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Ano: 2009  Vol. 13   Num. 3  - Jul/Set Print:
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Emisses Otoacsticas Evocadas por Estmulo Transiente e por Produto de Distoro em Recm-Nascidos Prematuros
Transient and Distortion Product Evoked Otoacoustic Emissions in Premature Infants
Author(s):
Jovana Marteletto Denipoti Costa1, Vanessa Furtado de Almeida2, Carlos Augusto Costa Pires de Oliveira3, Andre Luiz Lopes Sampaio4.
Palavras-chave:
perda auditiva neurossensorial, unidades de terapia intensiva neonatal, testes auditivos.
Resumo:

Introduo: A correlao entre as emisses otoacsticas evocadas por transientes (EOAET) e por produto de distoro (EOAEPD) pode ser til para a triagem auditiva neonatal, principalmente em recm-nascidos prematuros, que possuem indicadores de risco para deficincia auditiva. H a necessidade de aprofundar os conhecimentos referentes s propriedades da cclea desta populao. Objetivos: Comparar o resultado das EOAET e das EOAEPD em neonatos prematuros. Analisar a reprodutibilidade nas EOAET, a amplitude e a relao sinal/rudo nas EOAET e EOAEPD. Mtodo: Foram realizadas as EOAET e EOAEPD em 50 neonatos prematuros. Os testes foram correlacionados com relao ao critrio "passa/falha" e comparados segundo parmetros de amplitude e relao sinal/rudo. Resultados: As EOAET estiveram presentes em 71% da amostra. A frequncia de 3kHz apresentou melhor desempenho na reprodutibilidade, amplitude e relao sinal/rudo em mdia. As EOAEPD estiveram presentes em 97% da amostra. A frequncia de 2kHz apresentou maior amplitude em mdia, os valores da relao sinal/rudo aumentaram proporcionalmente nas frequncias altas. Houve forte correlao entre as EOAET e as EOAEPD no critrio "passa/falha" (p= 0,006). Concluso: A correlao entre os resultados das EOAET e EOAEPD foi significante. porm um mtodo complementa o outro e ambos podem ser utilizados na TAN.

INTRODUO

O descobrimento das emisses otoacsticas (EOA), por KEMP em 1978, contribuiu sobremaneira para a deteco precoce da deficincia auditiva. Desde ento, vrios estudos foram realizados e os resultados encontrados na triagem auditiva neonatal (TAN) foram descritos. Porm, necessrio dar continuidade a esses trabalhos, principal-mente em populaes especiais, como os neonatos prematuros.

A deficincia auditiva na infncia afeta de 1 a 3 em cada 1000 nascimentos e cerca de 2 a 4% dos neonatos provenientes de Unidades de Terapia Intensiva (UTI). A idade mdia do diagnstico acontece por volta dos 3 anos de idade (1). Os neonatos so considerados prematuros quando nascem com idade gestacional menor que 37 semanas, e por apresentarem caractersticas especiais, necessitam tambm de cuidados especficos (2).

Devido ao longo perodo de permanncia na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), os neonatos prematuros so expostos a um ambiente inadequado de estmulos e, dentre estes, o rudo excessivo. Dentro do tero, o feto encontra-se protegido dos rudos externos pela ao conjunta da parede uterina, do lquido amnitico e tambm por escutar apenas pela via ssea. Em contraposio, o recm nascido pr-termo, perdendo a proteo uterina e iniciando a audio por via area, permanece exposto aos nveis elevados de rudo dentro da UTIN. Em mdia, o rudo de fundo em uma UTIN de 77,4dB, podendo chegar a picos de rudo de 85,8dB em situaes de admisso, emergncias e trocas de planto, sendo que o recomendado pelo Ministrio da Sade de no mximo 55dB (2).

Partindo-se da hiptese de que as emisses otoacsticas evocadas por transientes (EOAET) so mais as utilizadas, porm apresentam um grande nmero de "falhas" nos recm-nascidos prematuros e que um grande nmero desses recm-nascidos "passariam" no teste das emisses otoacsticas evocadas por produto de distoro (EOAEPD), como observado empiricamente na prtica clnica, esta pesquisa visa realizar as EOAET e EOAEPD e comparar seus resultados em uma amostra de neonatos prematuros e verificar a correlao dos dois testes.

