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Ano: 2007  Vol. 11   Num. 2  - Abr/Jun Print:
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Avaliao Endoscpica do stio Farngeo da Tuba Auditiva em Pacientes com Otite Mdia Crnica
Endoscopic Avaliation of Pharyngeal Orifice of Eustachian Tube in Patients with Chronic Otitis
Author(s):
Jose Evandro Andrade Prudente de Aquino1, Dorothy Eliza Zavarezzi2, Maria Rosa M. S. Carvalho3, Julia Negro Prudente de Aquino4
Palavras-chave:
Tuba auditiva. Otite mdia. Colesteatoma.
Resumo:

Introduo: Uma cavidade timpnica saudvel e funcional requer um bom funcionamento da tuba auditiva. A disfuno da Tuba pode acarretar doena na orelha mdia e comprometer resultados nas cirurgias otolgicas. Dentre essas causas est a obstruo anatmica que pode ocorrer devido a edema mucoso, massas em rinofaringe ou deformidades no stio tubrio. Objetivo: Avaliar atravs da endoscopia em adultos e crianas, o stio farngeo da Tuba e correlacionar os achados com a presena de patologias na orelha mdia como a retrao timpnica, otite mdia crnica simples e colesteatomatosa. Casustica e Mtodo: Entre adultos e crianas 30 pacientes com Otite crnica simples (42 orelhas) 23 com colesteatoma (34 orelhas) 20 com Retrao timpnica (29 orelhas) e 10 do grupo controle (20 orelhas) com exame otorrinolaringolgico completo, audiometria e nasofaringoscopia onde o uso do anestsico tpico foi necessrio em alguns casos. Resultados: Encontramos stio farngeo patolgico na Otite Simples em 33,0%, na Retrao em 44,8% no Colesteatoma em 38,2%. No Colesteatoma o stio farngeo foi normal em 61,8%. O mais freqente tipo de stio anormal com ocluso do mesmo foi hipertrofia linfide adjacente (19,0%). O tipo inflamatrio e hipoplasico estiveram presentes em 8,0% em mdia. O menos comum tipo de stio foi o hipoplsico presente somente em 2,0%. Concluso: A porcentagem de stio farngea alterados da tuba auditiva em crianas foi significantemente mais freqentes do que o observado no grupo controle, fato no constatado nos adultos. Crianas com otite colesteatomatosa e retrao timpnica possuem stio farngeo com maior prevalncia de alteraes anatmicas quando comparados aos adultos com mesmo tipo de patologia. Os cinco tipos de stios analisados no mostraram diferenas estatsticas significantes quanto as suas incidncias.

INTRODUO

A Tuba Auditiva (T.A.) compe-se de um ducto osteocartilaginoso que promove a comunicao entre a orelha mdia e a rinofaringe, percorrendo um trajeto pstero-anterior, spero-inferior e ltero-medial entre esses dois pontos, formando um ngulo de 45 com o plano horizontal no adulto e de 10 na criana. Seus dois teros ntero-mediais so de origem cartilaginosa e o tero pstero-lateral de origem ssea. Sua poro cartilaginosa abre-se na regio lateral da rinofaringe atravs do stio farngeo da Tuba Auditiva, enquanto sua poro ssea tem seu stio de abertura na regio anterior da cavidade timpnica. Trs so as principais funes da TA: 1) Ventilao da orelha mdia para equalizar sua presso com a presso atmosfrica, melhorando, assim, a audio; 2) Drenagem e "clearance" de secreo da orelha mdia para a rinofaringe; 3) Proteo da orelha mdia contra microorganismos e refluxos provenientes da rinofaringe (1, 2). Obstrues tubrias mecnicas ou funcionais, alteraes das caractersticas reolgicas das secrees, disfunes ciliares primrias ou secundrias, tampo de muco, presso negativa e vcuo so alguns dos fatores que prejudicam a drenagem de excessos de muco e microorganismos da cavidade timpnica, propiciando o desenvolvimento das Otites Mdias.

