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Ano: 2008  Vol. 12   Num. 2  - Abr/Jun Print:
Case Report
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Fibroma Ossificante Perifrico Maxilar: Relato de Caso Clnico
Peripheral Ossifying Fibroma of The Maxilla: Case Report
Author(s):
Jos Carlos Martins Junior1, Frederico Santos Keim2, Mariana Schmidt Kreibich2
Palavras-chave:
fibroma ossificante, maxila, cirurgia
Resumo:

Introduo: O fibroma ossificante perifrico um tumor benigno de crescimento lento, que pode produzir recidiva aps exrese. Possui origem fibro-ssea e encontrado na maioria das vezes no osso maxilar. Clinicamente, caracteriza-se por um aumento volumtrico assintomtico, que pode determinar, com o tempo, assimetria facial. Objetivo: Descrever um caso de fibroma ossificante de grandes dimenses em maxila. Relato do Caso: Paciente de 32 anos, sexo feminino, com um tumor de crescimento lento na maxila, atpico por suas grandes dimenses e aspecto clnico, levando assimetria facial, dificuldade mastigatria, da fala e disfagia. Foi submetida cirurgia de remoo da leso juntamente com os provveis fatores irritantes, sendo o diagnstico histolgico de fibroma ossificante perifrico. Concluso: importante que se remova completamente a leso para minimizar a tendncia recidiva, incluindo o peristeo subjacente e o ligamento periodontal, alm dos provveis fatores causais.

INTRODUO

O fibroma ossificante perifrico apresenta-se como uma das leses hiperplsicas inflamatrias reacionais mais comuns da cavidade bucal. Em 1872, Menzel fez a primeira descrio do fibroma ossificante, mas a terminologia foi proposta por Montgomery em 1927 (1). O consenso na literatura sobre a incidncia em crianas e adultos jovens demonstrou um pico de prevalncia entre 10 e 19 anos, e freqncia de 2 a 4 vezes maior no gnero feminino.

So encontrados diversos termos para fazer referncia a esta entidade, como: pulide fibride ossificante, fibroma ossificante com calcificao, fibroma cementossificante perifrico e granuloma calcificante (2,3,4).

O aspecto clnico mais comum de crescimento focal de tecido bem delimitado, de superfcie lisa, usualmente com colorao normal da mucosa, base sssil ou pedunculada e consistncia firme (4), menor que 1,5 cm em seu maior dimetro (5), havendo relato de leso de at 4 cm (2). Como localizao mais comum, a maioria das referncias cita a parte anterior da maxila, mais precisamente a papila interdentria (2, 3, 5, 6).

Quando em estgio inicial ou at mesmo desenvolvido, pode ser facilmente confundido clinicamente com um granuloma piognico. A presena de calcificao, caracterstica histopatolgica mais marcante dessa leso, ir diferenci-la de outros tipos de proliferaes fibrosas (2, 3, 4).

Ao exame histopatolgico encontramos epitlio pavimentoso estratificado, que pode estar ulcerado ou no, recobrindo estroma de tecido conjuntivo com inmeros fibroblastos. Se o epitlio est ulcerado, a superfcie recoberta por uma membrana fibropurulenta com uma zona adjacente de tecido de granulao (6).

Diferentes formas de calcificao como osso lamelar maduro, osso imaturo, focos de calcificao distrfica, que so mais comuns em leses iniciais ulceradas (6) e material amorfo circunscrito, que alguns autores classificam como "cemento-like" (7,8,2,3,4), podem tambm estar presentes. Normalmente o osso do tipo trabecular, embora leses mais antigas possam mostrar osso lamelar maduro (6). Os mais antigos, no ulcerados, mostram mais comumente osso ou cemento bem formado.

