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Ano: 2008  Vol. 12   Num. 1  - Jan/Mar Print:
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Avaliao da Qualidade de Vida de Cuidadores de Idosos Portadores de Deficincia Auditiva: Influncia do Uso de Prteses Auditivas
Evaluation of Quality of Life of the Caregivers for Hearing-impaired Elderly: Influence of Hearing Aids Use
Author(s):
Michelle Gassen Paulo 1, Adriane Ribeiro Teixeira 2, Geraldo Pereira Jotz 3, Marion Cristine de Barba 4, Rejane da Silva Bergmann 5
Palavras-chave:
qualidade de vida, cuidadores, prtese auditiva
Resumo:

Introduo: A deficincia auditiva em idosos gera incapacidade, tornando necessria presena do cuidador. Objetivos: Avaliar a qualidade de vida de cuidadores de idosos com deficincia auditiva e identificar a contribuio do uso da prtese auditiva na qualidade de vida dos cuidadores de idosos usurios e no usurios. Casustica e Mtodo:entrevistaram-se 30 cuidadores, divididos em dois grupos. O primeiro foi composto por 10 cuidadores de idosos usurios de prtese auditiva e o segundo por 20 cuidadores de idosos no usurios de prtese auditiva. Para a avaliao foram utilizados entrevista e o questionrio abreviado de avaliao de qualidade de vida da Organizao Mundial da Sade, o WHOQOL-bref. Resultados: A amostra foi composta predominantemente por cuidadores do sexo feminino (80%), com mdia de idade de 58,513,07 anos. Entre eles, 96,5% eram familiares dos idosos, com mediana do tempo de atuao de seis anos. Em relao qualidade de vida, verificou-se que estava menos comprometida no grupo de cuidadores de idosos usurios de prteses auditivas, especialmente no domnio social. Foi encontrada correlao entre a idade dos cuidadores e o domnio psicolgico e entre o nmero de medicamentos que o cuidador utilizava e o domnio fsico do WHOQOL-bref. Concluso: Os resultados obtidos sugerem que a qualidade de vida dos cuidadores de idosos com deficincia auditiva afetada. O uso de prtese auditiva pelos idosos, porm, parece contribuir para a qualidade de vida dos cuidadores, pois os escores deste grupo foram superiores aos do grupo responsvel por idosos no usurios do dispositivo.

INTRODUO

A populao idosa, composta, nos pases em desenvolvimento, por indivduos com idade igual ou superior a 60 anos (1), a de maior crescimento na sociedade atual. At a dcada de 1930, a expectativa de vida, ao nascer, no ultrapassava os 50 anos de idade. Atualmente, nos pases desenvolvidos, a expectativa de vida supera os 70 anos e, em alguns, chega at os 80 anos (2). Este aumento na expectativa de vida tem originado uma srie de preocupaes e atitudes, para que os anos de vida adicionais sejam vividos com qualidade, bem-estar e independncia (3).

Em muitos casos, porm, o idoso atinge idade avanada com vrios problemas de sade, exigindo que outra pessoa, familiar ou no, assuma o papel de cuid-lo. O cuidador a pessoa que oferece cuidados para suprir a incapacidade funcional, temporria ou definitiva (4). A tarefa de cuidar inclui aes que visam auxiliar o idoso, impedido fsica ou mentalmente, a desempenhar tarefas prticas de atividades de vida diria e de autocuidado (5).

O cuidador pode ser classificado em primrio ou secundrio. O cuidador primrio o responsvel pelo cuidado dirio do idoso, sendo a nica pessoa a desempenhar esta tarefa. O cuidador secundrio realiza a atividade ocasionalmente, de modo restrito (5).

