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Ano: 2008  Vol. 12   Num. 3  - Jul/Set Print:
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Conhecimento de Usurios de Aparelhos Auditivos sobre o Processo de Adaptao
Knowledge on Adaptation Process of Users of Hearing Aid
Author(s):
Maria Ins Dornelles da Costa Ferreira1, Leandro Machado Sant'Anna2
Palavras-chave:
adaptao, perda auditiva, surdez
Resumo:

Introduo: de conhecimento dos profissionais que atuam na rea a importncia da orientao ao uso do aparelho auditivo que envolve os cuidados necessrios, manipulao e utilizao do equipamento e aspectos visando adaptao. Objetivo: Comparar o conhecimento de antigos e novos usurios sobre o processo de adaptao de aparelho auditivo proporcionando aos fonoaudilogos maior conhecimento sobre os aspectos que mais influenciam no processo de adaptao. Mtodo: Esta pesquisa constitui-se num estudo observacional, descritivo, transversal, contemporneo e retrospectivo. Os novos e antigos usurios responderam a um questionrio contendo informaes sobre a conservao do aparelho auditivo e sobre o processo de adaptao. Os resultados foram comparados quantitativamente atravs da anlise estatstica e qualitativamente. Resultados: A idade dos sujeitos em estudo varia entre 28 e 90 anos. Em alguns aspectos antigos e novos usurios apresentaram o mesmo nvel de conhecimento. Concluso: Conclu-se que os novos usurios de aparelhos auditivos procuram (re) habilitao auditiva cada vez mais tarde. A atuao da fonoaudiologia no processo de seleo e adaptao de aparelhos auditivos de novos e antigos usurios de extrema importncia para a eficcia da aclimatizao.

INTRODUO

A audio fundamental para a comunicao humana, garantindo, assim, a vida em sociedade (1). pela audio que as pessoas recebem informaes do mundo sonoro e desenvolvem suas habilidades cognitivas e psicossociais (2). Em caso de deficincia auditiva, o que ocorre na grande maioria dos casos, as conseqncias so sociais, pois a falta de habilidade na manuteno do dilogo pode levar o indivduo ao isolamento, diminuindo sua capacidade de comunicao e de interao na sociedade. A deficincia auditiva altamente incapacitante considerando os efeitos na comunicao e o impacto causado no desenvolvimento cognitivo, psicossocial e da aquisio da linguagem oral e escrita (3). Sabe-se que a deficincia auditiva acarreta, na criana, no apenas alteraes no desenvolvimento da linguagem, mas tambm nos demais aspectos gerando implicaes secundrias que sero minimizadas com o uso precoce da amplificao (4).

Uma das possveis solues existentes para minimizar as dificuldades auditivas, quando no h opo de tratamento medicamentoso ou cirrgico, a prtese auditiva, tambm chamada de aparelho auditivo (AA), cujo uso deve ser indicado pelo mdico otorrinolaringologista (5).

O uso do AA tem como finalidade primria a amplificao sonora incluindo sinais de fala, sons ambientais, sinais de perigo (alarmes contra incndios) e de alerta (campainhas de porta ou telefone), bem como sons que melhorem a qualidade de vida do indivduo (msica, canto de pssaros e outros) (6). Dessa forma, o processo de (re) habilitao tambm tem a funo de minimizar os danos relacionados insero social do usurio (2).

O fator principal na habilitao ou reabilitao do paciente com deficincia auditiva, como em qualquer deficincia fsica, o grau de ateno que lhe dispensado. Assim, o fonoaudilogo o responsvel pelo processo de (re) habilitao (6) ao elaborar programas de reabilitao auditiva e esclarecer a populao sobre seus benefcios fazendo com que a utilizao de AA seja efetiva ao considerar o processo de adaptao e orientao (7). Este ltimo engloba informaes sobre o funcionamento do aparelho auditivo, benefcios e limitaes, cuidados e reparos, manipulao, insero e expectativas em relao utilizao do mesmo (8).

