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Ano: 2008  Vol. 12   Num. 1  - Jan/Mar Print:
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Avaliao do Padro de Durao no Teste de Prteses Auditivas
Evaluation of the Pattern Duration in Hearing Aids Testing
Author(s):
Maria Ins Dornelles da Costa Ferreira 1, Fernanda Scheffer Frosi 2, Thiauna Fraga Leo 2
Palavras-chave:
perda auditiva, perda auditiva central, reabilitao, prtese auditiva, limiar auditivo
Resumo:

Introduo: Vrias pesquisas j foram realizadas na inteno de investigar o processo de adaptao de aparelhos auditivos. Atualmente, os estudos referentes ao processamento auditivo podem contribuir com tal processo. Objetivo: Avaliar o desempenho dos pacientes no teste do padro de durao durante a testagem de aparelhos auditivos analgicos e digitais. A coleta de dados foi realizada no perodo de janeiro a abril do ano de 2006. Casustica e Mtodo: Constitui-se num estudo experimental e prospectivo, de srie de casos em que 7 indivduos com perda auditiva foram avaliados durante a testagem de aparelhos auditivos atravs da aplicao do teste Duration Pattern Sequence. Resultados: A comparao do teste Duration Pattern Sequence com o aparelho analgico no foi significante para nenhuma das orelhas, essa mesma comparao com aparelho digital revelou significncia para orelha direita e correlao inversa para orelha esquerda. Concluso: O teste Duration Pattern Sequence foi estatisticamente significativo para orelha direita na tecnologia digital oferecendo informaes sobre o processamento temporal durante a testagem de aparelhos auditivos.

INTRODUO

Alguns testes de processamento auditivo podem ser utilizados durante a testagem de aparelhos auditivos na inteno de buscar informaes sobre a via auditiva central. No presente estudo, utilizou-se o Duration Pattern Sequence (DPS) (1).

Tal considerao poder favorecer a utilizao de aparelhos auditivos, pois , de conhecimento dos profissionais que muitos indivduos, ao adquirirem os mesmos, no referem adaptao satisfatria.

A deficincia auditiva a forma mais comum de desordem sensorial no homem, podendo ser causada por fatores ambientais, decorrentes, por exemplo, de traumas, infeces, ou por fatores genticos (2). Dessa forma, tem sido considerada uma doena incapacitante cujo tratamento mais utilizado o aparelho auditivo, que capta o som do ambiente, aumenta sua intensidade e o fornece amplificado ao usurio (2).

Em alguns casos, a seleo e a adaptao de aparelhos auditivos resulta muitas vezes, na rejeio do uso dos mesmos por no contemplarem as necessidades dos indivduos. Desse modo, a incluso de testes de processamento auditivo pode ser um recurso na seleo e adaptao de aparelhos auditivos.

A medida do ganho funcional e os testes de reconhecimento de fala so alguns dos procedimentos mais utilizados na verificao e validao do processo de adaptao de aparelhos auditivos. O primeiro a diferena em decibels entre os limiares auditivos com e sem o aparelho auditivo, nas mesmas condies de testagem. um mtodo subjetivo, que necessita da colaborao do paciente. Tal medida psicoacstica reflete o que o indivduo escuta, proporcionando uma descrio verdadeira do ganho efetivo do aparelho auditivo para o indivduo, alm de ser o nico mtodo possvel de ser aplicado na avaliao do desempenho de aparelhos auditivos por conduo ssea. J os testes de reconhecimento de fala so muito importantes tanto para avaliar o desempenho social do paciente em situaes cotidianas como para determinar de que maneira o aparelho auditivo permite ao paciente receber as informaes acsticas da fala (3).

Na inteno de complementar o processo de seleo, indicao e adaptao de aparelhos auditivos com o teste DPS, torna-se necessrio uma breve reviso sobre funo auditiva central.

A transmisso do estmulo do rgo de Corti para o crtex cerebral mais do que um simples encaminhamento de impulsos nervosos para a regio cortical. A discriminao fina de freqncia, o timbre, a intensidade e o volume dos sons so produtos de complexo processamento nas vrias estaes nucleares da via auditiva central.