Do cuidador exigido que participe menos de atividades sociais, seja capaz de resolver problemas e passe por vrios momentos de stress em funo dessa nova rotina de vida (6). Quando o idoso portador de deficincia auditiva (qualquer perda ou anormalidade psicolgica, fisiolgica ou anatmica de uma estrutura ou funo (7), ele , muitas vezes, o responsvel pela participao do mesmo nas atividades sociais e de vida diria, pois este tipo de deficincia acarreta diminuio na capacidade de comunicao. Muitas vezes o cuidador passa a atuar como 'intrprete', auxiliando o idoso nas situaes em que necessria a compreenso da fala (reunies, telefonemas, consultas mdicas, entre outros).

Desta forma, acredita-se que h mudanas na qualidade de vida dos cuidadores, pois alm da sobrecarga de atividades, existe mudana nos relacionamentos familiares e no crculo de amizades.

A qualidade de vida envolve mltiplos significados (conhecimentos, experincias, valores individuais e coletivos), alm de ser uma construo social, abrangendo referncias histricas, culturais e de estratificaes ou classes sociais (8). Devido a este carter multidimensional, so vrias as definies obtidas na literatura especializada. Uma das mais abrangentes e utilizadas a da Organizao Mundial da Sade (OMS), que define qualidade de vida como "a percepo do indivduo de sua posio na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relao aos seus objetivos, expectativas, padres e preocupaes" (9).

O estudo da qualidade de vida dos indivduos um tema que vem despertando interesse dos pesquisadores. Devido a isto, vrios instrumentos foram desenvolvidos, no mundo inteiro, com o objetivo de avaliar a qualidade de vida de populaes (instrumentos genricos) ou direcionados a grupos de indivduos que sofrem de alguma doena aguda ou crnica (instrumentos especficos) (10,11).

Com o objetivo de criar um instrumento genrico, tendo como base definio de qualidade de vida OMS, pesquisadores ligados a esta mesma organizao propuseram uma avaliao, construda sob enfoque transcultural, a qual parte do pressuposto que a qualidade de vida um constructo subjetivo, multidimensional e composto por dimenses positivas e negativas (9). Devido a estas caractersticas, o questionrio, denominado World Health Organization Quality Of Life (WHOQOL) tem sido um dos mais utilizados e traduzidos no mundo. No Brasil, alm do instrumento original (WHOQOL-1OO), vria verses j foram traduzidas e validadas, entre elas o WHOQOL-bref, que uma verso abreviada do questionrio original e que permite a avaliao rpida e fidedigna da qualidade de vida dos indivduos, considerando-se quatro domnios: fsico, psicolgico, relaes sociais e meio ambiente (9,12).

Considerando-se que a maior parte dos idosos tem deficincia auditiva e assistido por cuidadores, que estes podem ter sua qualidade de vida prejudicada pelas dificuldades de comunicao e que no foram obtidos dados na literatura pesquisada sobre o tema, optou-se por realizar este estudo, o qual tem como objetivos avaliar a qualidade de vida de cuidadores de idosos com deficincia auditiva e identificar a contribuio do uso de prteses auditivas pelos idosos para a qualidade de vida destes cuidadores.


CASUSTICA E MTODO

A populao desta pesquisa formada por cuidadores primrios de idosos com deficincia auditiva. A amostra foi selecionada pelo mtodo de amostragem no-probabilstica, de convenincia, composta por 30 cuidadores de idosos.

Foram includos, na amostra, os indivduos que so cuidadores de idosos e que os estavam acompanhando no momento em que procuraram o Servio de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabea e Pescoo (Diviso de Sade Auditiva) do Hospital Universitrio da Universidade. Excluiu-se da amostra os indivduos que estavam somente acompanhando os idosos no momento da avaliao auditiva (cuidadores secundrios). Foram tambm excludos aqueles que no quiseram participar desta pesquisa e os que no assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Somente trs cuidadores no aceitaram participar da pesquisa.

Os componentes da amostra foram abordados na sala de espera da Clnica de Fonoaudiologia da Universidade. Explicados os objetivos da pesquisa, aqueles cuidadores que concordaram em participar eram convidados a dirigirem-se para uma das salas da clnica, a fim de assinarem o TCLE e responderem aos instrumentos individualmente.