A orientao uma das etapas decisivas do processo de adaptao do aparelho auditivo, pois se o paciente no conhecer o funcionamento, no conseguir manipular adequadamente e no ter os cuidados necessrios, ele apresentar dificuldades em usufruir dos benefcios que o mesmo disponibiliza e provavelmente no ir utiliz-lo. Dessa forma, o fonoaudilogo deve compreender a rede de implicaes da deficincia auditiva e principalmente os aspectos relacionados reao emocional do indivduo perda auditiva que interferem significativamente no sucesso da adaptao e no desempenho do usurio nas diversas situaes de comunicao (9).

O fonoaudilogo que atua na seleo, indicao e adaptao de aparelhos auditivos reconhece a importncia das orientaes necessrias aos usurios de AA. Em primeiro lugar importante auxiliar o paciente na conscientizao da deficincia auditiva e que sua prtese no ter a capacidade de restaurar sua audio, mas certamente ir auxili-lo a ouvir melhor (10).

O processo de adaptao depende principalmente da participao do paciente e das possveis dificuldades que poder encontrar no perodo inicial. Tal processo gradativo visando habituao aos sons de modo que no ocorram desconfortos. Dessa forma, inicialmente, recomenda- se que o paciente utilize seu aparelho auditivo em ambientes calmos e silenciosos por apenas algumas horas por dia. Posteriormente, poder utiliz-lo por longos perodos com complexidade sonora varivel considerando os efeitos da aclimatizao e da privao auditiva nesse processo (8).

Na conversao em grupo o usurio poder referir dificuldades em compreender todas as palavras. Porm, a referida queixa ser superada na medida em que o paciente comparece aos retornos marcados durante o processo de adaptao. Neste, outro aspecto importante refere-se ao treinamento auditivo que deve ser centrado naquilo que o usurio quer realmente ouvir (11).

Em relao aos cuidados com o equipamento, quando o aparelho auditivo possui controle de volume externo deve-se salientar que este nunca deve ser utilizado no mximo, pois poder distorcer o som gerando maior desgaste da pilha. A umidade tambm um importante causador de danos ao aparelho auditivo e, por isso, o paciente de ser orientado a no molhar e retir-lo ao tomar banho ou sair na chuva. Assim, o aparelho auditivo, quando no utilizado, deve ser guardado na sua prpria caixa, em local seco e arejado, longe do calor e de locais que ofeream riscos. noite, deve ser guardado na slica. J o molde (ou cpsula) deve ser trocado anualmente, principalmente em crianas e idosos, pois os primeiros se encontram em fase de crescimento e a anatomia da orelha se modifica a cada ano. J nos idosos pode ocorrer uma modificao da cartilagem por ser confeccionado a partir das caractersticas anatmicas do indivduo, deve-se deixar claro ao paciente que o molde auricular ou a cpsula no podem ser emprestados ou doados a outras pessoas, assim como o prprio aparelho auditivo que, deve ser regulado pelo fonoaudilogo, para cada indivduo de acordo com as caractersticas do quadro audiolgico considerando as necessidades especficas do mesmo. Outro tpico a considerar encontra-se relacionado importncia das revises peridicas e da solicitao ao servio de assistncia tcnica. As revises peridicas devem ser realizadas com a finalidade de prevenir possveis danos causados por eventuais quedas e umidade. J, nos casos em que o equipamento encontra-se molhado ou com excesso de cera a ponto de obstruir o receptor do molde ou da cpsula, a assistncia tcnica deve ser informada. Neste caso, o mdico ORL deve ser consultado, pois tal excesso de cera, no meato acstico externo, impede a passagem do som amplificado para a orelha interna (12).

Tais orientaes e aconselhamentos se destinam a capacitar o indivduo a encontrar as solues para as suas dificuldades que interferem e influenciam desde a aceitao da perda auditiva at o seguimento das orientaes na reabilitao (1). Isso explica o valor das pesquisas que auxiliam no entendimento da aclimatizao. Considerando a existncia de um perodo necessrio de utilizao da amplificao sonora para restabelecer as habilidades de fala e avaliar os benefcios obtidos com a amplificao, tornamse necessrios estudos que acompanhem o desenvolvimento da funo auditiva do novo usurio de AA com a finalidade de verificar como e quando ocorre a aclimatizao sonora, considerando as habilidades de fala, uso, benefcio e satisfao o usurio (13).