O ncleo coclear influencia a tonotopia coclear, codificao e resoluo temporal (4) auxilia na seleo e modulao de freqncias e inicia o processo de audio binaural por meio de mecanismos de excitao-inibio da transmisso dos sons captados. O complexo olivar superior, tambm com estrutura tonotpica, representa a primeira etapa da via auditiva composta de aferncias provenientes dos dois ouvidos, exercendo um papel funcional na localizao da fonte sonora e na audio binaural. Suas leses alteram expressivamente a localizao dos sons (5).

Todas as fibras aferentes da via auditiva especfica chegam ao colculo inferior, que alm de importante centro de conexo da via auditiva, aferente e eferente, exerce uma funo primordial: a audio direcional.

O crtex auditivo o estgio final das vias auditivas ascendentes no lobo temporal, com organizao tonotpica e representao bilateral. Parece ser indispensvel para o reconhecimento de uma sucesso organizada de sons puros, de freqncias ou de duraes diferentes e para o reconhecimento de padres sonoros complexos (5).

A atuao funcional interativa do crtex permite pela recombinao de todas as informaes recebidas conferir mensagem sonora original, sua unidade e globalidade. A memorizao permite a verdadeira percepo, ou seja, o significado do movimento que produziu o som, a modificao comportamental pertinente e, alm disso, as suas implicaes lingsticas (5).

Existem vrios pontos em que as fibras ascendentes cruzam de um hemisfrio cerebral ao outro, isso ocorre a partir do complexo olivar superior, sendo que um tero da via auditiva ipsilateral e dois teros so contralaterais. Nesse contexto, a mensagem recebida por uma orelha direciona-se para o hemisfrio homolateral atravs das vias ipsilaterais e para o hemisfrio contralateral atravs das vias contralaterais. Assim, a informao auditiva verbal vinda da orelha direita cruza para hemisfrio esquerdo (responsvel pelas habilidades verbais) enquanto que a informao vinda da orelha esquerda cruza para o hemisfrio direito (responsvel pelas habilidades no verbais) e atravessa o corpo caloso para chegar ao hemisfrio esquerdo. Por isso, possvel afirmar que a informao auditiva vinda da orelha direita atinge o hemisfrio esquerdo mais rapidamente que a informao vinda da orelha esquerda.

Indivduos com comprometimento nas reas auditivas de um dos hemisfrios ou nas vias inter-hemisfricas tem dificuldade em descrever as seqncias apresentadas (6).

A American Speech-Language-Hearing Association definiu o distrbio do processamento auditivo para algumas pessoas como resultante de uma disfuno dos processos e mecanismos auditivos, e para outros como sendo decorrente de alguma disfuno mais geral que acaba afetando o desempenho das habilidades (7).

Um indivduo com distrbio do processamento auditivo pode apresentar dificuldade em compreender a fala em ambientes ruidosos, tempo de ateno curto, distrao, tempo de latncia aumentado, habilidade de fala, escrita e/ou leitura prejudicadas, entre outras.
A avaliao do processamento auditivo inclui vrios testes especiais que avaliam as habilidades de localizao, discriminao e de memria seqencial para sons verbais e no verbais.

A avaliao global do processamento auditivo geralmente engloba tarefas monoaurais de baixa redundncia (fala filtrada, fala no rudo, PSI e SSI), tarefas de padres temporais (DPS e PPS - pitch pattern sequence), tarefas de interao binaural (fuso binaural) e tarefas dicticas (DD - dictico de dgitos, SSW - staggered spondaic word).

Neste trabalho sero evidenciados o teste Dictico de Dgitos e o teste DPS.

Os testes de interao binaural so apropriados para avaliar a habilidade do Sistema Nervoso Auditivo em receber informaes em ambas as orelhas e unific-las em um evento perceptual, onde se acredita que esta unificao ocorra no tronco enceflico (6).

O teste dictico de dgitos na tarefa de integrao binaural, tem como objetivo avaliar a habilidade para agrupar componentes do sinal acstico em figura-fundo e identific-los. Alm disso, a tarefa de separao binaural possibilita avaliar a escuta direcionada para cada orelha separadamente (8).

O teste dictico de dgitos flexvel e de rpida aplicao, oferecendo especificao e sensibilidade para detectar disfunes corticais e subcorticais (9).

A interferncia binaural a condio na qual o desempenho binaural mais prejudicado do que o desempenho monoaural. A adaptao binaural poderia ser acompanhada de forma mais eficaz se as avaliaes auditivas centrais fossem includas como parte dos procedimentos de seleo e adaptao de aparelhos auditivos (6).

