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Ano: 2008  Vol. 12   Num. 1  - Jan/Mar Print:
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Prevalncia dos Principais Sintomas ORL numa Populao Geritrica Ambulatorial
The Prevalence of the Major ENT Symptoms in an Ambulatorial Geriatric Population
Author(s):
Sandra Maria Corra Lunedo 1, Scheila Maria Gambeta Sass 2, Ariana Braga Gomes 2, Karina Kanashiro 3, Lilian Bortolon 4
Palavras-chave:
geriatria, gerontologia, otorrinolaringologia
Resumo:

Introduo: O aumento da expectativa de vida da populao e o declnio das taxas de nascimento vm acarretando mudanas na prtica mdica. O segmento de idosos da populao o que mais cresce e continuar assim por dcadas. Objetivo: O objetivo deste estudo foi relatar as principais queixas e as patologias prevalentes nos pacientes maiores de 60 anos encaminhados ao ambulatrio de otorrinolaringologia. Casustica e Mtodo: Foram revisados os pronturios de pacientes com idade igual ou superior a 60 anos atendidos como consulta inicial no ambulatrio de otorrinolaringologia de um hospital universitrio no perodo de 22 de janeiro a 20 de abril de 2007. Os. Os casos foram analisados segundo sexo, idade, queixa principal e queixas otorrinolaringolgicas associadas. Resultados: 2.048 pacientes foram atendidos como consulta inicial neste perodo. Destes, 17,52% tinham 60 anos ou mais. A prevalncia de sintomas encontrados foi: disacusia (36%), zumbido (14%), outras queixas otolgicas (10%), queixas nasais (10%) e queixas faringoestomatolgicas (8%). 52% eram mulheres e 48% homens. Concluso: A gerontologia desenvolve-se cada vez mais como um brao forte da medicina. importante que o otorrinolaringologista se familiarize com as terminologias, conceitos e envelhecimento da populao para estar preparado para receber suas principais queixas, melhorando assim sua qualidade de vida.

INTRODUO

A expectativa de vida dos pacientes geritricos apresentou um importante aumento nas ltimas dcadas. Estima-se que a populao de idosos dever duplicar at o ano de 2050, alcanando 15% do total da populao brasileira. Com este aumento, a prtica mdica dever se adaptar ao novo contingente (1).

O paciente geritrico apresenta 3,5 vezes mais problemas de sade quando comparado quele com menos de 65 anos. Ainda, quatro entre cinco pacientes com mais de 65 anos referem pelo menos uma condio crnica, sendo que muitos deles apresentam mais de uma condio associada. Estes pacientes usam com freqncia mltiplas medicaes e esto mais susceptveis aos seus efeitos adversos (2,3).
Os problemas de sade do idoso levam dependncia e depresso que, somados a problemas otorrinolaringolgicos, pioram a interao social do paciente geritrico (2,4).

Um dos principais objetivos do cuidado a estes pacientes a manuteno da independncia social, da mobilidade e das habilidades cognitivas (5). Os graus variveis de dependncia exigem a identificao individualizada de suas necessidades. Assim, importante avaliar no apenas o tratamento mdico dos pacientes geritricos, mas tambm os efeitos scio-econmicos da mudana demogrfica apresentada (1,6).
O objetivo deste estudo foi descrever a prevalncia da populao geritrica e suas principais queixas em um ambulatrio de otorrinolaringologia.


CASUSTICA E MTODO

Foram revisados os pronturios de pacientes com idade igual ou superior a 60 anos atendidos como consulta inicial no ambulatrio de otorrinolaringologia e um hospital universitrio no perodo de 22 de janeiro a 20 de abril de 2007. Os casos foram analisados segundo sexo, idade, queixa principal e queixas otorrinolaringolgicas associadas.

Do grupo selecionado, foi considerado relevante para o estudo o sexo, idade, queixa principal e queixas otorrinolaringolgicas associadas conforme anamnese dirigida. Primeiramente, o nmero total de pacientes atendidos no perodo foi comparado com o do grupo em estudo. A partir deste subgrupo, foi analisada a prevalncia de pacientes com relao ao sexo. Em seguida, foram identificadas as principais queixas e correlacionadas com aqueles que obtiveram queixas associadas. Os dados foram coletados e transpostos em tabelas para comparao dos resultados.


RESULTADOS

Durante o perodo de estudo, 2.048 pacientes foram atendidos no ambulatrio do servio de otorrinolaringologia de um hospital universitrio como consulta inicial, sendo 17,52% (n=359) pacientes com 60 anos ou mais. Dos 359 pronturios de idosos, apenas 221 foram analisados, os demais foram excludos por falta de dados da anamnese que comprometesse o estudo.

