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Ano: 2008  Vol. 12   Num. 3  - Jul/Set Print:
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Alteraes Auditivas da Exposio Ocupacional em Msicos
Auditory Alterations for Occupational Exposition in Musicians
Author(s):
Raquel Beltro Amorim1, Andra Cintra Lopes2, Karlos Thiago Pinheiro dos Santos3, Ana Dolores Passarelli Melo4, Jos Roberto Pereira Lauris5
Palavras-chave:
perda auditiva, audiometria de tons puros, clulas ciliadas auditivas, msica
Resumo:

Introduo: A exposio msica tornou-se interesse entre os especialistas em audio e acstica, uma vez que est relacionada atividade profissional e social e alta prevalncia da Perda Auditiva. Objetivo: Investigar a sade auditiva de msicos. Mtodo: Fizeram parte do estudo 30 msicos, os quais foram submetidos entrevista especfica, audiometria tonal convencional e de altas freqncias, timpanometria e emisses otoacsticas evocadas transiente e por produto de distoro. Resultado: 17% dos sujeitos apresentaram audiograma sugestivo de Perda Auditiva Induzida por Rudo, 7% normal com entalhe e 7% com outras configuraes. A mdia dos limiares das freqncias de 3, 4 e 6kHz mostraram-se com maior nvel de intensidade quando comparada com a de 500, 1 e 2kHz; assim como a mdia dos limiares da audiometria de altas freqncias quando comparada com a audiometria convencional. Houve correlao positiva dos limiares com idade e com tempo de profisso. Encontrado ausncia de emisses otoacsticas evocadas transiente em 26,7% (orelha direita) e 23,3% (orelha esquerda) e ausncia de emisses em freqncias isoladas nas emisses otoacsticas evocadas por produto de distoro. Concluso: Foram observadas alteraes nos testes realizados na ausncia de queixa de dificuldade auditiva; o teste das emisses otoacsticas mostrou-se com maior sensibilidade na deteco precoce de alteraes auditivas; msicos apresentam risco significativo de desenvolverem perda auditiva.

INTRODUO

Atualmente um dos temas da produo cientfica na rea de audiologia e sade ambiental o rudo em atividades de lazer e os riscos audio (1). Nesse sentido, a fonoaudiologia vem ultrapassando os limites da atuao clnica e teraputica e direcionando seu trabalho s aes preventivas.

Hoje vivemos em um mundo ruidoso, estamos expostos nveis de presso sonora elevados em alguns ambientes de trabalho, nas ruas e em atividades de lazer, especialmente a populao mais jovem.

A exposio msica tornou-se assunto de estudo entre os especialistas em audio e acstica, uma vez que esta exposio est relacionada atividade profissional e social. A exposio relativa msica amplificada leva fadiga auditiva, sendo a mudana temporria do limiar auditivo apenas uma de suas manifestaes (2-4), podendo estar associada percepo do som, reduo da seletividade de freqncia, resoluo temporal, bem como a resoluo espacial em alguns nveis sonoros (5), tal exposio pode causar desconfortos como stress (6-7) e problemas auditivos que vo desde uma simples cefalia at uma perda auditiva induzida pelo rudo.

Estudos verificaram a intensidade do rudo presente em casas noturnas e concluram que h possibilidade de desenvolver perda auditiva, visto que a intensidade do rudo presente variou entre 78dB 111dB NPS (8) e 96 dB 103dB NPS (9), os quais excedem os nveis seguros. Um ambiente de grande desconforto acstico e com risco de perda auditiva dos msicos de orquestras tambm foi encontrado, onde os nveis sonoros acusaram uma mdia de 90 dB(A), com picos que atingiram 110dB(A) (10).

O tempo de exposio e a intensidade a que o indivduo est exposto esto diretamente relacionados com a perda auditiva. Na medida em que a PAIR evolui, o indivduo comea a relatar a dificuldade para compreenso da fala, especialmente na presena de ambientes ruidosos. Sintomas no auditivos tambm podem estar presentes, tais como zumbidos, irritao, tontura, cefalia, distrbios gstricos, perturbao do sono, reduo da capacidade de concentrao, entre outros (11).

