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Ano: 2008  Vol. 12   Num. 2  - Abr/Jun Print:
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Aspectos Clnicos e Histopatolgicos de Tumores de Palato Mole
Clinical and Histopathological Aspects of Soft Palate Tumors
Author(s):
Arthur Jorge Padilha de Brito1, Antnio Srgio Fava2, Mark Makowiecky3, Andr Luis Sartini4, Gustavo Pereira da Costa5, Jos Raphael de Moura Campos Montoro6
Palavras-chave:
palato mole, tumor, papiloma, carcinoma espinocelular
Resumo:

Introduo: Os tumores do palato mole podem ser classificados de acordo com seu comportamento em benignos e malignos. Os tumores benignos mais freqentes so os papilomas, os tumores mistos (adenoma pleomrfico) e os schwannomas. Entre os tumores malignos, 95% so carcinomas espinocelulares e os outros 5% agrupam os tumores de glndulas salivares menores, linfomas, melanomas e outras entidades raras. Objetivo: O objetivo deste trabalho foi avaliar a ocorrncia de tumores malignos e benignos de palato mole, bem como os tipos de tumores mais freqentes em cada um destes dois grupos e relacion-los com a faixa etria, sexo e aspecto macroscpico das leses. Mtodo: Foi realizada uma anlise retrospectiva entre os anos de 1995 e 2005 dos pacientes atendidos no ambulatrio de Cirurgia de Cabea e Pescoo da Instituio. Resultados: Dos 43 pacientes, 10 apresentaram tumores malignos (23%) e 33 pacientes tumores benignos (77%). Dentre todos os tipos de tumores, 26 eram papilomas (60,5%); 9 eram carcinomas espinocelulares (21%); 4 eram hemangiomas (9,3%); 2 eram adenomas pleomrficos (4,6%); 1 era adenocarcinoma (2,3%) e 1 era lipoma (2,3%). Concluso: Observou-se um predomnio de neoplasias de origem epitelial, tanto nos tumores benignos quanto nos malignos, o que devido maior proporo de tecido epitelial em relao aos demais no palato mole.

INTRODUO

Os tumores do palato mole podem ser classificados de acordo com seu comportamento em benignos e malignos.

Os tumores benignos so extremamente raros se comparados aos malignos, sendo mais freqentes os papilomas, os tumores mistos (adenoma pleomrfico) e os schwannomas. Embora raro, sua variedade grande devido aos vrios tecidos que envolvem a regio: tecido epitelial (papilomas), tecido conjuntivo (fibromas e lipomas), tecido nervoso (schwannomas e neurofibromas) e tecido vascular (hemangiomas e linfangiomas) (1).

Os papilomas so neoplasias benignas relativamente comuns na orofaringe, sendo o palato mole o local mais freqente, apresentando-se comumente como uma vegetao. Existe uma forte evidncia de relao entre HPV e carcinoma espinocelular, sendo o mais importante o subtipo HPV 16 (2).

Lipomas so mais freqentemente localizados na parede posterior e lateral da orofaringe. Tm origem no tecido adiposo e esto envolvidos por uma cpsula, podendo ser submucosos (1).

O hemangioma um tumor raro na orofaringe, sendo o palato o substio menos comum. O aspecto histolgico pode variar de papilar ao cavernoso (1).

Dos tumores malignos, 95% so carcinoma espinocelular (CEC) e os outros 5% agrupam os tumores de glndulas salivares menores (Carcinoma adenide cstico, carcinoma mucoepidermide e adenocarcinoma), os linfomas, melanomas e outras entidades raras (3,4).

Os tumores de glndulas salivares menores apresentam-se como uma massa submucosa, de superfcie lisa e, quando pequenos, so assintomticos, podendo evoluir com pequena rea ulcerada por trauma. Em mdia, 50% a 70% dos tumores so malignos. A incidncia ligeiramente maior em mulheres e ocorre com idade mdia de 50 anos (5).

J o CEC de palato mole pode, macroscopicamente, apresentar-se como ulcerados superficiais, exofticos, ulcerovegetantes ou ulceroinfiltrativos. Em decorrncia de poucos casos de tumores primrios de palato mole e ausncia de barreiras anatmicas que impeam a extenso do tumor dentro da orofaringe, alguns autores correlacionam os substios, alm de outras localizaes como: cavidade oral, laringe e palato duro (6). Existem poucos estudos voltados exclusivamente para palato mole. Acomete mais os homens do que as mulheres (3:1), na idade dos 55-70 anos; est relacionado com o consumo de tabaco e lcool e os principais sintomas so dor local e odinofagia. No momento do diagnstico a maior parte T2 ou T3 e 50% tem invaso alm do palato mole no diagnstico (7).