A idade dos pacientes geritricos variou entre 60 e 92 anos, com uma mdia de 69,83 anos (Grfico 1). Houve um predomnio pequeno de 189 pacientes do sexo feminino (52,49%), com uma mdia de idade menor (68,70 anos) que os 170 pacientes do sexo masculino (71,07 anos).



Considerando a totalidade do grupo (Grfico 2), a prevalncia de sintomas encontrados foi: disacusia 36% (IC 29%-42%); zumbido 14% (IC 9%-18%); demais queixas otolgicas (otalgia, cerume, prurido conduto auditivo externo, otorria, otite, plenitude aural, ferida no ouvido) 10% (IC 6%-14%); queixas nasais (obstruo nasal, rinorria, rinite, rinossinusite, epistaxe, dor no nariz) 10% (IC 6%-13%); queixas faringoestomatolgicas (amigdalites, pigarro, odinofagia, disfagia, tosse, globo farngeo, glossodnia, halitose) 8% (IC 5%-12%); vertigem 6% (IC 3%-10%); distrbios vocais (disfonia, cisto nas pregas vocais, laringite) 7% (IC 4%-11%). As demais queixas relatadas somaram 10%. Em 130 casos (36,20%), outras patologias associadas foram relatadas. (IC 95%)



Analisando separadamente as queixas principais de acordo com o sexo dos pacientes (Grfico 3), houve diferenas com relao totalidade do grupo. As principais queixas das pacientes do sexo feminino foram: disacusia 36,2% (IC 27%-45%); zumbido 15,5% (IC 9%-22%); demais queixas otolgicas 12,1 (IC 6%-18%); queixas nasais 8,6% (IC 4%-14%); vertigem 6% (IC 2%-10%); e queixas faringoestomatolgicas 5,2% (IC 1%-9%). As demais queixas com menor representatividade somaram 22,5%. (IC 95%)



Com relao s principais queixas do sexo masculino: disacusia 35,2% (IC 26%-44%); zumbido e queixas faringoestomatolgicas ambas com 11,4% (IC 5%-18%); queixas nasais 10,5% (IC 5%-16%); demais queixas otolgicas 8,6% (IC 3%-14%); distrbios vocais 7,6% (IC 3%-13%); e as demais queixas somadas que representaram 15,4%. (IC 95%)

As afeces otoneurolgicas e otolgicas corresponderam maioria das comorbidades com 66%, diretamente correlacionadas com a prevalncia das queixas principais.

J as afeces laringolgicas foi a segunda queixa mais representativa, equiparando-se com as queixas rinolgicas, que representaram 15% e 10%, respectivamente. (IC 95%)


DISCUSSO

No Brasil, assim como em outros pases, h um aumento no nmero de idosos. Com o crescimento deste segmento da populao h um impacto tanto na sociedade quanto na medicina. Os pacientes geritricos so os que mais utilizam o servio mdico, proporcionalmente. Dados da literatura afirmam que uma populao com 12% de idosos usa de 33% do tempo mdico (6). No estudo realizado, o nmero de consultas de pacientes geritricos correspondeu a 17,53% do total de pacientes ambulatoriais no tempo estudado.

Inmeros fatores socioeconmicos devem ser considerados no cuidado deste tipo de paciente, pois com o envelhecimento h maior nmero de comorbidades, utilizando com mais freqncia os sistemas de sade e seus recursos financeiros. Os dados da literatura apontam como queixas mais freqentes entre os idosos a perda auditiva, disfagia, distrbios do equilbrio, queixas nasais, distrbios vocais, cncer da cabea e pescoo e queixas estticas (3). As queixas em ordem decrescente de prevalncia foram: disacusia, zumbido, demais queixas otolgicas, queixas nasais e queixas faringoestomatolgicas.

A presbiacusia uma das alteraes mais comuns relacionadas ao envelhecimento (2). Na anlise realizada, 36% dos pacientes idosos queixavam-se de problemas com a audio, compatvel com afirmativas internacionais de que 30% da populao apresentam perda auditiva que afeta sua capacidade de comunicao. A perda auditiva relacionada ao envelhecimento afeta a qualidade de vida naquelas pessoas que no tem acesso ao tratamento e conseqentemente tornam-se isoladas.

