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Ano: 2007  Vol. 11   Num. 3  - Jul/Set Print:
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Avaliao da Efetividade da Reabilitao Vestibular em Pacientes com Queixas Vestibulares
Evaluation of the Effectiveness of Rehabilitaion Vestibular in Patients with Vestibular Dysfunction
Author(s):
Marina Morettin1, Luciane Domingues Mariotto2, Orozimbo Alves Costa Filho3
Palavras-chave:
Tontura. Reabilitao. Qualidade de vida.
Resumo:

Introduo: A tontura/vertigem geralmente dificulta as atividades de vida diria e reduz a qualidade de vida. A reabilitao vestibular tem como objetivo promover ou acelerar a compensao dos distrbios do equilbrio, diminuindo ou eliminando os sintomas vestibulares. Para avaliar a percepo do paciente sobre o impacto do problema vestibular na qualidade de vida, o Dizziness Handicap Inventory foi desenvolvido. Objetivo: Quantificar a efetividade da reabilitao vestibular em 39 indivduos. Casustica e Mtodo: Aplicar o Dizziness Handicap Inventory antes e depois da reabilitao vestibular. Este inventrio considera o tratamento efetivo quando ocorrer uma diferena maior ou igual a 18 pontos entre o incio e o trmino do tratamento. Resultados: Apenas 30 pacientes completaram o tratamento. Vinte e nove pacientes obtiveram pontuao igual ou maior de 18 pontos aps alta do tratamento. Em 50% dos casos, a pontuao do Dizziness Handicap Inventory ps-tratamento foi zero, indicando que a tontura no prejudicava a qualidade de vida desses indivduos. Concluso: A reabilitao vestibular forneceu benefcio aos pacientes, mostrando ser efetiva, independente da idade do paciente, do seu diagnstico otoneurolgico e sexo.

INTRODUO E REVISO BIBLIOGRFICA

Para que o ser humano possa se mover facilmente e sentir orientado dentro de um espao, existe um conjunto complexo de sistemas que mantm o equilbrio na quase totalidade das circunstncias (1).

O controle postural dependente do sistema vestibular, vestbulo-espinal e sistema visual (1). Desordens em um s destes sistemas e leses especficas dentro do sistema vestibular perifrico e/ou central podem produzir tontura e/ou vertigem, alm da perturbao do equilbrio, nas condies dinmicas e estticas (2,3).

Aps uma leso, ocorre a compensao e o paciente pode ter uma gradual reduo dos sintomas vestibulares. A interrupo do mecanismo de compensao conduz para um desequilbrio e vertigem crnica (3).

A tontura/vertigem geralmente dificulta as atividades de vida diria e reduz a qualidade de vida (2) do indivduo. Pode gerar problemas emocionais, fsicos, ansiedade e incapacidade para a performance das atividades de rotina (4).

A evoluo da vertigem nas labirintopatias mostra que a melhora ou cura ocorre em apenas 17% dos casos sem nenhum tratamento, 40% dos casos devido ao efeito placebo e em 85% dos casos com uma terapia combinada adequada (5).

Dentre os tratamentos indicados no tratamento da tontura, a reabilitao vestibular (RV) vem sendo empregada com sucesso na melhora do equilbrio corporal.

Os objetivos da reabilitao so de promover a estabilizao visual durante os movimentos de cabea; melhorar a interao vestbulo-visual durante a movimentao da cabea; ampliar a estabilidade postural esttica e dinmica e diminuir a sensibilidade individual movimentao da cabea. Os exerccios com os olhos, cabea e corpo, promovem o conflito sensorial, que acelera a compensao e recalibrao do sistema vestibular (6), promovendo a diminuio ou anulao dos sintomas, restaurao do equilbrio corporal e, alm disso, melhora da qualidade de vida do paciente (7).

A reabilitao vestibular no se trata de um tratamento paliativo, alternativo ou mesmo "psiquitrico", possuindo limites precisos e indicaes bem definidas (6).

