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Ano: 2007  Vol. 11   Num. 4  - Out/Dez Print:
Case Report
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Hemangioma Cavernoso de Seio Maxilar: Relato de Caso
Cavernous Hemangioma of Maxilar Sinus: Case Report
Author(s):
Pablo Pinillos Marambaia1, Otvio Marambaia dos Santos2, Amaury de Machado Gomes3, Tiago Ferraz Melo4, Ticiana Rocha Francisco4, Andr Henrique Arajo5
Palavras-chave:
Hemangioma cavernoso. Seios paranasais. Epistaxe.
Resumo:

Introduo: Os hemangiomas so leses benignas congnitas relativamente comuns e que ocorrem predominantemente na regio de cabea e pescoo. Embora comuns, ocorrem infrequentemente nos seios paranasais. Objetivo: Relatar um caso de Hemangioma cavernoso do seio maxilar, abordando aspectos gerais quanto a patognese, diagnstico e teraputica. Relato: ACM, 33 anos, masculino, com histria de epistaxe direita h 02 semanas. Aps procedimentos diagnsticos foi submetido a cirurgia onde o antomopatologico revelou um Hemangioma cavernoso do seio maxilar. Obteve remisso dos sintomas e excelente evoluo. Concluso: Embora uma entidade rara, o hemangioma cavernoso deve ser suspeitado nos casos de tumor dos seios paranasais sangrantes por que a abordagem teraputica deve seguir procedimentos peculiares.

INTRODUO

Os hemangiomas so leses benignas congnitas relativamente comuns e que ocorrem predominantemente na regio de cabea e pescoo. Embora comuns, ocorrem infrequentemente nos seios paranasais. A patognese desses tumores incerta. Existem dois tipos histolgicos de hemangiomas segundo o tamanho microscpico dos vasos. Relatamos um caso de hemangioma cavernoso de seio maxilar.


RELATO DO CASO

ACM, 33 anos, masculino, motorista, histria de epistaxe direita h 02 semanas, tendo sido atendido em outro servio onde foi submetido a tamponamento nasal Antero-posterior unilarelal com uso por 48h com melhora e liberao em seguida para investigao ambulatorial. Nega ter feito nasofibroscopia. Refere retorno do sangramento 02 dias aps o atendimento tendo dado entrada no servio do INOOA para acompanhamento. Realizou naso que revelou plipos no meato mdio direito alm de abaulamento da parede lateral deste lado. TC de face com alargamento do COM e velamento do seio maxilar sem sinais de eroso ssea (Figuras 1, 2). Encaminhado para a FESS, no intra-operatrio foi observado material enegrecido e de aspecto necrtico no interior do seio maxilar (Figura 3). Realizado acesso externo atravs da inciso de Neuwmann para melhor inventrio da cavidade. A.P= Hemangioma cavernoso. O paciente obteve boa evoluo e no transoperatrio no foi observado sangramento significativo.


Figura 1. TC de seios paranasais - corte coronal - velamento completo do seio maxilar direito sem eroso ssea. ** Alargamento do complexo stio-meatal deste lado.


Figura 2. TC de seios paranasais - corte axial - velamento completo do seio maxilar direito. ** Alargamento do complexo stio-meatal. Seta: Ostete.


Figura 3. Aspecto macroscpico da leso.



DISCUSSO

Os hemangiomas so leses benignas e congnitas relativamente comuns de pele e mucosas. Ocorrem predominantemente na regio de cabea e pescoo e juntamente com os Linfagiomas perfazem aproximadamente 30% dos tumores orais da infncia (1,2). Embora existam controvrsias quanto a patognese os Hemangiomas, histologicamente eles so divididos em dois tipos, capilares e cavernosos, dependendo do tamanho microscpico dominante dos vasos (3). Mesmo sendo leses comuns na regio de cabea e pescoo, os Hemangiomas so raramente encontrados nos seios paranasais (3). A maioria dos Hemangiomas localizados no vestbulo nasal e septo so do tipo capilar, j os localizados nos seios paranasais, usualmente, so do tipo cavernoso (4). Nos seios paranasais, os Hemangiomas so bem raros e, eventualmente, difcil determinar o stio preciso da sua origem. Eles podem se originar da parede lateral da cavidade nasal ou da parede medial do seio maxilar.

O quadro clnico depender da localizao e do tamanho da leso. As caractersticas clnicas principais so epistaxe persistente e obstruo nasal. No caso dos hemangiomas do tipo capilar, eles podem ser assintomticos ou, quando localizados no nariz, chamados de "plipo sangrante" podem apresentar-se como uma leso polipide vinhosa ou massa nodular sssil de aumento progressivo, produzindo obstruo nasal ou epistaxe a qualquer trauma (1). Em contrapartida os hemangiomas cavernosos so leses mal definidas quanto profundidade e, geralmente subcutneas. O paciente relatado apresentou histria recente de epistaxes de repetio, embora no tivesse apresentado obstruo nasal ou outro sintoma correlato.

