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Ano: 2008  Vol. 12   Num. 2  - Abr/Jun Print:
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Perfil de Pacientes Submetidos Adenoidectomia, Amigdalectomia e Adenoamigdalectomia pela Disciplina de Otorrinolaringologia da UNISA
Profile of Patients Submitted to Adenoidectomy, Tonsillectomy and Adenoidectomy with Tonsillectomy in the UNISA
Author(s):
Roberto Gaia Coelho Jnior1, Fabiano Haddad Brando2, Maria Rosa Machado de Sousa Carvalho3, Jos Evandro Prudente de Aquino4, Salomo Honrio Pereira1, Bruno Eiras5
Palavras-chave:
adenides, adenoidectomia, amgdala farngea, tonsila palatina, amgdala palatina, tonsilectomia
Resumo:

Introduo: Apesar da evoluo na preveno e tratamento medicamentoso das infeces das tonsilas farngeas e palatinas, em algumas situaes o tratamento operatrio est indicado e pode estar sujeito a algumas intercorrncias ou complicaes. Objetivo: O estudo visou anlise do perfil dos pacientes submetidos a tratamento operatrio das adenides e amgdalas, atendidos na Disciplina de Otorrinolaringologia UNISA no perodo de janeiro/2002 a janeiro/2003 e janeiro/2006 Agosto/2006. Mtodo: Foi realizado um estudo retrospectivo dos pronturios onde foram investigados: idade, sexo, indicao operatria, tipo e durao do tratamento operatrio e complicaes ps-operatrias. Resultado: Os dados levantados mostraram que houve uma maior freqncia no sexo masculino (54,66%) sobre o sexo feminino (45,33%). As principais indicaes operatrias foram para os casos de respirador oral (70,93%), otites mdia secretora (16,8%) e amigdalite de repetio ou abscesso periamigdaliano (8,0%). Predominou a faixa etria de 6 a 10 anos (41,86%), seguida da idade de 1 a 5 anos (40,53%). A operao de adenoamigdalectomia foi realizada em 75,73% dos casos, sendo a adenoidectomia em 17,86% e a amigdalectomia em 6,4%. A ocorrncia de sangramento foi a nica complicao ps-operatria referida em 0,8% do total de casos analisados. Concluso: A anlise dos resultados permitiu concluir que os dados encontrados condizem com literatura pertinente exceto pela faixa etria dos pacientes de 1 a 5 anos que se mostrou elevada comparada a encontrada na literatura, provavelmente pelas condies sociais da populao atendida.

INTRODUO

Anteriormente ao incio da era da antibioticoterapia um considervel nmero de adenides (tonsilas farngeas) e amgdalas (tonsilas palatinas), principalmente em crianas, eram cirurgicamente retiradas com o intuito de controlar as infeces de repetio. Atualmente a maioria dos quadros de infeces repetidas pode ser controlada com medicamentos, mas existem ainda circunstncias em que h a necessidade de tratamento operatrio.

As indicaes para o tratamento operatrio esto: a amigdalite de repetio, caracterizada por crianas com cinco a sete episdios de infeces por ano, em pelo menos dois anos consecutivos (1), os abscesso periamigdaliano (2), a halitose por acmulo de case os, um fator social de indicao operatria, amgdalas volumosas ou hipertrficas, a apnia do sono (3) e a otite mdia quase sempre secundria a uma infeco das vias aero-digestivas superiores (nariz ou faringe) (4).

A adenoidectomia, amigdalectomia ou a adenoamigdalectomia so procedimentos praticados desde a antiguidade e constantemente vem sofrendo alteraes a fim de diminuir suas complicaes, sendo o sangramento a mais comum delas (5).

H relatos de Paulo de Aegina (625-690aC) em seu Eptome de Medicina (sete livros) sobre a amigdalectomia (6 7).

Constantemente as tcnicas operatrias e os instrumentais cirrgicos vm sofrendo modificaes a fim de diminuir as complicaes (retirada incompleta das tonsilas, dor ps-operatria, nuseas e vmitos, dificuldades de respirao e deglutio). Atualmente o sangramentotido como a complicao mais comum, que exige revises psoperatrias (5, 7, 8).

O objetivo deste trabalho foi de estudar o perfil dos pacientes atendidos pela Disciplina de Otorrinolaringologia da UNISA e comparar os resultados com dados com a literatura pertinente.


MTODO

Estudo previamente cadastrado no SISNEP e posteriormente aprovado pelo Comit de tica e Pesquisa da Universidade de Santo Amaro sob o protocolo nmero 183/7.

Foram analisados, retrospectivamente, os pronturios dos pacientes submetidos a tratamento cirrgico na Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (UNISA), na regio Sul do Municpio de So Paulo, no perodo de janeiro de 2002 a fevereiro de 2003 e de janeiro de 2006 a agosto de 2006.

Os dados foram coletados em protocolo padronizado e transcritos para o programa de computador Epi-Info 6.0 para complementao da anlise estatstica.

