio pendular e nistagmo optocintico, geralmente apresentam-se sem anormalidades. A ausncia de resposta na pesquisa do nistagmo per-rotatrio pode ser evidenciada. A auto-rotao ceflica pode apresentar-se com ou sem anormalidades do reflexo vestibulocular. A prova calrica com ar, quando aplicvel, pode mostrar reduo de respostas vestibulares unilaterais ou bilaterais e a arreflexia do nistagmo ps-calrico o achado tpico (19).

O objetivo do presente estudo investigar o grau de perda auditiva, sua etiologia e a existncia de comprometimento vestibular segundo as variveis lado e sexo em crianas portadoras de deficincia auditiva.

MATERIAL E MTODOS

Este estudo foi realizado no Laboratrio de Otoneurologia da Clnica de Fonoaudiologia da Universidade Tuiuti do Paran (UTP) aps autorizao dos pais e/ou responsveis atravs da assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido e aprovao do Comit de tica Institucional.

A amostra constituiu-se de 26 crianas, sendo 11 do sexo feminino e 15 do sexo masculino, na faixa etria de 10 a 14 anos, oriundos do Centro de Treinamento e Reabilitao da Audio - CENTRAU, da cidade de Curitiba/PR. Vinte crianas eram portadores de perda auditiva profunda bilateral, trs crianas com perda auditiva severa bilateral e trs crianas com perda auditiva severa direita e profunda esquerda, segundo a classificao de DAVIS e SILVERMAN (20).

Todas as crianas realizaram anamnese, exame otorrinolaringolgico, avaliao audiolgica bsica composta de audiometria tonal limiar convencional seguida pelas determinaes do limiar de detectabilidade de fala em cabine acstica, no Setor de Pesquisa e Avaliao Diagnstica da Audio, da Associao Santa Teresinha da Reabilitao Auditiva - ASTRAU. Utilizou-se o audimetro Interacoustics AC 40 e fones THD 39P com limiares expressos em dB NA. Na seqncia, realizou-se a imitanciometria (timpanometria e pesquisa do reflexo acstico) no modo contralateral. O equipamento utilizado foi o impedancimetro Interacoustics AZ-26 e fones TDH 39P. Para interpretao dos resultados, aplicaram-se os critrios de JERGER (21).

Em seguida, as crianas foram submetidas realizao da VENG no Laboratrio de Otoneurologia da Universidade Tuiuti do Paran. Foram ministradas instrues de forma simples com nfase na ateno para a criana mover somente os olhos e no a cabea. Por ser deficiente auditivo a desinibio cortical foi realizada da seguinte forma: quando tocasse a mo da criana, esta deveria iniciar uma contagem, partindo do numeral (1) em diante, at o momento em que seria tocada novamente e a relatar onde terminou sua contagem.

Para a realizao da VENG utilizaram-se os seguintes equipamentos: um aparelho termossensvel, com trs canais de registro, da marca Berger, modelo VN 316, um estimulador visual da marca Neurograff, modelo EV VEC, um otocalormetro marca Neurograff, modelo NGR 05, com ar nas temperaturas de 42oC, 18oC e 12oC, para as provas calricas, e uma cadeira rotatria pendular decrescente da marca Ferrante.

Realizaram-se as seguintes provas oculares e labirnticas VENG segundo os critrios de PADOVAN e PANSINI (22) e MANGABEIRA-ALBERNAZ et al. (23).

Provas sem registro

Aplicou-se a manobra de BRANDT e DAROFF (24) na qual a criana passa da posio sentada para a de inclinao da cabea e do corpo para o lado referido como provocante da vertigem, com a cabea virada 45o na direo oposta, com a nuca apoiada no plano horizontal ao final do posicionamento. O teste prossegue com a criana retornando posio sentada e a repetio do procedimento para o lado oposto.

Pesquisaram-se os nistagmos espontneo e semi-espontneo com os olhos abertos, no olhar frontal e a 30o de desvio do olhar para a direita, esquerda, para cima e para baixo.

