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Ano: 2008  Vol. 12   Num. 1  - Jan/Mar Print:
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Frequncia de Sinquia Nasal aps Cirurgia de Septoplastia com Turbinectomia com e sem Uso de Splint Nasal
Frequency of Nasal Synechia after Septoplasty with Turbinectomy with or without the Use of Nasal Splints
Author(s):
Roberto Gaia Coelho Jnior 1, Fabiano Haddad Brando 2, Maria Rosa Machado de Sousa Carvalho 3, Jos Evandro Prudente de Aquino 4, Salomo Honrio Pereira de Paula 1, Ricardo Pereira Fabi 1, Bruno Eiras 5
Palavras-chave:
septo, nariz, conchas nasais
Resumo:

Introduo: Este estudo retrospectivo foi feito para avaliar o curso e a eficcia ps-operatria do splint nasal para impedir a formao de sinquias. Objetivo: O objetivo foi comparar a freqncia de sinquias nasais em paciente submetidos ao uso de splint nasal, bem como em relao ao nvel de dor. Casustica e Mtodo: Foram avaliados pronturios de oitenta e dois pacientes submetidos a septoplastia e turbinectomia parcial bilateral colocados em dois grupos, um com splint e outro sem splint. Resultados: Os resultados sugerem haver uma diferena na freqncia de sinquia, 0% com splint e 10.6% sem splint. Entretanto, os pacientes com splints tiveram mais dor e desconforto nasal do que o grupo sem splint. Concluso: Sugere-se que a morbidade associada ao uso de splint nasal mais intensa do que no paciente sem seu uso, mas muito til quando usado para impedir adeses intra-nasais.

INTRODUO

O desenvolvimento de adeses intranasais tem sido h muito tempo uma complicao importante no ps-operatrio da cirurgia nasal com uma incidncia variando entre 10% e 36% (1,2).

No sentido de reduzir esse tipo de complicaes muitos trabalhos iniciaram estudos para analisar as vantagens da utilizao de tampes no ps-operatrio nasais visando diminuio dos desvios septais indesejados e principalmente evitar adeses nasais e epistaxes (3).

Os splints nasais foram introduzidos h aproximadamente 35 anos na tentativa de manter a posio septal no ps-operatrio. Inicialmente eles eram improvisados com vrias formas de plstico, sendo atualmente produzidos industrialmente em vrias formas e tamanhos apesar de um estudo grego ter indicado o uso de envelopes de cera contendo Fucidin (4).

Provavelmente o melhor tipo de splint disponvel no mercado produzido a partir do silicone, com a vantagem de ser feito sob encomenda para o paciente seguindo a morfologia de sua cavidade nasal. Pode ainda receber reforos extras nas laterais. Sua utilizao vem crescendo nos ltimos anos devido a sua capacidade de manter o septo operado em posio, prevenir a ocorrncia de epistaxes e de sinquias (5).

Alguns autores sugerem sua utilizao em cirurgias de septoplastia associadas a turbinectomia na preveno da formao de sinquias no ps-operatrio (6,7).

Estudos trazem consideraes que indicam que a eficincia dos splints nasais pode ser pequena se comparada a simples procedimentos como a toilet nasal e os tampes (8). Tambm foi observado um aumento na morbidade associada ao procedimento como ansiedade remoo do dispositivo, dor, incomodo e alguns casos envolvendo a sndrome do choque txico (9).

Nosso estudo de carter retrospectivo para avaliao da freqncia de sinquias com o uso de splint Nasal, comparando a freqncia de sinquias ps-operatrias em cirurgias nasais com e sem uso de splint, bem como avaliao dos grupos em relao ao nvel de dor.


OBJETIVO

Comparar a freqncia de sinquias ps-operatrias em cirurgias nasais com e sem o uso de splint e avaliao dos grupos em relao ao nvel de dor.


CASUSTICA E MTODO

Estudo devidamente cadastrado no SISNEP e aprovado pelo Comit de tica e pesquisa da Universidade de Santo Amaro sob o protocolo n 182/07.

Foram analisados, retrospectivamente, os pronturios dos pacientes submetidos a tratamento cirrgico na Disciplina de Otorrinolaringologia do Hospital Geral do Graja da Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (UNISA) e acompanhados no Ambulatrio de Otorrinolaringologia HEWA, na regio Sul do Municpio de So Paulo, no perodo de janeiro de 2003 a janeiro de 2004.