A anlise do programa de RV importante, especialmente para ajudar a predizer a utilizao apropriada dos exerccios da RV e os resultados obtidos. Entretanto, avaliar se estes objetivos foram alcanados desafiante e requer a avaliao de dois aspectos: avaliar a percepo do paciente sobre o prejuzo da tontura/vertigem na vida diria, e o desempenho do paciente nas atividades dirias (8).

Os estudos que mostram a eficcia da RV usam diferentes medidas para quantificar os sintomas e funes.

Medidas tem includo auto-avaliao, medida da performance funcional, um levantamento das prticas de vida diria e questionrios. Embora estes no medem a mesma coisa, eles tm apresentado em geral, que os exerccios da reabilitao so de uso de muitos, mas no todos os pacientes com disfuno vestibular (4), independente da idade (9).

Para JACOBSON e NEWMAN (1990), os testes que fazem o diagnstico so inadequados para a avaliao dos efeitos prejudiciais impostos pelas doenas do sistema vestibular (10, 11). Assim, desenvolveram o questionrio Dizziness Handicap Inventory (DHI), um questionrio composto de 25 questes, para avaliar a percepo do paciente sobre o impacto do problema vestibular nos aspectos da vida (12,3).

O DHI investiga a interferncia da tontura na qualidade de vida dos pacientes mediante a anlise dos aspectos: fsico (relao entre o aparecimento , desencadeamento e/ou piora do sintoma tontura e os movimentos dos olhos, cabea e corpo do paciente), emocional (medo de sair de casa, frustao, vergonha das manifestaes clnicas da tontura, distrbio de concentrao, depresso, alterao do comportamento familiar, sensao de incapacidade) e funcional (enfoque na capacidade de desempenhar tarefas domsticas, sociais, de lazer, profissionais e independncia em certas atividades rotineiras como caminhar sem ajuda e andar pela casa no escuro) (13).

O DHI um instrumento confivel, que requer pouco tempo de aplicao, fcil de administrar, pontuar e interpretar. Alm disso, pode indicar resultados de melhora sobre os aspectos fsicos, funcionais e emocionais (14). aplicado antes do incio da reabilitao e ps-reabilitao. A diferena de pontuao entre o pr e ps-tratamento deve ser, no mnimo, 18 pontos para que a mudana possa ser considerada significativa na auto-percepo do prejuzo causado pela tontura na qualidade de vida dos indivduos submetidos reabilitao (10).

A primeira traduo do DHI para o portugus brasileiro foi apresentada em 2000 (14).

Vrios estudos mostraram que a RV promove mudanas significativas nos pacientes vertiginosos, utilizando o DHI como instrumento de avaliao (15, 16). Melhoras so notadas em pacientes nas 3 categorias de diagnstico (perifrico, central ou misto) (3). A idade no foi um fator significante na predio dos resultados da RV (1, 12).

Durante muito tempo, a RV foi indicada apenas a problemas de origem perifrica. Entretanto, BRIEND E COLS., em 1974 (17) referiram indicar os exerccios labirnticos tambm para distrbios vestibulares centrais ou mistos (18).

Geralmente pacientes com desordem vestibular central podem ser ajudados pela RV, mas a recuperao mais lenta do que desordens vestibulares perifricas. encontrada pouca diferena nos resultados daqueles que tem diagnstico perifrico ou central. H esperana de recuperao, mas pode ser incompleta. Pode se ter considervel mudana funcional, mas raramente recuperao completa (12, 19).

As principais razes do sucesso apenas parcial da RV costumam ser, em ordem decrescente de importncia, a dificuldade em aderir ao protocolo teraputico (impossibilidade de realizar exerccios de reabilitao vestibular em casa, o no seguimento das recomendaes nutricionais, mudana de hbitos e correo de eventuais vcios etc.), agente etiolgico no identificado, intolerncia a drogas, multimedicao (especialmente no idoso), estresse, ansiedade, depresso e pnico. Os resultados sempre dependem da participao ativa do paciente no programa teraputico. O paciente deve ter pacincia para aguardar pela melhora e ser persistente no seguimento das instrues teraputicas propostas, para obter o sucesso almejado (20).