Atualmente, o interesse pelo diagnstico precoce das alteraes auditivas tem aumentado devido ao fato das cortipatias acometerem, de forma rpida, as clulas ciliadas, responsveis pela transduo do som, e considerando que as pesquisas apontam a presena de alteraes auditivas na ausncia de queixa, e que no so, comumente detectadas na bateria de testes audiolgicos convencionais, outros mtodos tem sido utilizados para identificar precocemente alteraes auditivas.

De acordo com estudos realizados, a Audiometria Tonal de Altas Freqncias (AT-AF) constitui-se de um instrumento para o diagnstico precoce de alteraes auditivas provenientes de alguns agentes etiolgicos como o envelhecimento, exposio drogas ototxicas e ao rudo ocupacional.

Com o objetivo de verificar a aplicao da AT-AF no diagnstico precoce da PAIR, estudo (12) examinou mil trabalhadores com histrico de exposio ao rudo intenso, com intensidade variando de 95 a 115 dB NPS. Concluram que a ocorrncia de alteraes nos limiares das altas freqncias (10kHz a 20kHz) ocorre anteriormente s baixas freqncias (500Hz a 6kHz).

Considerando que a exposio nveis elevados de presso sonora freqente nesta profisso, torna-se importante investigar a existncia de indcios de alteraes auditivas nesta populao. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi investigar a sade auditiva de msicos, assim como analisar qual o mtodo com maior sensibilidade para o diagnstico precoce de alteraes auditivas.


MTODO

O estudo foi realizado em uma clnica de Fonoaudiologia e recebeu aprovao do Comit de tica em Pesquisa da Instituio onde foi realizada, conforme processo n. 159/2004 e todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Os critrios estabelecidos para incluso dos participantes na amostra, foram: sujeitos que atuassem na profisso de msico h mais de 2 anos; msicos os quais fossem expostos nveis de rudo que apresentassem iguais ou superiores a 85 dBNPS, os quais foram verificados por meio da medio do rudo ambiental; sujeitos com idade entre 18 e 40 anos. Como critrio de excluso, determinamos: apresentar problemas neurolgicos, psiquitrico, e/ou cardaco; fazer uso de medicao ototxica; apresentar deficincia auditiva com etiologia determinada.

Os critrios utilizados para excluso do sujeito da amostra foram obtidos por meio da entrevista especfica.

Foram adotados como procedimentos deste trabalho a avaliao do nvel de rudo no local de trabalho e a avaliao audiolgica dos participantes.

Para a avaliao do nvel de rudo no local de trabalho foi utilizado o medidor de nvel de presso sonora da marca INSTRUTERM, modelo DEC 405, calibrado antes de cada sesso de medio, ficando livre de possveis erros causados devido variao de temperatura ou presso atmosfrica, e regulado na curva de ponderao "A", resposta lenta, de acordo com norma tcnica recomendada (13).

Todas as medies foram realizadas em decibel (dB(A)), com o equipamento colocado a uma distncia de aproximadamente 15 centmetros da orelha dos participantes. Esta medio foi realizada por um tcnico especializado e aconteceu aps a solicitao prvia de autorizao dos responsveis dos estabelecimentos onde os trabalhadores permaneciam. Foram realizadas as medies e em todos os locais foi obtido nvel de rudo superior a 85 dBNPS.

Para a avaliao audiolgica, os participantes foram orientados a realizar um repouso auditivo de 14 horas. Foram aplicadas as seguintes provas: entrevista especfica, inspeo clnica do meato auditivo externo, timpanometria, audiometria tonal liminar convencional (AT-AC), logoaudiometria, audiometria tonal de altas freqncias (AT-AF) e emisses otoacsticas.

Na entrevista especfica, foi realizado levantamento dos dados de identificao, antecedentes familiares, indicadores de risco para Deficincia Auditiva, sade geral e auditiva, ambiente ocupacional, hbitos de lazer, uso de medicao, entre outros.