O tratamento de escolha a exciso cirrgica total, incluso do peristeo (3) e do ligamento periodontal envolvido (9), bem como a remoo do agente agressor identificvel. Essa abordagem citada na literatura como atenuante do grau de recidiva que considerado alto (2, 3, 4). Aproximadamente 1 a cada 5 fibromas ossificantes tm tendncia a recorrer aps a exciso (10, 11). Alguns autores relatam recidiva de 16% (5, 7) a 20% (11, 12).

O presente trabalho objetiva relatar um caso de remoo cirrgica de uma leso maxilar de grandes dimenses, diagnosticada como fibroma ossificante perifrico.


RELATO DO CASO

Paciente, 32 anos, sexo feminino, cor parda, compareceu ao ambulatrio de cirurgia maxilofacial, com queixa de aparecimento de massa, de crescimento lento, com aproximadamente cinco anos de evoluo, indolor e que, nos ltimos anos, devido proporo que tomara, estava prejudicando sua funo mastigatria, fonitrica e afastando-a do convvio social (Figuras 1 e 2).


Figura 1. Exposio do tumor.


Figura 2. Impresses dentrias na Superfcie do tumor.



Na anamnese foram colhidos dados sobre doenas sistmicas pr-existentes, tabagismos e etilismo, havendo resposta negativa a todas elas.

inspeo da face notava-se assimetria com aumento de volume da regio maxilozigomtica esquerda, sialorria e dificuldade em manter o selamento labial. Ao exame intraoral constatou-se a presena de uma massa tumoral de grandes dimenses (Figuras 3), acometendo desde a regio de tber esquerdo at a pr-maxila, cruzando a linha mdia e cobrindo a poro do palato duro. Havia presena de impresses dentais na regio em que o tumor estava em contato com as superfcies oclusais dos dentes inferiores. Estavam presentes tambm deslocamentos de peas dentrias (Figura 4) e desvio na posio natural da lngua acarretado pela ocupao do tumor, alm de precria higiene bucal evidenciada pelo acmulo de clculos, placa bacteriana e restos radiculares. Eram evidentes dois tipos de colorao: uma avermelhada, em contato com o vestbulo bucal esquerdo, e outra rosa-plido na cavidade da boca propriamente dita. A manipulao da massa tumoral causava desconforto, dificultando um exame mais detalhado e a determinao exata de suas dimenses.


Figura 3. Extenso posterior do tumor.


Figura 4. Deslocamento de peas dentrias.



As hipteses diagnsticas levantadas foram: granuloma piognico e tumor perifrico de clulas gigantes. O tratamento proposto foi bipsia excisional seguida da remoo dos provveis fatores irritantes.

Aps exames pr-operatrios de rotina, a cirurgia foi realizada sob anestesia geral com entubao nasotraqueal. Realizou-se infiltrao de soluo vasoconstrictora Adrenalina 1/90.000 em regio de pedculo da leso, seguido de mobilizao da massa tumoral para avaliao de suas dimenses.

A inciso se deu abaixo do pedculo da leso entre o incisivo lateral esquerdo e canino, com incluso peristea. Foram tambm realizadas extraes dos elementos dentrios adjacentes ao tumor alm de curetagens alveolares e radiculares como remoo de provveis causas da leso. Aps irrigao com soluo salina e checagem da hemostasia, a aproximao dos tecidos gengivais se deu por sutura com fio reabsorvvel 3,0 (Figuras 5 e 6).


Figura 5. Mucosa suturada.


Figura 6. 30 dias de ps-operatrio.



DISCUSSO

O fibroma ossificante um tumor de crescimento lento e a maioria das leses tem menos que 2 cm, embora ocasionalmente ocorram leses maiores (6), podendo atingir por volta de 6 cm (12). A maior incidncia encontrada nesse estudo foi em crianas e adultos jovens, com prevalncia entre 10 e 19 anos, e freqncia de 2 a 4 vezes maior no gnero feminino.