Pequenas obstrues da TA que criem presso negativa na orelha mdia podem levar a aspiraes de secrees da rinofaringe para a cavidade timpnica. Nas crianas, por terem a TA mais larga, mais horizontal e mais curta, a funo de proteo menos eficaz (3,4)

Uma orelha mdia saudvel implica em tuba auditiva funcionante. Alteraes estruturais, fisiolgicas ou funcionais da tuba auditiva acarretam patologias na cavidade timpnica, seja por hipoventilao da orelha mdia, falta de drenagem de secrees ou por contigidade de infeces da rinofaringe. Por conseqncia, bons resultados de grande parte das cirurgias otolgicas dependem, entre outros fatores, do estado funcional da Tuba Auditiva. H quem enfatize ser fundamental o seu papel no prognstico cirrgico de determinadas patologias da orelha mdia e membrana timpnica.

A classificao dos tipos de stios seguiu o modelo adotado por MANRIQUE e CERVERA-PAZ (5) (1999) tomando como base disfuno tubria associada falha de aerao da orelha mdia como causas possveis para o desenvolvimento do colesteatoma, realizaram um estudo analisando o stio Farngeo da Tuba Auditiva e dividindo-o em 5 tipos.


stio Normal (Tipo 1)

Base triangular inferiormente, circundado pelo trus, o qual possui a forma de uma vrgula, com volumosa borda posterior e borda anterior menos proeminente. O limite inferior formado pela proeminncia do "msculo elevador" que corresponde protuberncia do msculo elevador do palato.

Durante a deglutio ou fonao, a borda posterior move-se pstero e superiormente, sendo o stio do msculo elevatrio mais evidente devido contrao desse msculo. A aparncia da mucosa do orifcio tubrio normal e a fosseta de Rosenmller vermelha plida e de aspecto macio.


stio Inflamatrio (Tipo 2)

A mucosa que recobre o orifcio tubrio do tipo respiratrio e participa em diferentes condies de inflamao e infeco do nariz e da nasofaringe. Em episdios agudos, a mucosa torna-se edemaciada, geralmente em distoro da morfologia dessas estruturas. A cor da mucosa muda de vermelho plido para vermelho intenso, sempre eritematoso, sendo comum presena de secreo mucopurulenta recobrindo o orifcio tubrio. Em condies crnicas, tal como a alergia, este orifcio pode tambm estar inflamado. Nestas condies, a mucosa plida, no apresenta edema e no apresenta distoro da morfologia do stio tubrio.


stio com Hiperplasia Linfide Adjacente (Tipo 3)

O stio tubrio tem um acmulo de tecido linfide que forma a tonsila tubria. A hipertrofia desta tonsila observada e est limitada ao stio tubrio, fosseta de Rosenmller e a parede posterior do orifcio tubrio. necessrio lembrar que na proximidade da tonsila tubria h um maior acmulo de tecido linfide do Anel Linftico de Waldeyer que corresponde tonsila farngea (adenide). A hipertrofia do tecido linfide peritubrio pode distorcer a morfologia normal do orifcio tubrio. A mucosa encontrase edemaciada, granulosa e vermelha escura. s vezes, fica difcil distinguir a tonsila tubria, o stio tubrio e o tecido adjacente adenoideano. Em alguns casos, eles podem tambm ser encontrados em pacientes acometidos por inflamao crnica nasal, com hipertrofia isolada do tecido tonsilar peritubrio.

