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Ano: 2007  Vol. 11   Num. 2  - Abr/Jun Print:
Case Report
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Ectasia Jugular Interna Bilateral
Bilateral Internal Jugular Phlebectasia
Author(s):
Lidiane Maria de Brito Macedo Ferreira1, rik Frota Haguette2
Palavras-chave:
Veias jugulares. Ectasia. Criana.
Resumo:

Introduo: A ectasia da veia jugular interna uma dilatao fusiforme da veia. Os achados clnicos consistem principalmente no aumento do volume cervical ao esforo ou Manobra de Valsalva. Seu principal diagnstico diferencial com a laringocele externa. Objetivo: Os autores apredentam dois casos de ectasias fusiformes de veias jugulares internas bilateralmente em crianas,associado a uma reviso de literatura. Relatos de caso: MHN, feminina, 5 anos e HOT, masculino, 4 anos, ambos com histria de abaulamento cervical bilateral ao esforo. Sem outros sintomas associados. Foi diagnosticado nos dois casos ectasia de veias jugulares internas. Nenhum tratamento foi indicado na ocasio. Concluso: Os casos so raros, de importncia pelos diagnsticos diferenciais e instituio de tratamento precoce.

INTRODUO

A ectasia venosa, ou flebectasia como tambm chamada, uma entidade rara que consiste na dilatao fusiforme das veias. Por apresentarem paredes finas, as veias so as estruturas vasculares acometidas por excelncia, propiciando sua dilatao. No pescoo, isso ocorre durante a Manobra de Valvalsa, revelando aspecto de abaulamento cervical. So descritas flebectasias principalmente em veia jugular interna, mas tambm podem afetar a veia jugular externa, veia jugular anterior e veias comunicantes cervicais superficiais.

A ectasia jugular uma alterao congnita, e por isso mais comumente diagnosticada em crianas. A relao homem: mulher de 2:1 (1) ou 3:2 (2) (h discordncias), e a predominncia pelo lado direito (5,8:1) (2), sendo raros os casos bilaterais. No se sabe, entretanto, a causa desta predileo. O diagnstico deve ser precoce para diferenci-la de outras patologias, assim como para instituir tratamento adequado quando necessrio.


OBJETIVO

Relatamos dois casos em crianas, uma do sexo masculino e outra do sexo feminino, ambas com dilatao bilateral das jugulares internas, que tornam-se casos interessantes pela raridade. O diagnstico nesses casos apresenta importncia pela diferenciao entre laringoceles ou outras malformaes congnitas, que requerem tratamento ou apresentam risco ao paciente infante.


RELATO DE CASOS

O primeiro caso de MHN, feminina, 5 anos (Figura 1), procurou servio de otorrinolaringologia pois a me queixava-se de que "o pescoo da criana inchava" quando a mesma gritava ou fazia esforos grandes, desde o nascimento. Negava disfonia, disfagia, odinofagia, dispnia, febre. Sem antecedentes de traumas, cirurgias ou patologias cervicais.


Figura 1. MHN, feminina, 5 anos - Exame fsico revelando abaulamento cervical bilateral Manobra de Valsalva.



Ao exame fsico, observamos bom estado geral, higidez, sinais vitais estveis e dentro dos padres de normalidade. Oroscopia, rinoscopia e otoscopia sem alteraes. Palpao do pescoo em repouso tambm sem alteraes. Entretanto, ao solicitar que a criana fizesse esforo, simulando uma manobra de Valsalva, observamos abaulamento das regies cervicais ntero - laterais bilateralmente, aproximadamente nos nveis II, III e IV, simtrico, e que retornava posio original aps cessado o esforo. O abaulamento era de consistncia amolecida, imvel, porm sem caractersticas de nodulaes fixas.

Foi realizada uma nasofibrolaringoscopia, que apresentou-se sem alteraes.

Foi ento solicitado ultrassonografia cervical com doopler, que revelou aumento do tamanho e do fluxo das veias jugulares internas bilateralmente Manobra de Valsalva. Tomografia computadorizada foi tambm solicitada, entretanto no foi possvel realiza-la com a Manobra de Valsalva e no pde ser registrada a ectasia.

A criana permanece ento em acompanhamento clnico at o momento, sem outras queixas.

O segundo caso refere-se a HOT, masculino, 4 anos (Figuras 2 e 3), com histria semelhante. A me procurou servio de otorrinolaringologia por perceber abulamento na regio cervical anterior do filho quando este chorava ou fazia esforos. No referia dor, falta de ar ou outro sintoma farngeo.


Figura 2. HOT, masculino, 4 anos - Exame fsico revelando abaulamento cervical direito Manobra de Valsalva.



Figura 3. HOT, masculino, 4 anos - Exame fsico revelando abaulamento cervical esquerdo Manobra de Valsalva.



Ao exame, observamos ectoscopicamente ausncia de alteraes, exceo do abaulamento visvel quando a criana fazia algum tipo de esforo. O abaulamento era bilateral, maior esquerda, consistncia cstica e sem aderncia a planos profundos. Acima do msculo esternocleiodomastideo. Sem adenomegalias cervicais.

Nasofibrolaringoscopia revelou ausncia de alteraes.

Tomografia computadorizada com contraste (Figuras 4 e 5), realizada em Manobra de Valsalva prolongada confirmou o diagnstico de ectasia de veia jugular interna bilateral, com preenchimento do contrataste nas veias trgidas.


