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Ano: 2008  Vol. 12   Num. 4  - Out/Dez Print:
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Carcinoma Adenide Cstico do Seio Esfenide
Sphenoid Sinus Adenoid Cystic Carcinoma
Author(s):
Otavio Marambaia1, Amaury de Machado Gomes2, Pablo Pinillos Marambaia3, Kleber Pimentel4, Fabio Siqueira Costa Almeida5
Palavras-chave:
carcinoma, adenide, cstico, seio, esfenide
Resumo:

Introduo: O carcinoma adenide cstico do esfenide uma neoplasia maligna rara, na cabea e pescoo, e quando localizado nos seios paranasais, tem origem nas glndulas salivares menores. Apresenta crescimento lento, e caracterizado por uma grande invaso dos tecidos adjacentes, alm de grande capacidade de metstases. A cirurgia associada radioterapia ps-operatria utilizada como tratamento. Objetivo: Descrever um caso de carcinoma adenide cstico do seio esfenide em um paciente do sexo masculino, negro de 62 anos. Relato do Caso: N. L. B., 62 anos, masculino, apresentava rinorria sanguinolenta h seis meses associada obstruo nasal bilateral. Na nasofibroscopia mostrava leso aspecto polipide em fossa nasal esquerda. Foi submetido biopsia e o anatomopatolgico demonstrou carcinoma adenide cstico sendo o paciente encaminhado para oncologia. Concluses: A importncia de se realizar o diagnstico diferencial entre infeco crnica nasossinusal e tumores nasossinusais.

INTRODUO

Carcinoma adenide cstico do nariz e dos seios paranasais representa um grande desafio para o diagnstico precoce e tratamento preciso. Correspondem a 1% dos tumores malignos da regio cabea e pescoo (2,6,8), sendo raro no seio esfenide (2%) (9). O tumor apresenta crescimento lento, contudo comum a invaso neural, metstases distncia e recorrncias mltiplas (1,7,8). O sexo feminino o mais acometido e seu pico de incidncia ocorre na quinta dcada (1,3,6,8). Sendo a cirurgia radical e radioterapia ps-operatria o tratamento de escolha (8). Relata-se um caso de carcinoma adenide cstico do seio esfenide em um homem negro de 62 anos.


RELATO DO CASO

Paciente masculino, NLB, 62 anos, negro, procurou o servio de otorrinolaringologia com histria de rinorria sanguinolenta h seis meses auto limitada e de pequena quantidade. Associado ao quadro referia obstruo nasal espordica bilateral que piorava com exposio de alrgenos ambientais, alm de espirros e coriza. Negava prurido nasal. Ao exame apresentava desvio septal esquerda associado hipertrofia de cornetos inferiores. Na nasofibroscopia foi evidenciado tumor de aspecto polipide na fossa nasal esquerda com insero sugestiva em septo e recesso esfeno-etmoidal. A tomografia computadorizada dos seios da face demonstrava uma imagem de densidade de partes moles que ocupava grande parte da fossa nasal esquerda, parede posterior do septo, seio etmide e invadindo parede anterior do esfenide esquerdo com sinais de eroso ssea (Figura 1). O paciente foi submetido biopsia por via endoscpica intranasal. Notava-se invaso de parede anterior do esfenide esquerdo que se encontrava frivel e tumor invadindo assoalho de esfenide com cerca de 0,3 cm de distancia da impresso da cartida interna esquerda. O paciente evolui sem intercorrncias com alta hospitalar. O exame anatomopatolgico revelou carcinoma adenide cstico. O paciente foi encaminhado para o servio de oncologia.


Figura 1. TC de face corte coronal - Imagem de densidade de partes moles que ocupa grande parte da fossa nasal esquerda, parede posterior do septo, seio etmide e invadindo parede anterior do esfenide esquerdo com sinais de eroso ssea.


Figura 2. Foto lamina - Corte histolgico mostrando: o estroma conjuntivo hialinizado,conferindo o aspecto tubular.(HE x 100).