O objetivo desta pesquisa quantificar a efetividade da Reabilitao Vestibular comparando os resultados obtidos aplicao do Dizziness Handicap Inventory (DHI) Brasileiro, nos perodos pr e ps Reabilitao Vestibular em pacientes com queixas vestibulares.


CASUSTICA E MTODO

O presente estudo foi realizado no Laboratrio de Pesquisas Otoneurolgicas do Centro de Pesquisas Audiolgicas (CPA) do Hospital de Reabilitao de Anomalias Craniofaciais- USP/ Bauru.

Esta pesquisa foi realizada aps a aprovao do Comit de tica em Pesquisa do Hospital de Reabilitao em Anomalias Craniofaciais (HRAC) da Universidade de So Paulo, ofcio n 094/2004-UEP-CEP. Todos os pacientes assinaram o termo de consentimento ps-informado.

Foram atendidos 39 pacientes com idade variando de 16 a 82 anos, de ambos os sexos, que apresentavam qualquer tipo de alterao do equilbrio corporal, (vertigem, tontura, desequilbrio ao andar, sintomas neurovegetativos [nuseas, vmitos, sudorese fria, palidez], podendo estar associados sintomas auditivos {perda de audio, zumbido, plenitude auricular e autofonia}), e hiptese diagnstica de sndrome vestibular perifrica e/ou central, exame vestibular normal ou exame inconclusivo.

No foram includos no estudo pacientes com alteraes de orelha mdia, diagnstico de doena de Menire (devido recidiva dos sintomas serem freqentes) e com algumas doenas neurolgicas (p. ex. Acidente Vascular Cerebral).

Antes do incio da RV, todos pacientes realizaram as avaliaes otorrinolaringolgicas, com o objetivo de verificar qualquer alterao que possa influenciar nos resultados obtidos na avaliao do sistema vestibular, avaliao audiolgica e exame vestibular. Este foi realizado por meio da Vectoeletronistagmografia analgica da marca Berger, modelo VN316, no perodo pr-reabilitao vestibular. Este exame constou das seguintes etapas: anamnese especfica, pesquisa do nistagmo de posio (sem registro), pesquisa do nistagmo de posicionamento (sem registro), calibrao biolgica dos movimentos oculares (marca Berger, modelo TB-115), pesquisa do nistagmo espontneo, pesquisa do nistagmo semi-espontneo, pesquisa do rastreio pendular horizontal (marca Berger, modelo TB-113), pesquisa do nistagmo optocintico, pesquisa do nistagmo pr e per rotatrio e pesquisa do nistagmo pr e pscalrico (Otocalormetro Berger Agu, modelo OC 114). Estas duas ltimas provas foram realizadas de acordo com os critrios de MANGABEIRA ALBERNAZ et al (1976)(21).

Com o propsito de avaliar a percepo dos pacientes sobre o impacto do problema vestibular nos aspectos da vida, o DHI foi aplicado no perodo pr-reabilitao.

Em cada uma das 25 questes do DHI, o paciente pode responder que "sim" (4 pontos), "no" (zero ponto) e "s vezes" (2 pontos). Desta forma, o maior escore total obtido corresponde a cem pontos, situao em que se observa um prejuzo mximo causado pela tontura; o menor, zero ponto, que revela nenhum prejuzo devido tontura, na vida do paciente. Da mesma forma, avalia-se cada aspecto individualmente, quanto maior o escore, maior o prejuzo causado pela tontura.

Os aspectos avaliados so: aspecto fsico (avaliado pelas questes 01, 04, 08, 11, 13, 17 e 25); aspecto emocional (avaliado pelas questes 02, 09, 10, 15, 18, 20, 21, 22 e 23) e, aspecto funcional (as questes 03, 05, 06, 07, 12, 14, 16, 19 e 24 avaliam este aspecto).

