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Ano: 2008  Vol. 12   Num. 4  - Out/Dez Print:
Case Report
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Condroblastoma do Osso Esfenide
Chondroblastoma of the Sphenoid Bone
Author(s):
Tomas Gomes Patrocni1, Lucas Gomes Patrocnio2, Samuel Caputo de Castro3, Antonio Diniz Souza4, Jos Antonio Patrocnio5
Palavras-chave:
base do crnio, neoplasias da base do crnio, condroblastoma, osso esfenide
Resumo:

Introduo: Condroblastoma uma rara neoplasia benigna cartilaginosa, altamente destrutiva, que caracteristicamente surge na epfise de ossos longos em pacientes jovens. Sua ocorrncia extremamente rara na base do crnio, normalmente ocorrendo no osso temporal. Objetivo: Descrever um raro caso de um paciente apresentando um condroblastoma de osso esfenide que invadia a fossa mdia, submetido a resseco cirrgica com sucesso, sem recorrncia aps 2 anos. Relato do Caso: W.J.S., 37 anos, masculino, encaminhado ao ambulatrio de otorrinolaringologia com otalgia persistente e de forte intensidade h 3 meses. Apresentava otoscopia normal e sem tumoraes visveis. Tomografia computadorizada evidenciou massa tumoral em fossa infra-temporal esquerda, invadindo fossa cerebral mdia. Bipsia sugeria tumor de clulas gigantes. Realizada resseco ampla por abordagem anterior via osteotomia orbito-zigomtica. Durante a cirurgia, confirmando achados tomogrficos, no foi encontrado envolvimento do osso temporal. Exame histopatolgico evidenciou condroblastoma. Aps 18 meses da cirurgia, no apresenta queixas, sem dficits motores, sensitivos ou de nervos cranianos e sem sinais tomogrficos de recorrncia. Concluso: Destaca-se a importncia do diagnstico diferencial do condroblastoma nas leses da base do crnio e sua abordagem teraputica, cujo objetivo sempre deve ser a maior resseco possvel com a mxima preservao de funo.

INTRODUO

Tumores da base do crnio so leses incomuns que no so relatadas sistematicamente na literatura mdica. Portanto, avaliar sua real incidncia e conseqncias para a sade da populao em geral difcil. Condroblastoma uma rara neoplasia benigna cartilaginosa, altamente destrutiva, que caracteristicamente surge na epfise de ossos longos em pacientes jovens (1). Sua ocorrncia extremamente rara na base do crnio, normalmente ocorrendo no osso temporal (2,3).

Descrevemos um raro caso de um paciente apresentando um condroblastoma de osso esfenide que invadia a fossa mdia, submetido a resseco cirrgica com sucesso, sem recorrncia aps 18 meses.


RELATO DO CASO

W.J.S., 37 anos, masculino, leucoderma, com otalgia persistente e de forte intensidade h cerca de 3 meses. Apresentava otoscopia normal, sem tumoraes visveis, com moderada dor abertura bucal. Tomografia computadorizada (TC) evidenciou massa tumoral em fossa infra-temporal esquerda, invadindo fossa cerebral mdia (Figura 1). Realizada bipsia via inciso intra-oral no sulco gengivo-labial superior esquerdo, cuja anlise histopatolgica sugeria tumor de clulas gigantes.


Figura 1. Tomografia computadorizada, cortes coronal (A) e axial (B), demonstrando massa tumoral em fossa infra-temporal esquerda, invadindo fossa cerebral mdia, sem comprometimento do osso temporal (crculo).



Foi, ento, submetido a resseco micro-cirrgica por abordagem anterior via osteotomia orbito-zigomtica. Durante a cirurgia, confirmando achados tomogrficos, no foi encontrado envolvimento do osso temporal. Realizada resseco cirrgica ampla. No houve complicaes. Recebeu alta hospitalar no 5 ps-operatrio. Exame histopatolgico evidenciou condroblastoma (Figura 2).


Figura 2. Corte histolgico evidenciando diagnstico de condroblastoma (hematoxilina-eosina, 200X).



O paciente permanece sob acompanhamento ambulatorial, com consultas trimestrais e TC semestrais. Aps 2 anos da cirurgia, no apresenta queixas, sem dficits motores, sensitivos ou de nervos cranianos e sem sinais de recorrncia na TC.