Por ocasio da coleta de dados, aplicou-se primeiro um questionrio, em forma de entrevista, elaborado especialmente para este estudo, visando obter informaes sobre o entrevistado (ANEXO A).



Os cuidadores foram divididos em dois grupos. O primeiro grupo era composto por 20 cuidadores de idosos portadores de deficincia auditiva no usurios de prteses auditivas e o segundo, por 10 cuidadores de idosos usurios de prteses auditivas. Optou-se pela diviso em grupos para que pudesse ser avaliada a influncia do uso de prteses auditivas pelos idosos cuidados.

A seguir, aplicou-se o instrumento abreviado de avaliao de qualidade de vida da Organizao Mundial de Sade (OMS), o WHOQOL-bref.
Segundo a orientao dos tradutores do instrumento, os componentes da amostra foram orientados a pensar sobre sua vida nas duas ltimas semanas, a ler as questes propostas e a assinalar a coluna que contivesse a resposta mais adequada ao seu caso. Por ser um instrumento auto-aplicvel, o WHOQOL-bref auto-explicativo. Caso o indivduo no soubesse ler ou referisse dificuldades de leitura, o examinador lia a questo. Se no houvesse compreenso da mesma, era feita a leitura novamente, de forma lenta, no sendo utilizados sinnimos nem feitas explicaes da questo, em outras palavras, para evitar a influncia do examinador sobre as respostas do cuidador (13).

As perguntas possuem quatro tipos de escalas de resposta: intensidade (nada-extremamente), capacidade (nada-completamente), avaliao (muito insatisfeito-muito satisfeito; muito ruim - muito bom) e freqncia (nunca-sempre). Entre os extremos existem respostas intermedirias. Por exemplo, entre o nada e o completamente existe o muito pouco, o mdio e o muito. Cada uma das alternativas corresponde a um valor numrico de 1 a 5. Aps ler cada uma das questes, o indivduo deve circular o nmero que representa a melhor resposta (13).

Aps o preenchimento do questionrio, os dados foram inseridos em uma planilha do software Statistical Package for Social Science (SPSS) 10.0 for Windows, para o clculo dos valores obtidos em cada um dos domnios (fsico, psicolgico, relaes sociais e meio ambiente), seguindo-se a sintaxe determinada pelos tradutores do instrumento(13).

A comparao entre os grupos foi realizada atravs dos testes t de Student para amostras independentes (variveis quantitativas com distribuio normal), teste de Mann-Whitney (variveis quantitativas sem distribuio normal), teste de qui-quadrado (variveis qualitativas) e ANOVA One Way. Para verificar a existncia de correlao, foram utilizados os coeficientes de correlao de Pearson e de Spearman. A anlise estatstica foi executada no software SPSS 10.0 for Windows.

Este projeto foi aprovado pelo Comit de tica da Universidade, sob o protocolo de registro n 185H/2006, sendo assegurados aos participantes os direitos de sigilo, voluntariado e desistncia da participao na pesquisa.


RESULTADOS

A seguir so apresentados os resultados obtidos no estudo.

A idade dos componentes da amostra variou entre 33 e 84 anos, com mdia de 58,5 13,07 anos. Dos 30 (100%) cuidadores, 24 (80%) eram do gnero feminino e 6 (20%) do gnero masculino. Os dados referentes escolaridade so apresentados na Tabela 1.























Na Tabela 2 mostrada a existncia de vnculo familiar entre o cuidador e o idoso.

Os resultados apresentados na Tabela 3 evidenciam que a maior parte dos cuidadores no realizou cursos para desempenhar a funo. Dentre os cursos realizados pelos trs componentes que tinham preparao para atuar com cuidado estavam Enfermagem, Auxiliar de Enfermagem e curso oferecido pela pastoral da sade de uma igreja.