Aps o encaminhamento para realizar a RV, os pacientes realizaram o tratamento com fonoaudilogas especializadas.

Antes do incio do tratamento, foi realizada uma pr-entrevista com intuito de obter informaes relativas a sinais e sintomas otoneurolgicos, que auxiliaram no planejamento teraputico e para verificar quais os fatores poderiam interferir nos resultados do tratamento.

O tratamento incluiu orientaes sobre o equilbrio corporal, a fisiologia dos exerccios, orientaes sobre hbitos que poderiam dificultar a melhora, relaxamento e exerccios personalizados.

Em alguns casos, devido aos fortes sintomas neurovegetativos que impossibilitavam o incio do tratamento, a conduta mdica foi a indicao de medicamentos, que auxiliavam na diminuio dos sintomas.

Foram selecionados entre os vrios exerccios propostos por autores, os mais indicados e efetivos, de acordo com a necessidade de cada paciente, a fim de se obter melhores resultados, tornando, assim, uma proposta teraputica personalizada.

Foram utilizados os protocolos propostos por trabalhos pioneiros de CAWTHORNE, (1944)(22) e COOKSEY (1945)(23); GANANA E COLS (1989)(24); BRANDT & DAROFF (1980)(25), SEMONT, FREYSS E VITTE (1988)(26) E ZEE (1985)(27).

Todos os pacientes foram instrudos a realizar os exerccios em casa, no mnimo 3 vezes ao dia, todos os dias durante o tratamento. Os pacientes eram acompanhados em visitas semanais, para acompanhamento e indicao de novos exerccios personalizados, de acordo com a necessidade do paciente.

Aps a alta da RV, o DHI foi aplicado novamente, para a comparao dos resultados e anlises estatsticas, verificando a eficcia do tratamento.


RESULTADOS

Ao final da pesquisa apenas 30 pacientes foram includos, pois 9 no completaram o tratamento, no respondendo o DHI ps-tratamento. O motivo das desistncias foram variados, desde a no aderncia aos exerccios at ao no comparecimento sem esclarecer os motivos. Portanto, seus dados no sero includos na anlise dos resultados.

A Tabela 1 apresenta como esta populao estudada esta distribuda de acordo com o sexo, faixa etria, diagnstico otoneurolgico e presena ou no de queixa de zumbido.




A Tabela 2 apresenta a distribuio da pontuao quanto ao valor mnimo e mximo do escore total e dos aspectos fsico, funcional e emocional, alm da mdia depontuao para cada item. Foi utilizado o teste de Wilcoxon para verificar se houve mudana estatisticamente significante entre os valores pr e ps RV.




Quando h diferena de 18 ou mais entre a pontuao ps e pr-reabilitao, o tratamento considerado efetivo. A Tabela 3 apresenta, para cada indivduo, se o tratamento foi efetivo ou no.




Para calcular se houve diferena estatisticamente significante na reduo dos valores entre os aspectos avaliados (fsico, funcional e emocional) foi utilizado o teste de Friedman.

A Tabela 4 apresenta a mdia da diferena entre o escore total final e inicial e para os subscores finais e iniciais, segundo as categorias de diagnstico (perifrico ou central).




Para verificar se houve diferena estatisticamente significante nas mdias entre as categorias de diagnstico, perifrico e central, foi utilizado o teste de Mann-Whitney.

A Tabela 5 apresenta a comparao entre os sexos em relao a mdia da diferena entre a pontuao ps-RV e pr do escore total e subscores. Para verificar se h diferena estatisticamente significante entre os sexos, foi utilizado o teste Teste de Mann-Whitney.




O teste de correlao de Spearman foi utilizado para verificar se houve correlao significante entre a idade e a diferena entre a pontuao ps e pr-RV do escore total e subscores (Tabela 6).




Dos 30 pacientes que realizaram a RV, 53% utilizaram medicamentos durante o tratamento.