Durante os primeiros anos de vida, o tecido linfide adenoideano exibe remarcveis mudanas de tamanho. Em alguns casos ele pode comprimir a borda posterior dostio e excepcionalmente atinge e recobre o orifcio tubrio. Nos casos de hipertrofia adenoideana, a disfuno tubria pode ser mais relatada como um processo infeccioso ou inflamatrio da rinofaringe do que como uma funo diminuda, devido ao mecanismo de compresso do stio tubrio.


stio Hipoplsico (Tipo 4)

Em alguns casos, a hipoplasia bilateral do stio tubrio pode ser observada. Envolve mais o bordo anterior do stio que o posterior, dando a impresso de que o bordo anterior est ausente, sendo impossvel visualiz-lo durante a deglutio. A morfologia do stio hipoplsico no muda com o tempo. Quando est associado com doena da orelha mdia, seu prognstico desfavorvel e direciona a uma otite mdia crnica. A etiologia destas mudanas patolgicas desconhecida, podendo ser um estgio final de um processo inflamatrio crnico da mucosa.


stio Cicatricial (Tipo 5)

O stio tubrio pode mostrar mudanas importantes devido amputao total ou parcial de seus componentes, perda da configurao normal por retrao cicatricial ou presena de brida cicatricial que o prende parcialmente na parede da nasofaringe. Este tipo de stio geralmente encontrado em pacientes que tm sido submetidos a tratamento cirrgico ou radioterpico por patologias nasofarngeas ou de base de crnio.

com base na fisiologia da Tuba Auditiva e na patognese da Otite Mdia que este estudo tem por objetivo correlacionar, atravs de achados endoscpicos nasofarngeos, as alteraes encontradas no stio Farngeo da Tuba Auditiva com doenas da Orelha Mdia, como a Otite Mdia Crnica Simples (OMCS), a Otite Mdia Crnica Colesteatomatosa (OMCC) e a Retrao da Membrana Timpnica (RMT).


CASUSTICA E MTODO

Participaram deste estudo entre adultos e crianas 30 pacientes com Otite Mdia Crnica Simples (OMCS) uni ou bilateralmente, correspondendo a um total de 42 orelhas com doena e 42 stios avaliados; 23 pacientes portadores com Otite Mdia Crnica Colesteatomatosa (OMCC), perfazendo um total de 34 orelhas doentes, com 34 stios estudados e 20 pacientes com Retrao da Membrana Timpnica (RMT), em seus mais variados graus, em um total de 29 orelhas alteradas e 29 stios avaliados. Submeteram-se tambm aos exames 10 pacientes com ausncia de patologias otolgicas, nasais ou rinofarngeas, incluindo as inflamatrias, infecciosas e obstrutivas, os quais fizeram parte do grupo controle, somando um total de 20 stios submetidos avaliao.

A idade dos pacientes variou entre 4 e 65 anos, sendo de 4 a 54 anos para OMCS, de 8 a 61 anos para OMCS e de 8 a 65 para RMT. A faixa etria entre crianas variou de 4 a 15 anos inclusive consideramos adultas as crianas maiores de 16 anos.

Quanto ao sexo, 56,5% dos pacientes eram homens e 43,5% mulheres.

Todos os pacientes foram submetidos avaliao otorrinolaringolgica, audiolgica e nasofaringoscpica, examinados com nasofibroscopia Olympos ENF tipo P3 fibroscpio, com luz de xennio para iluminao e cmera de vdeo para documentao.

A fibra tica foi inserida nas narinas com maior ateno para o lado correspondente ao da alterao otolgica: retrao timpnica, perfurao timpnica ou do colesteatoma. Em alguns casos, o uso de anestsico tpico foi necessrio.

Todos os pacientes participantes do estudo foram atendidos no Ambulatrio de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Santo Amaro, no perodo de maio de 2004 a junho de 2005 e assinaram o termo de consentimento pleno e tiveram o registro no CEP-UNISA N 027/07.

As variveis qualitativas foram representadas por freqncia absoluta (n) e relativa (%), as quantitativas por mdia e valores mnimos e mximos. A associao entre as variveis tipo de Otite Mdia, tipo de stio e idade (crianas e adultos) foi estudada pelo teste do quiquadrado e ou pelo Teste Exato de Fisher. Adotou-se o nvel de significncia de 0,05 (a = 5%) e nveis descritivos (p) inferiores a esse valor foram considerados significantes.