Problemas otoneurolgicos so os principais motivos que levam o idoso a uma consulta otorrinolaringolgica. O nmero de quedas entre idosos cresce geometricamente com a idade e uma importante causa de morbidade, assim como o zumbido (4,5). Dados da literatura afirmam que 20% da populao acima de 50 anos apresenta zumbido. O estudo realizado revelou que, do total de pacientes estudados, 6% apresentava como principal queixa vertigem e 14%, zumbido. No entanto, se investigada melhor a queixa de disacusia, seria esperado encontrar um aumento do total de queixas otoneurolgicas quando somados ao grupo de pacientes com vertigem e zumbido.

A disfagia tambm outro problema comum dos idosos (6). H inmeras causas possveis, porm no se pode descartar a hiptese de neoplasia. 5% dos idosos atendidos no estudo queixavam-se de disfagia.

Obstruo nasal, rinorria, epistaxe e distrbios da olfao so queixas freqentes, correspondendo a 10% das queixas. Distrbios da fisiologia nasal podem levar a estas queixas, bem como presena de neoplasias ou uso de medicamentos, muito comum neste grupo de pacientes (6).

Distrbios da voz so observados em 12% dos idosos, segundo dados da literatura e em 7% dos dados deste estudo. H inmeras transformaes relacionadas ao envelhecimento que ocorrem nas cordas vocais e que podem ser responsveis pelos sintomas do paciente, alm de distrbios neurolgicos que podem causar alteraes da funo vocal (2).

Cncer de cabea e pescoo encontrado com freqncia na populao idosa e deve ser excludo em cada paciente com uma das queixas citadas acima.

O aumento da sobrevida da populao tambm est acompanhado a um perodo maior de vida saudvel e ativa em comparao com dcadas passadas, assim como o aumento de queixas estticas (1). Os idosos se importam mais com a aparncia e sero cada vez mais responsveis pelo aumento de procedimentos estticos. Do total, apenas 2% tinham como queixa principal a queixa esttica. Se observarmos estes dados apenas no grupo feminino, a porcentagem sobe para 2,6%, confirmando que as mulheres so, sem dvida, mais preocupadas com a aparncia que os homens.


CONCLUSO

Este estudo conclui que as queixas mais freqentes na populao estudada so de origem otolgica (66%), no havendo diferena significativa entre o grupo masculino e feminino.

A comorbidade, avaliada nas queixas secundrias, torna as alteraes otolgicas ainda mais relevantes.

importante estar familiarizado com os dados epidemiolgicos visando propiciar maior eficcia nos tratamentos deste grupo de pacientes que vem aumentando de forma considervel.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. Shapiro DP. Geriatric demographics and the practice of otolaryngology. Ear Nose Throat J. 1999 Jun;78(6):418-21.

2. Bora H, Bandyopadhyay SN, Basu SK, Majhi PK. Geriatric problems in otolaryngology. J Indian Med Assoc. 2004 Jul;102(7):366, 368, 370.

3. Onzotto G, Koffi-Aka V, Yotio A, Ehouo F, Adjoua B, Bamba M. Oto-rhino-laryngology and geriatrics in the Ivory Coast. Rev Laryngol Otol Rhinol (Bord). 2002;123(2):119-23.

4. Lawson J, Fitzgerald J, Birchall J, Aldren CP, Kenny RA. Diagnosis of geriatric patients with severe dizziness. J Am Geriatr Soc. 1999 Jan;47(1):12-7.

5. Weindruch R, Korper SP, Hadley E. The prevalence of dysequilibrium and related disorders in older persons. Ear Nose Throat J. 1989 Dec;68(12):925-9.

6. Clarke LK. Geriatric otorhinolaryngology: embracing the challenge. ORL Head Neck Nurs. 2002 Spring;20(2):6.











1 Mdica Otorrinolaringologista. Mdica Preceptora do Servio de Residncia de Otorrinolaringologia da Santa Casa de Misericrdia de Curitiba.
2 Mdica residente do servio de Otorrinolaringologia da Santa Casa de Misericrdia de Curitiba (Mdica residente do servio de Otorrinolaringologia da Santa Casa de Misericrdia de Curitiba.
3 Acadmica.
4 Mdica.

Instituio: Santa Casa de Misericrdia de Curitiba.

Endereo para correspondncia: Scheila Maria Gambeta Sass - Rua Dr Pedrosa 264 - Apto. 302 A - Centro - Curitiba / PR - CEP: 80420-120 - Celular: (41)
9162-9939 - Fax: (42) 3232-2735 - E-mail: scheilasass@yahoo.com.br

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gesto de Publicaes) da R@IO em 17 de fevereiro de 2008. Cod. 417. Artigo aceito em 5 de maro de 2008.
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