A inspeo clnica do meato auditivo externo foi realizada com o objetivo de averiguar impedimento para a realizao das provas especficas.

A timpanometria foi realizada com o objetivo de verificar as condies da orelha mdia. Foi utilizado o imitnciometro marca Siemens modelo SD 30.

Na Audiometria Tonal liminar convencional realizou-se pesquisa dos limiares auditivos nas freqncias de 250, 500, 1000, 2000, 3000, 4000, 6000, 8000 Hz, para orelha direita e orelha esquerda. Foi utilizado o tom warble. Os resultados das audiometrias foram analisados de acordo com a classificao proposta na literatura (14), sendo: normal, limiares iguais ou inferiores a 25 dB; normal com entalhe: rebaixamento em uma das freqncias de 3, 4 ou 6kHz; traado sugestivo de PAIR: embora os limiares ainda estejam acima de 25 dB, nas freqncias de 3, 4 ou 6kHz h um rebaixamento; outros: com presena maiores que 30 dB em alguma freqncia, que no corresponda ao sugestivo de PAIR.

Na logoaudiometria foi pesquisado o ndice percentual de reconhecimento da fala (IRF) por meio de lista de palavras e limiar de reconhecimento de fala (LRF).

Na audiometria tonal de altas freqncias foram pesquisados os limiares auditivos nas freqncias 9000, 10000, 11200, 12500, 14000 e 16000 Hz, para orelha direita e orelha esquerda. Foi utilizado o tom warble. Para a AT-AC, logoaudiometria e AT-AF foi utilizado audimetro, marca Siemens modelo SD 50, com fones de ouvido HDA 200.

O teste das emisses otoacsticas foi realizado em salas acusticamente tratadas por meio do equipamento Otodynamics Ltda ILO 292 Research OEA System, com o objetivo de avaliar especificamente a funcionalidade das clulas ciliadas externas por meio da presena ou ausncia do registro das respostas. O critrio utilizado para presena das emisses otoacsticas evocadas por estmulo transiente (EOE-T) foi o proposto na literatura (15), considerando presente quando a reprodutibilidade geral fosse maior ou igual a 50% com amplitude de resposta, relao sinal/rudo, maior ou igual a 3 dBNPS, em pelo menos trs freqncias consecutivas avaliadas, e estabilidade da sonda superior a 80%. Tambm foi analisada a ausncia de registro por faixa de freqncia isoladamente, ou seja, quando ocorresse ausncia em pelo menos uma delas. A pesquisa das EOET foi realizada nas faixas de freqncia de 1000, 2000, 3000 e 4000 Hz. O estmulo foi do tipo click no linear com intensidade adequada entre 79 e 83 dB NPS. Os registros das emisses otoacsticas evocadas por produto de distoro (EOE-DP) foram estudados considerando a ocorrncia e a amplitude de respostas. Apresentando-se 2 tons puros simultaneamente, com freqncias diferentes (f1 e f2), obedecendo a relao f1/f2= 1,22; as intensidades dos estmulos obedeceram a relao L1 = 65 dB NPS e L2 = 55 dB NPS. A resposta de DP1 (2f1-f2) foi considerada presente quando a amplitude da emisso ultrapassava 6 dB o nvel de rudo (S/N > 6 dB).

Como mtodo estatstico utilizou-se o coeficiente de correlao de Spearman, o teste de Friedman e o teste de Wilcoxon. Foi calculado o coeficiente de correlao de Spearman entre a idade, o tempo na profisso e tempo de exposio diria com os limiares audiomtricos nas diferentes freqncias investigadas. O teste de Friedman foi utilizado para comparao entre os limiares tonais, a fim de investigar se houve alguma freqncia mais acometida. O teste de Wilcoxon foi utilizado para comparao entre os limiares tonais obtidos nas altas freqncias entre as orelhas direita e esquerda. Nos testes estatsticos acima citados, foi adotado um nvel de significncia igual a 0,05.