RESULTADOS

Dos pacientes com Otite Mdia Crnica Simples, 18 (60%) tinham comprometimento unilateral e 12 (40%) bilateralmente, totalizando 42 orelhas e, portanto, 42 stios avaliados. A idade dos pacientes variou entre 4 e 54 anos, com mdia de 22,7 anos, sendo 12 (40%) crianas e 18 (60%) adultos. Sob viso endoscpica, o stio farngeo da TA mostrou-se normal em 67% dos casos (28 stios). Dentre os stios alterados, 3 (7%) foram do tipo inflamatrio, 1 (2%) do tipo hipoplsico, 8 (19%) com hipertrofia linfide adjacente e 2 (5%) do tipo cicatricial.

Entre os pacientes com Otite Mdia Crnica Colesteatomatosa, 12 (52,2%) apresentavam doena unilateral e 11 (47,8%) bilateral, perfazendo um total de 34 orelhas e stios avaliados. A idade dos pacientes variou entre 8 e 61 anos, com mdia de 27 anos, sendo 7 (30,4%) crianas e 16 (69,6%) adultos. Ao estudo Nasofibroscpico, 21 (61, 8%) pacientes apresentaram stios farngeos da TA de aspecto normal, enquanto 13 (38,2%) foram considerados alterados, entre eles: 3 (8,8%) inflamatrios, 3 (8,8%) hipoplsicos, 1 (2,9%) com hipertrofia linfide adjacente e 6 (17,6%) cicatriciais.

Dentre os pacientes com Retrao da Membrana Timpnica, 11 (55%) apresentavam alterao unilateralmente e 9 (45%) bilateralmente, totalizando 29 orelhas e 29 stios avaliados. A idade dos pacientes variou entre 8 e 65 anos, com mdia de 26,8 anos, sendo 8 (40%) crianas e 12 (60%) adultos. A avaliao dos stios mostrou-se normal em 16 (55,2%) e alterada em 13 (44,8%), sendo 4 (13,8%) stios do tipo inflamatrio, 2 (6,8%) do tipo hipoplsico, 7 (24,1%) com hipertrofia linfide adjacente e nenhum (0%) do tipo cicatricial.

A comparao entre adultos e crianas, segundo o tipo de Otite Mdia estudada e a presena ou no dealteraes do stio farngeo da T. A. evidenciou que, entre as crianas, as porcentagens de stios alterados foram significantemente mais freqentes do que a observada no grupo controle, fato no constatado em relao aos adultos (Tabela 1).




A anlise mostrou associao significante das crianas em relao aos adultos, quanto presena de alteraes dos stios e a ocorrncia de OMCC e Retrao da MT (2,8 e 2,26).

Observa-se que as porcentagens dos tipos de alteraes otolgicas estudadas no diferiram significantemente entre si (p< 0, 01).

Quanto a uni ou bilateralidade da doena otolgica, adultos e crianas no diferiram significantemente em relao s distribuies dos 3 tipos de alteraes da Orelha Mdia. (Tabela 2)




A distribuio de pacientes com e sem doena da Orelha mdia, quando divididos quanto a presena ou no de alteraes do stio farngeo da TA, mostra:

1 - Preponderncia de stios de aspecto normal (68, 0%) em relao aos alterados (32,0%).

2 - A porcentagem de alteraes de stios do grupo controle foi significantemente menor do que as observadas nos grupos de OMCS, OMCC e Retrao da MT, as quais no diferiram entre si (Tabela 3).




A Tabela 4 expe as freqncias de cada tipo de stio nas trs Otites estudadas. Ao compararmos as 3 doenas da Orelha Mdia em relao aos tipos de alteraes dos stios, o tamanho da amostra no permitiu rejeitar a hiptese de igualdade entre os grupos. Entretanto, os resultados sugerem poder haver diferena entre eles (x2 crtico = 15,51 e x2 calculado = 15,08).




O grfico I a seguir mostra a relao entre os tipos de stios nas doenas da Orelha Mdia estudadas. Destaque para a incidncia do stio Tipo 3 nas perfuraes e retraes timpnicas e do stio Tipo 5 no colesteatoma.