Dentre os sujeitos avaliados, o tempo de atuao como cuidador variou entre 3 e 13 anos (mdia de 6 anos). O tempo de cuidado com o idoso atual ficou entre 2 a 13 anos (mdia de 4,5 anos) e o tempo de cuidado dirio variou entre 4,5 e 24 horas (mediana de 24 horas). Com relao remunerao, constatou-se que, dos 30 (100%) cuidadores avaliados, somente 2 (6,7%) recebiam salrio mensal pela atividade.

Destaca-se que para a coleta de dados sobre tempo de atividade com cuidado, foram obtidas somente informaes orais com os mesmos, uma vez que a maior parte da amostra era composta por cuidadores familiares, exercendo a funo sem remunerao e sem registro em carteira de trabalho, no havendo possibilidade de verificao do tempo exato de atividade.

No que se refere sade dos cuidadores, verificou-se que 15 (50%) apresentavam de 1 a 2 problemas de sade (mediana 1) e utilizavam de 1 a 3 medicamentos (mediana 1).

Nas Tabelas 4 e 5, so apresentados os resultados gerais do WHOQOL-bref e a correlao entre os escores do WHOQOL-bref e as variveis dos cuidadores.

A seguir sero apresentados os resultados estratificados segundo os grupos aos quais os cuidadores pertenciam. Dos 30 (100%) componentes da amostra, 10 (33,3%) cuidavam de idosos usurios e 20 (66,7%) de idosos no usurios de prtese auditiva.

A idade mdia dos cuidadores de idosos usurios de prtese auditiva foi de 59,511,06 anos e dos cuidadores de idosos no usurios foi de 58,014,22 anos (valor de p = 0,77).

Na Tabela 6, so apresentados os dados referentes ao gnero e escolaridade dos cuidadores, segundo o uso ou no de prtese auditiva pelos idosos cuidados.

Na Tabela 7, so apresentados os dados referentes preparao para a atividade de cuidado, tambm segundo o uso ou no de prtese auditiva pelos idosos.

A existncia e o tipo de vnculo familiar entre o cuidador e o idoso esto explicitados na Tabela 8. No que se refere remunerao dos cuidadores, conforme descrito anteriormente, somente 2 (6,7%) eram remunerados pela atividade, sendo 1 cuidador de idoso usurio e 1 cuidador de idoso no usurio de prtese auditiva.

Na Tabela 9, so apresentados os dados referentes ao tempo de cuidado e, na Tabela 10, os resultados referentes sade dos cuidadores.
Com relao ao nmero de doenas apresentadas pelos cuidadores, a mediana foi de 1 (p = 0,73), nos dois grupos estudados. A mediana do nmero de medicamentos utilizados foi de 1 pelos cuidadores de idosos usurios de prteses auditivas e de 2,5 pelos cuidadores de idosos no usurios (p = 0,20).

Na Tabela 11, so apresentados os resultados dos escores do WHOQOL-bref, segundo o uso ou no de prteses auditivas pelos idosos cuidados.


DISCUSSO

Para a realizao deste estudo, foi avaliada a qualidade de vida de 30 (100%) cuidadores de idosos com deficincia auditiva.

Com relao caracterizao da amostra, os dados apresentados, referentes a todos os componentes da amostra, evidenciam que, com relao idade, os dados obtidos so superiores aos descritos na literatura (14,15,16). Destaca-se que, nos trabalhos citados, foram entrevistados cuidadores de idosos com outras patologias, uma vez que, aps extensa busca de referencial terico, no foram obtidos autores que abordassem a questo do cuidado e da deficincia auditiva.

A maioria dos indivduos da amostra pesquisada era do sexo feminino, com baixa escolaridade (Tabela 1), sendo tais dados semelhantes aos obtidos por outros autores (14,15,16,17). Este resultado pode ser atribudo ao fato de serem os familiares do sexo feminino, tais como filhas e esposas que assumem o cuidado (Tabela 2) (5,17,18,19). Por serem familiares, a maioria no realizou curso para capacitao (Tabela 3) nem recebe salrio, apesar de uma mediana de atuao diria em tempo integral (5). Este tempo de atuao era esperado, tambm em funo da relao familiar entre o indivduo cuidado e o cuidador.