Os achados radiolgicos geralmente tm alteraes comuns a leses benignas nos exames de imagem. Hemangiomas dos seios paranasais so referidos como causadores de alteraes no osso adjacente (3,5). Entretanto tem sido reportados casos de destruio ssea causada por hemangiomas de seios paranasais os quais podem fazer confuso diagnstica com leses malignas. Nesses casos a histria clnica de epistaxe e obstruo nasal pode ajudar no diagnstico. Os achados radiolgicos do caso relatado seguiram o padro de alteraes benignas; sem eroso ssea e com alteraes apenas do efeito de massa com alargamento do complexo stio-meatal do lado da leso.

O tratamento do hemangioma cavernoso, quando necessrio, cirrgico; Os hemangiomas capilares geralmente regridem espontaneamente com o envelhecimento, a exciso s necessria nos casos de sangramento ou desconforto. Nos casos cirrgicos importante a angiografia pr-operatria e embolizao pois a cirurgia ou at mesmo a bipsia pode resultar em perda de grande quantidade de sangue. No nosso caso, felizmente, a cirurgia no resultou em sangramento expressivo. KIM et al. (3), tiveram 02 casos onde a cirurgia tambm ocorreu sem sangramentos volumosos e isso reflete a no ou mnima circulao arterial nos nossos casos. Segundo PASQUINI et al a abordagem endoscpica tem sido usada com sucesso para a resseco de tumores benignos como angiofibromas e hemangiomas (6). No nosso caso, foi preferida a abordagem combinada para melhor visualizao do interior do seio maxilar. No foi necessrio o uso de tamponamento nasal, o paciente teve alta no 24h aps o procedimento cirrgico e vem em acompanhamento com evoluo considerada favorvel e remisso completa dos sintomas.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. Stamm AC, Watashi CH, Pozzobon M. Microcirurgia dos Tumores Benignos Naso-sinusais. En. Stamm, AC. Microcirurgia Naso-sinusal. 1a ed. Rio de Janeiro: Revinter; 1995, 359-60.

2. Cummings CW, Fredrickson JM, Harker LA, Krause CJ, Richardson MA, Schuller DE. Otolaryngology - Head and Neck Surgery, 3a ed. St. Louis: Mosby, 1998.

3. Kim H, Kim JH, Kim JH, Hwang EG. Bone Erosion Caused by Sinonasal Cavernous Hemangioma: CT Findins in Two Patients. AJNR, 1995, 16:1176-78.

4. Som PM, Bergeron RT. Sinonasal cavity. Head and Neck Imaging, 1991, 230:51-276.

5. Most DS. Hemangioma of the maxillary sinus. Oral Surg Oral Med Oral Pathol, 1985, 60: 485-486.

6. Pasquini E, Sciarreta V, Frank G, Cantaroni C, Modugno GC, Mazzatenta D, Farneti G. Endoscopic treatment of benign tumors of the nose and paranasal sinuses. Otolaryngology-Head and Neck Surgery, 2004, 131(3), 565-7.














1. Otorrinolaringologista pela ABORL-CCF. Otorrinolaringologista Associado do INOOA Auxiliar de Preceptoria do Estgio em ORL do INOOA.
2. Otorrinolaringologista pela SBORL. Chefe do servio de Otorrinolaringologia do INOOA Professor de Otorrinolaringologia da Escola Bahiana de Medicina e Sade Pblica - EBMSP Chefe do Corpo Clnico do Hospital Santa Izabel - Santa Casa da Misericrdia da Bahia.
3. Otorrinolaringologista pela ABORL-CCF. Preceptor do Servio de ORL do INOOA.
4. Mdico Estagirio em Otorrinolaringologia do INOOA.
5. Otorrinolaringologista pela ABORL-CCF. Mdico Colaborador do INOOA.
Instituto: INOOA - Instituto de Otorrinolaringologia Otorrinos Associados.

Endereo para correspondncia:
Pablo Pinillos Marambaia
INOOA - Instituto de Otorrinolaringologia Otorrinos Associados
Avenida ACM, 2603 - Cidadela
Salvador/BA - CEP 402800-000
E-mail: marambaiaorl@click21.com.br

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gesto de Publicaes) da R@IO em 16 de julho de 2006. Cod. 137. Artigo aceito em 12 de outubro de 2007.
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