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Ano: 2007  Vol. 11   Num. 4  - Out/Dez Print:
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Caracterizao das Queixas, Tipo de Perda Auditiva e Tratamento de Indivduos Idosos Atendidos em uma
Characterization of the Complaints, Kind of Hearing Loss and Treatment for Elderly People Seen at a Private Clinic in Belem - PA
Author(s):
Breno Simes Ribeiro da Silva1, Gisely Belich de Sousa2, Ida Chaves Pacheco Russo3, Joo Augusto Pessoa Ribeiro da Silva4
Palavras-chave:
Perda auditiva. Idoso. Audio.
Resumo:

Introduo: Este trabalho teve como objetivo realizar um estudo retrospectivo, descrevendo a ocorrncia de queixas, tipo de perda e tratamento em indivduos idosos atendidos em uma clnica mdica particular de Belm - PA, no perodo de 2000 2005, verificando se sexo e idade so fonte de variabilidade. Casustica e Mtodo: Foram levantados 163 pronturios de indivduos com idades entre 60 a 89 anos. Foram coletados os seguintes dados: histria otolgica; avaliao audiolgica e o tratamento. Resultados: Os resultados revelaram que a perda auditiva foi a queixa mais comum. Com relao ao tipo de perda auditiva, a mais freqente foi a neurossensorial bilateral (64,2%) seguida da mista bilateral (6,8%) e condutiva bilateral (5,6%). Nos grupos etrios de 60-69 anos, observa-se apenas tratamento clnico (59,9%). J o grupo de 80-89 anos continuou apresentando aumento de tratamento clnico 11,1% comparado com protetizado 5 (3,1%), porm nesta faixa etria o tratamento protetizado foi superior aos demais grupos. Concluso: A populao do presente estudo caracterizou por maioria do sexo feminino, a perda auditiva foi a queixa mais comum; a perda auditiva neurossensorial no o nico tipo de perda encontrada nos idosos, mas sem dvida a que predomina. Observamos, com essa variao, que existe um aumento do uso de prtese auditiva com o aumento da idade.

INTRODUO

O crescimento da populao idosa, definida como aquela a partir dos 60 anos de idade, um fenmeno mundial. Segundo o IBGE (2002), o crescimento est ocorrendo em um nvel sem precedentes. Em 1950, eram cerca de 204 milhes de idosos no mundo. J em 1998, quase cinco dcadas depois, esse contingente alcanava 579 milhes de pessoas; um crescimento de quase 8 milhes de pessoas idosas por ano. No Brasil, chega 15 milhes de idosos, e na cidade de Belm-Par equivalente 864 mil idosos numa populao de 1 milho e 795 mil habitantes.

As projees indicam que, em 2050, a populao idosa ser de 1.900 milhes de pessoas, montante equivalente populao infantil de 0 a 14 anos de idade (1).

Os dados indicam que a populao brasileira est envelhecendo, assim como a populao mundial, o que pode ser explicado por um aumento gradativo da expectativa de vida mdia, gerado possivelmente por um avano tecnolgico-cientfico, alm da elevao do nvel de vida da populao (ainda que longe do ideal, melhores condies mdicas, saneamento, condies higinico-sanitrias etc.), no caso de pases em desenvolvimento, como o Brasil.

O envelhecimento um processo dinmico e progressivo, no qual h modificaes morfolgicas, funcionais, bioqumicas e psicolgicas que determinam a perda da capacidade de adaptao do indivduo ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidncia de processos patolgicos que terminam por lev-lo morte (2).

Nas condies de vida atual, de uma maneira geral, os idosos so vistos por nossa sociedade, como incapazes, sem valorizao social, comprometendo a produtividade, pois ela exalta a vitalidade jovial. A sociedade moderna exclusivamente alicerada na produtividade. E, dentro das funes sociais, o novo visto obrigatoriamente como bom e melhor. E assim, o idoso, frustra-se com a subtrao de seu espao, anteriormente vivido com plenitude e sucesso, acarretando o isolamento social e a privao de fontes de informao e comunicao, responsvel por manter o indivduo ativo na sociedade.