Alm do mais, os recm-nascidos prematuros possuem uma srie de indicadores de risco para a deficincia auditiva, e a comunidade cientfica tem a necessidade de aprofundar os conhecimentos referentes s propriedades da cclea desta populao. Assim, a correlao entre as EOAET e EOAEPD pode trazer novas informaes para a realizao da TAN, principalmente em neonatos nascidos prematuramente por apresentarem particularidades, tais como o tamanho reduzido do conduto auditivo externo, o rudo fisiolgico elevado, alm da presena de indicadores de risco para deficincia auditiva. Com base nisto, o presente estudo teve como objetivo verificar a correlao dos resultados das EOAET e EOAEPD em neonatos prematuros.


MTODO

O projeto da presente pesquisa foi submetido e aprovado pelo Comit de tica em Pesquisa da Secretaria de Estado e Sade do Distrito Federal (SES-DF). Os pacientes que falharam nos exames de EOAET e EOAEPD foram encaminhados para mdico otorrinolaringologista e diagnstico audiolgico.

O presente estudo foi realizado no setor de neonatologia de uma maternidade pblica de referncia em gestao de alto risco na cidade de Braslia - DF. Aps os bebs terem alta da UTIN, permaneciam com suas mes em alojamento conjunto chamado de leito intermedirio, e nesta ocasio foi aplicado o procedimento apenas nos recm-nascidos em que os pais e/ou responsveis assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Foram selecionados aleatoriamente e consecutivamente, durante o perodo de abril a agosto de 2006, 50 bebs nascidos prematuramente, 23 do sexo femininos e 27 masculinos, com a presena de um ou mais dos seguintes critrios de risco para deficincia auditiva: doena ou condio requerendo admisso na UTI por 48 horas ou mais; ventilao mecnica; uso de medicao ototxica.

Pacientes com outros fatores de riscos para deficincia auditiva, foram excludos do estudo, pois podiam apresentar perda auditiva devido a fatores no relacionados com a prematuridade e a permanncia na UTIN. Pacientes com sonda nasogstrica foram excludos do estudo por apresentarem propenso para otite mdia (3).

As EOAET e EOAEPD foram realizadas em ambas as orelhas, com o equipamento Audx-plus - Bio-logic (porttil), nos 50 pacientes, sendo assim foram testadas 100 orelhas. Os bebs permaneceram durante o exame no bero em sono ps-prandial, ao lado do leito das mes. Os testes foram executados na seguinte ordem: inicialmente as EOAET foram realizadas utilizando o protocolo: "TE Screen 70% a 3/4 frequncias" com intensidade do estmulo a 80dB. A orelha inicialmente a ser testada foi selecionada aleatoriamente. A seguir as EOAEPD foram realizadas com o protocolo "Diagnostic 2kHz a 8kHz" com intensidade do estmulo L1= 55dB e L2= 65dB e relao F1/F2=1,22.

Nas EOAET foi utilizado o protocolo "TE Screen 70% a 3/4 frequncias", que testa as bandas de frequncia de 1, 1,5, 2, 3 e 4kHz, porm foram analisadas apenas as bandas de frequncias de: 2, 3 e 4kHz com relao reprodutibilidade, a amplitude e relao sinal/rudo, seguindo o protocolo adaptado ao proposto pelo GATANU para TAN4 a saber: reprodutibilidade acima de 70%, relao sinal/rudo acima de 3dB para a banda de frequncia de 2kHz e 6dB para as bandas de frequncias de 3 e 4kHz.

Os exames com resposta adequada em trs frequncias das cinco testadas foram considerados "passa", e os exames que no apresentaram o padro adotado foram considerados "falha".

Nas EOAEPD foi utilizado o protocolo "Diagnostic 2kHz a 8kHz", e foram testadas e analisadas as frequncias: 2, 3, 4, 6 e 8kHz, nos quesitos amplitude e relao sinal/ rudo. Seguiu-se o protocolo proposto pela GATANU4, o qual sugere a relao sinal/rudo de 6dB para as frequncias de 2 a 8kHz, porm para a banda de frequncia de 2kHz aceitou-se a relao sinal/rudo de 3dB. Desta forma, foram consideradas presentes e analisadas somente as frequncias com o seguinte padro: Amplitude acima de 10 dB; relao sinal/rudo acima de 3 dB para a banda de frequncia de 2kHz e de 6dB para as bandas de frequncias de 3, 4, 6 e 8kHz.