Na Tabela 7 observada a distribuio das substncias ativas dos medicamentos que os indivduos utilizaram durante o tratamento.




A mdia do escore total e subscores foi calculada para os que utilizavam medicao e os que no utilizaram durante o tratamento. Para calcular se houve diferena estatisticamente significante na pontuao dos usurios de medicamentos e os que no usaram, foi utilizado o teste Mann-Whitney. Os resultados esto demonstrados na Tabela 8.




Quanto ao tempo de tratamento, este variou de 4 15 sesses. Doze indivduos (40%) tiveram melhora em menos de 3 meses, 27% dos concluram o tratamento em trs meses e 33% em mais de 3 que meses.


DISCUSSO

Em relao faixa etria dos pacientes participantes deste estudo, 50% se encontram na faixa etria de 45 a 58 anos (Tabela 1). A mdia de idade geral foi de 51 anos. A tontura pode acometer todas as faixas etrias, mas destaque dado aos idosos, pelo fato de, muitas vezes, estes indivduos sofrerem quedas como conseqncia da tontura.

Vinte e quatro indivduos eram do sexo feminino (80%) e seis do sexo masculino (20%) (Tabela 1).

Quanto ao tipo de diagnstico vestibular, 18 (60%) tiveram como concluso distrbio vestibular perifrico, 6 casos de distrbio vestibular centrais (20%), 4 exames vestibulares normais (13,3%) e 2 (6,7%) casos de exames inconclusivos (Tabela 1).

Dos 15 pacientes que tinham queixa de zumbido (50%) associada s queixas vestibulares, 20% relataram ter reduzido o grau de incmodo deste aps a RV. O mesmo foi encontrado por KNOBEL ET AL (2003) em seu estudo, que sugeriu que a melhora do zumbido pode estar relacionada ao controle ou diminuio das possveis alteraes psiquitricas, tanto pela prpria melhora da tontura, alcanada por meio dos exerccios da RV, como por meio da compreenso dos sintomas e do tratamento pelo paciente, ocorrida nas sesses de esclarecimento.

Todos os pacientes apresentaram prejuzo na qualidade vida por causa da tontura (Tabela 2), demonstrando os mesmos resultados encontrados por GANANA (2004). A pontuao total do DHI pr-tratamento variou de 18 a 82 pontos, com a mdia total de 48,6 pontos. Entre os trs aspectos avaliados (fsico, funcional e emocional), a maior mdia pr-RV foi a do aspecto funcional (Tabela 2). Este resultado revela que a tontura interfere na capacidade do indivduo em desempenhar as atividades do dia-a-dia, e assim, com a inteno de no desencadear os sintomas, muitos vezes, estes pacientes com tontura restringem suas atividades dirias. O aspecto fsico variou de 4 a 28 pontos, com mdia de 16,4 pontos e o aspecto emocional, aspecto com menor mdia de pontuao (14,1 pontos), variou de zero a 32 pontos (Tabela 2).

Aps o tratamento, a pontuao total do DHI variou de zero a 24 pontos, com mdia de 5,5 pontos (Tabela 2). Quinze pacientes (50%) obtiveram pontuao total zero (Tabela 2), indicando que a tontura no prejudicava mais a qualidade de vida destes pacientes.

Quando realizada anlise estatstica entre os trs aspectos avaliados (fsico, funcional e emocional), obtevese uma diferena estatisticamente significante quando comparadas as pontuaes pr e ps-RV (Tabela 2).

Considerando o critrio de 18 pontos para se obter uma mudana significativa ps-tratamento, 29 indivduos relataram melhora na qualidade de vida aps o tratamento, sendo que, apenas 1 indivduo obteve pontuao menor do que 18 pontos (Tabela 3). A mdia de mudana no escore total entre o ps e pr-tratamento foi de 43 pontos (Tabela 3).

AM e OLIVEIRA (1994) em seu estudo encontrou que, ao final da terapia, todos os pacientes apresentaram uma melhora significativa, desaparecendo a maioria das queixas desses pacientes. No houve caso algum de piora dos sintomas.