Figura 4. Tomografia computadorizada cervical durante a Manobra de Valsalva - Exame revelando aumento do dimetro das veias jugulares internas bilateralmente.



Figura 5. Tomografia computadorizada cervical com contraste durante a Manobra de Valsalva - Exame revelando aumento do dimetro das veias jugulares internas bilateralmente.



DISCUSSO

At o momento estima-se que tenham sido descritos na literatura mdica menos de 50 casos de ectasia jugular (3), apesar de haver uma concordncia geral de que esses nmeros devam ser maiores por passarem despercebidos na clnica diria. O primeiro caso descrito foi em 1928 por HARRIS (3), que a descreveu como anomalia venosa que envolvia as veias jugular direita, inominada e tireoideana inferior.

As possveis causas da dilatao da veia jugular interna so: reduplicao anmala (descrita no caso ZUKSCHWERDT em 1929), presso do msculo escaleno (descrita por ROWE em 1946), compresso da veia inominada (sugerida por LAMONTE em 1976). Na maioria dos casos, entretanto, permanecem como idiopticas (4). O que se observa na maioria dos casos uma diminuio nas fibras elsticas que compem as camadas da parede venosa.

Quando apresenta-se unilateralmente, poucos so os sintomas evidentes, exceto a visualizao do aumento de volume cervical aos esforos. Mostra-se como uma massa no-pulstil, de aspecto cstico, redonda ou fusiforme, localizada a nvel supraesternal, supraclavicular ou na borda anterior do msculo esternocleidomastideo, e indolor palpao. Quando se procede Manobra de Valsalva,ocorre compresso da extremidade inferior da ectasia, e seu conseqente abaulamento.

O diagnstico basicamente clnico, sendo confirmado a partir de ultrassonografia com doopler, que revela formao aneurismtica fusiforme na veia jugular interna durante a Manobra de Valsalva. Atualmente a tomografia computadorizada tambm pode ser utilizada para confirmao diagnstica, revelando a dilatao venosa no momento da Manobra de Valsalva. Entretanto, a ultrassonografia ainda o mtodo de eleio por ser noinvasivo e menos dispendioso. importante ressaltar que em ambos os mtodos necessita-se da colaborao do paciente no que diz respeito realizao de esforo no momento do exame, para que o aumento da presso intratorcica possa revelar a dilatao venosa. Sem a Manobra de Valsalva, o exame no confirma a suspeita.

Os diagnsticos diferenciais consistem basicamente nas massas cervicais que aumentam o volume com o esforo, como o caso da laringocele externa (principal causa de abaulamento cervical Manobra de Valsalva) e dos cistos branquiais ou mediastinais. Outras causas de abaulamentos cervicais que no tm variao de tamanho ao esforo so descartadas logo ao exame fsico.

O tratamento est basicamente na dependncia da presena ou no de complicaes. Se houver compresso de estruturas vasculares, infeces, trombose ou rotura da dilatao, o tratamento cirrgico se faz necessrio. Consiste na resseco do segmento dilatado ou recobrimento com segmento muscular (geralmente do omohiodeo) que funciona comprimindo e dando tnus regio flcida (5). Entretanto, nos casos bilaterais, a resseco das duas ectasias est contra-indicada pela possibilidade de causar edema cerebral (6). Na maioria dos casos, entretanto, por ser assintomtica e causar apenas alteraes estticas, impera a conduta expectante (1,7).


CONCLUSO

A ectasia jugular um achado incomum, mas freqentemente diagnosticado em crianas pelos sinais clnicos que apresenta. Nos dois casos diagnosticados em nosso servio, a conduta foi expectante pelos quadros serem assintomticos.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. Pul N, Pul M. External jugular phlebectasia in children. Eur J Pediatr 1995; 154:275-6.

2. Walsh RM, Lanningan J, Bowdler DA. Jugular bulb phlebectasia. Int J Pediatr Otorhinolaryngol 1993; 25:249-54.

3. Ocampos JR, Granato L, Padula F. Flebectasia da jugular interna em criana. Relato de caso e reviso da literatura. Rev Bras Otorrinolaringol 1999; 65:181-4.

4. Leung A, Hampson SJ, Chir B, Singh MP, Carr D. Ultrasonic diagnosis of bilateral congenital internal jugular venous aneurysms. Br J Radiol 1983; 56:588-91.

5. Uche MG, Vargas HT, Zabalza MEE, Sola JJM. Flebectasia yugular. A propsito de dos casos. Na otorrinolaringol Ibero Am 1996; 23:235-41.

6. Walsh RM, Murty GE, Bradley PJ. Bilateral internal jugular phlebectasia. J Laryngol Otol 1992; 106:753-4.

7. Al-Dousary S. Internal jugular phlebectasia. Int J Pediatr Otorhinolaryngol 1997; 38:273-80.








1. Mdica. Residente de Otorrinolaringologia do Hospital Geral de Fortaleza / CE.
2. Otorrinolaringologista. Chefe da Residncia de Otorrinolaringologia do Hospital Geral de Fortaleza / CE.

Instituio: Hospital Geral de Fortaleza / CE.

Endereo para correspondncia: Lidiane Ferreira
Avenida Washington Soares, 5353 - bloco 4 apto. 202 - Fortaleza / CE - CEP 60830-030
Fax: (85) 3486-6400 - E-mail: lidianembm@yahoo.com.br

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gesto de Publicaes) da R@IO em 6/8/2006 e aprovado em 14/11/2006 03:26:36.
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