O teste DPS consiste na apresentao de trs combinaes diferentes de tons, onde cada combinao alternada ou no entre tom curto (C) e tom longo (L). Podendo ser feito com o paciente murmurando esses tons ou nomeando os mesmo por curtos e longos.

A capacidade de ordenao temporal de estmulos sonoros , sem dvida, uma das mais bsicas e importantes funes do sistema auditivo nervoso central. A avaliao das habilidades auditivas que envolvem a ordenao temporal realizada atravs de um procedimento comportamental que analisa funcionalmente o sistema auditivo central. Essa habilidade permite que o ouvinte faa discriminaes baseadas na ordenao ou seqenciao de estmulos auditivos.

A integrao temporal a percepo da relao entre intensidade e durao do estmulo e ordenao temporal (10). Tais habilidades so funes bsicas para a linguagem (11). A resoluo temporal a capacidade de compreender os eventos auditivos segundo o tempo de intervalo entre cada som (10). Assim, os processos temporais so claramente fundamentais no processo auditivo, sendo responsveis por marcar distines, ajudando a decifrar detalhes de prosdia (12).

Os estudos sobre resoluo temporal mostram que na infncia h um aumento da discriminao de intervalos, que se desenvolve entre 7 e 10 anos de idade, atuando na extrao e processamento de pistas temporais, na memria e no grau de ateno (10).

Os procedimentos de deteco de interrupes permitem afirmar que existem diferenas na resoluo temporal entre jovens e idosos em que os processos temporais complexos, podem ser afetados em diferentes graus, por danos em diversas reas, tanto na via perifrica, como na via central e em reas cognitivas no relacionadas exclusivamente com a audio (13).

Em determinado estudo, afirmou-se que com relao mdia de acertos encontrada nos testes de padro de durao e padro de freqncia em idosos, observa-se significativa diminuio de acertos quando comparados com indivduos jovens (11).

Costuma-se utilizar testes de identificao de padro de freqncia e durao, em indivduos com e sem comprometimento da capacidade de deteco de sons, a fim de avaliar o funcionamento do padro neural, para o processamento de sons no-verbais (14).

Dessa forma, este trabalho objetiva avaliar o desempenho de 7 indivduos no teste DPS durante a testagem de aparelhos auditivos analgicos e digitais.


CASUSTICA E MTODO

O presente estudo constitui-se num estudo de srie de casos, contemporneo, de carter experimental que investiga o desempenho dos pacientes no teste DPS, durante a testagem de aparelhos auditivos analgicos e digitais. O mesmo foi aprovado pelo Comit de tica em Pesquisa do Centro Universitrio Metodista - IPA sob o nmero 1538 em 06/01/2006.

Foram avaliados 7 indivduos adultos, sendo 4 do sexo feminino e 3 do sexo masculino, com idades entre 34 e 71 anos, todos com perda auditiva bilateral, variando do grau leve ao moderado, dos tipos neurossensorial e misto, com indicao mdica para adaptao de aparelho auditivo.

Os pacientes compareceram para a realizao dos exames conforme encaminhamento mdico otorrinolaringolgico. Todos os indivduos atendidos na clnica entre janeiro a abril de 2006 que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, apresentaram requisio para teste de aparelhos auditivos e possuam perda auditiva de grau leve a moderado se enquadraram nos critrios de incluso da presente pesquisa. Dessa forma, foram excludos todos os indivduos que no aceitaram participar da pesquisa e que possuam perda auditiva de grau severo e profundo.

Dos 18 indivduos atendidos na clnica com indicao mdica para teste de aparelho auditivo, 9 possuam perda auditiva de grau leve a moderado e 2 no aceitaram participar da pesquisa restando apenas 7 indivduos. Assim, esta pesquisa constitui-se num estudo de srie de casos na qual se observou a importncia de considerar os aspectos temporais no processo de seleo, indicao e adaptao de aparelhos auditivos.

Esses indivduos foram submetidos a anamnese, audiometria tonal liminar, audiometria vocal, medidas de imitncia acstica, seleo de aparelhos auditivos e testes especficos de processamento auditivo.

Foram utilizados audimetro Ac30 e imitancimetro AZ7, ambos da marca Interacoustics.

Essa pesquisa foi composta por trs momentos, sendo o primeiro encontro destinado realizao da anamnese, das avaliaes audiomtricas e imitanciomtricas.