Provas com registro

Aps a limpeza da pele das regies periorbitrias com lcool, colocaram-se em cada criana, fixados com pasta eletroltica, um eletrdio terra, um eletrdio ativo no ngulo lateral de cada olho e na linha mdia frontal, formando um tringulo isscele, que permitiram a identificao dos movimentos oculares horizontais, verticais e oblquos.

Calibrao dos movimentos oculares, em correspondncia a 10 de movimento ocular horizontal amplitude de 10mm no movimento da pena escritora do primeiro canal, e uma altura de 5mm no segundo e terceiro canais, que foram ajustados de acordo com o desvio ocular de 10 no eixo vertical. Nesta etapa do exame, o aspecto clnico avaliado foi a regularidade do traado, tornando as pesquisas comparveis entre si.

Pesquisa dos nistagmos espontneo (olhos abertos e fechados) e semi-espontneo (olhos abertos). Avaliaram-se a ocorrncia, direo, efeito inibidor da fixao ocular (EIFO) e o valor da velocidade angular da componente lenta (VACL) mxima do nistagmo.

Pesquisa do rastreio pendular para a avaliao da ocorrncia e do tipo de curva.

Pesquisa do nistagmo optocintico velocidade de 60o por segundo, nos sentidos anti-horrio e horrio, na direo horizontal. Avaliaram-se a ocorrncia, direo e VACL mxima.

Pesquisa dos nistagmos pr e ps-rotatrio estimulando-se os ductos semicirculares laterais, anteriores e posteriores. Aplicou-se prova rotatria pendular decrescente para estimular os ductos semicirculares laterais, anteriores e posteriores. Para a estimulao dos ductos semicirculares laterais a cabea da criana foi fletida 30o para frente. Numa etapa seguinte, para a sensibilizao dos ductos semicirculares verticais (anterior e posterior) o posicionamento da cabea da criana foi de 60o para trs e 45o para a direita e, a seguir, 60o para trs e 45o para a esquerda, respectivamente. Observaram-se a ocorrncia, direo, freqncia s rotaes anti-horria e horria e clculo da preponderncia direcional.

Pesquisa dos nistagmos pr e ps-calricos realizada com a criana posicionada de forma que a cabea e o tronco estivessem inclinados 60o para trs, para estimulao adequada dos ductos semicirculares laterais. O tempo de irrigao de cada orelha com ar a 42oC, 20oC e 10oC foi de 80s para cada temperatura e as respostas foram registradas com os olhos fechados e, a seguir, com os olhos abertos para a observao do EIFO. Nesta avaliao observaram-se a direo, os valores absolutos da VACL e o clculo das relaes da preponderncia direcional e predomnio labirntico do nistagmo ps-calrico.

RESULTADOS

Na pesquisa dos nistagmos de posicionamento, espontneo e semi-espontneo sem registro, calibrao dos movimentos oculares, nistagmos espontneo e semi-espontneo com registro, rastreio pendular, nistagmos optocintico, pr e ps-rotatrios, no encontramos alteraes.

A anlise da prova calrica em relao ao sexo, grau e etiologia da perda auditiva, so demonstrados nas Tabelas 1, 2 e 3.







Na Tabela 4, observamos a freqncia das sndromes vestibulares. Lembramos que uma criana (3,8%) apresentou exame vestibular normal e 25 crianas (96,1%) registraram alteraes no sistema vestibular perifrico.







Na Tabela 5 observa-se a distribuio das etiologias das perdas auditivas em relao s sndromes vestibulares perifricas e os resultados do exame vestibular em relao ao grau de perda auditiva podem ser observados na Tabela 6.

DISCUSSO

A orelha um sistema muito sensvel, principalmente quando estamos falando de crianas que so mais propensas a doenas pr, peri ou ps-natal, resultando principalmente em perda auditiva neurossensorial de graus severo e profundo.

Todo paciente com diagnstico de perda auditiva neurossensorial, independente da idade ou sexo, deve submeter-se a um exame vestibular, mesmo na ausncia de vertigem e outras tonturas (17).