O idoso tem maior propenso das naturais limitaes determinadas pela idade, com dificuldades de adaptaes basicamente biolgicas, indicando o declnio de vrias funes vitais, como o declnio das acuidades auditiva e visual, da diminuio das sensibilidades ttil e dolorosa, porm, por ser idoso, no deve obrigatoriamente ser doente; pode, perfeitamente, ter ocupao cheia de significado, compatvel com sua real situao, dando uma perspectiva para o seu estado de equilbrio e seu ajustamento socioambiental, possibilitando ao indivduo ser capaz de viver com uma boa qualidade de vida.

Outros aspectos no processo de envelhecimento psicolgico, que limita o idoso de desempenhar plenamente seu papel na sociedade, so mudanas na percepo, na motivao, perda da auto-estima, deteriorao da inteligncia, da memria imediata e da capacidade de resolver problemas. Esses fatores podem trazer implicaes para a vida desse indivduo e para os que convivem com ele diariamente.

"Entender o envelhecimento perceber que o idoso vive constantemente ajustando mecanismo e estratgias, que visam superar suas habilidades em declnio, da melhor maneira possvel, afim de manter o equilbrio entre ele mesmo e a sociedade"(3).

Alguns autores declararam que, quanto melhor tenha sido a adaptao da pessoa vida em idades pregressas, melhor ser sua adaptao no envelhecimento. Idosos possuidores de melhores condies de adaptao (personalidade), no manifestariam transtornos emocionais diante de iguais condies de vida. Um dos aspectos psicolgicos mais importantes quando se fala da velhice diz respeito exatamente capacidade das pessoas de se adaptarem a ela, assim, velhice se constitui num grande desafio para o homem contemporneo (3).

Diante de todos esses desafios, o idoso ainda tem que enfrentar a dificuldade de comunicar-se com os outros, decorrente da sua perda auditiva resultante dos efeitos do envelhecimento, comprometendo seu relacionamento com familiares e amigos, mais um impacto na sua vida psicossocial.

Essa perda da sensibilidade auditiva ou decrscimo fisiolgico da audio com a idade conhecida como presbiacusia, ocasionada, principalmente pela interao dos seguintes fatores: rudo gerado pela civilizao industrial, alimentao, medicamentos, tenso diria e predisposio gentica. muito freqente os familiares descreverem o idoso portador de deficincia auditiva como confuso, desorientado, distrado, no-comunicativo, no-colaborador, zangado, velho e, injustamente, senil (4).

A patologia da presbiacusia foi definida como: "uma deficincia na sensibilidade liminar auditiva, nas discriminaes temporal, de freqncia sonora, no julgamento auditivo e no reconhecimento de fala, aliada ao rebaixamento do limite de altas freqncias e ao decrscimo da inteligibilidade de fala distorcida e habilidade de recordar sentenas longas" (3).

Esta pesquisa tem como objetivo realizar um estudo retrospectivo, descrevendo a ocorrncia de queixas, tipo de perda e tratamento em indivduos idosos atendidos em uma clnica mdica particular de Belm-Pa, no perodo de 2000 2005, verificando se sexo e idade so fontes de variabilidade.


CASUSTICA E MTODO

De acordo com as normas preconizadas para experincias utilizando seres humanos, este estudo foi analisado pela Comisso de tica do CEDIAU, a fim de obter aos preceitos ticos na realizao da pesquisa, tendo sido aprovado.

A partir de ento, foi realizada uma carta de autorizao para um dos scios da referida clnica mdica a fim solicitar o levantamento dos dados a partir dos pronturios dos pacientes.

O material deste estudo foi composto por um total de 163 pronturios, sendo 137 mulheres e 26 homens, com idades que variavam de 60 a 89 anos.

Os indivduos foram subdivididos de acordo com sexo e a faixa etria, em trs grupos, a saber: grupo 1, indivduos com idades entre 60 a 69 anos; grupo 2, de 70 a 79 anos e de grupo 3, de 80 a 89 anos. A idade mdia dos sujeitos foi de 68 anos.