O objetivo deste trabalho foi avaliar a ocorrncia de tumores malignos e benignos de palato mole, bem como os tipos de tumores mais freqentes em cada um destes dois grupos e relacion-los com a faixa etria, sexo e aspecto macroscpico das leses.


MTODO

Foi realizada uma anlise retrospectiva entre os anos de 1995 e 2005 dos pacientes atendidos no ambulatrio de Cirurgia de Cabea e Pescoo da Instituio. Para esta anlise utilizaram os pronturios dos pacientes junto ao Servio de Arquivo Mdico e Estatstica.

Foram includos pacientes com tumor exclusivamente em palato mole (43 pacientes) de acordo com a descrio do exame fsico no momento do primeiro atendimento e o tipo de tumor foi classificado de acordo com o laudo antomo-patolgico emitido pelo Servio de Anatomia Patolgica desta Instituio.


RESULTADOS

Dos 43 pacientes, 10 pacientes apresentaram tumores malignos (23%) e 33 pacientes tumores benignos (77%) (Grfico 1). Dentre todos os tipos de tumores, 26 eram papilomas (60,5%); 9 eram CEC (21%); 4 eram hemangioma (9,3%); 2 eram adenoma pleomrfico (4,6%); 1 era adenocarcinoma (2,3%) e 1 era lipoma (2,3%) (Tabela 1). Dos 43 tumores, 35 (81,4%) eram de linhagem epitelial (papiloma e o CEC). Dos nove pacientes portadores de CEC, um teve diagnstico de carcinoma verrucoso.


Grfico 1. Tumores Benignos X Malignos.




Foi observada uma maior freqncia de tumores de palato mole na faixa etria de 41 a 60 anos, que concentrou 67% dos casos (sendo predominante nesta faixa etria os tumores benignos, principalmente o papiloma), seguida pela faixa etria de 61-80 anos, na qual foram includos 26% dos casos (havendo distribuio praticamente igual entre benignos e malignos) (Tabela 2). Nos tumores malignos houve um predomnio do CEC entre 61 a 80 anos e o caso de adenocarcinoma tinha 59 anos.




Em relao ao sexo, no geral, houve uma discreta predominncia do sexo masculino (53%), contra 47% para o sexo feminino. Nos casos malignos, houve predominncia para o sexo masculino nos casos de CEC (7 casos do sexo masculino e dois do sexo feminino) e o nico caso de adenocarcinoma foi no sexo feminino. Os casos benignos se distriburam com 20 no sexo feminino e 13 no sexo masculino.

Ao exame clnico, os pacientes portadores de CEC, apresentavam-se com leso ulceroinfiltrativa em 4 casos, ulcerovegetante tambm em 4 casos e aspecto verrucoso em apenas 1 caso.

O paciente portador de adenocarcinoma pleomrfico apresentava abaulamento sem ulcerao. O aspecto da leso dos adenomas pleomrficos (2 casos) tinha caractersticas semelhantes ao do adenocarcinoma.

Os pacientes, que apresentaram diagnstico de hemangioma tinham leses de colorao roxo-azulada com limites pouco precisos.

O papiloma presente em 26 (60,5%) pacientes da amostra apresentavam leses verrucosas, com colorao variando de branco a branco-acinzentado.


DISCUSSO

Os tumores de palato mole so neoplasias raras e existem poucos estudos sobre estes tumores exclusivamente no palato mole; geralmente estes tumores so includos nos estudos de outros substios da orofaringe.

Quando exclusivamente de palato mole apresentam pequenas casusticas. Neste estudo foram enfocados apenas os tumores de palato mole. Portanto, talvez seja este o motivo de uma casustica restrita.

Nesta amostra, os tumores benignos foram mais prevalentes que os malignos, contrariando os dados da literatura. Uma possvel justificativa para este fato que, em nossa instituio, os servios de otorrinolaringologia e cirurgia de cabea e pescoo funcionam conjuntamente, aumentando assim a prevalncia de leses benignas, como ocorre com o papiloma, presente em 26 dos 43 casos Os tumores benignos apresentaram vrios tipos histolgicos: papiloma, hemangioma, adenoma e lipoma, sendo o mais comum o papiloma (78.8%), concordando com o que j foi escrito por NORONHA e cols, 2003 (1).