Os resultados desta pesquisa referentes aos nistagmos de posicionamento, espontneo e semi-espontneo sem registro, calibrao dos movimentos oculares, nistagmos espontneo e semi-espontneo com registro, rastreio pendular, nistagmos optocintico, pr e ps-rotatrios, foram normais. Estes resultados esto de acordo com autores (19) que estudaram as sndromes cocleovestibulares hereditrias e adquiridas. Estes autores notaram a ausncia de resposta na prova do nistagmo per-rotatrio e que a auto-rotao ceflica pode apresentar-se com ou sem anormalidade do reflexo vestibulococlear, prova esta no aplicada na presente pesquisa.

Ao contrrio deste estudo, o nistagmo ps-rotatrio esteve ausente em todas as crianas portadoras de surdez congnita bilateral de etiologia desconhecida, de provvel hereditariedade recessiva (18). Para estes autores, a ausncia do nistagmo ps-rotatrio no pode ser facilmente explicada pelas leses do ncleo ou das fibras do nervo vestibulococlear, mas, sim, ao dano cerebral ou dos fascculos longitudinais mediais.

Relacionando o grau de perda auditiva ao sexo feminino, nove casos (34,6%) apresentaram perda auditiva profunda bilateral, um caso (3,8%) perda auditiva severa bilateral e um caso (3,8%) de perda auditiva severa direita e profunda esquerda. J no sexo masculino, 11 casos (42,3%) apresentaram perda auditiva profunda bilateral, dois casos (7,7%) com perda auditiva severa bilateral e dois casos (7,7%) de perda auditiva severa direita e profunda esquerda. Registrou-se um total de 76,9% de perda auditiva profunda bilateral, 11,5% de perda auditiva severa bilateral e 11,5% para as perdas auditivas severa direita e profunda esquerda. Na literatura consultada os autores no fazem referncia entre o sexo e o tipo de perda auditiva.

Em relao etiologia das perdas auditivas neurossensoriais, as seguintes doenas foram correlacionadas: meningite ps-natal em sete casos (26,9%), hereditariedade em trs casos (11,5%), rubola gestacional em dois casos (7,7%) e ototoxidade em um caso (3,8%) relacionavam-se com a perda auditiva do tipo profunda bilateral, num total de 13 casos (50,0%) e em sete casos (26,9%) a etiologia era desconhecida. A perda auditiva neurossensorial do tipo severa bilateral ocorreu em um caso de ictercia (3,8%) e dois casos (7,7%) com etiologia desconhecida. Quanto ao tipo de perda auditiva neurossensorial severa direita e profunda esquerda as doenas responsveis foram: dois casos de meningite ps-natal (7,7%) e um caso de rubola gestacional (3,8%), num total de trs casos (11,5%).

Na somatria de todas as etiologias responsveis pelos tipos de perdas neurossensoriais notam-se a meningite ps-natal em nove casos (34,6%), a hereditariedade em trs casos (11,5%), a rubola gestacional em trs casos (11,5%), a ictercia em um caso (3,8%), a ototoxidade em um caso (3,8%) e em nove casos (34,6%) a doena responsvel era desconhecida.

A alta incidncia de causas desconhecidas (34,6%) deve-se, provavelmente, ao menor nvel social, cultural, econmico das respectivas famlias e a conseqncia da maior dificuldade no alcance dos recursos mdicos.

Os autores da literatura compulsada no citam a freqncia dos tipos de perda auditiva, nem a incidncia das possveis causas dessas deficincias auditivas. Tratam do geral sem abordar a especificidade. Uma perda auditiva inabilitante em uma criana em qualquer grau de audio reduz a inteligibilidade de uma mensagem falada a um grau imprprio para interpretao acurada ou aprendizagem (2).

Anormalidades congnitas, de etiologia desconhecida, citadas como causadoras de disfuno auditiva, so mencionadas e salientam o provvel carter recessivo nas crianas portadoras de surdez congnita bilateral e com ausncia de nistagmo ps-rotatrio (8,18).