Foram levantados 256 pronturios de pacientes com idade entre 60 89 anos que foram atendidos na clnica, no perodo de 2000 2005. Destes pronturios foram selecionados todos nos quais constava queixa, tipo de perda e tratamento. Desse modo, o estudo foi efetuado a partir de 163 pronturios.

Foram verificados os seguintes tpicos:
- Histria otolgica para verificar as queixas.
- Avaliao audiolgica para verificar os resultados audiomtricos, classificados em funo do tipo de perda auditiva segundo Santos, Russo (1993).
- Tratamento, na qual foram pesquisados, por meio de uso de medicamento, ou por uso de aparelhos de amplificao sonora (AAS).

Todos os exames foram realizados pela mesmo examinador, em uma cabina acusticamente tratada, calibrada segundo a norma ANSI S3. 1-1991, incluindo os seguintes procedimentos:
- Audiometria Tonal Liminar: realizada em audimetro de marca Diagnostic Audio Meter, Modelo AD 28, calibrado, segundo a norma da ISO 8253-1, 1989, obedecendo aos critrios propostos por Santos, Russo (1993).


Critrios para anlise dos resultados:

* Sexo: masculino e feminino
* Faixa etria : G1, G2 e G3
* Tipo de perda:
- Condutiva
- Neurossensorial
- Mista
* Tratamento:
- Clnico (medicamentoso)
- Indicao de prtese auditiva


Mtodo Estatstico

Os dados obtidos neste estudo foram encaminhados para tratamento estatstico, sendo avaliadas as variveis sexo, faixa etria e tratamento.

Foi definido um nvel de significncia de 0,05 (5%), representando 95% de confiana estatstica. Foi utilizado o teste de igualdade de duas propores, na comparao dos nveis de resposta para as variveis do estudo, sexo e faixa etria, iniciando pelas queixas, seguida do tipo de perda e tratamento. A estatstica "Var" o ndice de variao em relao mdia, ou seja a amplitude necessria para construir o intervalo de confiana, podemos dizer que seja a margem de erro da proporo encontrada na amostra.


RESULTADOS

A fim de facilitar a anlise, os resultados da pesquisa realizada nos pronturios dos indivduos na faixa etria de 60 a 89 nos de idade, visando relatar as queixas mais freqentes, o tipo de perda e o tratamento dos mesmos, sero apresentados na forma de Tabelas e Grficos, de acordo com as variveis estudadas, ou seja, sexo, faixa etria, tipo de perda e tratamento.

Queixas Auditivas

Nas Tabelas 1 e 2 encontram-se as anlises referentes s queixas auditivas obtidas.






Tipo de Perda Auditiva

Nos Grficos 1 e 2 encontram-se as anlises referentes s perdas auditivas obtidas.


Grfico 1. Mdia nas diferentes perdas auditivas dos indivduos,dividos segundo o sexo.



Grfico 2. Mdia nas diferentes perdas auditivas dos indivduos,divididos segundo o grupo etrio.



Tratamento

Nos Grficos 3 e 4 encontram-se as anlises referentes aos tratamentos obtidos.


Grfico 3. Mdia nos diferentes tratamentos dos indivduos,segundo o sexo.



Grfico 4. Mdias nos diferentes tratamentos dos indivduos,dividos segundo o grupo etrio.



DISCUSSO

Este trabalho teve como objetivo realizar um estudo retrospectivo, descrevendo a ocorrncia de queixas, tipo de perda e tratamento em indivduos idosos atendidos em uma clnica mdica particular de Belm-Par, no perodo de 2000 2005, verificando se o sexo e a faixa etria so fontes de variabilidade. Para tanto, foi necessrio buscarmos uma fundamentao terica para enfocarmos o envelhecimento e todos os problemas que o acompanham.

A seguir, daremos incio discusso dos resultados queobedecer mesma seqncia de apresentao dos mesmos. Queixas auditivas, tipo de perda auditiva e tratamento.


