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Ano: 2007  Vol. 11   Num. 3  - Jul/Set Print:
Case Report
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Meningioma Nasal
Nasal Meningioma
Author(s):
Guilherme Lus da Silva Franche1, Fernanda Batesini Da Cas2, Eduardo Homrich Granzotto3, Andresa Thier de Borba4, Lucas Hemb4, Ctia de Souza Saleh5
Palavras-chave:
Meningioma. Cirurgia. Seios paranasais.
Resumo:

Introduo: Meningioma responsvel por aproximadamente 20% de todas as neoplasias intracranianas, sendo o segundo tumor mais comum do sistema nervoso central (seguido dos gliomas). Entretanto, meningiomas primrios dos seios paranasais so extremamente raros. Os critrios clnicos e radiolgicos desses tumores so inespecficos, e conseqentemente o diagnstico exato requer a avaliao histolgica. Objetivo: Descrever um caso de meningioma nasal. Relato do Caso: Paciente, 48 anos, feminina, negra, procurou o nosso servio em maro de 2000, com queixas de obstruo nasal associada secreo purulenta com raias de sangue. Na rinoscopia anterior apresentava leso em fossa nasal esquerda entre septo e cornetos. Tomografia computadorizada (TC) evidenciou a presena de material com densidade de partes moles em cavidade nasal (meato mdio) e labirinto etmoidal. Realizou-se bipsia da leso que revelou neoplasia de clulas fusiformes em crio de mucosa respiratria, compatvel com meningioma. Foi submetida cirurgia endoscpica nasal. Apresentou boa evoluo trans e ps-operatria. Aps seguimento de 5 anos, a paciente mantinha-se assintomtica, apresentando endoscopia nasal normal, sem sinais de recidiva da leso. Comentrios Finais: Meningiomas envolvendo a cavidade nasal e paranasal so raros. A mortalidade no significativa, com letalidade pelas complicaes operatrias e leso de estruturas vitais. A abordagem endoscpica nasal tem se mostrado uma excelente opo nesses casos devido baixa morbidade e resseco satisfatria da leso, uma vez que a resseco cirrgica completa em meningiomas do trato sinonasal tem geralmente um bom prognstico.

INTRODUO

Meningioma uma neoplasia intracranial comum, com um padro de crescimento histomorfolgico, em geral, facilmente reconhecido. Entretanto, meningiomas extra-craniais primrios da cavidade nasal, dos seios paranasais e da nasofaringe so raros. A literatura geralmente limitada a relato de casos isolados com poucas revises na literatura (1).

Meningioma responsvel por aproximadamente 20% de todas as neoplasias intracraniais, sendo o segundo tumor mais comum do sistema nervoso central (seguido dos gliomas). Meningiomas primrios dos seios paranasais so extremamente raros, apenas aproximadamente 30 casos foram previamente descritos na literatura da lngua inglesa (2).

Os meningiomas surgem de clulas meningoteliais aracnides, que so derivadas do neuroectoderma. Entretanto, eles so usualmente classificados como tumores da mesoderme (2).

O presente estudo prope-se a relatar um caso de meningioma nasal atendido em nosso servio.


RELATO DE CASO

Paciente, 48 anos, feminina, negra, procurou o Servio de Otorrinolaringologia do Complexo Hospitalar Santa Casa em maro de 2000, com queixas de obstruo nasal associada secreo purulenta com raias de sangue.

Na rinoscopia anterior apresentava leso na fossa nasal esquerda (FNE) entre o septo e os cornetos. Realizou tomografia computadorizada (TC) que evidenciou a presena de material com densidade de partes moles em cavidade nasal (meato mdio) e labirinto etmoidal (Figuras 1 e 2). Realizou-se bipsia da leso que revelou neoplasia de clulas fusiformes em crio de mucosa respiratria, compatvel com meningioma.


Figura 1. Tomografia em corte coronal mostrando velamento do teto da fossa nasal entre a concha mdia e o septo nasal, esquerda.



Figura 2. Tomografia em corte axial mostrando o velamento das clulas etmoidais posteriores, do esfenide e da fossa nasal, esquerda.