Foram consultados todos os pronturios de pacientes atendidos consecutivamente no perodo selecionado, tendo como critrio de incluso todo e qualquer paciente submetido a uma das seguintes intervenes operatrias: adenoidectomia, amigdalectomia ou adenoamigdalectomia.

Foram excludos os pacientes com operaes concomitantes (exceto postectomia, hrnia umbilical ou hrnia inguinal) ou com comorbidades.

Foram coletados dados sobre sexo, faixa etria, diagnstico, indicao operatria, tipo de anestesia, tcnica operatria empregada, tempo de internao, causas de eventual reviso ps-operatria e complicaes ps-operatrias.


RESULTADOS

Os dados levantados mostraram que houve uma maior freqncia no sexo feminino (54,66%) sobre o sexo masculino (45,33%) (Tabela 1).




Predominou a faixa etria de 6 a 10 anos (41,86%), seguida da idade de 1 a 5 anos (40,53%) (Tabela 2).




As principais indicaes operatrias foram para os casos de respirador oral (70,93%), otites mdia secretora (16,8%) e amigdalite de repetio ou abscesso periamigdaliano (8,0%) (Tabela 3).




A operao de adenoamigdalectomia foi realizada em 75,73% dos casos, sendo que a adenoidectomia em 17,86% e a amigdalectomia em 6,4% (Tabela 4).




A ocorrncia de sangramento foi a nica complicao observada em 0,8% do total de casos analisados (Tabela 5).




Todos os pacientes foram submetidos anestesia geral balanceada: endovenosa (Propofol - 2 a 4mg/kg para crianas e 2 a 3mg/kg para adultos) e inalatria (Isoflurano). Como medicao pr-anestsica foi administrado Midazolam (0,1mg/kg EV).

Todos os pacientes foram submetidos tcnica de dissecao mecnica do tecido amigdaliano para as amigdalectomias e curetagem do tecido adenideano localizado no cavum com auxlio da cureta de Beckman. A hemostasia foi realizada por compresso utilizando gaze embebida em subgalato de bismuto e, persistindo a hemorragia no intra-operatrio foram realizados pontos simples separados de categute 2.0 simples com agulha de 2 cm. O tempo de internao foi padronizado de acordo com as normas do Hospital-Dia, sendo que o perodo mximo obrigatrio foi de seis horas aps o ato operatrio. S ultrapassaram o tempo mximo trs pacientes que evoluram com hemorragia no ps-operatrio, sendo que estes permaneceram internados por mais vinte e quatro horas.


DISCUSSO

As amgdalas, tambm conhecidas como Tonsilas palatinas, e a adenide, conhecida como tonsila farngea, so partes de uma estrutura chamada anel linftico de Waldeyer. Este anel se situa na entrada do trato respiratrio superior, e por isso acometido por um grande nmero de infeces. Alm das tonsilas palatinas e da tonsila farngea, fazem parte dessa estrutura as tonsilas tubreas, lingual e o tecido linftico localizado na faringe (9). Esto dispostos na forma geomtrica de um anel, e so formadas por aglomerados de clulas que tem a funo de produzir anticorpos (tecido linfide), que so protenas envolvidas na defesa do organismo contra as mais diversas infeces (10). Esta funo mais importante na infncia e puberdade, perodo no qual comeam a diminuir de tamanho.

At um passado recente a retirada das tonsilas farngeas e/ou palatinas era um procedimento difundido e corriqueiro, sendo que a populao brasileira hoje com idade entre cinqenta e sessenta anos tem uma alta prevalncia destas cirurgias.

Aps estudos que demonstraram a importncia da conservao do tecido linfide das tonsilas para o desenvolvimento da criana e adolescente, concomitante com os avanos da farmacologia no tratamento das doenas infecciosas e inflamatrias do nariz e garganta o procedimento operatrio tem indicao bastante determinada.

O objetivo desta pesquisa foi traar o perfil dos pacientes que so atendidos em um hospital universitrio e comparar com a reviso da literatura mundial com a inteno de verificar eventuais pontos discordantes em nossa populao.

Segundo o sexo, a pesquisa mostrou que 54,66% dos pacientes foram do sexo masculino e 45,33% do sexo feminino. Isto demonstra no haver ntida freqncia de um ou outro sexo na distribuio das doenas pesquisadas, o que corroborado por outro estudo realizado no Brasil que mostrou, no perodo de um ano, 52,6% de sexo masculino e 47,4% do sexo feminino. Estudo semelhante nos Estados Unidos da Amrica mostrou um ndice de 70% mulheres e 30% homens (10,11).

A distribuio segundo o sexo sugere sofrer influncia do meio, porm foge ao escolpo deste trabalho elucidar as possveis causas, mas abre perspectivas para pesquisas futuras.

O grupo etrio dos pacientes selecionados variou principalmente entre seis e dez anos representando um percentual de 41,86%, porm destaca-se com relevncia o nmero encontrado para a faixa de um a cinco anos representando 40,53% dos casos. Segundo a literatura a faixa etria dos pacientes abrange geralmente o grupo de onze a vinte e dois anos (10).