Este trabalho compara o conhecimento de antigos e novos usurios sobre o processo de adaptao de AA com a finalidade de proporcionar maior conhecimento sobre os aspectos que influenciam no processo de adaptao


MTODO

Esta pesquisa constitui-se num estudo observacional, descritivo, transversal, contemporneo e retrospectivo. O mesmo foi aprovado pelo Comit de tica em Pesquisa sob o nmero 342/2007 em 03/03/2008.

A populao desta pesquisa abrangeu indivduos adultos e idosos, antigos e novos usurios de prtese auditiva, provenientes do Municpio de Porto Alegre e regio metropolitana do Rio Grande do Sul.

A amostra foi constituda por 51 indivduos de ambos os sexos (24 do sexo feminino e 27 do sexo masculino), na faixa etria entre 28 e 91 anos de idade divididos em dois grupos: 28 indivduos antigos usurios de prtese auditiva e 23 novos usurios de AA. O grupo de antigos usurios contm 12 indivduos do sexo feminino e 16 indivduos do sexo masculino e o grupo de novos usurios contm 12 indivduos do sexo feminino e 11 do sexo masculino.

Para participar desta pesquisa, foram includos todos os clientes que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) que adquiriram aparelho auditivo num perodo maior que seis meses, configurando os antigos usurios e todos os clientes que adquiriram aparelho auditivo a partir da data de aprovao deste projeto no Comit de tica em Pesquisa, configurando os novos usurios.

Os critrios de excluso deste estudo foram: doena diagnosticada ou sintoma que prejudicasse as capacidades mentais, intelectuais e de fala do indivduo, impedindo a realizao da entrevista e aqueles que adquiriram o aparelho auditivo num perodo menor que seis meses, pois no poderiam ser considerados nem antigos, nem novos usurios.

A presente pesquisa foi constituda pelas seguintes etapas: seleo da amostra pelo pesquisador considerando os fatores de excluso conforme o grupo de indivduos (antigos usurios e novos usurios de AA); realizao de entrevista individual com os sujeitos da amostra pelo pesquisador; tabulao dos dados obtidos na entrevista, conforme o grupo de indivduos; anlise dos resultados de forma quantitativa e qualitativa, respeitando-se os objetivos j mencionados.

As etapas do estudo, anteriormente citados, foram realizadas em um Centro auditivo da cidade de Porto Alegre que autorizou a realizao da pesquisa atravs do Termo de Consentimento Institucional.

Os dois grupos de indivduos antigos usurios de AA e novos usurios responderam a um questionrio elaborado pelos autores deste estudo, constitudo de 25 perguntas fechada aplicado pela fonoaudiloga responsvel tcnica do Centro Auditivo, na mesma seqncia.

O referido questionrio foi elaborado destacando os dados de identificao dos indivduos entrevistados (idade, sexo, escolaridade, tipo e tempo de uso do aparelho auditivo, tecnologia, utilizao nomoaural ou binaural) e as perguntas referentes aos conhecimentos gerais necessrios adaptao, cuidados, deciso e influncia externa. Os participantes deveriam responder se deveriam utilizar o AA o dia inteiro na 1 semana, se h necessidade de retirar a pilha quando no estiver usando, se deve conhecer e manusear os vrios tipos de AA antes de escolher aquele que vai adquirir ou que adquiriu, se h necessidade de cuidar a utilizao em caso de suor ou de sair na chuva, o AA pode permanecer em ambientes quentes e midos, se h necessidade de retirar o AA para tomar banho, deve procurar assistncia tcnica em caso de queda, AA molhado ou com excesso de cera no mesmo, se deve ter cuidado para no derrubar o AA, se acharia necessrio consultar o mdico ORL em caso de excesso de cera no MAE, se o molde ou cpsula podem ser emprestados outra pessoa, qual o tempo de adaptao que o usurio considera necessrio ao uso do AA, se o cliente sente vergonha de utilizar o AA em pblico, se a deciso e iniciativa do uso foi do usurio, se o usurio conhece algum que usa AA, se essa pessoa esta satisfeita, se preciso refazer o molde ou a cpsula anualmente, se ao adquirir o AA o cliente precisar retornar ao centro auditivo, e se acha importante presena de um familiar na hora de receber orientaes para posteriormente ajud-lo (a) no manuseio e cuidados do AA.