RESULTADOS

A casustica deste estudo foi composta de 30 participantes de ambos os gneros, sendo 27 do gnero masculino e 3 feminino, com idade mnima 18 anos e a mxima 37 (mdia: 25,2 anos e desvio padro: 5,19 anos).

Em relao ao tempo de incio da atividade profissional, 3 participantes (10%) referiram ter iniciado a atividade profissional h menos de 5 anos, 13 participantes (43,33%) informaram tempo de trabalho de 5 a 10 anos e 14 participantes (46,66%) trabalham h mais de 10 anos . A mdia do tempo de atividade profissional foi de 9,1 anos, com desvio padro de 3,76 anos.

Quando investigados o tempo de exposio diria msica amplificada, 13 participantes (43,3%) referiram estar expostos entre 1 e 4 horas, 11 participantes (36,6%) informaram que a exposio diria est entre 4 e 7 horas e 6 participantes (20%) informaram tempo entre 7 e 10 horas. Sendo mdia de exposio diria dos participantes 4,7 horas e desvio padro de 2,24.

A anlise dos dados da entrevista especfica evidenciou que em relao sensao subjetiva do rudo, 100% dos participantes informaram que trabalham em ambientes com rudo excessivo. Embora considerassem o local de trabalho como sendo ruidoso, o incmodo causado pelo rudo no era freqente. Quando questionados quanto ocorrncia do tipo de queixa auditiva o sintoma mais citado pelos participantes foi zumbido, seguido por dificuldade de compreenso de fala em ambientes ruidosos.

Quanto ao nvel de conhecimento sobre a perda auditiva no trabalho, 100% dos participantes tinham esta informao, no entanto souberam informar apenas que era prejudicial para a audio.

Na inspeo clnica do meato auditivo externo, 100% estavam aptos para realizar as provas especificas.

Foi obtido registro de curva timpanomtrica tipo A, bilateralmente em 100% dos participantes, indicando, portanto, que a orelha mdia no interferiu nos resultados obtidos.

Na audiometria tonal liminar convencional foi realizada a anlise de acordo com a classificao proposta na literatura (14), sendo assim distribudos: 69% dos participantes apresentaram audio normal, 17% apresentaram audiograma sugestivo de PAIR, seguidos de 7% dos participantes que demonstraram audiograma normal com entalhe e 7% com outras configuraes.

Estes resultados tambm foram analisados quanto s mdias das freqncias de 500, 1.000 e 2.000 Hz e 3.000, 4.000 e 6.000 Hz, com o objetivo de verificar se h rebaixamento das freqncias mais altas, conforme orientaes (16-7). Estes dados podem ser observados no Grfico 1.


Grfico 1. Mdia 1 desvio padro das mdias dos limiares tonais da orelha direita e orelha esquerda na ATL para as freqncias de 500 Hz, 1000 Hz e 2000Hz (Mdia I) e 3000 Hz, 4000Hz e 6000 Hz (Mdia II). - ATL: Audiometria Tonal Liminar OD: orelha direita OE: orelha esquerda.



A logoaudiometria, realizada por meio do LRF, confirmou os resultados da audiometria tonal por via area em 100% dos participantes, assim como o IRF apresentou resultados compatveis com os limiares encontrados em 100% dos participantes.

O Grfico 2 mostra a mdia e desvio padro dos limiares tonais na AT-AF para OD e OE.


Grfico 2. Mdia 1 desvio padro dos limiares tonais na ATAF para orelha direita e orelha esquerda. - AT-AF: Audiometria Tonal de Altas Freqncias OD: orelha direita OE: orelha esquerda.



Ao investigar a correlao entre a idade dos participantes com os limiares tonais nas altas freqncias, observou-se uma correlao positiva e significante nas freqncias de 12.500 Hz (OD: r= 0,506 p= 0,004; OE: r= 0,478 p= 0,008), 14.000 Hz (OD: r= 0,706 p= 0,000; OE: r= 0,563 p= 0,001) e 16.000 Hz (OD: r= 0,679 p= 0,000; OE: r= 0,614 p= 0,000) para ambas as orelhas. Quando investigada a correlao entre o tempo de profisso e os limiares audiomtricos de altas freqncias, observou-se correlao positiva e significante na freqncia de 16.000 Hz para ambas as orelhas (OD: r= 0,395 p= 0,031; OE: r= 0,381 p= 0,038). Na correlao entre a exposio diria msica e os limiares tonais, no se observou resultados significantes.