No estudo realizado por COWAND et al (1998), dos 37 pacientes que participaram do tratamento, 29 pacientes melhoraram, 3 no mudaram e 5 pioraram.

No foi possvel verificar diferena estatisticamente significante na reduo da pontuao pr e ps-RV entre as trs subscalas (p=0.336) (Tabela 3). Ou seja, todos os aspectos avaliados pelo questionrio tiveram reduo dos valores, mas nenhum aspecto reduziu mais do que o outro. A diferena mdia entre o ps e pr-RV foi maior para o aspecto funcional (16 pontos), seguido pelo aspecto fsico (15 pontos) e, por ltimo, o aspecto emocional (12 pontos) (tabela 3). Os mesmos resultados foram encontrados por MANTELLO (2006) e SILVEIRA, TAGUCHI e GANANA (2002).

COWAND et al (1998) em seu estudo encontrou uma diferena estatisticamente significante do escore total do DHI pr e ps e para os escores das subscala fsica e funcional.

Dos 30 pacientes que participaram deste estudo, 50% tiveram pontuao final zero. Dez pacientes tinham desordens vestibulares perifricas, 3 desordens centrais e 2 casos normais. Isto indica que, aps o tratamento, estes pacientes j no tinham influncia da tontura na qualidade de vida, considerando os aspectos avaliados. Nos casos perifricos, a recuperao total mais provvel, mas neste estudo, foi encontrado que 50% dos casos de desordens centrais obtiveram melhora total aps a RV. Segundo BADKE, SHEA e MIEDANER (2004), os pacientes com desordens vestibulares perifricas tem melhores resultados depois da terapia do que casos centrais.

Quando considerada as categorias de diagnstico perifrico e central, a diferena mdia entre o escore total final e inicial, foi de 46 e 41 pontos, respectivamente (Tabela 4). Os aspectos funcional e fsico obtiveram maiorpontuao mdia da diferena entre o ps e pr-RV para os casos de desordens vestibulares perifricos do que para os casos de desordens centrais (Tabela 4). J o aspecto emocional, nos casos centrais, a mdia da diferena entre o ps e pr-RV foi maior (13 pontos) do que para os casos perifricos (12 pontos) (Tabela 4). Isto pode demonstrar que, para estes pacientes, o mnimo de melhora conseguida j significa grande mudana no seu dia-a-dia, melhorando seu aspecto emocional. Os pacientes relataram no apresentar mais limitaes das atividades dirias e recuperaram a segurana de andar sozinhos, mesmo nos casos em que a vertigem no foi completamente eliminada.

No foi possvel observar diferena estatisticamente significante no escore total ou subscores de acordo com a categoria de diagnstico. A RV pode ser indicada tanto para casos de desordens vestibulares perifricas como desordens centrais.

Quando comparado os sexos em relao a mdia da diferena entre a pontuao ps-RV e pr, o sexo feminino obteve maior mdia do escore total (47 pontos) quando comparado ao sexo masculino (28 pontos). O mesmo ocorreu nas subscalas funcional, fsica e emocional (Tabela 5). O teste de Teste de Mann-Whitney indicou mudana significativa, quando os sexos so comparados, para o escore total (p= 0,04274) e para a subscala funcional (p= 0,02667). No foi possvel verificar se houve diferena significante para os subscores fsico e emocional de acordo com o sexo dos pacientes (Tabela 5).

Segundo RIBEIRO (2000), a incidncia de tontura maior na mulher do que no homem (2:1) e ao se investigar as causas da tontura verifica-se que todas as citadas pela literatura incidem tambm na mulher e com o agravante de que a variao hormonal influencia no funcionamento da orelha interna.