Grfico 1. Relao entre as morfologias DCS stios tubrios. OMCS: Otite Mdia Cronica Simples; OMCC: Otite Mdia Cronica Colesteatomatosa; Ret. Mt: Retrao Da Membrana Timpnica.



DISCUSSO

Definimos Otite Mdia como um processo inflamatrio, infeccioso ou no, localizado de forma focal ou generalizada na cavidade timpnica, que inclui a poro timpnica da TA e o complexo celular da mastide (4).

Diversos fatores de risco tm sido buscados para explicar o desenvolvimento da Otite Mdia, entre eles fatores intrnsecos e extrnsecos. Os intrnsecos caracterizam-se pela presena de malformaes craniofaciais, principalmente as anomalias do palato; imunossupresso; doenas ciliares e de composio do muco; obstrues anatmicas da TA, caracterizadas basicamente pela hipertrofia das tonsilas farngeas; alergias, entre outros. Os fatores extrnsecos compem-se pela ausncia da proteo conferida pelo aleitamento materno e pelo tabagismo, ativo ou passivo. A associao entre esses fatores propiciaria quadros de Otites Mdias.

Dentre as inmeras tentativas de classificao e elucidao da patognese das Otites Mdias, Paparella et al (4). sugeriram a hiptese do "Continuum". Tal teoria estabelece que o fator desencadeante inicial seria a disfuno tubria funcional ou mecnica. Uma vez que a TA fosse incompetente para equilibrar a presso atmosfrica e intratimpnica, haveria o desencadear de um ciclo de presso negativa na cavidade timpnica. Tal fato tentaria ser compensado, em um primeiro momento, pela retrao da membrana timpnica e, secundariamente, pelo extravasamento de plasma para a orelha mdia devido elevao da presso hidrosttica intravascular, configurando uma Otite Mdia Serosa. Caso os fatores desencadeantes no fossem corrigidos ou terapias clnicas no fossem institudas, o processo inflamatrio da Orelha Mdia tenderia a cronificao.

A Membrana Timpnica sofreria alteraes precoces e significativas causadas pela persistncia do lquido nas adjacncias e pela excessiva presso negativa na caixa timpnica. Conseqentemente, a membrana poderia sofrer processos de atrofia localizados ou difusos que, como regies frgeis, poderiam facilmente romper-se. Como resultado teramos perfuraes timpnicas de dimenses consideravelmente maiores e de regenerao mais difcil daquelas ocorridas em tmpanos previamente sadios (3, 4).

Em relao Otite Mdia Crnica Simples (OMCS), a porcentagem de casos observados atravs da rinofaringoscopia que mostrou stio farngeo da T. A. alterado foi de 33%. Os casos observados, uni ou bilateralmente, podem sugerir que a disfuno de TA ou a alterao anatmica da prpria rinofaringe possam ser a origem da patologia da orelha mdia. Os achados endoscpicos apresentaram uma alta incidncia de alteraes em pacientes com doenas otolgicas em relao ao grupo controle, principalmente entre as crianas. Dentre estas alteraes, destaca-se a hipertrofia do tecido linfide, que aparece no estudo da OMCS em 19% dos casos e o stio do tipo inflamatrio, que tambm foi considerado como importante causa de disfuno tubria, ocorrendo em 7% da OMCS.

Nos pacientes portadores de Otite Mdia Colesteatomatosa (OMCC), alteraes de stios tubrios foram encontradas em 38,2% dos casos, com destaque para o tipo de stio cicatricial, que contribuiu com 17,6% dos casos. Ressaltamos que dentre os pacientes que apresentaram stio do tipo cicatricial, os mesmos haviam sido submetidos cirurgia otorrinolaringolgica prvia por hipertrofia da tonsila faringea e ou de conchas nasais inferiores.

Segundo a teoria de BEZOLD (1888) para a gnese do colesteatoma primrio, o comprometimento tubrio, gerador de presses negativas na caixa do tmpano, proporcionaria uma aspirao da membrana timpnica em sua poro mais flcida, atical.