Os dados apresentados evidenciam que a metade dos cuidadores apresenta problemas de sade, utilizando medicaes. Estes dados de presena de doena e utilizao de medicamentos por parte dos cuidadores tambm eram esperados, pois muitos cuidadores j so idosos, portadores de doenas crnicas que necessitam de medicao para controle.

Com relao qualidade de vida dos cuidadores (Tabela 4), os resultados do WHOQOL-bref foram analisados de acordo com os quatro domnios. Os cuidadores da amostra apresentaram escores superiores no domnio social, seguidos pelos domnios psicolgico, fsico e meio ambiente.

Estes dados demonstram que a qualidade de vida dos cuidadores de idosos com deficincia auditiva est afetada, mais especificamente nos domnios fsico e meio ambiente. Os baixos escores no domnio fsico tambm podem ser explicados pela idade dos cuidadores, uma vez que as questes referem-se a dores e desconfortos, uso de medicamentos, sono e repouso, energia e fadiga, atividades de vida diria e capacidade de trabalho.

No que se refere ao domnio meio ambiente, as questes abordam temas como segurana, recursos financeiros, cuidados de sade e sociais, transporte, oportunidades em adquirir informaes, participaes em atividades de lazer. Acredita-se que o escore mais baixo foi obtido neste domnio devido ao fato de a questo da segurana e meio ambiente (poluio, rudo, trnsito e clima) afetar a todos, independentemente de idade e atividade. Os demais tpicos deste domnio so seriamente influenciados pela questo scio-econmica. Este item, especificamente, no foi investigado pelos pesquisadores, mas acredita-se que a maior parte dos avaliados venham de classes menos favorecidas, at mesmo pelo relato de anos de espera para se conseguir avaliaes auditivas pelo sistema nico de sade, devido impossibilidade de pagamento do exame ou de planos de sade particulares. Estudos evidenciam que a renda familiar do idoso determinante na escolha do tipo de assistncia que este ir receber (rede pblica ou privada) (20) . Assim, acredita-se que a falta de recursos financeiros impea que melhores escores sejam obtidos.

A anlise dos dados evidencia correlao direta entre a idade do cuidador e o domnio psicolgico do WHOQOL-bref (p = 0,03) e correlao inversa da quantidade de medicamentos que o cuidador utiliza e domnio fsico do WHOQOL-bref (p = 0,008) (Tabela 5).

Verifica-se, ento, que quanto mais jovem o cuidador, mais afetada sua qualidade de vida no domnio psicolgico. Isto pode ser explicado pelo fato de a atividade de cuidado gerar stress e sobrecarga emocional, alm da privao de atividades e convvio social. Quanto mais idoso o cuidador, mais experincia de vida e capacidade de resilincia, com maior capacidade de aceitao dos fatos.

Com relao aos medicamentos que o cuidador utiliza, verificou-se que quanto maior seu nmero, mais afetada a qualidade de vida no aspecto fsico. Isto pode ser atribudo ao fato de quanto mais doenas h, maior o nmero de medicamentos e mais prejudicada a condio fsica. Os cuidadores podem apresentar doenas em conseqncia de sua atividade, aumentando assim os problemas de sade e o nmero de medicaes (21).

Nas Tabelas 6, 7, 8 9 e 10, foram apresentados dados dos cuidadores, de acordo com a utilizao ou no de prteses auditivas pelo idoso cuidado.

Analisando-se os dados de perfil dos cuidadores de idosos com perda auditiva usurios e no usurios de prtese auditiva (idade, gnero, escolaridade, realizao de curso especializado, vnculo familiar, salrio, tempo de atuao como cuidador, tempo que cuida deste idoso, tempo de cuidado por dia, problemas de sade do cuidador e nmero de medicamentos utilizados pelo cuidador), no houve diferena estatisticamente significativa, demonstrando assim, que os grupos so homogneos e que o nico fator que os diferencia a utilizao ou no de prteses auditivas pelos idosos cuidados.