Queixas Auditivas

Neste trabalho, foi observado um nmero maior de mulheres com relao aos homens, sendo essa diferena estatisticamente significante, alm da maior concentrao de indivduos na stima dcada de vida. Estes dados esto de acordo com outros estudos da literatura (7-8,13-14,19) que relataram predominncia do gnero feminino e maior concentrao de sujeitos das amostras entre 70 e 79 anos.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica - IBGE (2000) (20), h mais mulheres do que homens na populao brasileira e, conseqentemente, um nmero maior de idosas (55,4%). Este fato explicado pela diferena de expectativa de vida entre os gneros e tambm pelas mudanas sociais ocorridas ao longo dos anos. Estes achados so semelhantes aos encontrados por GUSHIKEM (5), na populao de idosos por maioria feminina (67,6%) e tambm em amostras de idosos vestibulopatasem acompanhamento ambulatorial nos estudos de EBEL (6) (68,3%). Em relao faixa etria, encontramos uma populao, em geral, relativamente jovem, com 59,4% dos indivduos abaixo de 70 anos e mdia etria de 68 anos.

Na Tabela 1 e 2 , em relao as queixas auditivas, a perda auditiva foi a mais comum, sendo relatada por 100 idosos (61,7%), seguida de zumbido (31,5%), tontura (29,6%), otalgia (25,3%), de que ouve mas no entende (20,3%), cefalia (17,9%), prurido e autofonia (13,6%), nuseas (10,5%), plenitude auricular (8,1%) e desequilbrio (6,2%). Foi encontrada diferena estatisticamente significante referente ao sexo feminino para tais queixas. Nas queixas de perda auditiva (38,3%), zumbido e otalgia (20.4%), prurido e autofonia (4,6%),o grupo etrio de 60- 69 anos apresentou diferena proporcional com valores superiores aos encontrados no grupo etrio de 70-79 anos, os quais por sua vez, foram superiores aos grupo etrio de 80-89 anos. Nas queixas de tontura (15,4%), cefalia (9,9%), ouve mas no entende (8,0%) e plenitude auricular (4,3%), o grupo etrio de 60-69 anos apresentou diferena estatisticamente significante quando comparado com o grupo etrio de 80-89 anos.

Estes dados nos mostram que a queixa auditiva prevalente foi perda auditiva. A perda auditiva decorrente do envelhecimento conhecida como presbiacusia e est associada a caractersticas audiolgicas especficas, sendo a configurao descendente, bilateral e simtrica. Em alguns estudos, segundo as variveis sexo e idade, utilizando indivduos idosos h prevalncia de 63% de deficincia auditiva. RUSSO (4) afirmou que idosos portadores de presbiacusia experimentam uma diminuio da sensibilidade auditiva e uma reduo na inteligibilidade de fala, o que compromete seriamente seu processo de comunicao verbal. A perda auditiva em altas freqncias torna a percepo dos sons consonantais difcil, especialmente quando a comunicao acontece em ambientes ruidosos. Freqentemente, respostas inadequadas de idosos presbiacsicos geram uma imagem de senilidade, que pode no condizer com a realidade. A queixa destes indivduos a de ouvirem, mas no entenderem.