O tumor operado nesse caso tem dimenses de 5 cm por 4,5 cm, encontrado em uma paciente de 32 anos (Figura 7). Alm disso, pelo tumor encontrar-se em contato com as superfcies oclusais dos dentes inferirores, o trauma de repetio a que era submetido foi suficiente para causar uma ulcerao na superfcie, alterando sua aparncia clnica, tornando-o eritematoso.


Figura 7. Tumor removido com fatores irritantes (peas dentrias).



Histologicamente os fibromas ossificantes so mais celulares e menos vasculares que os granulomas piognicos. O tecido mineralizado evidenciado nesta entidade pode ser classificado em trabculas sseas irregulares entrelaadas, osso trabecular lamelar, trabculas sseas curvilneas e ossculos ovides e/ou esferoidais (cementculos) (13). A literatura relata a origem dos fibromas ossificantes na papila interdental e clulas pluripotenciais do ligamento periodontal ou peristeo (6).

Levando em considerao o alto grau de recidiva citado pela literatura, a paciente foi reavaliada em trinta, noventa e cento e oitenta dias de ps-operatrio, no se observando nenhum sinal de recidiva da leso. Constatouse tambm, uma boa higiene oral e ausncia de condies irritantes pr-disponentes ao reaparecimento do tumor.


CONCLUSO

Devido suas similaridades clnicas e histopatolgicas, pensa-se que alguns fibromas ossificantes perifricos desenvolvem-se inicialmente, como um granuloma piognico, que sofre maturao fibrosa e subseqente ossificao. Freqentemente essas leses so confundidas e removidas por inciso superficial. Para minimizar a tendncia recidiva, importante que se remova completamente a leso, incluindo o peristeo subjacente e o ligamento periodontal, alm dos provveis fatores causais.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. Eversole LR, Sabers WR, Rovein S. Fibromy dysplasia: A nosology problem in the diagnosis of fibroossens lesion of the jaw. J. oral. Patthol. 1972, 1:189-220.

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3. Kohli K, Christian A, Howell R. Peripheral ossifying fibroma associated with a neonatal tooth: case report. Pediatric dentistry. 1998, 20:428-429.

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5. Kfir Y, Buchner A, Hansen LS. Reactive lesions of the gingival - A clinicopathologic study of 741 cases. J. Periodontol. 1980, 51:655-661.

6. Neville B, Damm D, Allen C, Bouquot J, Neville BW. Oral & Maxillofacial pathology. Philadelphia: W.B. Saunders Co, 1995, pp. 374-376.

7. Gardner DG. The peripheral odontogenic fibroma: An attempt at clarification. Oral Surgery. 1982, 54:40-48.

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9. Poon C, Kwan P, Chao S. Giant Peripheral ossifying fibroma of the maxilla: Report of the. J. of oral Maxillofacial Surgery. 1985, 53:695-698.

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11. Bhaskar SN, Jacoway JR. Peripheral fibroma and peripheral fibroma with a calcification: Report of 376 cases. J. Am Dent Assoc. 1966, 73:1312-1320.

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13. Eversole LR, Leider AS, Nelson K. Ossifying fibroma: a clinic pathologic study of sixty-four cases. Oral Surg. Oral Med. Oral Pathol. 1985, 59:522-527.














1. Cirurgio Bucomaxilofacial do Hospital Santa Catarina e Santo Antnio de Blumenau/SC e Acadmico do Curso de Medicina da Universidade Regional de Blumenau-FURB.
2. Acadmico do Curso de Medicina da Universidade Regional de Blumenau-FURB.

Instituio: Universidade Regional de Blumenau - FURB. Blumenau / SC - Brasil.

Endereo para correspondncia:
Jos Carlos Martins Junior
Rua Armando Odebrech 70, sala 1006
Garcia - Blumenau / SC - CEP: 89020-400
Telefone: (47)3322-4389 - E-mail: j.c.martinsjr@bol.com.br

Artigo recebido em 29 de maio de 2007.
Artigo aceito em 12 de outubro de 2007.
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