Aps a realizao das 51 entrevistas, o banco de dados foi elaborado para posterior realizao da anlise estatstica. Os dados foram estruturados em duas planilhas conforme o grupo pesquisado.

Para anlise estatstica foi utilizado o programa computacional: The SAS System for Windows (Statistical Analysis System), verso 8.02 SAS Institute Inc, 19992001, Cary, NC, USA em que foram realizados os testes quiquadrado, exato de Fisher e MannWhitney sendo adotado um nvel de significncia de 5%, ou seja, p<0.05.


RESULTADOS

Os sujeitos em estudo variam entre 28 e 90 anos, sendo a mdia de amostra de 69,20 anos. Quanto ao gnero 27 indivduos so do sexo masculino (52.94%) e 24 do sexo feminino (47.06%). Dois indivduos possuem idade inferior a 50 anos (3.92%), 11 indivduos entre 50 e 59 anos (21.57%), 6 sujeitos ente 60 e 69 anos (11.76%), 23 sujeitos entre 70 e 79 anos (45.10%) e 9 sujeitos com mais de 80 anos (17.65%) ao considerar a totalidade da amostra.

Em relao aos antigos usurios de um total de 28, o tempo de uso do AA foi: 1 participante (3.57%) usa h menos de um ano, 6 indivduos (21.43%) usam h mais de 1 ano, 8 (28.57%) h mais de 2 anos, 4 (14.29%) h mais de 3 anos, 1 (3.57%) h mais de 4 anos e 8 indivduos (28.57%) h mais de 5 anos. Em relao utilizao monoaural ou binaural 22 sujeitos (78.57%) utilizam 1 aparelho e 6 indivduos (21.43%) utilizam dois aparelhos. Quanto ao tipo de aparelho 13 sujeitos (46.43%) utilizam aparelho do tipo intraaural e 15 (53.57%) utilizam o tipo retroauricular. Em relao tecnologia 5 indivduos (17.86%) usam aparelho digital e 23 (82.14%) utilizam aparelho de tecnologia analgica.

A Tabela 1 compe as questes relacionadas aos aspectos gerais que os novos e antigos usurios de AA necessitam conhecer.




A Tabela 2 mostra qual o profissional habilitado a realizar o processo de seleo do AA na opinio de novos e antigos usurios.




A Tabela 3 apresenta as respostas de novos e antigos usurios s questes relacionadas aos cuidados com o equipamento.




A Tabela 4 compe repostas de novos e antigos usurios s questes relacionadas deciso de usar AA e influncia externa.




A Tabela 5 mostra as respostas dos novos e antigos s questes relacionadas ao processo de adaptao.




O Quadro 1 compe as respostas dos novos e antigos usurios em relao ao tempo de adaptao com o AA.




Ao comparar as variveis numricas entre novos e antigos usurios observa-se relao estatisticamente significativa em relao idade (p=0,034), como mostra a Figura 1.


Figura 1. Comparao entre a idade de novos e antigos usurios em anos.



Em relao as variveis categricas entre novos e antigos usurios observa-se relao estatisticamente significativa entre as faixas etrias (p=0,033) como mostra a Figura 2.


Figura 2. Comparao entre as idades de novos e antigos usurios por faixa etria.



No que se refere escolaridade, observa-se na Figura 3, relao estatstica significativa entre novos e antigos usurios destacando que os antigos usurios apresentam maior nvel de escolaridade (p=0,027).