Em funo disto, pode-se analisar a influncia do uso de prteses auditivas pelos idosos na qualidade de vida dos cuidadores. Os dados foram apresentados na Tabela 11. Destaca-se que o tempo mdio de utilizao de prtese auditiva pelo idoso foi de 30 dias.

No grupo de cuidadores de idosos que utilizam prteses auditivas, os melhores escores do WHOQOL-bref foram obtidos no domnio social (81,67 11,65), seguido pelo domnio psicolgico (73,75 13,89), fsico (72,50 13,15) e meio ambiente (61,56 16,07). No grupo de cuidadores de idosos que no utilizam prteses auditivas, os escores, no geral, foram inferiores. O domnio social foi o que teve maior pontuao (66,67 17,52), seguido pelo domnio psicolgico (63,95 14,57), fsico (59,28 18,52) e pelo meio ambiente (57,50 13,69). A diferena estatisticamente significativa, porm, foi constatada somente no domnio social (p = 0,02), quando so investigadas as questes referentes a relaes sociais, suporte social e atividade social.

Estes resultados podem ser explicados pelo fato de o uso da prtese auditiva pelo idoso originar melhor compreenso da fala, facilitando a comunicao e o cuidado. Alm disso, com melhor audio, o idoso participa mais de atividades sociais, diminuindo o isolamento que a deficincia auditiva ocasiona. Com isso, o cuidador ser menos sobrecarregado e ter mais oportunidades de vida social, assim melhorando este aspecto em sua qualidade de vida. A diminuio do isolamento do idoso origina, tambm, a diminuio do isolamento do cuidador, revertendo-se o quadro de afastamento da vida social (4,16).

Assim, acredita-se que a avaliao auditiva deve ser feita mesmo quando no h queixas especficas, o que muito comum, para que o diagnstico seja feito em fase inicial, possibilitando o acesso a orientaes e reabilitao e permitindo que a qualidade de vida seja mantida, no s com relao aos idosos, mas tambm a seus familiares e cuidadores.


CONCLUSO

Os resultados obtidos sugerem que os cuidadores de idosos com deficincia auditiva tm sua qualidade de vida afetada. O uso de prtese auditiva pelos idosos parece contribuir para a qualidade de vida dos cuidadores, uma vez que ela apresenta-se menos comprometidas quando isto ocorre.


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1 Fonoaudiloga, Especializanda em Fonoaudiologia: nfase em Audiologia na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Fonoaudiloga Clnica.
2 Doutora em Gerontologia Biomdica (PUCRS). Fonoaudiloga e Gerontloga, Professora do Curso de Fonoaudiologia - ULBRA.
3 Ps Doutorado em Otorrinolaringologia na Universidade de Pittsburgh - USA. Professor Adjunto da Disciplina de Otorrinolaringologia do Curso de Medicina da ULBRA e do Departamento de Cincias Morfolgicas da UFRGS. Chefe do Servio de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabea e Pescoo do Hospital Universitrio da ULBRA.
4 Mestre em Distrbios da Comunicao. Universidade Tuiuti do Paran. Fonoaudiloga do Servio de Alta Complexidade em Sade Auditiva do Hospital Universitrio da ULBRA)
5 Fonoaudiloga (Fonoaudiloga do Servio de Alta Complexidade em Sade Auditiva do Hospital Universitrio da ULBRA)

Instituio: Universidade Luterana do Brasil (ULBRA).

Endereo para correspondncia: Adriane Ribeiro Teixeira - Rua Alberto Rangel, 315/911 - Parque Santa F - Porto Alegre / RS - CEP 91180-840 - Fax: (51) 3211-2058 - E-mail: adriteixeira@yahoo.com.br

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gesto de Publicaes) da R@IO em 6 de outubro de 2007. Cd. 336. Artigo aceito em 1 de fevereiro de 2008.
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