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Ano: 2008  Vol. 12   Num. 4  - Out/Dez Print:
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Fratura de Ossos Nasais: Uma Anlise Epidemiolgica
Fracture of Nasal Bones: An Epidemiologic Analysis
Author(s):
Marco Aurlio Fornazieri1, Hellen Yumi Yamaguti2, Jemima Herrero Moreira1, Paulo de Lima Navarro2, Rosana Emiko Heshiki3, Lcio Eidy Takemoto4
Palavras-chave:
trauma, nariz, epidemiologia
Resumo:

Introduo: Uma das afeces mais atendidas pelos otorrinolaringologistas no pronto socorro a fratura dos ossos nasais. O pico de incidncia encontra-se entre os 15 e 25 anos de idade, sendo mais freqente no sexo masculino. Objetivo: Analisar a idade, sexo e as causas mais freqentes das fraturas nasais atendidas no servio de otorrinolaringologia de um hospital tercirio. Mtodo: Estudo retrospectivo dos pronturios de pacientes com diagnstico de fratura nasal atendidos no perodo de 1 de julho de 2003 a 1 julho de 2007. Resultados: Foram includos no estudo 167 pacientes com fratura dos ossos nasais, sendo 134 homens e 33 mulheres. A causa mais comum foi a agresso fsica com 55 casos (32,9%), seguida da queda da prpria altura com 33 casos (19,7%) e do acidente em motocicleta com 14 casos (8,4%). A idade mais afetada foi entre 21 e 39 anos (46,1%). Concluso: Sexo masculino, idade entre 21 e 39 anos e a agresso fsica so as caractersticas mais frequentemente encontradas nos pacientes com fraturas nasais em nosso servio. Acidente em motocicleta tambm tem um papel importante nessa afeco.

INTRODUO

As fraturas nasais so um dos atendimentos mais freqentes realizados pelo otorrinolaringologista (1). Como os outros traumas faciais, acometem mais o sexo masculino e a idade mais afetada esto entre os 20 e 30 anos (2,3).

Entre as causas mais freqentes dessa afeco se encontram a violncia interpessoal, as atividades fsicas, quedas, acidente de carro, acidente de motocicleta, impacto no relacionado queda, acidente de trabalho e etiologia inespecfica (2).

Devido a sua posio proeminente na face, o nariz est mais propenso a traumas, sendo o tipo mais freqente.

Na suspeita de fratura nasal, deve-se sempre questionar sobre a histria de epistaxe, obstruo nasal, mudana da aparncia nasal e dor, pois, quando presentes, so dados que ajudam a confirmar o diagnstico.

Quanto avaliao das conseqncias do trauma nasal, falta um "gold standard". Comumente, o exame se faz de uma forma subjetiva (4).

No h um protocolo uniforme para a manipulao dessa condio. So inmeras as abordagens relatadas como a reduo manual, a manual associada a frceps, a unicamente realizada com frceps, a realizao de septoplastia associada e at de rinosseptoplastia. A manipulao dos ossos nasais pode ser praticada sem anestesia, com anestesia local e com anestesia geral (1).

O objetivo desse estudo consiste em verificar a idade, o sexo e as causas mais freqentes das fraturas nasais atendidas em hospital tercirio.


MTODO

Foram avaliados retrospectivamente os pronturios de pacientes com diagnstico de fratura nasal atendidos no perodo de 1 de julho de 2003 a 1 julho de 2007. O diagnstico foi baseado na histria clnica, exame fsico e, em alguns casos, radiografia de ossos nasais. Foram excludos os pacientes que apresentavam histria de trauma nasal sem fratura confirmada por exame fsico ou radiografia. O trabalho foi aprovado pelo comit de tica do Hospital Universitrio Regional do Norte do Paran sob o protocolo nmero 0033.0.268.000-08. O preenchimento dos dados seguiu a ordem definida abaixo:

Data:
Registro Hospitalar:
Sexo:
Idade:
Causa da Fratura:


RESULTADOS

Foram avaliados no estudo 167 casos, sendo 134 pacientes do sexo masculino e 33 do feminino. A faixa etria mais acometida foi dos 21 aos 39 anos (Grfico 1). As causas mais freqentes foram a agresso fsica e a queda da prpria altura (Grfico 2). Observou-se tambm que a agresso fsica esteve mais presente entre os 21 e 39 anos e a queda da prpria altura aps os 40 anos (Tabela 1).


Grfico 1. Distribuio das Fraturas Nasais por Faixa Etria.


Grfico 2. Causas das Fraturas Nasais.




DISCUSSO

So poucos os trabalhos que tratam do trauma nasal isoladamente, geralmente se aborda esse tema juntamente ao trauma facial em geral. Sendo o rgo de posio mais proeminente na face, o local mais acometido nesse trauma, fazendo-se possvel uma comparao da etiologia do trauma nasal isoladamente com a do trauma facial.