Inicialmente ocorre uma simples aspirao, rasa e de bordas relativamente largas. Essa caracterstica faz com que a pele descamada dentro dessa aspirao ainda possa migrar para o conduto, propiciando sua ventilao. Posteriormente, essa aspirao aprofunda-se para a regio atical e mastidea, fica proporcionalmente muito mais larga que sua borda e retm pele que no pode migrar, se infecta e caracteriza o colesteatoma primrio. J o colesteatoma secundrio assim denominado por ser conseqncia de uma doena pregressa da membrana timpnica, quer seja uma perfurao marginal, quer uma atelectasia, ambas podendo ser causadas por mau funcionamento da Tuba Auditiva (6).

O exame nasofibroscpico de nossos pacientes com retrao da membrana timpnica permitiu-nos avaliar a amostra estudada de 29 orelhas e stios: 16 (55,2%) orelhas tiveram o stio da T. A. normal e 13 (44,8%) orelhas apresentaram-se com o mesmo alterado. Os resultados sugerem que em ouvidos com retrao timpnica existe uma porcentagem mdia de aproximadamente 50% de alteraes do stio farngeo tubrio. Interessante mostrar que os mais comuns tipos de stios tubrio encontrado foram o da hipertrofia linfide (24,1%) e o hipoplsico (6,8%).

Segundo SAD et al. (7), a otite mdia adesiva uma seqela decorrente de um processo inflamatrio da orelha mdia, de longa durao. Ainda no est perfeitamente claro se os vrios graus de retrao timpnica so eventos que ocorrem em diferentes estgios da otite mdia crnica, ou se so doenas distintas. A atelectasia um estgio evolutivo final da retrao timpnica, a saber: Estgio I: simples retrao; Estgio II: retrao severa; Estgio III: retrao mais avanada da M. T. sobre o promontrio; Estgio IV: adeso da M. T. colapsada ao promontrio.

A presso negativa da cavidade timpnica decorrente da disfuno tubria causa o deslocamento medial da MT at determinados limites. Estes limites dependem do volume total da cavidade timpnica e da rapidez com que a obstruo tubria se estabelece. O processo pode tender a progresso, de maneira que a membrana passa a recobrir as estruturas da orelha mdia, com ou sem fixao dos ossculos, caracterizando a Otite Mdia Adesiva e a Atelectasia Timpnica, respectivamente. Eroso da apfise longa da bigorna e pexia do segmento pstero-superior do tmpano com a cabea do estribo so estgios evolutivos possveis deste processo (4,8).

GRIMMER e POE (9) (2005) definiram, em uma reviso sobre a Disfuno da Tuba Auditiva, que as causas de disfuno tubria podem ser divididas nas seguintes categorias: obstruo anatmica, obstruo funcional ou tuba patente. Obstruo anatmica real pode ocorrer por edema mucoso, plipos ou leses de massa (hipertofrialinfide, tumores da rinofaringe). Obstruo funcional, ou seja, falncia de abertura da tuba na ausncia de causa obstrutiva visvel, geralmente mais freqente e causada por presso negativa excessiva na orelha mdia inibindo a capacidade de dilatao tubria.

Infelizmente at o presente momento, no h um teste completamente satisfatrio para avaliao da fisiologia e funo da Tuba Auditiva. Manobra de Valsalva, Mtodo de Politzer, Manometria, Insuflao da T. A., Sonometria, Timpanometria e uso de substncias radioistopos so testes possveis para o estudo das funes de ventilao e drenagem da T. A. Estes testes podem promover informaes teis, porm, como afirmaram SLOTH e LILDHOLDT (10) (1989), esses estudos que demonstram T. A. funcionante, podem indicar bons resultados cirrgicos, porm funo tubria inadequada avaliada a partir de testes funcionais no prediz sucessos ou insucessos cirrgicos.

