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Ano: 2009  Vol. 13   Num. 3  - Jul/Set Print:
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Eficcia do Protetor Auditivo de Insero em Programa de Preveno de Perdas Auditiva
Efficacy of the Auditory Protection for Insertion Into a Program of Hearing Losses Prevention
Author(s):
Cludia Barsanelli Costa1, Walria Umeoka Gama2, Teresa M. Momensohn-Santos3.
Palavras-chave:
audiometria, sade do trabalhador, perda auditiva.
Resumo:

Introduo: O rudo causa efeitos sobre a audio e em todo organismo. Na audio pode produzir a mudana temporria no limiar (MTL): por um curto prazo o limiar de sensibilidade auditiva aumentado devido exausto metablica das clulas ciliadas na presena de sons intensos. Eliminado o rudo, aps o repouso auditivo, a audio volta ao seu limiar normal. Os indivduos que atuam expostos a rudo podem adquirir mudana permanente de limiar (MPL). Uma das formas de evitar a MTL/MPL usar o protetor auditivo quando em presena de rudo. Objetivo: O objetivo desta pesquisa foi verificar a eficcia dos protetores auditivos usados pelos trabalhadores expostos a rudo de 96,5 dB (L) em uma metalrgica no interior do Estado de So Paulo. Mtodo: Audiometria tonal antes e aps a jornada de trabalho, em 13 trabalhadores usurios de protetores auditivos do tipo insero, expostos a 96,5 dB (L), para determinar se h MTL. Resultados: Constatou-se que a audio dos trabalhadores no sofreu alteraes de limiares audiomtricos estatisticamente significante entre o exame pr e ps jornada de trabalho Concluso: Esta pesquisa mostrou que o uso dos protetores auditivos do tipo insero foi eficaz, pois no produziu o MTL nos trabalhadores expostos a rudo.

INTRODUO

O rudo caracterizado como o fator mais prevalente na origem de doenas ocupacionais e tambm como o agente fsico nocivo sade mais comum nos ambientes de trabalho (1).

A perda auditiva induzida por nvel de presso sonora elevada (PAINPSE) a mudana permanente do limiar decorrente de exposio contnua, do tipo neurossensorial, geralmente bilateral e simtrica, irreversvel, com grau que varia entre normal e leve, e configurao audiomtrica do tipo entalhe, na faixa de frequncias de 3000, 4000 e/ou 6000 Hz. Progride lentamente, podendo atingir as frequncias de 8000, 2000, 1000, 500 e 250 Hz e atinge seu nvel mximo, nas frequncias mais altas, nos primeiros 10 a 15 anos de exposio continuada em nvel de presso sonora (NPS) elevado (2). A prevalncia da perda auditiva se eleva medida que se aumenta o tempo de exposio ao rudo (3,4).

A Norma Regulamentadora N. 15 (NR-15), da Portaria N. 3.214/1978 (BRASIL, 1978), fixou 85 dB como limite de tolerncia para uma exposio durante 8 horas dirias, a rudos contnuos ou intermitentes (1,5).

Dentre as providncias necessrias para a promoo da sade e a preveno no combate a doenas ocupacionais e acidentes do trabalho em uma empresa, esto implantao e implementao de programas.
O Programa de Preveno de Perdas Auditivas (PPPA) parte integrante das estratgias do P.P.R.A. (Programa de Preveno de Riscos Ambientais - NR 9), P.C.M.S.O. (Progra-ma de Controle Mdico de Sade Ocupacional - NR 7) e do Sistemas de Gesto da Segurana e Sade no Trabalho. O PPPA tem como objetivo a promoo da sade auditiva e preveno dos danos auditivos e efeitos extra-auditivos, provocados pela exposio a nveis de presso sonora elevados e agente qumicos ototxicos (1).

A exposio ao rudo pode provocar diferentes sintomas nos trabalhadores, que podem ser de ordem auditiva e/ou extra-auditiva, dependendo das caractersticas do risco, da exposio e do indivduo exposto. So reconhecidos como efeitos auditivos o zumbido (sintoma mais frequente) (6), a perda auditiva e as dificuldades na compreenso da fala. So considerados sintomas extraauditivos as alteraes do sono e os transtornos da comunicao, os problemas neurolgicos, vestibulares, digestivos, comportamentais, cardiovasculares e hormonais (7).

O rudo causa efeitos sobre a audio e em todo organismo. Na audio ocorre mudana temporria no limiar (MTL): por um curto prazo o limiar de sensibilidade auditiva aumentado devido exausto metablica das clulas ciliadas na presena de sons intensos. Aps repouso auditivo , a audio volta ao seu limiar normal (8).

Em relao periculosidade do rudo, estudos realizados (9) destacaram que, se um rudo no ocasionar MTL, no ocasionar perda auditiva permanente .

Estudos publicados (10), destacaram os principais fatores que contribuem para esse risco: o nvel sonoro, a distribuio espectral do som, a durao e a distribuio da exposio ao rudo. Relatou que para que ocorra MTL, os nveis de rudo devem ultrapassar 60 a 80 dBNA em exposies que durem de 8 a 16 horas. Valores acima desse limite so suficientes para causar dano coclear (11).