Foi submetida cirurgia endoscpica nasal em 13/07/2000. Apresentou boa evoluo ps-operatria, sem complicaes ou intercorrncias. Em maro de 2001, apresentava-se sem queixas, a endoscopia nasal revelava ausncia de leses ou sinais de recidiva com stio de seio esfenoidal livre.

Em 2005, aps 5 anos da cirurgia, a paciente mantinha-se assintomtica, apresentando endoscopia nasal normal, sem sinais de recidiva da leso.


DISCUSSO

Meningioma um tumor bem conhecido do sistema nervoso central, mas recentemente apareceu como um tumor primrio extra-cranial dos seios paranasais (2).

Meningiomas envolvendo a cavidade nasal e paranasal so raros. Podem ocorrer como resultado da extenso de uma massa intracranial primria, entretanto no um evento comum, em que a ocorrncia estimada de apenas 3% dos casos. Tais tumores tambm podem ser descritos sem evidncia de tumor intracranial. A origem desses tumores incerta, incluindo origem das clulas aracnides ao redor de nervos ou clulas heterotpicas deslocadas no momento do fechamento de estruturas da linha mdia na vida fetal. A origem de clulas de Schwann ou de clulas mesenquimais pluripotenciais tambm sugerida (3).

Na regio da cabea e pescoo, meningiomas extracraniais primrios foram descritos nos ossos do crnio, rbita, osso temporal, ouvido interno, cavidade nasal e seios paranasais. So classificados em 4 tipos:

- Extenso extra-cranial de meningioma com origem intra-cranial;

- Extenso extra-cranial de meningioma que surgiram no forame neural;

- Meningioma extra-cranial primrio e ectpico sem relao com o forame de nervo cranial ou com o endocrnio.

- Metstase extra-cranial de meningioma intracranial para linfonodo parafaringeal (2).

Clinicamente, uma variedade de sinais e sintomas so descritos, incluindo obstruo e secreo nasal, plipos nasais, dor maxilar, edema periorbital, exoftalmia, proptose, ptoses, diminuio da acuidade visual, perda auditiva e cefalia (3).

Em relao histologia, observa-se meningoteliomas, ou seja, clulas lobuladas com contornos irregulares e nuclolo aumentado com cromatina visvel e rosada, alm de clulas transicionais, mais comuns e com corpos de psamomas no seu interior (4).

Meningiomas transicionais so os mais comuns desse tipo de tumor (75% dos casos), seguidos pelos tumores sincisiais e fibrosos (cerca de 10% cada), angioblsticos (5%) e sarcomatosos (< 1%) (2).

No diagnstico diferencial dos meningiomas do trato sinonasal h uma variedade de neoplasias benignas e malignas, incluindo tumores epiteliais (carcinomas), tumores neurognicos (melanoma e neurobalstoma olfatrio), tumores vasculares (angiofibroma e paraganglioma) e tumores do tecido mesenquimal (fibroma ossificado psamomatide agressivo) (1).

O prognstico dos meningiomas primrios do trato sinonasal excelente, com sobrevida de 82,1% e 78,6% em 5 e 10 anos, respectivamente. Metstases deste tumor no foram encontradas em relatos da literatura. A mortalidade no significativa, com letalidade pelas complicaes operatrias e leso de estruturas vitais (1).

O diagnstico feito com o exame do material patolgico. Tal neoplasia envolvendo a cavidade nasal ou seios paranasais frequentemente de crescimento lento.

Com exciso cirrgica, o prognstico dos meningiomas primrios da cavidade nasal parece favorvel, com baixo ndice de recidivas documentadas. O prognstico dos pacientes com envolvimento intracranial , entretanto, menos favorvel (3).

Exrese cirrgica com margens amplas o tratamento de eleio (5). Tratamentos adjuvantes, como radioterapia, no se mostraram eficazes, nem na recorrncia da doena (1).

SWAIN et al. em um estudo retrospectivo em que revisaram os casos de meningiomas de seios paranasais nos ltimos 25 anos, encontraram 3 casos, incluindo o seio frontal, etmoidal e esfenoidal. Os pacientes que apresentavam neoplasia no seio frontal e etmoidal foram submetidos a tratamento cirrgico, entretanto, o paciente com meningioma do seio esfenoidal foi submetido a tratamento radioterpico (6).