Os dados foram coletados em protocolo padronizado e transcritos para o programa de computador Epi. Info 6.0 para complementao da anlise estatstica.

Foram revisados 82 pronturios de pacientes submetidos a septoplastia com turbinectomia inferior bilateral, os quais foram colocados em 2 grupos, um com e outro sem splint nasal, de forma aleatria. Destes, 47 foram submetidos ao procedimento e no foram tratados com a colocao de splint nasal, e os outros 35 pacientes foram tratados com a colocao de splint nasal previamente esterilizado em autoclave.
O splint utilizado feito com material plstico, proveniente de frascos plsticos de soro fisiolgico esterilizado em autoclave. Sempre colocado bilateralmente e moldado no ato operatrio, pelo assistente.

Os pacientes retornaram ao servio no segundo dia de ps-operatrio para retirada de tampo nasal anterior bilateral, no stimo dia para retirada do splint nasal, semanalmente at completar o primeiro ms para aspirao de secrees e retirada de crostas, quinzenalmente no segundo ms para limpeza e recebendo alta no terceiro ms.

Todos os pacientes submetidos cirurgia foram mantidos com antibitico (amoxicilina), 500mg Vo de
8/8Hs, por 10 dias e ducha nasal com soro fisiolgico 0,9% at a alta.

Para anlise dos resultados aplicamos o teste do Quiquadrado e o teste exato de fisher, com o objetivo de comparar os grupos com e sem splint em relao ao nvel de dor e presena de sinquia.


RESULTADOS

Os pacientes submetidos a esse estudo tiveram um acompanhamento contnuo, onde foram coletados dados relacionados a dor e desconforto dos mesmos.

Para analise da dor dos pacientes foi elaborada uma tabela com valores variando de 1 a 10 para tentar mensurar indiretamente a dor sentida por esses pacientes nas primeiras 48 horas, sendo considerada dor leve valores de 1 a 3, moderada de 4 a 7 e intensa de 8 a 10 (Tabela 1).



No grupo sem splint nasal observamos maior freqncia de dor moderada (70,2%) quando comparado ao grupo com splint (65,7%).

Em relao dor intensa observamos maior freqncia no grupo com splint (22,9%) quando comparada ao grupo sem splint (2,1%).

Aplicando o teste do Quiquadrado no foi significante X calculado = 10,46 (p < 0,01) (Tabela 2).



Em relao freqncia de sinquias os pacientes que foram tratados com a utilizao do splint nasal no apresentaram sinquias ps-operatrias (0%), enquanto os pacientes tratados sem o splint nasal apresentaram uma freqncia de sinquias ps-operatria de 10,6%.
Quando aplicado teste exato de Fisher no encontramos significncia (P = 0,056).

Um paciente pertencente ao grupo tratado sem a utilizao de splint nasal necessitou de um segundo procedimento cirrgico, pois ambas fossas nasais se obliteraram por sinquias importantes que no foram possveis de serem desfeitas em carter ambulatorial.

Nosso estudo mostra que o splint nasal aumenta as comorbidades como dor e incomodo no ps-operatrio, por outro lado demonstrou uma eficincia muito grande na preveno de sinquias ps-operatrias j que nenhum dos pacientes submetidos a septoplastia com turbinectomia e que foram tratados com o splint nasal evoluiu com sinquia ps-operatria.

Mesmo no atingindo o nvel de significncia, os resultados sugerem associao entre a presena de sinquia no grupo sem o uso de splint nasal.


DISCUSSO

A sinquia e uma aderncia entre o septo nasal e a concha nasal inferior que pode levar a obstruo nasal.

Para evitar essas adeses foram criados os splints nasais que so dispositivos utilizados cada vez mais, como demonstra um estudo Britnico que mostra 64% dos consultrios no Reino Unido utilizando o splint nasal rotineiramente com o propsito de evitar a formao de sinquias.

Nossos pacientes foram divididos em dois grupos aleatrios. O primeiro foi tratado com a utilizao do splint nasal (material plstico) previamente esterilizado em autoclave, e o segundo sem o splint nasal.