No segundo encontro os indivduos foram submetidos pesquisa do nvel de desconforto, audiometria em campo livre, teste de reconhecimento de fala em campo livre com a utilizao do teste com palavras foneticamente balanceadas proposto por PEN MANGABEIRA (1973) e teste Dictico de Dgitos elaborado por MUSIEK em 1983, adaptado para o portugus por SANTOS e PEREIRA (1996) (15).

Para a realizao da audiometria em campo livre e ganho funcional os pacientes foram posicionados a uma distncia de 1 metro do alto-falante, a 0 azimute, e orientados a no movimentar a cabea, sinalizando toda vez que escutassem o estmulo sonoro, mesmo que fosse fraco. Foram ento obtidos os limiares de audibilidade para as freqncias de 500Hz at 4000Hz atravs da reduo gradativa da intensidade do estmulo sonoro de 10 em 10 dB, at que o paciente deixasse de responder, onde a intensidade era aumentada em 5 dB at que o paciente respondesse novamente.

Na realizao dos testes de processamento auditivo foram utilizados audimetro AC30 da marca interacoustics acoplado Disckmam da Marca Sonny. Para o teste dictico de dgitos utilizou-se o CD que acompanha o livro Processamento Auditivo Central, de Pereira e Schochat (1997), volume 2, faixa 3. E para o teste DPS faixa 9 (1).

O teste dictico de dgitos (15) foi realizado com fones e com 40dB acima da mdia tritonal (500Hz, 1000Hz e 2000Hz) de cada orelha do paciente, a fim de verificar a ocorrncia ou no de interferncia binaural.

No ltimo momento os indivduos experimentavam ento dois modelos de aparelhos auditivos, um de tecnologia analgica e outro de tecnologia digital regulados conforme as perdas auditivas. Aps a realizao do ganho funcional e teste de reconhecimento de fala com aparelho auditivo analgico e/ou digital, foi realizado o teste de processamento auditivo DPS, em campo, na condio murmurando, com cada uma das tecnologias. Objetivando a simplificao do protocolo, o nmero de seqncias de trios dos tons, do referido teste foi apresentado sem aparelho, com aparelho analgico e com aparelho digital apenas dez vezes para cada modalidade citada.

A partir do protocolo de pesquisa foi montado um banco de dados no programa SPSS verso 10.0, onde foram feitas todas as anlises estatsticas. O teste t para amostras emparelhadas foi utilizado para comparar o ganho auditivo com e sem aparelho auditivo. O teste de Friedman foi utilizado para comparar o DPS entre os grupos: sem aparelho, com aparelho analgico e com aparelho digital. O teste de Wilcoxon foi utilizado na comparao do teste com e sem aparelho auditivo. Utilizou-se a tabela de freqncia para a apresentao das variveis descritivas da amostra. O nvel de significncia utilizado foi de 5%.


RESULTADOS

Os sujeitos em estudo variaram entre 34 e 71 anos, sendo a mdia da amostra de 58,57 anos. Quanto ao gnero 4 indivduos so do sexo feminino (57,1%) e 3 do sexo masculino (42,9%). Quanto ao tipo de perda auditiva na orelha direita (OD) foram encontrados 2 indivduos com perda auditiva neurossensorial (28,6%) e 5 com perda auditiva mista (71,4%). Para a orelha esquerda (OE) foram encontrados 3 indivduos com perda auditiva neurossensorial (42,9%) e 4 com perda auditiva mista (57,1%). Quanto ao grau de perda auditiva para OD, 2 indivduos apresentaram perda auditiva de grau leve (28,6%), 4; perda auditiva de grau moderado (57,1%) e 1; perda auditiva de grau severo (14,3%). Para a OE, 3; indivduos apresentaram perda auditiva de grau leve (42,9%), 3; perda auditiva de grau moderado (42,9%) e 1; perda auditiva de grau profundo (14,3%).

Comparando a audiometria em campo livre com o ganho funcional realizado com aparelho auditivo analgico, houve significncia para OD (p=0,004) e significncia para OE (p=0,006). Esta mesma comparao com aparelho auditivo digital mostrou significncia para OD (p=0,023) e para OE (p=0,007) como mostram as Tabelas 1 e 2. Os testes de fala com disslabos no apontaram significncia para nenhuma das orelhas ao comparar o ndice de reconhecimento de fala sem aparelho auditivo com aparelho auditivo analgico e com aparelho auditivo digital, apontando como valor de "p" para OD 0,65 e para OE 0,99.