Dentre os resultados obtidos, foi possvel verificar a ocorrncia de zumbido em uma parcela relevante da casustica. O zumbido foi definido em 1982 como a percepo consciente de um som que se origina nos ouvidos ou na cabea do paciente, sem a presena de uma fonte externa geradora de som. H um consenso de que o zumbido uma atividade neuronal anormal dentro das vias auditivas. Pode estar associada a inmeras causas, entre elas as otolgicas, metablicas, neurolgica, cardiovasculares, farmacolgicas, odontolgicas e psicolgicas e muitas vezes at associadas entre si. Vrias hipteses tm sido descritas propondo uma origem neurosensorial para o zumbido, sem que nenhuma tenha sido comprovada at o momento. Entretanto, vrios so os mecanismos que tentam explicar essa origem. Dano desproporcional entre as clulas ciliadas internas e externas; alteraes da homeostase do clcio na disfuno coclear; "cross-talk" entre as fibras do VIII par e as clulas ciliadas; a hiperatividade das vias auditivas centrais; emisso otoacstica espontnea. Em cerca de 80% dos casos, o zumbido leve e intermitente, no trazendo conseqncias vida do indivduo. Entretanto, quando se manifesta de maneira importante, pode prejudicar sua qualidade de vida, afetando seu sono, sua concentrao, seu equilbrio emocional e at sua atividade social, incapacitando-o de realizar suas atividades normais. GUSHIKEM (5), CAOVILLA (7), GANANA (8) avaliaram 34 pacientes com idades variando entre 60 e 92 anos, sendo 23 do sexo feminino e 11 do sexo masculino, que apresentavam ou no queixa de tontura rotatria. Concluram que a principal queixa dos idosos foi zumbido. EBEL (6) e HULL (9) e col. pesquisaram a prevalncia de sintomas em 1927 mulheres e 1140 homens com mais de 65 anos de idade em um ambulatrio do programa de triagem de sade. Tontura e zumbido constavam dos 28 sintomas mais relatados. Nos homens a prevalncia da queixa de zumbido foi de 23,1% e nas mulheres de 22,3%, e de tontura em 13,9% das mulheres e 10,5% dos homens. A queixa de tontura aumentou com o avano da idade nos homens, e nas mulheres esta queixa aumentou com o maior nmero de medicao utilizada.

Ainda dentre os resultados, a tontura est entre as queixas mais freqentes neste estudo e no sexo feminino. Esses dados esto de acordo com os obtidos por outros pesquisadores. CAOVILLA e col. (7) e GANANA e col. (10) referem que as tonturas mostram maior predileo pelo sexo feminino na proporo de 2:1. CAOVILLA (7) em um estudo com 1000 pacientes encontrou 625 casos do sexo feminino e 375 do sexo masculino. GANANA (10), em um levantamento com 7850 casos consecutivos de vertigem e outros tipos de tontura, avaliados no perodo de janeiro de 1985 a junho de 2000, encontrou 4812 (61,3%) do sexo feminino e 3038 (38,7%) do sexo masculino. Sabe-se que a tontura mais prevalente nos indivduos idosos, que tendem a apresentar um equilbrio corporal mais comprometido em relao aos jovens. As alteraes prprias do envelhecimento nos sistemas relacionados ao equilbrio corporal, a maior possibilidade de doenas crnicodegenerativas e o uso crnico, por vezes mltiplo, de medicamentos, entre outros fatores, podem favorecer o aparecimento do sintoma tontura ou agravar a intensidade deste sintoma, provocando maior limitao fsica, funcional ou emocional nesta populao.

O equilbrio corporal mantido em funo da interao de diversos sistemas (vestibular, visual, proprioceptivo), sob a coordenao do cerebelo. As informaes provenientes desses sistemas devem ser coerentes. Quando existem informaes conflitantes o resultado um distrbio do equilbrio corporal. As queixas mais freqentes relacionadas ao equilbrio corporal so tontura e vertigem. A tontura a sensao de alterao do equilbrio corporal de carter no-rotatrio. A vertigem a tontura de carter rotatrio, quando o paciente tem a sensao que seu corpo ou os objetos ao seu redor esto girando.

Segundo GANANA, CAOVILLA (11), as citaes sobre a prevalncia da vertigem so diversas. presente em 5 a 10% da populao mundial; stima queixa mais encontrada em mulheres e quarta nos homens; aflige 47% dos homens e 61% das mulheres com mais de 70 anos; a queixa mais comum aps os 75 anos de idade; o segundo sintoma mais comum at os 65 anos e o mais comum aps os 65 anos; presente em 65% dos indivduos com 65 anos ou mais, 50% a 60% dos idosos que vivem na comunidade ou em 81 a 91% dos idosos atendidos em ambulatrios geritricos.