Diversos autores, alm de enfatizarem as sndromes genticas em geral como partcipes dos dficits auditivos, correlacionam como causas dessas perdas as de natureza adquirida como hemorragias, traumatismos e a meningite (9,11).

No presente estudo a incidncia de perda auditiva pela rubola gestacional foi do tipo profunda bilateral em dois casos (7,7%) e em um caso (3,8%) severa direita e profunda esquerda, em concordncia com autores que referem que a rubola gestacional responde pela perda auditiva neurossensorial bilateral de severa a profunda (11). Estes autores assinalam que doenas como meningite aguda e rubola so responsveis por 10% dos dficits auditivos neurossensoriais de severo a profundo. A importncia da rubola como causa de surdez congnita denotada por DEWEESE e SAUNDERS (8).

H relatos da participao de substncias ototxicas como responsveis por dficits auditivos neurossensoriais (8,9,11) que neste estudo ocorreu em um caso (3,8%) de perda auditiva profunda bilateral. A estreptomicina e os aminoglicosdeos so referidos como responsveis por uma perda auditiva neurossensorial grave em frequncia alta e irreversvel e o cido acetilsaliclico responsvel por uma perda auditiva neurossensorial de leve a moderada, porm reversvel (11).

Dos 26 casos analisados, sendo 15 do sexo masculino e 11 do sexo feminino, foram encontrados os seguintes dados em relao anlise da prova calrica: no sexo feminino, um caso (3,8%) de normorreflexia, um caso (3,8%) de predomnio direcional do nistagmo assimtrico, um caso (3,8%) de hiporreflexia unilateral e oito casos (30,8%) de hiporreflexia bilateral. No sexo masculino foram encontrados trs casos (11,5%) de hiporreflexia unilateral e 12 casos (46,1%) de hiporreflexia bilateral (Tabela 1).

Assim, 38,4% dos casos femininos e 57,7% dos casos masculinos apresentaram alteraes na prova calrica com predomnio da hiporreflexia bilateral (76,9%), seguida pela hiporreflexia unilateral (15,3%), independente do sexo, varivel no correlacionada pelos autores compulsados. Estes resultados esto de acordo com autores (7,9,13,19) que encontraram diminuio da atividade da funo vestibular nas provas calricas em crianas com hipoacusia, independente da etiologia. Alm da reduo das respostas vestibulares na prova calrica, unilaterais ou bilaterais, h tambm arreflexia do nistagmo ps-calrico nas sndromes cocleovestibulares (19).

A anlise da prova calrica em relao aos graus de perda auditiva e etiologia denota um caso (3,8%) de normorreflexia onde a perda auditiva era severa direita e profunda esquerda, causada por rubola gestacional; um caso (3,8%) de hiporreflexia unilateral, (15,3%) com perda auditiva severa bilateral de causa desconhecida e trs casos (11,5%) de perda auditiva profunda bilateral, sendo um de causa hereditria e dois de etiologia desconhecida. A hiporreflexia bilateral (76,9%) foi assinalada em dois casos (7,7%) de perda auditiva severa bilateral, um causado por ictercia ps-natal e o outro de etiologia desconhecida, 16 casos (61,6%) de perda auditiva profunda bilateral, distribudos em sete casos de meningite, dois casos de hereditariedade, dois casos de rubola gestacional e cinco casos de etiologia desconhecida; e dois casos (7,7%) de perda auditiva severa direita e profunda esquerda causada por meningite ps-natal. O predomnio direcional do nistagmo assimtrico foi registrado em um caso (3,85%) onde a perda auditiva era profunda bilateral de etiologia ototxica.

Nesta casustica, os casos de perda auditiva exclusivamente severa (Tabela 2) e em todos os casos de meningite ps-natal (Tabela 3) demonstraram uma hiporreflexia vestibular prova calrica, sendo a primeira assertiva concordante e a segunda discordante de autores que notaram arreflexia vestibular em casos de meningite (7).