Foram comparados os resultados dos dois testes, ou seja, a presena das EOAET e EOAEPD em cada orelha. Foi utilizado como critrio "passa/falha" com a presena de EOA em pelo menos trs das cinco frequncias testadas.

As amplitudes das frequncias de 2, 3 e 4kHz foram correlacionadas entre os dois procedimentos: EOAET e EOAPD.

Os dados coletados foram transportados para planilhas eletrnicas do programa da Microsoft Office Excel 2003 e a anlise estatstica foi realizada no programa SPSS for Windows verso 13.0. Foi realizada a anlise descritiva dos dados: frequncia, medida de tendncia central (mdia) e medidas de varincia (desvio padro), apresentados por meio de tabelas. Posteriormente foi feita a anlise estatstica dos dados, como descrito a seguir: O teste Qui-Quadrado de Pearson para a anlise referente ao critrio "passa/falha" das EOAET e das EOAEPD; O teste R de Pearson para a anlise da associao entre as variveis dependentes - mdia da reprodutibilidade, amplitude e relao sinal/rudo por banda de frequncia nas EOAET e a mdia da amplitude e da relao sinal/rudo por banda de frequncia, nas EOAEPD - e as variveis independentes orelha (direita e esquerda) e gnero (feminino e masculino). O teste T de amostra pareada para a comparao das amplitudes e da relao sinal/rudo entre as bandas das frequncias de 2, 3 e 4kHz nas EOAET e entre as bandas de frequncia de 2, 3, 4, 6 e 8kHz nas EOAEPD. O teste Kappa foi empregado para acorrelao entre os resultados das EOAET e das EOAEPD segundo critrio "passa-falha". E, finalmente, o coeficiente de correlao de Pearson para a correlao entre as mdias da amplitude das bandas de frequncia de 2, 3 e 4kHz das EOAET e das EOAEPD. Para todos os testes estatsticos foi utilizado intervalo de confiana de 95% (erro ? = 0,05).


RESULTADOS

Foram estudados 50 recm-nascidos prematuros, 23 do gnero feminino (46 orelhas) e 27 do gnero masculino (54 orelhas), totalizando 100 orelhas. A idade mdia foi de 34 semanas (d.p. 2,42 semanas). Todos eram adequados idade gestacional (AIG) com peso mdio de 1920,36g (d.p. 429,95g).

Entre as 100 orelhas testadas, 71 passaram, sendo 34 da orelha direita e 37 da orelha esquerda nas EOAET. Apesar de a orelha esquerda apresentar um maior nmero de falhas, essa diferena no foi significativa (p= 0,509). Entre as 46 orelhas do gnero feminino 36 passaram e 10 falharam para as EOAET e das 54 orelhas do gnero masculino 35 passaram e 19 falharam, porm essa diferena tambm no foi significativa (p= 0,140).

No houve diferena estatstica significante, entre o gnero feminino e masculino, e entre a orelha direita e esquerda, relacionadas com as variveis: amplitude, reprodutibilidade e relao sinal/rudo nas frequncias analisadas nas EOAET, desta forma os resultados foram analisados em conjunto.

Com relao amplitude nas EOAET observa-se que apesar da banda de frequncia de 3kHz apresentar maior mdia no foi verificada diferena significativa com a banda de frequncia de 2kHz (p= 0,587). Porm com a banda de frequncia de 4kHz foi observada uma diferena significativa (Tabela 1). No estudo da reprodutibilidade nota-se a maior mdia na frequncia de 3kHz, na anlise estatstica foi observada diferena significante com as mdias das bandas de frequncia de 2kHz e 4kHz (Tabela 1). Na anlise da relao sinal/rudo a maior mdia tambm ocorreu na frequncia de 3kHz, com diferena significativa entre as mdias das bandas de frequncia de 2kHz e 4kHz (Tabela 1).

Das 100 orelhas testadas 97 passaram, 48 orelhas direitas e 49 orelhas esquerdas nas EOAEPD. Na comparao entre os gneros observou-se: 45 participantes do gnero feminino passaram e apenas 1 falhou e no gnero masculino 52 passaram e 2 falharam. No houve diferena significativa entre as orelhas direita e esquerda (p= 0,558) e entre os gneros feminino e masculino (p= 0,655) quanto ao parmetro passa/falha. Desta forma, na anlise da amplitude e da relao sinal/rudo das EOAEPD foram agrupados o gnero feminino e masculino e a orelha direita e esquerda.