A dor observada no grupo tratado com a utilizao do splint nasal foi maior do que a observada no grupo sem o uso do splint (Tabela 1). Este fato pode ser explicado pela presena de ponto transeptal de fixao do splint cuja retirada acompanhada da reduo dos sintomas confirma a hiptese.

Todos os pacientes referiam sensao de obstruo nasal e coriza importante, talvez pelo efeito de corpo estranho causado pelo splint nas fossas nasais.

A sinusite ps-operatria no ocorreu devido profilaxia com amoxicilina 500mg VO de 8/8Hs, por 10 dias aps o procedimento cirrgico.

Em 1988 alguns autores provaram o aumento na incidncia de sinquias em septoplastias quando so realizadas associadas a turbinectomia apresentando uma taxa de 36% (2).

O uso de splint nasal s justificado quando realmente apresenta vantagens para o paciente (7).
A utilizao de tampo em detrimento do splint nasal em cirurgias de septoplastia associadas a turbinectomia apresenta taxa de sinquia nasal aps 6 semanas de 11% (1).

As morbidades associadas colocao dos splints nasais no justificam seu uso rotineiro com a inteno de prevenir a formao de sinquias, mas devem ser indicados se o intuito for manter a estabilidade do septo nasal aps uma septoplastia (10).

Nosso estudo mostra que o splint nasal aumenta as comorbidades como dor e incomodo no ps-operatrio, por outro lado demonstrou uma eficincia muito grande na preveno de sinquias ps-operatrias j que nenhum dos pacientes submetidos a septoplastia com turbinectomia e que foram tratados com o splint nasal evoluiu com sinquia ps-operatria.


CONCLUSO

Mesmo no atingindo o nvel de significncia, os resultados sugerem associao entre a presena de sinquia no grupo sem o uso de splint nasal.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. Shone GR, Clegg RT. Nasal adhesions. Journal of Laryngology and Otology, 1987, 101: 555-57.

2. White A, Murray JA. Intranasal adhesions formation following surgery for chronic nasal obstruction. Clinical Otholaryngology, 1988, 13: 139-43.

3. Guyuron B. Is packing after septorhinoplasty necessary? A randomized study. Plastic Reconstr Surg,1989, 84(1): 41-44.

4. Eliopoulos PN, & Phillippakis C. Prevention of post-operative intra-nasal adhesions (a new material). J. Laryngol. Otol., 1989, 103: 664-66.

5. Cook AC, Murrant NJ, Evans KL, Lavelle RJ. Intra-nasal splints and their effects on intra-nasal adhesions and septal stability. Clinical Otolaryngology, 1992, 17: 24-27.

6. Gilchrist AG, Surgery of the nasal septum and pyramid. J. Laryngol. Otol., 1974, 88: 759-71.

7. Campbell JB., Watson MG & Shenoi PM. The role of intranasal splints in the prevention of post-operative nasal adhesions. J. Laryngol. Otol., 1987, 101: 1140-43.

8. Von Schoenberg M, Robinson P, Ryan R, The morbidity from nasal splints in 105 patients. Clinical Otholaryngology., 1992, 17: 528-30.

9. Wagner R, Toback JM, Toxic shock syndrome following septoplasty using plastic nasal splints. Laryngoscope, 1986, 96: 609-10.

10. Malki D, Quine SM, Pfleiderer AG, Nasal splints, revisited. The Journal of Laryngology and Otology., 1999, 113: 725-27.











1 Mdico Residente de Otorrinolaringologia.
2 Especialista em Otorrinolaringologia. Professor da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Santo Amaro.
3 Doutora em Otorrinolaringologia. Chefe da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de medicina de Santo Amaro.
4 Doutor em Otorrinolaringologia. Docente e Chefe da Disciplina de Otologia da Faculdade de medicina de Santo Amaro.
5 Acadmico de Medicina.

Instituio: Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Santo Amaro.

Endereo para correspondncia: Roberto Gaia Coelho Jnior - Alameda Franca, 1.436 - Apto. 13 - So Paulo / SP - CEP 01422-001 /0 Fax: (11) 3082-5301 - E-mail: betogaia@bol.com.br

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gesto de Publicaes) da R@IO em 4 de outubro de 2007. Cod. 333. Artigo aceito em 23 de janeiro de 2008.
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