Os dados nos mostram que existe diminuio dos valores das queixas auditivas com o avano da faixa etria. Este achado pode ser justificado pela prevalncia acima de 80 anos ter sido minimizada devido ao pequeno nmero de pacientes nessa faixa etria. Estes dados foram semelhantes aos obtidos por outros autores. GANANA (10) em seu levantamento com 7850 casos encontrou pacientes na faixa etria entre zero e 95 anos. A freqncia maior foi nas faixas entre 31 e 75 anos (72,25%) com um percentual menor na faixa de 70 a 75 anos (9,48%). CAOVILLA e col. (7) em pacientes entre cinco meses e mais de 81 anos, relatam que as tonturas mostraram-se pouco freqentes dos cinco aos 20 anos (6,2%), acometendo preferencialmente a faixa entre 21 e 80 anos (32,3%) entre 21 a 40 anos; 34,7% entre 41 a 60 anos; 24,6% entre 61 a 80 anos.

Acreditamos que, este achado tambm pode ser esperado pelo isolamento da pessoa idosa imposto pela deficincia ou pelo declnio na fonte de renda, no tendo condies financeiras de manter o aumento das despesas mdicas e de sade, no permitindo o acesso atendimento mdico especializado. O custo no envelhecimento bem maior, pois os problemas de sade que eles apresentam so, na sua maioria, de natureza crnica e, quando acontece se estende por muitos anos, a tendncia levar incapacidades. Muito embora a realidade da velhice no se manifeste de modo homogneo nas diversas regies do pas e reflita diferentes condies socioeconmicas, culturais e educacionais, os dados demogrficos permite concluir que o idoso brasileiro em geral pobre e com insuficiente acesso aos servios pblicos de sade (12). Nas sociedades industrializadas e urbanizadas, no existe um investimento na manuteno de vida saudvel para o idoso, que acaba por ter problemas com a comunicao, entre outros (1,4,13,14,15,16). MORRISON (17) ressaltou que a presbiacusia um fenmeno universal para todos os que sobrevivem at uma idade avanada e muitos jamais se queixam. Os audiologistas so surpreendidos pela severidade da perda auditiva revelada pelo audiograma em muitos idosos que conduzem muito bem uma conversao ou falam ao telefone. O progresso lento da perda auditiva na presbiacusia permite algum tipo de adaptao compensatria semelhante ao treinamento auditivo.


Tipo de Perda Auditiva

Ao verificarmos se a varivel sexo influenciava nos tipos de perda auditiva, pudemos encontrar entre as perdas neurosensorial bilateral (64,2%), mista bilateral (6,8%) e condutiva bilateral (5,6%) diferena estatisticamente significante para o sexo feminino. Sabe-se que a presbiacusia a perda da sensibilidade auditiva resultante do processo de envelhecimento, sendo caracterizada por uma perda auditiva bilateral para tons de alta freqncia. Quanto s etiologias da perda auditiva em idosos so encontrados vrios fatores: idade, desordens metablicas, desordens vasculares, doena renal, medicaes, tratamentos mdicos e exposio ao rudo, sendo que para mulheres os fatores de risco incluem a histria da doena de Menire e a histria familiar de perda auditiva (18). Nos resultados dessa pesquisa houve maior prevalncia de mulheres 64,2% para 11,1% homens, esses resultados no tem uma relao direta com as etiologias da perda auditiva, mas sim pela procura e disponibilidade das pessoas do sexo feminino em procurar atendimento especializado. Segundo VERAS (16), o aumento da expectativa de vida da mulher bem mais significativo do que o do homem, o que deve ser atribudo a aspectos biolgicos e a diferentes exposies a fatores de risco e mortalidade. O autor afirmou, tambm, que o aspecto econmico tem levado a uma grande participao da mulher no mercado de trabalho. A conseqncia a falta de algum na famlia para cuidar do idoso em caso de doena ou incapacidade fsica. No entanto, devido maior durao de vida da mulher em relao ao homem, ela est exposta por perodos mais longos a doenas crnico degenerativas, viuvez e solido. Porm, nossos achados no concordam com os estudos de alguns autores (4,13,15,16,18,19), no que diz respeito aos limiares de audibilidade em relao ao sexo, pois os mesmos afirmam que homens so muito mais afetados pela perda auditiva do que as mulheres, talvez devido exposio mais constantes a fatores de risco, como exposio a rudo, arteriosclerose, cigarro, entre outros. O que observamos com essa discordncia que atualmente tanto os homens como as mulheres esto expostos aos mesmos riscos. Por outro lado, o trabalho de BILTON (20), Ebel et al.(6) no foi encontrado diferenas nos limiares de audibilidade entre homens e mulheres.