O fato pode ser atribudo ao segmento de populao da regio atendida pelo Hospital Universitrio, onde falta saneamento bsico e cuidados mdicos suficientes, associados a desnutrio que colaboram para o aumento do nmero de infeces respiratrias, que por sua vez, acarretam em incremento do nmero de operaes com intuito de prevenir problemas futuros, como alteraes morfolgicas.

A anlise dos resultados mostrou que a maior parte das indicaes (75,73%) foi para pacientes portadores de apnia do sono. Esta uma complicao tardia das infeces das tonsilas, porque revelam um processo crnico de repetio que acaba por levar a obstruo da vias areas superiores. Pacientes no tratados convenientemente so os principais portadores da sndrome do respirador oral.

Como salientado, a populao atendida tem acesso limitado aos servios de Sade e isto talvez explique a porcentagem alcanada. O mesmo se diga em relao segunda causa mais freqente de indicao (16,8%), que foi otite mdia secretora, resultante do avano de microrganismos pela tuba auditiva a partir de infeces das tonsilas farngeas.

As amigdalites de repetio ou abscessos foram a terceira a causa mais freqente ao contrrio do que refere a literatura onde ela aparece em primeiro lugar sendo resultado de tratamentos prolongados em pacientes com alguma deficincia imunolgica ou vtimas de microrganismos resistentes a tratamento antibitico, podendo levar a sinusites recorrentes, otites mdias de repetio, ronco e apnia (12,13).

A adenoamigdalectomia foi o procedimento mais realizado (75,73%) mostrando que o comprometimento do tecido linfide generalizado em torno do anel de Waldeyer, o que concordante com outro trabalho nacional que encontrou indicao em 72,14% dos casos (3,13). A adenoidectomia isolada ficou em segundo lugar (17,86%) mostrando que o comprometimento da adenide maior que a da amgdala isoladamente e que leva a sintomas mais relevantes como a respirao oral a maioria das indicaes operatrias. A amigdalectomia isoladamente foi realizada em 6,4% dos casos e aqui difere da literatura nacional onde a ocorrncia em torno de 0,24% (3). O fato pode decorrer de o Hospital Universitrio ser centro de referncia e receber uma amostra maior(vis).

As intervenes operatrias foram caracterizadas por serem de curta durao, sendo que a maioria dos procedimentos (60,6%) variou entre dezesseis e trinta minutos, o que foi concorde com os dados da literatura a qual mostra uma mdia em torno de trinta minutos. O tempo de internao no Hospital Universitrio, onde o estudo foi realizado, no chamado de Hospital-Dia, o paciente permaneceu internado por seis horas (o tempo necessrio para que cessasse o efeito da anestesia geral) e caso no houvesse complicaes poderia receber alta. Dados pesquisados na literatura confirmam que o perodo de seis horas para a liberao do paciente um perodo seguro e caso haja alguma intercorrncia o paciente deve permanecer internado por pelo menos vinte e quatro horas (14).

O sangramento intra e ps-operatrio pode ser minimizado por investigao de antecedentes pessoais e familiares de sangramento, suspenso com antecedncia de medicamentos que alterem a coagulao sangunea ou agregao plaquetria e a solicitao de um coagulograma prvio. Todos os pacientes operados tinham antecedentes familiares e pessoais negativos para discrasias sanguneas e coagulograma normal (14).

O sangramento corresponde a primeira e mais comum intercorrncia, aproximadamente variando de 2 a 3,99% (15, 16, 17), sendo que os casos que necessitam de uma segunda interveno variam entre 0,7 a 0,8% (15, 18, 19).

Os casos de sangramento so mais comuns em crianas com menos de dois anos (17,20), por isso esses tipos de cirurgias so contra-indicadas na faixa etria entre zero e dois anos (16). Neste estudo, os trs tipos de cirurgias apresentam uma ocorrncia 0,8% de hemorragia ps-operatria, o que est de acordo com a literatura.


CONCLUSO

A avaliao do perfil dos pacientes atendidos na Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (UNISA) no tocante as operaes de adenoidectomia, amigdalectomia e adenoamigdalectomia, seguem os padres da literatura nacional e internacional.


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1. Residncia Mdica em Otorrinolaringologia. Mdico Residente.
2. Especialista em Otorrinolaringologia. Mdico Especialista Coordenador da residncia Mdica em Otorrino da UNISA.
3. Professora Doutora em Otorrinolaringologia Professora Titular (Chefe do departamento de Otorrinolaringologia da UNISA.
4. Professor Doutor em Otorrinolaringologia. Chefe da Otologia da Disciplina de Otorrinolaringologia da UNISA.
5. Acadmico de Medicina.

Instituio: Faculdade de Medicina de Santo Amaro - UNISA. So Paulo / SP - Brasil.

Endereo para correspondncia:
Roberto Gaia Coelho Jnior
Alameda Franca, 1436 - Apto 13 - Cerqueira Csar
So Paulo / SP - CEP: 01422-001
Telefax:(11) 3082-5301 - E-mail: betogaia@bol.com.br

Artigo recebido em 18 de dezembro de 2007.
Artigo aceito em 24 de junho de 2008
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