Dentre os tumores malignos, apesar de ter sido encontrado apenas dois tipos histolgicos diferentes, houve um predomnio do carcinoma espinocelular (CEC) (90%) em relao ao adenocarcinoma, conforme ao que est descrito na literatura (2). O CEC acometeu mais o sexo masculino (3,5:1), na faixa etrio dos 61 a 80 anos. Pacientes com carcinoma epidermide de palato mole freqentemente tem histria de uso excessivo de tabaco e lcool. Esses fatores atuam de forma sinrgica na carcinognese. O risco esperado normliza-se aps 10 anos de abandono do hbito. O etilismo tambm tem relao com a dose de ingesto, dependendo do tipo de bebida; os destilados representam risco 4,4 vezes maior que os na destilados. O efeito sinrgico dessas substncias na carcinognese bem conhecido e explica a alta taxa de segundo tumor primrio (3).

Em relao aos tumores de glndulas salivares, houve dois casos, um maligno (adenocarcinoma) e outro benigno (adenoma pleomrfico), que apesar da pequena casustica, mostrou 50% de malignidade igual ao que foi descrito por BATSAKIS em 1999 (5). O adenocarcinoma, que o segundo tumor maligno mais comum em orofaringe, s teve um caso que foi numa mulher. fundamental o diagnstico histolgico de leses com caractersticas de abaulamento em palato mole devido a semelhana macrospica entre as leses benignas e malignas.


CONCLUSO

Observou-se um predomnio de neoplasias de origem epitelial, tanto nos tumores benignos quanto nos malignos, o que devido grande quantidade de tecido epitelial em relao aos demais no palato mole.

O aspecto macroscpico das leses fundamental para a suspeio diagnstica e determinao da provvel histopatologia da tumorao, permitindo uma propedutica e teraputica mais adequadas para cada caso.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. Noronha MJR, Norona LHR. Tumores de orofaringe, in Tratado de Otorrinolaringologia. So Paulo: Editora Roca; 2003.

2. Puscas L. The role of human papilloma virus infection in the etiology of oropharyngeal carcinoma. Current Opinion in Otolaryngology & Head and Neck Surgery. 2005, 13(4):212-216.

3. Kanda JL. Epidemiologia, Diagnstico, Patologia e Estadiamento dos Tumores de Faringe. In: Tratado de Cirurgia de Cabea e Pescoo e Otorrinolaringologia. So Paulo: Editora Atheneu; 2001.

4. Robbins SL. Head and Neck. In: Pathologic Basis of Disease. Philadelfia: W. B. Saunders; 1994.

5. Batsakis JG. Pathology of Pharyngeal Tumors. In: Comprehensive Management of Head and Neck Tumors. W. B. Saunders; 1999.

6. Sundaram K, Lucent F. Carcinoma of the Oropharynx : Factors Afecting Outcomes. Triological Society Papers: Candidate's Thesis; 2005.

7. Spiro RH. Salivary neoplasm: Overview of a 35 years experience with 2,804 patients. Head Neck Surg. 1986, 8:177.

8. Blot WJ, Winn DM. Smoking and drinking in relation to oral and pharyngeal cancer. Cancer Res. 1988, 48:3282-3287.











1. Especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabea e Pescoo.
2. Doutor em Clnica Cirrgica pela Faculdade de Medicina da Universidade de So Paulo. Encarregado da Cirurgia de Cabea e Pescoo do Servio de Otorrinolaringologia do Hospital do Servidor Pblico Estadual de So Paulo.
3. Mdico. Residente (R3) de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabea e Pescoo do Hospital do Servidor Pblico Estadual (HSPE) - SP.
4. Mestre. Mdico Assistente da Cirurgia de Cabea e Pescoo do Servio de Otorrinolaringologia do Hospital do Servidor Pblico Estadual de So Paulo.
5. Especialista em Otorrinolaringologia.
6. Ps-graduando. Nvel Mestrado da FMRP-USP. Mdico Assistente da Cirurgia de Cabea e Pescoo do Servio de Otorrinolaringologia do Hospital do Servidor Pblico Estadual de So Paulo.

Instituio: Hospital do Servidor Pblico Estadual de So Paulo - HSPE. So Paulo / SP - Brasil.

Endereo para correspondncia:
Arthur Jorge Padilha de Brito
Rua Beijamin Freire de Amorim, 1960, Apto. 18 - Conjunto Alameda
Brasiliana - Arapiraca / AL - CEP: 57310-540
Fax: (82) 3521-9810 / 3521-9845 - E-mail: padilhadebrito@yahoo.com.br

Artigo recebido em 11 de novembro de 2007.
Artigo aceito em 10 de junho de 2008.
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