Figura 3. Comparao entre antigos e novos usurios de acordo com a escolaridade - 1 srie = educao bsica; 1 grau = ensino fundamental completo; 2 grau = ensino mdio completo; Superior = ensino superior completo.



DISCUSSO

Neste estudo observa-se que a maioria dos usurios de aparelhos auditivos (38 indivduos) possuem mais de 60 anos. Tal aspecto sugestivo de presbiacusia; patologia mais comum que acomete a audio dos idosos caracterizada pela perda auditiva do tipo neurosenssorial, bilateral, mais acentuadas nas freqncias altas, cujo inicio pode ocorrer em torno dos 30 anos de idade, aumentando gradativamente com o passar do tempo. (14,15).

Entre os antigos usurios 22 participantes utilizam AA monoaural e apenas 6 indivduos utilizam aparelho binaural. O uso de AA binaural apresenta as seguintes vantagens: melhor localizao do som, melhor reconhecimento de fala na presena de rudo e melhor somao binaural (16). Mesmo conhecendo os objetivos da adaptao binaural, os indivduos tm optado pela utilizao de apenas 1 aparelho em funo de aspectos scio-econmicos.

Da mesma forma, apenas 5 indivduos utilizam AA de tecnologia digital e 23 indivduos utilizam AA de tecnologia analgica. Um dos fatores que mais influenciam na escolha por AA analgicos, a diferena no custo entre as tecnologias, sendo a digital de 2 a 4 vezes mais cara, no centro auditivo pesquisado, dependendo do fabricante. O AA digital oferece maior conforto acstico, maior versatilidade, facilidade e preciso nas regulagens, pois muitos AA digitais possuem mais de um canal de programao e melhor compreenso da fala no rudo (16). Dos 28 antigos usurios, apenas 8 utilizam AA h mais de 5 anos, a tecnologia digital encontra-se no mercado nacional h mais de 13 anos (17). Alm disso, deve ser considerado o tipo, o grau e configurao da perda auditiva. Estes aspectos so de extrema importncia para a escolha da tecnologia embora, caractersticas individuais tambm devam ser consideradas.

A Tabela 1 apresenta as respostas de antigos e novos usurios s questes relacionadas aos aspectos gerais: necessidade de conhecer e manusear os AA antes de escolher aquele que ser adquirido, a interferncia do AA retroauricular na utilizao de culos e a interferncia no uso de marca passo. Tais questes foram includas no questionrio em funo das dvidas mais freqentes dos usurios de AA do Centro Auditivo em que a pesquisa foi realizada. A comparao entre os antigos e novos usurios de AA no foi significativa, ao contrrio do que se esperava, demonstrando que o conhecimento entre antigos e novos usurios praticamente igual ao considerar as perguntas apresentadas na Tabela. Estas questes apontam para a constatao de que antigos e novos usurios possuem conhecimentos semelhantes, necessitando, ambos os grupos de maiores orientaes em relao ao uso do AA com culos e/ou o marca passo. Muitos usurios de aparelhos auditivos responderam que o AA atrapalha no uso de culos, associado esttica, indicando que este, sobressaise em relao do uso retroauricular.

A Tabela 2, mostra o profissional habilitado a realizar o processo de seleo do AA na opinio de antigos e novos usurios. Tal comparao tambm no foi significativa, pois, 4 dos antigos usurios responderam "outros" (qualquer pessoa, vendedor e no sabe), 6 responderam o mdico e 18 o fonoaudilogo, e 4 novos usurios responderam "outros", 4 responderam mdicos e 15 responderam fonoaudilogo. O fonoaudilogo e o mdico, apesar de serem os profissionais mais referenciados, no foram lembrados pelos 4 antigos usurios e outros 4 novos usurios que apontaram ser outro, o profissional habilitado a realizar o processo de seleo e adaptao do AA. Dessa forma, ainda se percebe a necessidade de esclarecer o paciente em relao funo do fonoaudilogo e do mdico.