Ao investigar, por meio do teste de Friedman, se houve alguma freqncia avaliada com maior acometimento, observaram-se resultados no significantes.

Por meio do teste de Wilcoxon foi realizada a comparao dos limiares audiomtricos das altas freqncias entre as orelhas e observou-se diferena significante entre as orelhas nas freqncias de 10.000Hz (p=0,017) e 11.200Hz (p=0,009).

No teste das emisses otoacsticas foram realizados os testes das EOE-T e EOE-DP e foram observado 26,7% (n=8) de ausncia de EOE-T para OD e 23,3% (n=7) para OE. Sendo que a ausncia de emisses ocorreu principalmente na faixa de freqncia de 3 e 4 kHz, como observado no Grfico 3. Na pesquisa das EOE-DP constatou-se ausncia de emisses em 15 participantes apenas em freqncias isoladas, com maior predomnio desta ausncia nas freqncias de 4, 5 e 6KHz, como mostrado no Grfico 4. O Grfico 5 mostra a mdia da amplitude das EOA-DP em relao s faixas de freqncias investigadas.


Grfico 3. Prevalncia da Ausncia de EOE-T de acordo com as freqncias analisadas. - EOE-T: Emisses otoacsticas evocadas por estmulo transiente OD: orelha direita OE: orelha esquerda.


Grfico 4. Prevalncia da Ausncia de EOE-DP na freqncias analisadas. - EOE-DP: Emisses otoacsticas evocadas por produto de distoro OD: orelha direita OE: orelha esquerda.


Grfico 5. Mdia da amplitude das EOE-DP em relao s faixas de freqncias para orelha direita e orelha esquerda. - EOE-DP: Emisses otoacsticas evocadas por produto de distoro OD: orelha direita OE: orelha esquerda.



DISCUSSO

Neste estudo investigamos a acuidade auditiva de msicos, onde foi possvel observar, frente aos resultados obtidos por meio dos exames realizados, que esta populao apresenta grande risco para desenvolver perda auditiva induzida por nveis de presso sonora elevados. Os resultados da audiometria convencional evidenciaram que 17% apresentaram audiograma sugestivo de PAIR, seguidos de 7% com audiograma normal com entalhe, somando uma quantidade de 24% da amostra que apresentou caracterstica de um possvel desenvolvimento de PAIR.

Ao analisar a mdia dos limiares obtidos nas freqncias de 500, 1000 e 2000 Hz com a mdia dos limiares de 3000, 4000 e 6000 Hz, conforme orientaes (16-7), foram observadas que a mdia dos limiares das freqncias mais altas esto mais rebaixadas que a mdia dos limiares encontrados nas freqncias mais baixas (18-9). Na AT-AF, embora a mdia dos limiares encontrados fosse de no mximo 11 dBNA, foi possvel observar um entalhe na freqncia de 12.500Hz bilateral e na freqncia de 14.000Hz na orelha direita, resultado este semelhante aos da literatura (7). Como apresentado no Grfico 2, o desvio padro desta anlise apresentou-se com valores altos devido aos limiares dos participantes terem sidos obtidos com grande variabilidade inter-sujeitos, ou seja, foram encontrados limiares dentro do padro de normalidade (mnimo: 0 dBNA) assim como limiares rebaixados (mximo: 65 dBNA) em determinada freqncia. Considerando que a mdia dos limiares da audiometria de altas freqncias esto mais rebaixadas em relao a mdia dos limiares da audiometria convencional, tal resultado pode sugerir um incio de acometimento nestas freqncias devido exposio nveis de presso sonora elevados (7).

