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Ano: 2007  Vol. 11   Num. 4  - Out/Dez Print:
Case Report
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Infeco Cervical Ps-adenotonsilectomia
Post-adenotonsillectomy Neck Infection
Author(s):
Tomas Gomes Patrocinio1, Lucas Gomes Patrocnio2, Rodrigo Mrcio Morais3, Antonio Diniz Souza4, Jos Antonio Patrocinio5
Palavras-chave:
Tonsilectomia. Complicaes ps-operatrias. Infeco.
Resumo:

Introduo: As infeces cervicais, em sua maioria das vezes, apresentam como primeira etiologia as tonsilites, seguidas pelas infeces odontognicas. No entanto, outras causas como procedimentos cirrgicos orais, instrumentao e trauma da cavidade oral podem estar envolvidas. Objetivo: Relatar dois casos de infeco cervical como complicao de adenotonsilectomia, assim como seu tratamento e evoluo. Relato de Caso: Caso 1 - Masculino, 6 anos, com evoluo no ps-operatrio com infeco cervical direita e dificuldade respiratria. Foi internado em UTI e submetido a tratamento clnico, antimicrobiano e corticosteride, apresentando resoluo do quadro infeccioso. Caso 2 - Masculino, 2 anos, em 9 PO evoluiu com febre, abaulamento em regio submandibular esquerda, doloroso palpao e hiperemia local. Foi iniciado tratamento clnico com ampicilina/sulbactam. No 3 dia de internao, como paciente no apresentava melhora do quadro, foi submetido a explorao cirrgica cervical, tendo sido drenada pequena quantidade de secreo purulenta. Optou-se pela substituio do antibitico por ceftriaxone e clindamicina, com resoluo do quadro. Concluses: Ressalta-se a importncia de um exame pr-operatrio minucioso na cirurgia de adenotonsilectomia, incluindo histria de infeco de vias areas superiores, presena de infeco ativa, febre e idade, devido correlao de infeces e risco de comprometimento respiratrio. Durante o ato operatrio, observar a quantidade de sangramento, pois pode ser um sinal de possvel complicao. Uma vez detectada a infeco cervical psoperatria, recomenda-se iniciar o mais rpido possvel o tratamento adequado, favorecendo uma boa evoluo do quadro clnico.

INTRODUO

A adenotonsilectomia permanece sendo atualmente o procedimento cirrgico mais freqente dentro da otorrinolaringologia. A cirurgia vem sofrendo modificaes diversas na tentativa de simplific-la e minimizar as complicaes (1). Entre elas destaca-se a hemorragia, dor, febre, vmitos, nuseas, otalgia, tosse, cefalia, odinofagia, entre outras (2). A ocorrncia de infeco cervical no ps-operatrio (PO) extremamente rara e sua descrio e discusso na literatura escassa.

O objetivo deste trabalho apresentar dois casos de pacientes que evoluram no PO de adenotonsilectomia com infeco cervical e dificuldade respiratria.


RELATO DE CASO

Caso 1


E.H.C.C., 6 anos, masculino, foi submetido a adenotonsilectmia. No 1 PO iniciou com cervicalgia anterior, febre, dispnia e disfagia. No 2 PO desenvolveu edema cervical importante direita, acompanhado de sinais flogsticos (Figura 1A).


Figura 1. Caso 1: fotografia (A) demonstrando edema cervical direita, acompanhado de sinais flogsticos e tomografia computadorizada (B) evidenciando acentuado edema nas partes moles cervicais direita, desviando as vias areas para a esquerda; Caso 2: fotografias (C) demonstrando abaulamento em regio submandibular esquerda e hiperemia local e (D) aps drenagem de pequena quantidade de secreo purulenta local.



Apresentava hemograma infeccioso. Radiografia cervical demonstrou aumento difuso de partes moles na regio cervical, traquia com calibre relativamente reduzido e espao retrofarngeo aumentado. Tomografia computadorizada (TC) evidenciou acentuado edema das partes moles crvico-faciais direita, desde regio parotdea at supra-clavicular, desviando as vias areas para a esquerda (Figura 1B). Foram realizadas vrias punes em regio cervical direita, sem haver sada de secreo. Iniciado tratamento com ampicilina/sulbactam, evoluindo com melhora clnica e laboratorial. Recebeu alta no 6 PO assintomtico.

Caso 2

G.A.S., 2 anos, masculino, em 9 PO adenotonsilectomia, evoluiu com febre, abaulamento em regio submandibular esquerda, dor e hiperemia local (Figura 1C). Foi reinternado e iniciado tratamento clnico com ampicilina/sulbactam. No 3 dia de internao, como o paciente no apresentava melhora do quadro, foi submetido a explorao cirrgica cervical, tendo sido drenada pequena quantidade de secreo purulenta (Figura 1D). Optou-se pela substituio da antibioticoterapia por ceftriaxona e clindamicina. Recebeu alta no 13 dia de internao, afebril, com melhora do quadro e em uso de amoxicilina-clavulanato.