A Tabela 3 refere-se s respostas de antigos e novos usurios s questes relacionadas aos cuidados com o equipamento. Tal comparao tambm no mostrou diferena significativa entre as respostas de antigos e novos usurios em relao necessidade de retirar a pilha quando no estiver usando o AA, em caso de acmulo de cera no AA, se ela interfere no uso do equipamento e se o AA pode permanecer em ambientes quentes e midos. Nestas questes tanto os antigos quanto os novos usurios, na sua maioria responderam de maneira correta. Porm na questo, em que o usurio acredita que o AA tenha um sistema de proteo anti-queda, antigos e novos usurios responderam de forma diversificada, necessitando os dois grupos, de maiores esclarecimentos sobre estas questes.

Algumas questes no foram relacionadas nos quadros porque no houve diferenas nas respostas dos grupos de antigos e novos usurios, sendo que mais de 90% das respostas esto de acordo com a resposta correta, estas questes so: h necessidade de cuidar a utilizao em caso de suor ou de sair na chuva? H necessidade de retirar o AA para tomar banho? Deve procurar assistncia tcnica em caso de queda, AA molhado, excesso de cera no AA? Deve ter cuidado para no derrubar o AA? Voc acharia necessrio consultar mdico ORL em caso de excesso de cera no MAE (conduto auditivo)? O molde ou a cpsula podem ser emprestados outra pessoa? A cera do MAE (conduto auditivo) interfere no uso do AA? Esse fato indicativo de que os aspectos questionados foram trabalhados de forma eficaz pelo fonoaudilogo (a), responsvel tcnico pelo Centro Auditivo em que os dados foram coletados.

A maioria dos antigos e novos usurios de AA decidiram pela utilizao do AA por iniciativa prpria como possvel verificar na Tabela 4. Tais aspectos esto ligados a fatores psicossociais, pois a maioria conhece algum que utiliza AA e maior parte desses conhecidos encontram-se satisfeitos com o AA, Sendo assim, identifica-se que a influncia externa juntamente com o apoio de familiares e amigos interfere na deciso do indivduo. Apesar de estudos relatarem que mesmo com o avano da tecnologia aplicada aos AA, com a reduo do tamanho dos aparelhos e aperfeioamento da qualidade sonora, identifica-se uma grande resistncia dos idosos ao uso de prtese auditiva, pois no reconhecem que possuem perda auditiva, alegam falta de necessidade, assim como o AA no ir suprir suas necessidades auditivas, motivos financeiros e dificuldades de manipulao (18). Estes resultados mostram que os usurios enfrentaram os fatores que colaboram para a resistncia ao uso do AA.

A Tabela 5 refere s respostas de antigos e novos usurios s questes relacionadas ao processo de adaptao: como a utilizao do AA o dia inteiro na primeira semana. Tal aspecto mostra que os antigos usurios responderam de forma equivocada, tendo em vista que j haviam passado por este processo de orientao. J os novos usurios responderam, em sua maioria que "no", porm mostra que muitos responderam tambm erroneamente. Esta questo permite considerar que ambos os grupos necessitam de orientao quanto adaptao de AA, assim como as demais questes. Quando questionados se preciso refazer o molde/cpsula anualmente, se ao adquirir o AA precisarei retornar ao centro auditivo, voc acharia importante presena de um familiar na hora de receber as orientaes para posteriormente ajud-lo (a) no manuseio e cuidado do AA; constata-se que grande parte dos antigos e novos usurios necessitam de orientao em relao aos aspectos mencionados. A presena dos familiares muito requerida durante o processo teraputico fonoaudiolgico na deficincia auditiva. Da mesma forma, a ao e compreenso dos pais sobre a patologia possibilitam condies de desenvolvimento mais adequado e, consequentemente, melhores resultados no processo de reabilitao auditiva (19). As questes: "O AA pode ser emprestado ou doado sem a realizao de exames e ajustes especficos?" e "se voc sentira vergonha de utilizar o AA em pblico?", mostram que em sua grande maioria os dois grupos responderam de forma semelhante e correta.