O sexo masculino, como verificado em outros estudos, foi amplamente o mais acometido (80,2%). Dado anlogo aos encontrados por Bakardjiev (5), que encontrou uma relao de 4 homens com trauma facial para 1 mulher, e Wulkan (2), cujo trabalho analisou 164 pacientes, onde 78% eram do sexo masculino.

As trs causas mais comuns de fratura nasal no nosso servio foram a agresso fsica, a queda da prpria altura e o acidente em motocicleta. Numa casustica de 9543 casos de trauma facial as etiologias mais freqentes foram respectivamente acidente durante atividades da vida diria, esportes, agresso e acidentes automobilsticos (7).

Rocchi et al (6) verificaram que a causa mais freqente de trauma facial na faixa etria dos 11 aos 19 foi o acidente em motocicleta (41% dos casos). No nosso estudo, em faixa etria anloga, a mais prevalente foi a agresso fsica (36%). Dentre os 30 casos de fratura nasal nessa faixa etria, somente 4 (13,3%) tiveram como etiologia o acidente automobilstico, e, em todos esses, o paciente se encontrava na motocicleta. O acidente em motocicleta uma causa importante de trauma facial, principalmente devido ao fato do uso corrente do capacete sem proteo da face. Dentro dos acidentes com motocicleta, o osso nasal um dos mais fraturados, alm da rbita e da maxila (8).

Dentre os 21 acidentes automobilsticos que levaram a fratura nasal, 14 foram em passageiros de motocicletas, o dobro do nmero dos casos em passageiros no carro. Esses dados tm ainda maior valor quando se considera que o nmero de carros no trfego consideravelmente superior ao de motocicletas.

De uma forma descritiva, houve uma tendncia de associao de queda de bicicleta com a faixa de 0 a 12 anos (Figura 1), de agresso fsica com a dos 21 aos 39 anos, queda da prpria altura e de plano elevado de 40 a 65 anos e na idade de 65 anos ou mais tambm se associou com a queda da prpria altura.


Figura 1. Menina com fratura nasal ps-queda.



So necessrios outros estudos que avaliem especificamente a fratura nasal o que possibilitar um maior conhecimento epidemiolgico e melhor padronizao do diagnstico e tratamento dessa afeco.


CONCLUSO

O sexo masculino, como nas fraturas faciais em geral, o mais acometido nas fraturas nasais. A agresso fsica uma etiologia importante nesse tipo de fratura. Em nosso estudo, houve uma tendncia de associao de queda da prpria altura com a idade acima dos 40 anos.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. Kapoor PKD, Richards S, Dhanasekar G, Nirmal Kumar B. Management of nasal injuries: a postal questionnaire survey of UK ENT consultants. The Journal of Laryngology & Otology. 2002, 116:346-348.

2. Wulkan M, Parreira JG, Botter DA. Epidemiologia do Trauma Facial. Revista da Associao Mdica Brasileira. 2005, 51(5):290-5.

3. Voegels RL et al. Condutas Prticas em Rinologia, Em: Traumatismo Nasal. So Paulo, Fundao Otorrinolaringologia, 2002.

4. Leong SCL, Abdelkader M, White OS. Changes in nasal aesthetics following nasal bone manipulation. The Journal of Laryngology & Otology. 2007, 122:38-41.

5. Bakardjiev A, Pechalova P. Maxillofacial fractures in Southern Bulgaria - a retrospective study of 1706 cases. J Craniomaxillofac Surg. 2007, 35(3):147-50.

6. Rocchi et al. Craniofacial trauma in adolescents: incidence, etiology and prevention. J Trauma. 2007, 62(2):404-9.

7. Gassner et al. Cranio-maxillofacial trauma: a 10 year review of 9543 cases with 21067 injuries. J Cranimaxillofac Surg. 2003, 31(1):51-61.

8. Gopalakrishna G, Peek-Asa C, Kraus JF. Epidemiologic features of facial injuries among motorcyclists. Ann Emer Med. 1998, 32(4):425-30.










1. Mdico. Residente em Otorrinolaringologia.
2. Mestre em Otorrinolaringologia pela Unicamp. Professor Assistente do Setor de Otorrinolaringologia do Hospital Universitrio da Universidade Estadual de Londrina.
3. Mestre em Cincias Mdicas pela Universidade Estadual de Londrina. Coordenadora do setor de Otorrinolaringologia da Universidade Estadual de Londrina.
4. Mdico Otorrinolaringologista. Assistente do setor de Otorrinolaringologia da Universidade Estadual de Londrina.

Instituio: Hospital Universitrio da Universidade Estadual de Londrina. Londrina/PR - Brasil.

Endereo para correspondncia:
Marco Aurlio Fornazieri
Av. Robert Kock, 60 - Bairro Cervejaria
Londrina/PR - Brasil - CEP: 86038-350
Telefone: (+55 43) 3371-2000
E-mail: marcofornazieri@gmail.com

Artigo recebido em 11 de Janeiro de 2008.
Artigo aprovado em 1 de Novembro de 2008.
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