Quando verificada a correlao entre a idade e a melhora do escore total ps RV e dos aspectos avaliados (fsico, funcional e emocional), foi possvel verificar apenas que, quanto maior a idade, mais o indivduo relatar melhora quanto ao aspecto fsico (p= 0,03071) (Tabela 6). No foi possvel verificar se houve correlao entre a idade e a melhora dos aspectos funcionais e emocionais (Tabela 6). No estudo realizado por BLACK e PESZNECKER (2000), eles encontraram que a idade no afeta significantemente os resultados da RV. MENDEL, BERGENIUS e LANGIUS (1999) encontraram que a idade um efeito significantemente negativo, pois a tontura/vertigem causa maior prejuzo para os jovens que tem limitaes na dimenso do trabalho e agravo dos fatores psico-sociais.

A Tabela 7 apresenta as substncias ativas dos medicamento ingeridos por 16 indivduos durante o tratamento.

Quando realizado o clculo estatstico para os indivduos que utilizaram medicamentos durante o tratamento (Tabela 8), este demonstrou que no h diferena estatisticamente significante entre os aspectos fsico, funcional e emocional, nem em relao ao resultado total do tratamento, quando levado em considerao o uso ou no da medicao.

Quanto ao tempo de tratamento destes 30 pacientes, 12 (40%) tiveram melhora em menos de 3 meses. 27% dos pacientes concluiu em trs meses e 33% em mais de 3 meses. No estudo realizado por MANTELLO (2006), o tempo de tratamento variou de 4 a 10 meses. Segundo a autora, as diferenas encontradas na literatura sobre o tempo e durao da RV podem ser justificadas pelo uso de diversos protocolos, que podem ser aplicados em maior ou menor perodo, dependendo da dificuldade para realizao dos exerccios, e da melhora do paciente.

CAWTHORNE (1944) e AM (1994) consideram que a RV tem melhorado a qualidade de vida dos doentes de forma surpreendente, estimulando a vida saudvel e orientando o paciente a conhecer e de certa forma, controlar seus sintomas. Alm de melhorar sobremaneira o equilbrio do doente, tem ainda funo profiltica, ajudando-o a restabelecer a confiana em si mesmo, reduzindo a ansiedade e melhorando o convvio social. No entanto, para os autores, embora bem conduzida, algumas vezes a RV no surte os efeitos desejados e inicialmente propostos. Alguns doentes melhoram muito pouco ou quase nada de seus sintomas, mesmo havendo empenho tanto de sua parte como por parte do terapeuta.


CONCLUSO

Neste estudo, a Reabilitao Vestibular forneceu benefcio aos pacientes, mostrando ser efetiva independente da idade do paciente, do seu diagnstico otoneurolgico e sexo.


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1. Especialista em Audiologia Clnica e Educacional. Estudante de Ps-Graduao da Faculdade de Sade Pblica, Mestrado de Sade Pblica/Departamento de Epidemiologia da Universidade de So Paulo/SP.
2. Mestre. Fonoaudiloga Responsvel pelo Setor Otoneurolgico do Centro de Pesquisas Audiolgicas, do Hospital de Reabilitao de Anomalias Craniofaciais / Universidade de So Paulo, Campus Bauru.
3. Professor Titular do Depepartamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de So Paulo; Coordenador do Centro de Pesquisas Audiolgicas do Hospital de Reabilitao de Anomalias Craniofaciais / Universidade de So Paulo, Campus Bauru.

Instituio: Centro de Pesquisas Audiolgicas do Hospital de Reabilitao de Anomalias Craniofaciais (HRAC/USP)

Endereo para correspondncia: Marina Morettin - Centro de Pesquisas Audiolgicas / Hospital de Pesquisa e Reabilitao de Leses Lbio - Palatais - USP
Rua Silvio Marchione, 3-20, Caixa Postal 620 - CEP: 17043-900 - Bauru / SP
Telefone: (14) 235-8168 - Fax: (14) 234-2280 - E-mail: mmorettin@hotmail.com

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gesto de Publicaes) da R@IO em 1 de junho de 2007. Cod. 263. Artigo aceito em 8 de agosto de 2007.
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