DISCUSSO

No decorrer desde sculo, foram encontradas trs variantes histolgicas do Carcinoma Adenide Cstico, sendo o padro slido com evoluo clinica mais agressiva (1,3,5,6).

Ocorre mais freqentemente entre a quarta e stima dcada de vida com pico na quinta dcada, concordando com a idade do nosso paciente, e o sexo feminino o mais acometido na proporo (2,5: 1) (5), divergindo do sexo do nosso caso. Tendo as glndulas salivares menores e submandibulares os locais mais afetados (1,3). Carcinoma adenide cstico um tumor raro no esfenide (9).

Alguns fatores importantes para o prognostico do Carcinoma adenide cstico so: localizao anatmica, o tamanho, o envolvimento ou no de estruturas adjacentes, grau de atipa celular, as margens cirrgicas e a presena de gnglios metastizados (1,2,4,6).

O atraso no diagnostico tem sido atribudo aos sintomas da doena que freqentemente mimetizam sinusite crnica (2,4).

No diagnostico, estadiamento e avaliao pr e ps-cirrgica destas leses ressonncia magntica e a tomografia computadorizada tem papel fundamental, definindo a extenso anatmica da neoplasia e a integridade das estruturas adjacentes (2,4,5).

O tratamento do Carcinoma adenide cstico consiste em quatro modalidades distintas: cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia combinada (5). O tratamento com cirurgia e radioterapia ps-operatria (4,7), comparados a aqueles tratados apenas com cirurgia tem apresentado resultados melhores (1). O beneficio do uso da quimioterapia ainda no esta definida (4).

Neste caso, tratava-se de leso tumoral volumosa, cuja exrese cirrgica era impraticvel, devido s margens segurana oncolgica, ento foi realizada a biopsia da leso e encaminhado para a radioterapia. Aps 2 anos de tratamento o paciente no apresentou recidiva.

Tendo em vista nosso caso,conclumos a importncia de se realizar o diagnstico diferencial entre infeco crnica nasossinusal e tumores nasossinusais.


CONSIDERAES FINAIS

O carcinoma adenide cstico do esfenide um tumor raro . Portanto pacientes com mais de 50 anos e sintomalogia de sinusite crnica mais tumor de seios paranasais deve-se lembrar do carcinoma adenide cstico como possibilidade diagnostica.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

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9. DeMonte F, Ginsberg LE, Clayman Gl. Primary Malignant Tumors of the Sphenoid Sinus. Neurosurgery. 2000, 46(5):1084-91.











1. Coordenador do Estgio de Otorrinolaringologia do INOOA Professor da Disciplina de Otorrinolaringologia da Escola Bahiana de Medicina e Sade Pblica - EBMSP Chefe do Corpo Clnico do Hospital Santa Izabel - Santa Casa de Misericrdia de Salvador - Bahia. Preceptor do Servio de Otorrinolaringologia - INOOA. Preceptor do Servio de Otorrinolaringologia - INOOA.
2. Otorrinolaringologista - SBORL. Preceptor do Servio de Otorrinolaringologia - INOOA.
3. Otorrinolaringologista - SBORL. Mdico Assistente - INOOA.
4. Mestre em Medicina Interna pela Universidade Federal da Bahia - UFBA. Preceptor de Metodologia Cientifica do INOOA.
5. Residente em Medicina.

Instituio: INOOA - Instituto de Otorrinolaringologia Otorrinos Associados. Salvador / BA - Brasil.

Endereo para correspondncia:
Fabio Siqueira Costa Almeida
Avenida ACM, 2603 - Ed. Ventura de Matos
Salvador / BA - Brasil - CEP: 40280-000
Telefone: (+55 71) 3270-8000 - Fax: (+55 71) 3270-8020
E-mail: fabioscalmeida@yahoo.com.br

Artigo recebido em 23 de Setembro de 2007.
Artigo aprovado em 25 de Setembro de 2008.
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