Apenas 5,6% da populao deste estudo apresentaram perda auditiva condutiva bilateral e 6,8% mista bilateral. Essa porcentagem insignificante no nos surpreendeu, uma vez que no espervamos uma quantidade grande de problemas de orelha mdia. Nossos achados concordam com o estudo de GRECO (21) no que diz respeito aos tipos de perda auditiva encontrados nos idosos. A perda auditiva neurossensorial predomina, e uma pequena porcentagem tem problemas condutivos e mistos. WILLOT (18), ao comentar estudos que citam diversas alteraes possveis na orelha mdia do idoso, tais como: perda da integridade mecnica da cadeia ossicular, otosclerose e otite mdia, concluiu que os problemas auditivos de orelha mdia so minimizados no estudo da deficincia auditiva no idoso.

As estatsticas revelam que a presbiacusia afeta aproximadamente 25% da populao americana entre 65 e 74 anos e 38% da populao acima desta idade. VIDE (22) realizou um estudo no qual foram avaliados 85 idosos com idade entre 61 e 89 anos, sendo 14 do sexo masculino e 71 do sexo feminino. Teve como objetivo determinar a prevalncia de presbiacusia, bem como identificar os fatores associados a ela em uma populao idosa em atendimento ambulatorial. Concluiu que a presbiacusia esteve presente em 71,8% dos idosos, subindo para 89% para idade superior a 89 anos. Neste estudo, observou-se o aumento da prevalncia de perda auditiva neurosensorial bilateral para a faixa etria de 60-69 anos com 40,1%, seguida de 24,1% na faixa etria de 70-79 anos e apenas 9,9% para a faixa etria de 80-89 anos. No encontramos na literatura compulsada explicao para a existncia de perda auditiva mais acentuada nesta faixa etria. Esta discordncia poderia estar relacionada amostra empregada no trabalho ser relativamente jovem com 59,4% dos indivduos abaixo de 70 anos e mdia etria de 68 anos.


Tratamento

Houve uma prevalncia estatisticamente significante para o sexo feminino nos dois tratamentos aplicados, clnico (84,6%) e indicao de prtese auditiva (4,3%). Nos grupos etrios de 60-69 anos observa-se apenas tratamento clnico (59,9%) com diferena estatstica significante. No grupo etrio de 70-79 anos, o tratamento clnico prevaleceu com 29,6% com relao a indicao de prtese auditiva 3 (1,9%), j o grupo de 80-89 anos continuou apresentando aumento de tratamento clnico 11,1% comparado com a indicao de prtese auditiva 5 (3,1%), porm nesta faixa etria a indicao de prtese auditiva foi superior aos demais grupos. Observamos que existe um aumento gradual do uso de prtese auditiva com o aumento da idade. Apesar de tal aumento no ser estatisticamente significante, este pode ser um resultado do previsto envelhecimento, na expectativa de reduzir dificuldades na comunicao com melhores condies de socializao. A perda auditiva uma das deficincias sensoriais mais devastadoras por comprometer a comunicao e acarretar seqelas de natureza emocional, social e ocupacional. No raramente, a deteriorao da funo auditiva um fator de prenncio do envelhecimento (3).