Quando as medidas de controle coletivo na fonte no so suficientes, faz-se necessrio o uso de equipamento de proteo auditiva (EPA), sendo um mtodo considerado temporrio e o ltimo recurso para a proteo auditiva (12).

Morata e Santos relataram que indivduos que atuam expostos ao rudo sem usar EPA, e no fazem repouso auditivo entre as jornadas de trabalho, so mais suscetveis a adquirir mudana permanente de limiar (MPL)(13). Os protetores auditivos podem prevenir alteraes na cclea (14). A suscetibilidade do indivduo e a caracterstica do rudo tm relao com a facilidade para adquirir perda auditiva (15).

Por isto a NIOSH e OHSA (rgos federais de pesquisa e fiscalizao nos EUA) recomendam aplicar fatores de correo (de baixa preciso) para baixar os altos valores de atenuao. Desta forma foi aprovada em 1997, uma nova norma a ANSI S12.6 - 1997 (B) que baseada na realizao de ensaios com ouvintes no experientes, sem treino e sem ajuda pelo executor do ensaio para colocar o protetor. Este mtodo se chama "Subject fit = sf" ou colocao por ouvintes, e o correspondente NRR se chama NRRsf.

Existem cerca de 1.500 marcas de protetores auditivos, que variam conforme o tipo de adaptao realizada: insero, concha, capa do canal e acoplado a capacete. Os parmetros principais para a seleo do protetor so o conforto, nvel de reduo de rudo (NRRsf) do protetor, tipo do ambiente, tempo de uso e compatibilidade com outros equipamentos de segurana. Alm desses fatores, h necessidade de um adequado treinamento de como utiliz-los (16).

Protetores mais confortveis, mas que so menos atenuantes podem ser mais eficientes, porque se o EPA muito bom do ponto de vista tcnico mas, no usado, seu efeito no obtido (17). No entanto, a atenuao do EPA de difcil mensurao, pois as condies acsticas para sua avaliao no correspondem condio real de uso, e h variabilidade de tempo e diferena entre sujeitos (18).

Diversos estudos buscam medir a eficcia do EPA na preveno da PAINPSE (16, 17, 18,19). Se realmente o EPA est atendendo seu objetivo, proteger a orelha do rudo, pode se hipotetizar que as mudanas temporrias de limiar no estaro presentes nos trabalhadores que usam essa proteo.

O objetivo desta pesquisa verificar a eficcia dos protetores auditivos usados pelos trabalhadores expostos A rudo de 96,5 dB (L).


MTODO

Este projeto foi aprovado pelo Comit de tica em Pesquisa com o protocolo nmero 067/08, em 13/08/08. Trata-se de um estudo transversal quantitativo.

Esta amostra foi composta por 13 trabalhadores que atenderam ao seguinte critrio de incluso: 1-ter audio dentro dos padres de normalidade em ambas as orelhas, segundo o critrio estabelecido pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia - (Audiometria tonal at 25 dB NA); 2trabalhar em ambiente cujo nvel de rudo fosse igual ou maior que 96,5 dB (L); 3- fizesse uso regular do protetor auditivo do tipo insero da marca 3 M e CA 5674; 4treinamento prvio do uso do correto do EPA.

Critrios de excluso: 1- trabalhadores terceirizado; 2- funcionrios que trabalhavam no setor com nvel de rudo menor que 96,5 dB (L); 3- trabalhadores com alteraes visveis otoscopia e/ou alguma alterao auditiva (perda auditiva, otites e zumbido); trabalhadores que se recusaram a participar ou retiraram seu Consentimento Livre e Esclarecido.

No setor da indstria (usinagem) que apresentava o nvel de rudo determinado, trabalhavam 38 indivduos, destes, 15 foram excludos por apresentarem perda auditiva e 10 se recusaram a participar do estudo, pois j haviam realizado o exame peridico no mesmo ms da coleta da amostra.

A amostra foi constituda por 13 trabalhadores do sexo masculino, com idade entre 20 a 60 anos, e turno de trabalho de 8 horas dirias. Foram expostos a rudo de 96,5 dB (L) e utilizavam protetores auditivos do tipo insero, espuma expandida, por toda a jornada de trabalho. A coleta das informaes e os testes audiomtricos foram realizados em uma empresa no interior de So Paulo, perodo de setembro a outubro de 2008.

Os trabalhadores assinaram o termo de consentimento, quando foram informados sobre a finalidade dos exames e como seriam utilizados os respectivos resultados. Aps o consentimento, responderam a anamnese (20) e um questionrio para coleta de informaes referentes presena ou ausncia de queixa auditiva, ao passado otolgico do paciente e uso do equipamento de proteo auditiva (21).

Todos os participantes foram submetidos inspeo visual do meato auditivo externo para verificao da presena de cerume e/ou corpo estranho ou de secreo do meato acstico externo, por meio de otoscpio TK.