A correlao positiva e significante encontrada ao correlacionar a idade dos participantes com os limiares audiomtricos das altas freqncias indica que quanto maior a idade do participante, piores so os limiares audiomtricos, o que corrobora com os dados da literatura (20-1). Quanto correlao entre o tempo de profisso e os limiares audiomtricos de altas freqncias, onde foi obtida correlao positiva e significante indica que quanto maior a experincia do indivduo nesta profisso, exposto elevados nveis de presso sonora, pior o seu limiar (7, 18, 21).

No registro da EOAs, o benefcio mais notvel sua habilidade de inspecionar de forma objetiva e noinvasiva a funcionalidade das clulas ciliadas externas. bem conhecida a importante susceptibilidade deste receptor celular aos efeitos adversos de doenas virais e bacterianas, alteraes genticas, agentes externos, tais como sons intensos, drogas ototxicas e qumicas, que danificam a audio. a extraordinria propriedade seletiva e sensitiva de "localizao da leso" das respostas emitidas que encorajou os pesquisadores a desenvolver estes procedimentos em mtodos de utilidade clnica para a abordagem dos estgios iniciais do processo auditivo (22).

No presente estudo, ao realizar o registro das EOET foi encontrado 26,7% de ausncia para OD e 23,3% para OE, sendo que as freqncias de 3 e 4 kHz foram as quais apresentaram maior taxa de ausncia, assim como encontrado na literatura (23). Na pesquisa das EOE-DP constatouse ausncia de emisses em 15 participantes apenas em freqncias isoladas, com maior predomnio desta ausncia nas freqncias de 4, 5 e 6KHz. O que pode indicar um acometimento maior de clulas ciliadas externas na faixa de freqncia entre 3 e 6 kHz, provavelmente devido exposio destes participantes elevados nveis de presso sonora (>85 dBNPS) no local de trabalho, o que vai de encontro aos achados da literatura (24).

As emisses otoacsticas podem ser aplicadas em programas de conservao auditiva como proposta de deteco precoce do prejuzo auditivo causado por exposies ocupacionais (22, 25-7).

Neste trabalho foi observado que mesmo na ausncia de queixas auditivas e os limiares audiomtricos apresentando-se na faixa de normalidade, a ausncia de registros das EOE-T e EOE-DP estiveram presentes. Tal achado pode indicar o incio de uma PAIR, visto que a ausncia destas mais evidente nas freqncias mais altas, freqncias estas mais acometidas pela exposio ao rudo.


CONCLUSO

Diante dos achados do presente estudo, podemos concluir que nesta populao foram observadas: alteraes nos testes realizados na ausncia de queixa auditiva; o teste das emisses otoacsticas tanto evocadas por estmulo transiente como por produto de distoro mostrou-se com maior sensibilidade na deteco precoce de alteraes auditivas; msicos tm um risco significativo de desenvolverem PAIR. Nota-se a importncia de desenvolver um programa de sade auditiva que atenda esta populao.


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1. Graduao em Fonoaudiologia. Especializanda em Audiologia Clnica.
2. Doutorado. Professor Doutor.
3. Especialista em Audiologia Clnica e Educacional. Mestrando em Bases Gerais de Cirurgia/UNESP-Botucatu.
4. Mestre em Fonoaudiologia pela FOB/USP. Bolsista Fapesp.
5. Doutorado. Professor Associado.

Insitutio: Departamento de Fonoaudiologia - Faculdade de Odontologia de Bauru - Universidade de So Paulo. Bauru / SP - Brasil.

Endereo para correspondncia:
Andra Cintra Lopes
Alameda Dr. Octavio Pinheiro Brisolla, 9-75 - Vila Universitria
Bauru / SP - Brasil - CEP: 17043-101 - Caixa Postal: 73
E-mail: aclopes@usp.br

Suporte financeiro: Fundao de Amparo Pesquisa do Estado de So Paulo - Fapesp. Processo: 2006/01215-7.

Artigo recebido em 9 de Julho de 2008.
Artigo aprovado em 13 de Outubro 2008.
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