Os resultados da pesquisa mostram que apenas 5% dos indivduos aceitaram o uso de prtese auditiva visando suprir suas necessidades audiolgicas. RUSSO (4) realizou um estudo com idosos portadores de presbiacusia e candidatos ao uso de prtese auditivas, analisou o comportamento e os argumentos destes indivduos em relao ao teste de prtese auditiva. Obteve como resposta alegaes de falta de necessidade, problemas financeiros, dificuldade de manipulao dos controles, vaidade e rudo, "chiado". Vale ressaltar a importncia de um programa de reabilitao auditiva para ajudar a minimizar as reaes psicossociais decorrentes da deficincia auditiva no idoso, uma vez que colaboram na elaborao de estratgias que contribuem para maior eficincia da comunicao somada ao uso de aparelho de amplificao sonora. RUSSO (4), ao estudar as possveis razes para a no aceitao do uso da amplificao em idosos presbiacsicos, verificou que fatores psicossociais mais do que os acsticos podem resulta em atitudes negativas quanto ao uso de aparelhos de amplificao sonora. A autora citou, ainda, que o declnio do status do idoso na famlia e na sociedade tende a isol-lo e priv-lo de fontes de informao e comunicao, e este isolamento associado ao declnio na qualidade de sua comunicao gera um profundo impacto na sua vida.


CONCLUSO

Diante dos achados audiolgicos, como queixas, tipo de perda e tratamento obtidos a partir do levantamento dos pronturios de 163 indivduos com mais de 60 anos, atendidos em uma clnica mdica de Belm-Par, conclumos que:

1. Com relao s queixas auditivas:
- a perda auditiva foi a mais comum, sendo relatada em 100 idosos (61,7%), seguida de zumbido (31,5%), tontura (29,6%), otalgia (25,3%), cefalia (17,9%), de que ouve mas no entende (20,3%), prurido e autofonia (13,6%), nuseas (10,5%), plenitude auricular (8,1%) e desequilbrio (6,2%). Houve uma diferena estatisticamente significante referente s queixas pelas mulheres. O grupo etrio de 60-69 anos apresentou valores superiores aos encontrados no demais grupos etrios.

2. Com relao ao tipo de perda auditiva:
- a perda auditiva neurossensorial no foi o nico tipo de perda encontrado nos idosos, mas sem dvida oque predominou (64,2%). Houve uma porcentagem insignificante de problemas mistos (6,8%) e condutivos (5,6%).

3. Com relao ao tratamento:
- houve uma prevalncia para o sexo feminino nos dois tratamentos aplicados, clnico (84,6%) e indicao de prtese auditiva (4,3%). Na faixa etria de 60-69 anos observa-se apenas tratamento clnico (59,9%) e de 70-79 anos, o tratamento clnico prevaleceu com 29,6% com relao indicao de prtese auditiva 3 (1,9%), j o de 80- 89 anos apresentou tratamento clnico de 11,1% e a indicao de prtese auditiva 5 (3,1%). Observamos, com essa variao, que existe um aumento gradual do uso de prtese auditiva com o aumento da idade.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

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1. Residente do Terceiro Ano de Otorrinolaringologia do Hospital Paulista de ORL.
2. Fonoaudiloga, Especialista em Audiologia e Voz pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia.
3. Fonoaudiloga, Doutora em Distrbios da Comunicao pela UNIFESP/EPM; Especialista em Audiologia pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia. Professora Titular do Programa de Estudos Ps-Graduados em Fonoaudiologia e do Departamento de Clnica Fonoaudiolgica da PUC-SP; Professora Adjunto do Curso de Fonoaudiologia FCMSCSP; Diretora do Centro de Estudos dos Distrbios da Audio (CEDIAU).
3.Otorrinolaringologista, Diretor Clnico da Clnica Otorrinos Associados do Par.

Instituio: Clnica Otorrinos Associados (COTA).

Endereo para correspondncia:
Rua Antnio Barreto, 469 - Umarizal - Belm / PA - CEP 66055-050
Telefone: (11) 3889-7318 - Fax: (91) 3241-1976 / (91) 3222-2387
email: brenosimoes21@yahoo.com.br

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gesto de Publicaes) da R@IO em 29 de julho de 2007. Cod. 288. Artigo aceito em 20 de novembro de 2007.
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