O Quadro 1 que refere as questes relacionadas s respostas dos dois grupos sobre o tempo de adaptao com o AA em que a maioria dos antigos e novos usurios acreditam que o tempo de adaptao com o AA dura entre 1 e 3 semanas, sendo que estudos confirmam que o tempo de adaptao de cada paciente depende de vrios fatores como suporte fornecido aos usurios pelos fonoaudilogos e tcnicos em AA nos Centros Auditivos, grau da perda auditiva do usurio, dificuldades em relao aos moldes ou cpsulas auriculares e as caractersticas da amplificao, foram referidas, tambm, pela maior parte dos indivduos. Os resultados da interveno esto diretamente relacionados, principalmente, s expectativas e necessidades de comunicao (3).

As Figuras 1 e 2 mostram que os novos usurios possuem idade mais elevada que os antigos usurios, sendo que 73.91% dos novos usurios possuem entre 60 e 79 anos de idade, enquanto 42.86% dos antigos usurios possuem entre 60 e 79 anos e 39.29% dos antigos usurios possuem menos que 60 anos. Com estes dados sugere-se que os novos usurios de AA procuram (re) habilitao auditiva cada vez mais tarde.

A Figura 3 aponta que os antigos usurios possuem escolaridade entre 1 e 2 graus (75%) e 14.29% tem ensino superior, enquanto os novos usurios na sua maioria (73.91%) possuem o 1 grau e nenhum (0%) possui ensino superior. Com estes dados constatamos, nesta pesquisa, que o maior grau de instruo no foi fundamental nos conhecimentos sobre o processo de adaptao de AA, pois os grupos no apresentaram diferenas significativas nos conhecimentos sobre as questes apresentadas. Alm disso, o fato de que os novos usurios apresentam escolaridade inferior aos antigos associado constatao de que tambm so os mais velhos, pode ser sugestivo do desconhecimento da importncia de procurar recursos assim que o diagnstico seja realizado ou das dificuldades financeiras.


CONCLUSO

A partir do estudo realizado possvel concluir que os novos usurios de AA procuram (re) habilitao auditiva cada vez mais tarde; aps acometimento na rea da fala. Tambm possvel constatar que o maior grau de instruo no foi fundamental nos conhecimentos sobre o processo de adaptao de AA, pois os grupos no apresentaram diferenas significativas nos conhecimentos sobre as questes apresentadas.

Alm disso, identifica-se que os aspectos que necessitam ser mais abordados no processo de adaptao so; dentre os conhecimentos gerais; necessidade de conhecer e manusear os AA antes de escolher aquele que ser adquirido, o fato de que no h interferncia do AA retroauricular na utilizao de culos e no uso de marca passo e que os profissionais habilitados para a seleo e adaptao do aparelho auditivo so: fonoaudilogo e o mdico. Em relao aos cuidados; o paciente deve ser esclarecido de que o AA no possui um sistema de proteo antiqueda e no que se refere adaptao; o usurio deve estar ciente de que no deve utilizar o AA o dia inteiro na primeira semana, que preciso refazer o molde/cpsula anualmente, que ao adquirir o AA preciso retornar ao centro auditivo para adaptao, sendo importante a presena de um familiar na hora de receber as orientaes para posteriormente ajuda-lo (a) no manuseio e no cuidado do AA e que o tempo de adaptao de AA depende de cada usurio.

Ressalta-se tambm, a importncia da atuao fonoaudiologica nos processos de seleo, adaptao, (re) orientao e acompanhamento permanente dos antigos e novos usurios de aparelhos auditivos.


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1. Doutorado. Professora do Curso de Fonoaudiologia do Centro Universitrio Metodista - IPA.
2. Graduao. Fonoaudilogo.

Instituio: Centro Universitrio Metodista - IPA. Porto Alegre / RS - Brasil.

Endereo para correspondncia:
Maria Ins Dornelles da Costa Ferreira
Rua Luiz Afonso, 158 apartamento 702 - Cidade Baixa
Porto Alegre / RS - Brasil - CEP: 90050-310
Telefone: (+55 51) 9823-0198
E-mail: costa.ferreira@terra.com.br

Artigo recebido em 11 de Setembro de 2008.
Artigo aprovado 17 de Outubro de 2008.
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