DISCUSSO

Condroblastomas representam menos de 1% de todos os tumores sseos primrios. Consistem de condroblastos, que so clulas primitivas da cartilagem epifisria, redondas ou ovais, que contm denso citoplasma eosinoflico. reas celulares so rodeadas por quantidades variveis de matriz eosinoflica densa, podendo conter calcificaes. Figuras mitticas e atipias celulares so raras. Alteraes csticas podem simular cistos aneurismticos sseos (1).

Em 1931, Codman (4) classificou como uma variante condromatosa dos tumores de clulas gigantes quando descreveu essas leses no mero proximal. Uma dcada depois, Jaffe e Lichtenstein (5) renomearam como condroblastoma para enfatizar a gnese condroblstica da leso e para distinguir do tumor de clulas gigantes clssico.

Em ossos longos, ocorre mais comumente na faixa dos 10 aos 30 anos de idade, numa relao masculino:feminino de 2-3:1. Fraturas patolgicas e, raramente, transformao maligna podem ocorrer. Sem exciso cirrgica o tumor pode estender para tecidos adjacentes e metastatizar para rgo distantes. Nesta regio, encontra-se recorrncia em cerca de 10% dos casos aps curetagem cirrgica, o tratamento de escolha (6).

Na base do crnio, at o momento, foram descritos 63 casos no osso temporal e 8 no cndilo mandibular (3,4). No foi encontrada a descrio de sua ocorrncia isolada no osso esfenide.

Indicaes para resseco cirrgica de tumores da base do crnio tm evoludo. Sintomas e expectativa de vida do paciente, histria natural da doena e estruturas envolvidas pelo tumor devem ser considerados durante a deciso teraputica. No caso do condroblastoma da base do crnio, poucos dados sobre teraputica e prognstico existem na literatura. No osso temporal, sugere-se que uma ampla resseco cirrgica promove uma menor taxa de recorrncia (3,4). No presente caso, optamos por uma ampla resseco j que o tumor no invadia estruturas importantes como osso temporal, articulao temporo-mandibular e artria cartida interna.


CONCLUSES

Descrevemos um raro caso de condroblastoma de osso esfenide que ocupava as fossas infratemporal e cerebral mdia. Foi submetido a resseco cirrgica ampla, sem recorrncia aps 2 anos.

Destaca-se a importncia do diagnstico diferencial deste tumor nas leses da base do crnio e sua abordagem teraputica, cujo objetivo sempre deve ser a maior resseco possvel com a mxima preservao de funo.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. Turcotte RE, Kurt AM, Sim FH. Chondroblastoma. Human Pathol. 1993, 24(9):944-9.

2. Kurokawa R, Uchida K, Kawase T. Surgical treatment of temporal bone chondroblastoma. Surg Neurol. 2005 Mar, 63(3):265-8.

3. Gaudet EL Jr, Nuss DW, Johnson DH Jr, Miranne LS Jr. Chondroblastoma of the temporal bone involving the temporomandibular joint, mandibular condyle, and middle cranial fossa: case report and review of the literature. Cranio. 2004, 22(2):160-8.

4. Codman, EA. Epiphyseal chondromatous giant cell tumors of the upper end of the humerus. Surgery, Gynecology and Obstetrics. 1931, 52: 543-8.

5. Jaffe HL, Lichtenstein L. Benign chondroblastoma of bone: a reinterpretation of the so-called calcifying or chondromatous giant cell tumor. Am J Pathol. 1942, 18:969-91.

6. Ramappa AJ, Lee FYI, Tang P. Chondroblastoma of bone. J Bone Joint Surg. 2000, 82A(8):1140-5.









1. Mdico. Residente do Servio de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlndia.
2. Otorrinolaringologista. Chefe da Diviso de Cirurgia Crnio-Maxilo-Facial do Servio de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlndia.
3. Doutor. Neurocirurgio do Servio de Neurocirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlndia.
4. Mestre. Chefe da Diviso de Cirurgia de Cabea e Pescoo do Servio de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlndia.
5. Professor Titular. Chefe do Servio de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlndia.

Instituio: Servio de Otorrinolaringologia, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Uberlndia.
Uberlndia / MG - Brasil.
Endereo para correspondncia: OTOFACE - Rua Arthur Bernardes, 555 - 1 andar - Uberlndia / MG - Brasil - CEP: 38400-368 - Telefone/Fax: (+55 34) 3215-1143 - E-mail: lucaspatrocinio@triang.com.br
Artigo recebido em 16 de Outubro de 2007. Artigo aprovado em 21 de Maio de 2008.
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