SCIARRETTA et al. revisou 33 casos de tumores benignos do seio paranasal, entre eles, meningioma, em que avaliou a eficcia do tratamento cirrgico endoscpico. Com um seguimento de 28 meses, tal autor apresentou apenas 6% de recidiva e concluiu, dessa forma, que a cirurgia endoscpica, em casos selecionados, pode ser considerada um tratamento efetivo na resseco de tumores benignos do trato sinonasal (7). O caso relatado em nosso trabalho tambm foi tratado com cirurgia endoscpica e, com um seguimento de 36 meses, no apresentou sinais de recidiva.


COMENTRIOS FINAIS

Meningiomas do trato sinonasal so leses incomuns. Os critrios clnicos e radiolgicos desses tumores so inespecficos, e conseqentemente o diagnstico exato requer a avaliao histolgica. Histologicamente e imunofenotipicamente, os meningiomas do trato sinonasal so indistinguveis dos meningiomas intracraniais. As caractersticas patolgicas e os critrios imunohistoqumicos podem permitir a distino entre essas neoplasias e outros tumores do trato sinonasal. A resseco cirrgica completa em meningiomas do trato sinonasal tem em geral um bom prognstico (1).


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. Thompson LDR, LCDR, MC, USNR; Gyure A. Extracranial Sinonasal Tract Meningiomas: A Clinicopathologic Study of 30 Cases With a Review of the Literature Am J Surg Pathol. 2000, May;24(5):640-50.

2. Daneshi A, Asghari A, Bahramy E. Primary meningeoma of the ethmoid sinus: a case report. ENT- Ear, Nose & Throat Journal, 2003 April, 82(4):310-311.

3. Mccullough JB, Evans AT, Vaughan-Jones R, Hussein KA. Fine needle aspiration (FNA) of a nasal meningioma: a case report. Cytopathology, 1996, 7, 56-60.

4. Daneshi A., Asghari A, Bahramy E. Primary meningioma of the ethmoid sinus: a case report. Ear Nose Throat J. 2003, Apr;82(4):310-1.

5. Couldwell WT, Weiss MH, Rabb C, Liu JK, Apfelbaum RI, Fukushima T. Variations on the standard transsphenoidal approach to the sellar region, with emphasis on the extended approaches and parasellar approaches: surgical experience in 105 cases. Neurosurgery. 2004 Sep;55(3):539-47; discussion 547-50.

6. Swain REJ, Kingdom TT, DelGaudio JM, Muller S, Grist WJ. Meningiomas of the paranasal sinuses. Am J Rhinol. 2001, Jan-Feb;15(1):27-30.

7. Sciarretta V, Pasquini E, FranK G, Modugno GC, Cantaroni C, Mazzatenta D, et al. Endoscopic treatment of benign tumors of the nose and paranasal sinuses: a report of 33 cases. Am J Rhinol. 2006J, an-Feb;20(1):64-71.









1. Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Cooordenador do Ambulatrio de Rinologia do Servio de ORL do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre).
2. Mdica formada pela Universidade de Passo Fundo-RS (Mdica).
3. Mdico Residente do Servio de Otorrinolaringologia do Complexo Hospitalar Santa Casa - Porto Alegre. (Mdico Residente do 3 Ano de Otorrinolaringologia).
4. Mdico Residente do Servio de Otorrinolaringologia do Complexo Hospitalar Santa Casa - Porto Alegre. (Mdico Residente do 2 Ano em Otorrinolaringologia).
5. Acadmica de Medicina da Fundao Faculdade Federal de Cincias Mdicas de Porto Alegre (Acadmica de Medicina).

Instituio: Servio de Otorrinolaringologia do Complexo Hospitalar Santa Casa - Porto Alegre/RS.

Endereo para correspondncia: Guilherme Lus da Silva Franche
Rua Mostardeiro 333/508 - Bairro Moinhos de Vento - Porto Alegre / RS - Cep 90430-001
Telefax: (51) 3343-1415 - E-mail: gfranche@redemeta.com.br

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gesto de Publicaes) da R@IO em 24/10/2006 20:38:54 e aprovado em 19/12/2006 21:49:54.
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