A comparao do teste DPS sem parelho auditivo e com aparelho auditivo analgico no foi significativa (valor "p" de 0,07 para OD e 0,06 para OE), a mesma comparao entre o teste DPS sem aparelho auditivo e com o aparelho auditivo digital revelou significncia de 0,04 para OD e correlao inversa para OE com valor de "p" 0,99 como mostram as Tabelas 3 e 4.






DISCUSSO

Neste estudo no houve diferenas significativas entre os gneros. A mdia da faixa etria da amostra foi de 58,57 anos, o que chama a ateno para as alteraes morfofisiolgicas do envelhecimento, como a perda auditiva que uma conseqncia do processo de envelhecimento. No possvel afirmar que a maioria dos sujeitos do estudo faa parte da populao idosa, mas est prximo a ela. Dessa maneira cabe ressaltar que a presbiacusia definida como a perda auditiva decorrente de mudanas relacionadas idade (16). Outro fator a ser considerado neste tpico o envelhecimento das vias auditivas centrais, bem como o declnio da capacidade cognitiva da amostra em questo. Estudos neuropatolgicos mostram que indivduos com declnio da capacidade cognitiva apresentam placas senis no neocrtex e emaranhados neurofibrilares nas regies dos lobos temporais mediais (17). Diante desse aspecto se faz interessante a determinao de critrios de normalidade para a populao idosa nos testes de processamento auditivo, devido ao processo de envelhecimento das vias auditivas centrais.

A maior ocorrncia da perda auditiva mista em ambas as orelhas sugere que um distrbio do processamento auditivo possa coexistir junto perda, ou ento, ser um acometimento anterior. amplamente conhecido o fato de que alteraes condutivas possam gerar alteraes de processamento auditivo, pois se a mensagem no compreendida na sua totalidade, acaba por ocasionar uma falha e comprometer o processo como um todo (18). Assim as disfunes centrais podem ocorrer por disfuno neuromorfolgica, atraso de maturao do sistema nervoso e distrbios, doenas ou leses neurolgicas e otolgicas (5). Para a OD o grau de perda auditiva prevalente foi moderado, totalizando 57,1% da amostra, e para OE tanto o grau leve como o grau moderado, totalizaram 42,9 % cada um. Em relao aos testes de fala atribui-se a no significncia ao pequeno nvel de dificuldade que estes oferecem ao contrrio dos testes de fala envolvendo monosslabos, sentenas com rudo ou mesmo palavras sem sentido.

Nas Tabelas 1 e 2 foi comparada a mdia da audiometria em campo livre com o ganho funcional dos aparelhos auditivos analgico e digital respectivamente, o que mostrou significncia para ambas tecnologias e orelhas, portanto, isso reafirma que o ganho funcional uma medida simples, subjetiva, tradicional e eficaz na verificao do desempenho de aparelhos auditivos. J a Tabela 3 mostra o desempenho dos pacientes no teste DPS sem aparelho em comparao com o mesmo teste com aparelho auditivo analgico, que foi quase significativo, sendo bem provvel que com uma amostra um pouco maior alcanaria significncia (valor "p" de 0,07 para OD e 0,06 para OE). Pode-se dizer tambm que se imagina que a tecnologia analgica tenha uma velocidade de processamento menor, sendo que para a amostra em questo o desempenho no teste DPS com o aparelho analgico melhorou sutilmente com relao mesma testagem sem aparelho.