A anlise da amplitude por banda de frequncia nas EOAEPD demonstrou que as maiores mdias ocorreram na frequncia de 2kHz e 8kHz respectivamente (Tabela 2). Na anlise estatstica entre as frequncias pode-se observar que no houve diferena significativa entre as mdias da amplitude das bandas de frequncia de 2kHz e 8kHz (p= 0,140). As bandas de frequncia de 3kHz e 4kHz tambm no apresentaram diferena significativa (p= 0,129). Nas demais bandas de frequncia verificou-se diferenas significativas entre as mdias (Tabela 2).

Os resultados da relao sinal/rudo das EOAEPD demonstram um aumento gradativo do valor da mdia da relao sinal/rudo com o aumento da frequncia. A anlise estatstica (Tabela 2) evidenciou que apenas entre as bandas de frequncia de 2kHz e 3kHz no foi observada diferena significativa (p= 0,481).

Foi observada uma correlao significativa entre as EOAET e as EOAEPD no critrio "passa/falha" (p= 0,006). Assim, das 100 orelhas: 97 passaram nas EOAEPD, destas 71 tambm passaram nas EOAET e todas que passaram nas EOAET, passaram nas EOAEPD. Das 29 orelhas que falharam nas EOAET apenas 3 falharam nas EOAEPD, das 71 orelhas que passaram nas EOAET nenhuma falhou nas EOAEPD.

Na correlao entre as amplitudes das EOAET e das EOAEPD nas bandas de frequncias de 2, 3 e 4kHz foi observada uma boa correlao entre todas as bandas de frequncia nos dois tipos de EOAE (Tabela 3).








DISCUSSO

Segundo a literatura cientfica consultada a TAN pode ser realizada tanto pelas EOAET quanto pelas EOAEPD, porm em relao populao de prematuros no foram encontrados estudos especficos que correlacionam os dois tipos de EOA. Os resultados deste estudo sugerem que para os recm-nascidos prematuros a realizao das EOAEPD nos programas de TAN pode ser utilizada visto que h uma boa correlao com as EOAET. Pelo fato das EOAEPD apresentarem menos interferncia do rudo, seja fisiolgico dos recm nascidos como ambiental, h um menor nmero de falhas, o que tambm foi verificado neste estudo.

No presente estudo, foi observado que 71% dos neonatos apresentaram EOAET presentes, esses dados esto prximos ao de outras pesquisas (5,6). Porm, JARDIM (7) encontrou valores superiores ao deste estudo. Avaliando 70 neonatos provenientes de UTIN, cerca de 87,1% passaram no teste de EOAET, porm, os pacientes no foram separados pela presena ou ausncia de fatores de risco para deficincia auditiva, como descrito nesta investigao.

Os resultados desta pesquisa no indicaram diferena significativa entre orelha, gnero e o resultado das EOAET com relao ao critrio "passa/fallha", corroborando com outros estudos (5,6,8,9).

Entretanto, alguns estudos demonstram diferenas relacionadas aos parmetros de amplitude, reprodutibilidade e relao sinal/rudo e entre os gneros, como os de KEI e col. (8) que demonstraram melhor desempenho das respostas das EOAET relacionadas reprodutibilidade, amplitude e relao sinal rudo no gnero feminino e na orelha direita. Resultados semelhantes foram encontrados por AIDAN e col. (10) em 1164 orelhas de neonatos avaliadas. No estudo de THORNTON, MAROTTA e KENNEDY (11) tambm encontraram melhor resposta no gnero feminino e na orelha direita nas 14.328 orelhas do gnero feminino e 14.070 orelhas do gnero masculino avaliadas. SAITOH e col. (12), ao pesquisar 332 neonatos, tambm observaram melhores respostas de amplitude, sinal rudo e reprodutibilidade na orelha direita e no gnero feminino. DURANTE e col. (13) realizaram estudo nacional de TANU com 1000 neonatos e relatam maiores respostas de EOAET na orelha direita e no gnero feminino. Vale ressaltar que esta diferena foi evidenciada em estudos com um maior nmero de participantes e sugere diferenas anatmicas entre os gneros, com a possibilidade de ocorrer maior quantidade de clulas ciliadas externas na cclea do gnero feminino e a fatores relacionados com a atividade eferente da orelha direita. Desta forma pode-se inferir que o presente estudo no encontrou diferena significativa entre os gneros e entre as orelhas possivelmente devido ao nmero de participantes.