Segundo MARONE et al. (11) (1995), realizaram um estudo das funes da Tuba Auditiva e sua correlao com resultados cirrgicos de Miringoplastias, as funes tubrias exercem papel importante na causa e tratamento das doenas da orelha mdia. Concluram que algumas provas existentes de avaliao da funo da T. A., quando associadas, podem ter valor prognstico nos procedimentos cirrgicos analisados.

Atualmente, j se tem realizado exame endoscpico intratubrio via transfarngea ou transtimpnica em locais que dispe de material apropriado. A utilizao de endoscpio diretamente no lmem tubrio tem por finalidade avaliar tanto a anatomia quanto funo da Tuba Auditiva (12, 13, 14).

POE et al. (15) (2001), realizaram um estudo de 40 pacientes, totalizando 58 orelhas com patologias (colesteatoma, retrao da M. T., perfurao da M. T., atelectasia, otite mdia secretora) e 22 orelhas normais. Neste trabalho avaliou-se a Tuba Auditiva atravs de exame endoscpico intratubrio, demonstrando que todas as 58 tubas correspondentes s orelhas doentes apresentavam alteraes patolgicas significativas com reduo da dilatao tubria. As causas destas alteraes eram: edema mucoso, reduo de movimentao da parede lateral da tuba, plipo ou doena obstrutiva outra e reduo da dilatao tubria. Concluiram que a disfuno da Tuba Auditiva parece ter alguns possveis fatores etiolgicos, incluindo-se: 1) Doena mucosa primria: inflamao, infeco e alergia; 2) Refluxo proveniente da rinofaringe (e possivelmente refluxo laringofarngeo); 3) Desordens musculares primrias: hipotonia, incoordenao; 4) Obstruo anatmica.

Atravs da anlise endoscpica do stio farngeo da Tuba Auditiva realizada em nosso estudo, conseguimos identificar alguns destes fatores que nos induziriam supor disfuno tubria, dentre eles, processos inflamatrios, infecciosos e alrgicos peritubrios, obstruo anatmica tubria da regio da rinofaringe e sinais de refluxo laringofarngeo.

Entendemos que os achados endoscpicos patolgicos do stio tubrio podem explicar o papel da disfuno tubria de causa obstrutiva no desenvolvimento das doenas da orelha mdia. Sugerimos a rotina deste exame em pacientes com as patologias otolgicas descritas, como estudo relevante para a seleo do tipo de tratamento apropriado e prognstico das patologias da Cavidade Timpnica.


CONCLUSO

- stios Farngeos da Tuba Auditiva em crianas portadoras de Otites Mdias possuem mais alteraes morfolgicas quando comparados com o do grupo controle;

- Crianas com Otite colesteatomatosa e Retrao Membrana Timpnica possuem stios farngeos da Tuba Auditiva com maior prevalncia de alteraes anatmicas quando comparadas aos adultos com o mesmo tipo de patologia;

- Os 5 tipos de stios analisados no mostraram diferena significante quanto s suas incidncias.


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1. Doutorado - UNIFESP. Professor Titular II em ORL da Faculdade de Medicina de Santo Amaro - UNISA-SP.
2. Residente R3 em ORL da UNISA - SP. Residente R3 em ORL da UNISA - SP.
3. Professora Titular de ORL da Faculdade de Medicina UNISA - SP. Professora Titular de ORL da Faculdade de Medicina UNISA - SP.
4. Aluna do 6 ano da Universidade de Nova Iguau - RJ. Aluna do 6 ano da Universidade de Nova Iguau - RJ.

Instituio: Universidade De Santo Amaro - UNISA/SP

Endereo para correspondncia: Jos Evandro Andrade Prudente de Aquino
Alameda Ribeiro Preto, 410 - Apto. 1106 - Bela Vista - So Paulo / SP - CEP 01331-000
E-mail: clinicaorlsp@uol. com. br

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gesto de Publicaes) da R@IO em 18 de fevereiro de 2007. Cod. 222. Artigo aceito em 29 de abril de 2007.
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