A comparao entre o desempenho no teste DPS sem aparelho auditivo e com aparelho auditivo digital revelou um valor "p" de 0,04 de significncia para orelha direita em discrepncia ao valor "p" da orelha esquerda que foi de 0,99, passando longe do valor admitido como significativo, indicando correlao inversa. Do ponto de vista fisiolgico esperava-se um melhor desempenho da orelha direita devido rpida transmisso do estmulo pela via auditiva ipsilateral desta orelha at o hemisfrio direito. Supe-se, ento, que a orelha esquerda obteve desempenho pior com o aparelho digital pelo fato dos estmulos do teste serem conduzidos pela via contralateral desta orelha at o hemisfrio direito, podendo ser o cruzamento responsvel pela menor velocidade de processamento. Em situao dictica as vias ipsilaterais, mais fracas, so suprimidas enquanto as vias contralaterais, mais fortes, ou privilegiadas assumem a funo (6). Desse modo pode-se perceber que a tecnologia analgica mostra um processamento mais lento, gerando pouca melhora. J a tecnologia digital mostra um processamento mais rpido, gerando muita vantagem para a OD, o que poderia causar um desequilbrio em relao OE (significncia inversa). Esses fatos criam a reflexo de que o paciente poderia utilizar o aparelho analgico para ambas orelhas, com pouca melhora, mas mantendo um equilbrio entre as orelhas ou utilizar apenas o aparelho digital na OD, obtendo grande vantagem. Para responder tal questionamento deve-se afastar a hiptese de ocorrncia de interferncia binaural nos sujeitos pesquisados.

O teste dictico de dgitos foi utilizado antes da testagem dos aparelhos auditivos e do teste DPS para verificar a ocorrncia de interferncia binaural, que foi apresentada por apenas um paciente, onde se acredita que o fato no tenha influenciado a anlise.

Os processos temporais so claramente fundamentais no processamento auditivo, sendo responsveis por marcar distines, ajudando a decifrar detalhes de prosdia (12). A capacidade de ordenao temporal de estmulos sonoros uma das mais bsicas e importantes funes do sistema auditivo nervoso central. A avaliao das habilidades auditivas que envolvem a ordenao temporal realizada atravs de um procedimento comportamental que analisa funcionalmente o sistema auditivo central. Essa habilidade permite que o ouvinte faa discriminaes baseadas na ordenao ou seqenciao de estmulos auditivos (10). Para avaliar tal habilidade utiliza-se os testes de padro de freqncia (PPS) e padro de durao (DPS). Dessa forma optou-se por utilizar o teste DPS por ser eficaz ao avaliar as habilidades de seqenciao temporal, que envolvem o conceito de durao; curto e longo. J o teste PPS apresenta maior facilidade ao paciente, pois a distino de freqncia est presente desde a cclea.

Em relao s tecnologias, a ordenao temporal apresentou pouca melhora com o aparelho analgico em ambas as orelhas, sendo questionvel o fato de ter apresentado muita melhora para OD e pouca para OE com o aparelho digital.

Outro aspecto que merece reflexo a maior incidncia da perda auditiva mista. Assim, os aspectos temporais poderiam ser percebidos melhor, pelos indivduos, na tecnologia analgica. No entanto, cabe avaliar se o teste DPS o mais adequado para oferecer informaes sobre o funcionamento da via auditiva central no paciente usurio de aparelho auditivo.

Por meio da anlise dos resultados obtidos neste estudo, sugere-se a continuao de pesquisas relacionando o processamento auditivo com a seleo, verificao e adaptao de aparelhos auditivos.


CONCLUSO

Com base na anlise dos resultados nota-se que a utilizao do ganho funcional foi estatisticamente significativa para ambas s tecnologias, o que demonstra sua grande eficcia.

O presente estudo trouxe contribuies na medida em que o teste DPS foi estatisticamente significativo apenas para orelha direita na tecnologia digital, oferecendo informaes sobre o processamento temporal na testagem de aparelhos auditivos. Porm, foram estudados apenas 7 indivduos. Assim, um estudo com uma amostra maior seria de vital importncia para confirmar as concluses do presente trabalho. Tambm torna-se necessria a realizao de mais pesquisas sobre testes de processamento temporal que possam ser includos no protocolo de verificao de aparelhos auditivos, merecendo ento que este estudo tenha continuidade.


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1 Doutorado. Professora do Curso de Fonoaudiologia do Centro Universitrio Metodista - IPA.
2 Graduao. Fonoaudiloga.

Instituio: Centro Universitrio Metodista - IPA.

Endereo para correspondncia: Maria Ins Dornelles da Costa Ferreira - Rua Luiz Afonso, 158 - Apto 702 - Cidade Baixa - Porto Alegre / RS - CEP: 90050-310 - Telefone: (51) 3226-5425 ou (51) 9823-0198 - E-mail: costa.ferreira@terra.com.br

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gesto de Publicaes) da R@IO em 21 de janeiro de 2008. Cod. 406. Artigo aceito em 21 de fevereiro de 2008.
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