DISCUSSO

A notria freqncia da cirurgia de adenotonsilectomia no cotidiano do otorrinolaringologista faz com que o conhecimento de suas possveis intercorrncias e complicaes seja de extrema importncia, para que tambm se possa trat-las da maneira correta e segura.

Complicaes que ameaam a vida incluem obstruo de vias areas, desidratao e hemorragias. As hemorragias so complicaes de destaque por serem as mais comuns, com incidncia de 1,1% a 7% (3).

Atualmente, as tonsilites permanecem como a etiologia mais comum das infeces dos espaos profundos, seguidas pelas de origem odontognica. No entanto, cerca de 20% a 50% das infeces profundas do pescoo no tm uma causa identificada (1).

Diferentes microrganismos podem estar presentes em culturas de superfcie e loja tonsilares. Num estudo foi verificado 25% de bacteremia em amostras sanguneas de pacientes no PO imediato de tonsilectomia (4). Em relao febre que ocorre nas primeiras 24 horas aps a tonsilectomia, a sua etiologia obscura, mas parece no ser causada por infeco (5).

O tratamento da infeco profunda do pescoo abrange o uso de corticosterides e antibiticos intravenosos, como a clindamicina, ampicilina/sulbactam e cefuroxima. H controvrsias em relao associao do tratamento cirrgico ao clnico, ou permanncia apenas do tratamento clnico. Alguns reservam a terapia cirrgica para aqueles casos em que no houve resposta com 48 horas. Pode-se realizar inciso e drenagem (na presena de secreo) ou aspirao, havendo eficientes resultados ps-operatrios (6).


CONCLUSO

Ressalta-se a importncia de um exame pr-operatrio minucioso na cirurgia de adenotonsilectomia, incluindo histria de infeco de vias areas superiores, presena de infeco ativa, febre e idade, devido correlao de infeces e risco de comprometimento respiratrio. Durante o ato operatrio, observar a quantidade de sangramento, pois pode ser um sinal de possvel complicao. Uma vez detectada a infeco cervical ps-operatria, recomenda-se iniciar o mais rpido possvel o tratamento adequado, favorecendo uma boa evoluo do quadro clnico.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. Johnson LB; Elluru RG; Myer CM. Complications of adenotonsillectomy. Laryngoscope 2002; 112(8Pt2) Supl.suppl 100 pags. 35-6.

2. Salomen A; Kokki H; Nuutinen J. Recovery after tonsillectomy in adults: a three-week follow-up study. Laryngoscope 2002; 112(1) pags 94-8.

3. Roithmann R, Kruse LS. Hemorragia ps-amigdalectomia. In: Patrocnio JA, Patrocnio LG. Manual de urgncias em otorrinolaringologia. Rio de Janeiro: Revinter; 2005. p. 189-98.

4. Kaygusuz I, Gok U, Yalcin S, Keles E, Kizirgil A, Demirbag E: Bacteremia during tonsillectomy. Int J Pediatr Otorhinolaryngol 2001 Apr 6;58(1):69-73.

5. Anand VT, Phillipps JJ, Allen D, Joynson DH, Fielder HM: A study of postoperative fever following paediatric tonsillectomy. : Clin Otolaryngol 1999 Aug;24(4):360-4.

6. Maniglia JJ, Maniglia R, Maniglia S, Maniglia F. Infeces dos espaos profundos do pescoo. In: Patrocnio JA, Patrocnio LG. Manual de urgncias em otorrinolaringologia. Rio de Janeiro: Revinter; 2005. p. 214-33.














1. Mdico (Residente do Servio de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlndia).
2. Otorrinolaringologista (Mdico do Servio de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlndia).
3. Mdico (Residente do Servio de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlndia).
4. Mestre (Professor Adjunto do Servio de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlndia).
5. Professor Titular (Chefe do Servio de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlndia).

Instituio: Servio de Otorrinolaringologia, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Uberlndia, Uberlndia, Minas Gerais, Brasil.

Endereo para correspondncias:
Lucas Gomes Patrocinio
Rua XV de Novembro, 327/apt. 1600 - Bairro Centro
Uberlndia/MG - CEP 38400-214
Telefone/Fax: +55-34-215-1143
E-mail: lucaspatrocinio@triang.com.br

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gesto de Publicaes) da R@IO em 25/10/2006 e aprovado em 14/11/2006 03:20:14.
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