A banda de frequncia de 3kHz em mdia apresentou melhor resposta nos trs parmetros analisados, na mdia da amplitude, da reprodutibilidade e da relao sinal/rudo nas EOAET. Vale ressaltar que apesar da banda de frequncia de 3kHz apresentar melhor desempenho que as demais, ao realizar anlise estatstica entre as frequncias, no houve diferena significativa entre as mdias da amplitude da banda de frequncia de 3kHz e 2kHz. O fato da banda de frequncia de 3kHz possuir valores de respostas superiores s demais frequncias em mdia vem de encontro a outros estudos (8,9,13,14,15). KORRES e col. (16) ao estudarem as EOAET em dois grupos de neonatos testados com diferentes protocolos relataram maior mdia da relao sinal/rudo e da reprodutibilidade na frequncia de 3kHz em ambos os grupos. De acordo com HALL (17), ULHA (18) e SPERI (15) essa caracterstica deve ser atribuda influncia das EOA espontneas nesta banda de frequncia.

Com relao utilizao das EOAEPD na TAN, GORGA e col. (19) referem que as EOAEPD so adequadas por ser um teste seguro, no invasivo e possvel de ser realizados em ambientes hospitalares, como maternidades e UTIN onde ocorre certo rudo ambiental. Na literatura cientfica observa-se um interesse crescente nos estudos das EOAEPD na TAN, principalmente pela especificidade de frequncia (19, 20, 21, 22, 23, 24, 25).

Na amostra estudada, 100 orelhas de neonatos prematuros, foi observada presena de EOAEPD em 97 orelhas. A alta presena de EOAEPD tambm foi encontrada em estudos como o de GORGA e col. (19) com 2.348 neonatos saudveis, 4.478 provenientes da UTIN e 353 com algum fator de risco, que encontraram 2,4% de "falha", ou seja, 97,6% "passaram" nas EOAEPD, sendo que a maioria dos que "falhou" possua malformaes craniofaciais. BORGES e col. (25), ao realizarem a TAN em uma amostra de 200 neonatos observaram apenas 1 paciente com EOAPD alterada, que nasceu prematuro e com baixo peso. Na anlise estatstica no foi observada diferena significativa entre gnero e lado da orelha este achado tambm foi observado em outras pesquisas (19, 20, 22).

A maior mdia da amplitude das EOAEPD foi encontrada na banda de frequncia de 2kHz. Ao realizar a comparao por banda de frequncia, no foi observada diferena estatisticamente significante entre as mdias da amplitude das bandas de frequncia de 2kHz e 8kHz. Estudos como os de SOARES (26), RAINERI e col. (22) e AZEVEDO (27) tambm encontraram maior mdia de amplitude na banda de frequncia de 2kHz. GORGA e col. (19) encontraram maior mdia da amplitude em torno das frequncias 1.5kHz a 2kHz, corroborando com os resultados deste estudo.

Outro parmetro analisado nas EOAEPD foi a relao sinal/rudo, no qual foi observado um aumento crescente em direo s bandas de frequncias altas. Entretanto no houve diferena estatisticamente significante quando comparadas as mdias das bandas de frequncia de 2kHz e 3kHz. O aumento gradativo da relao sinal/rudo de acordo com o aumento da frequncia tambm consistente na literatura e revela que quanto mais alta a frequncia menos os rudos fisiolgico e ambiental interferem na captao e no registro das EOAEPD (17, 19, 22, 23, 25, 26, 27). GORGA e col. (19) relataram ainda a possibilidade do pice da cclea produzir menos EOAEPD do que a base da cclea, e que nas frequncias prximas a 1kHz a transmisso pela orelha mdia pior. Neste mesmo estudo os autores compararam os resultados das EOAEPD com o local em que foram realizados os exames: sala sem tratamento acstico e sala com tratamento acstico. No observaram diferena significativa na relao sinal/rudo de acordo com o local da realizao do exame, sugerindo ser o rudo fisiolgico dos neonatos o principal fator a influenciar o aumento da relao sinal/rudo com o aumento da frequncia.