BERG e PALLASCH (25) relatam que em um caso de surdez sbita o exame inicial revelou arreflexia vestibular aos estmulos calricos e trs meses aps era registrada uma pequena diminuio na reao ao estmulo calrico.

Na presente casustica, 96,1% dos pacientes, independente do grau de perda auditiva, apresentaram alteraes na prova calrica. Um caso de rubola gestacional evidenciou normorreflexia vestibular, apesar da perda auditiva severa direita e profunda esquerda (Tabelas 2 e 3).

Os resultados desta pesquisa concordam com LAVINSKY (14) ao citar que em surdos de graus severo e profundo significativamente elevada a incidncia de achados ENG anormais, independente do diagnstico topogrfico perifrico, central ou misto.

O exame vestibular foi normal em um caso (3,8%), um caso (3,8%) de sndrome vestibular perifrica irritativa, quatro casos (15,3%) de sndrome vestibular perifrica deficitria unilateral e 20 casos (76,9%) de sndrome vestibular perifrica deficitria bilateral (tabela 4). Este estudo evidencia que em 26 pacientes com perda auditiva dos tipos severa e profunda, 25 (96,1%) apresentaram sndromes vestibulares perifricas e em um caso (3,8%) o exame vestibular foi normal. Destaca-se, portanto, uma maior incidncia de sndrome vestibular perifrica deficitria bilateral.

Na correlao entre sndromes vestibulares perifricas e as respectivas etiologias, os nove casos de meningite ps-natal (34,6%) eram de sndrome vestibular perifrica deficitria bilateral; nos trs casos de hereditariedade, um (3,8%) era de sndrome vestibular perifrica deficitria unilateral e dois casos (7,7%) de sndrome vestibular perifrica deficitria bilateral. Nos trs casos de rubola gestacional, um caso (3,8%) foi de normorreflexia e dois (7,7%) apresentaram sndrome vestibular perifrica deficitria bilateral. Em um caso de ictercia (3,8%) registrou-se sndrome vestibular perifrica deficitria bilateral e um caso (3,8%) de sndrome vestibular perifrica irritativa para a etiologia ototoxidade. Nos nove casos (34,6%) de etiologia desconhecida, a sndrome vestibular perifrica deficitria unilateral esteve presente em trs pacientes (11,5%) e a sndrome vestibular perifrica deficitria bilateral observada em seis pacientes (23,1%), conforme Tabela 5.

Na correlao entre as sndromes vestibulares perifricas e os graus de perda auditiva, a sndrome vestibular perifrica deficitria unilateral ocorreu em trs casos (11,5%) de perda profunda bilateral, em um caso (3,8%) de perda severa bilateral, no total de quatro casos (15,3%). A sndrome vestibular perifrica deficitria bilateral esteve presente em 16 casos (61,5%) de perda profunda bilateral, em dois casos (7,7%) de perda severa bilateral, em dois casos (7,7%) de perda severa direita e profunda esquerda, no total de 20 casos (76,9%). A sndrome vestibular perifrica irritativa ocorreu em um caso (3,8%) de perda profunda bilateral. O exame foi normal em um caso (3,8%) de perda auditiva severa direita e profunda esquerda (Tabela 6).

Conclui-se que, independente do sexo, etiologia e do grau de perda auditiva, h prevalncia da sndrome vestibular perifrica deficitria bilateral.

CONCLUSES

1. Houve um predomnio da perda auditiva profunda bilateral, seguida pelas perdas auditivas severa bilateral e severa direita e profunda esquerda, independente do sexo.
2. A meningite ps-natal predominou entre as doenas responsveis por perda auditiva.
3. Houve um predomnio das sndromes vestibulares perifricas, independente do sexo e do tipo de perda auditiva e sua etiologia.
4. Houve uma prevalncia da sndrome vestibular perifrica deficitria bilateral, independente do sexo, da etiologia e do grau de perda auditiva.

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