Audiometria tonal convencional nas frequncias de 250 a 8.000 Hz, realizada em cabina acstica, com fone supra aural TDH 39, calibrado segundo as determinaes do CFFa (Resoluo 364 e 365 de 30 de maro de 2009). Para obteno dos limiares de audibilidade foi aplicada a tcnica descendente/ascendente e um audimetro clnico, marca Maico - modelo MA 41.

Todos os trabalhadores tiveram sua audio avaliada em dois momentos: 1. antes da jornada de trabalho, e 2 ao final da jornada, aps 8 horas de trabalho.

Para a determinao do intervalo de horas pr e ps exposio ao rudo, foi realizado um estudo piloto do qual participaram 5 indivduos. Nesta etapa os 5 indivduos foram submetidos avaliao audiolgica em 4 momentos: 1- repouso auditivo; 2- aps 4 horas de trabalho; 3- aps o almoo (sem exposio de rudo); 4- no final da jornada de trabalho (8 horas). Os resultados mostraram que o uso desta metodologia no mostrava diferena entre as medidas de limiares auditivos obtida.


RESULTADOS

Na Tabela 1 possvel visualizar os resultados da anlise descritiva das variveis idade, tempo de trabalho no setor e tempo de trabalho em rea de rudo. A Tabela 2 descreve os achados da anamnese e a Tabela 3 descreve as respostas obtidas para o questionrio sobre o equipamento de proteo auditiva.

Anlise dos limiares auditivos pr e ps jornada de trabalho.

Foi observado que, em todas as comparaes realizadas, no foi encontrado MTL.

Constatou-se que a audio dos trabalhadores no sofreu alteraes de limiares audiomtricos estatisticamente significante entre o exame pr e ps jornada de trabalho (22).

A anlise das respostas anamnese (Tabela 2) mostraram que foram poucos casos de queixas de sintomas auditivos (perda auditiva, zumbido, infeco de ouvido e outros), semelhante ao que foi encontrado em outro estudo (22). Isto evidencia que o uso de EPA apresentou vantagens no aspecto preventivo (12,14,23). Gerges considerou o EPA um mtodo temporrio e ltimo recurso para a proteo auditiva quando no possvel diminuir o rudo no ambiente de trabalho (11).

Neste estudo, (Tabela 3) os participantes no mostraram resistncia ao uso de EPA, no corroborando com estudos realizados (24,25,26).Um programa voltado sade do trabalhador permite a conservao auditiva, prevenindo futuros danos auditivos, e promovendo o monitoramento de possveis perdas ou de sua evoluo.

Este estudo mostrou o quanto importante realizar o monitoramento audiomtrico com os indivduos em repouso acstico e sem repouso acstico, pois se o rudo no ocasionar MTL, as possibilidades da ocorrncia de perda auditiva permanente podem diminuir. A deteco da MTL em trabalhadores que fazem uso de EPA, pode ser um instrumento importante para a determinao de reviso das medidas de proteo auditiva individual (9). Sendo assim o EPA deve ser altamente recomendado, pois parece ser suficiente para atenuar o rudo em que os trabalhadores esto expostos prevenindo alteraes na cclea (14).

Sabe-se que o sucesso de programa de preveno de perda auditiva ocupacional tambm depende do trabalhador, por isso precisa estar consciente dos riscos que corre ao no utilizar o EPA.

Os parmetros principais para a seleo do protetor so o conforto, nvel de reduo de rudo (NRRsf) do protetor, tipo do ambiente, tempo de uso e compatibilidade com outros equipamentos de segurana. Alm desses fatores, h necessidade de um adequado treinamento de como utiliz-los (16).












CONCLUSO

Sendo assim, conclui-se que o uso dos protetores auditivos do tipo insero, espuma expandida, foi eficaz, pois no produziu mudana temporria de limiar. Os resultados mostraram eficcia dos protetores auditivos em um Programa de Preveno da Perda Auditiva.

Acreditamos que uma amostra maior deveria ser feita para confirmar esta pesquisa e que a avaliao com emisses otoacsticas tambm deveria ser realizada para esta finalidade, j que, um exame mais sensvel a mudana temporria de limiar comparado com a audiometria.


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1. Especializanda em Audiologista Clnica.
2. Especializanda em Audiologista Clnica e Ocupacional.
3. Doutora. Diretora do Curso de Ps Graduao Lato sensu em Audiologia - Instituto de Estudos Avanados da Audio (IEAA).

Instituio: Instituto de Estudos Avanados da Audio (IEAA)
Jundia / SP - Brasil.

Endereo para correspondncia: Cludia Barsanelli Costa - Rua do Retiro, 444 - Sala 41 - 4 andar - Bairro: Anhangaba - Jundia / SP - Brasil - CEP: 13209-000 - Telefone: (+55 11) 4586-0088 - E-mail: claudiab.costa@uol.com.br

Artigo recebido em 13 de Julho de 2009. Artigo aceito em 16 de Agosto de 2009.
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