Na comparao entre os resultados das EOAET e EOAEPD pde-se evidenciar uma correlao significativa entre os testes,demonstrando confiabilidade nos dois tipos de EOAE para realizao da TAN em neonatos prematuros. Enquanto 71% das 100 orelhas testadas passaram nas EOAET, 97% delas passaram nas EOAEPD e os 3% que falharam nas EOAEPD encontram-se dentro dos que falharam nas EOAET. Outros estudos tambm observaram concordncia entre os dois tipos de EOAE com neonatos a termo, como os de LONSBURY-MARTIN, WHITEHEADA, e MARTIN (28), LOPES-FILHO e col. (29). No foram encontrados estudos comparativos entre EOAET e EOAEPD com neonatos pr-termo prvios ao nosso.

O fato da "falha" ocorrer mais nas EOAET do que nas EOAEPD pode ser explicado pela diferena entre a tcnica de obteno e pelas frequncias que foram testadas em cada um dos testes. Nas EOAET o protocolo utilizado testou as frequncias de 1kHz a 4kHz e o protocolo das EOAEPD testou as frequncias de 2kHz a 8kHz. Pela literatura cientfica consultada e pelos achados deste estudo observase que as frequncias baixas so mais influenciadas pelos rudos fisiolgico e ambiental (17,19). Desta forma um mtodo complementa o outro. Enquanto as EOAET avaliam as bandas de frequncias baixas, as EOAEPD permitem a avaliao das bandas de frequncias acima de 4kHz.

NORTON e col. (30) realizaram triagem auditiva em 4911 recm-nascidos, incluindo neonatos saudveis, neonatos admitidos na UTIN e neonatos com pelo menos um fator de risco para deficincia auditiva. Utilizaram os trs mtodos indicados pela Associao Americana de Pediatria (AAP), ou seja, EOAET, EOAEPD e Potencial Evocado Auditivo de Tronco Enceflico (PEATE). Eles encontraram um resultado similar entre os mtodos para o diagnstico da perda auditiva. Referem no existir um mtodo perfeito, visto que cada um possui suas limitaes e uns complementam os outros.

Apesar das tcnicas para obteno das EOAET e EOAEPD serem diferentes (31, 17), visto que as EOAET estimulam a cclea como um todo, por meio de estmulo breve (click) e as EOAEPD estimulam partes especficas da cclea de acordo com os tons puros apresentado, foi observada uma boa correlao entre as amplitudes das bandas de frequncias de 2, 3 e 4kHz na amostra estudada. Estes dados concordam com os estudos de GRANJEIRO e col. (32) realizado com adultos e BALATSOURAS e col. (33) feito com crianas de 9 a 12 anos, ambos estudos observaram uma correlao significativa entre as bandas de frequncias nos dois tipos de EOAE. Porm no foi encontrado na literatura cientfica trabalhos com neonatos prematuros que correlacionam as bandas de frequncias das EOAET e das EOAEPD. Desta forma observa-se a necessidade de mais estudos a este respeito.


CONCLUSO

Com base no presente trabalho podemos concluir que a correlao entre os resultados das EOAET e EOAEPD foi significante. As EOAET estiveram presentes em 71% da amostra. A banda de frequncia de 3kHz apresenta melhor desempenho em mdia nos parmetros: reprodutibilidade, amplitude e relao sinal/rudo. As EOAEPD foram observadas em 97% das 100 orelhas testadas e apresentam maior amplitude em mdia na frequncia de 2kHz. Os valores da relao sinal/rudo aumentaram em mdia gradativamente nas frequncias altas. A utilizao das EOAEPD pode ser uma alternativa para a diminuio do ndice de "falha" na TAN de neonatos prematuros quando comparada com as EOAET em maternidades.


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1. Mestre em Cincias da Sade - Universidade de Braslia - Professora de Audiologia da UNIP.
2. Doutora em Cincias da Sade - Universidade de Braslia - Fonoaudiloga do Hospital Santa Luzia.
3. Ph.D Universidade de Minnestota - EUA - Professor Titular da Disciplina de Otorrinolaringologia da UnB.
4. Doutor em Cincias da Sade - Mdico do Setor de Implante Coclear do Hospital Universitrio de Braslia.

Instituio: Servio de Otorrinolaringologia Hospital Universitrio de Braslia Universidade de Braslia
Braslia / DF - Brasil.

Endereo para correspondncia: Andr L. L. Sampaio - SQN 205 - Bloco B - Apto. 506 - Asa Norte - Braslia / DF - Brasil - CEP: 70843-020 - Telefone: (+55 61) 3443-3397 - E-mail: andremarjy@uol.com.br

Artigo recebido em 13 de Setembro de 2009. Artigo aceito em 21 de Setembro de 2009.
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