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Ano: 2009  Vol. 13   Num. 3  - Jul/Set Print:
Case Report
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Tratamento Nasoendoscpico da Mucocele de Seio Esfenoidal
Nasoendoscopic Treatment of the Sphenoid Sinus Mucoceles
Author(s):
Paulo Tinoco1, Jos Carlos Oliveira Pereira2, Rodolfo Caldas Loureno Filho2, Fabrcio Boechat do Carmo Silva3.
Palavras-chave:
seio esfenoidal, mucocele, amaurose.
Resumo:

Introduo: A mucocele uma leso benigna de crescimento lento, composta de material mucoso ou purulento, podendo ser mltiplas e causar eroso ssea. As mucoceles de seio esfenoide so raras, correspondendo a 1% dos casos; sendo mais frequentes nos seios frontal e etmoidal respectivamente. Objetivo: Relatar um caso de mucocele de seio esfenoidal que cursava com sintomas neurolgicos e que foi submetida a tratamento cirrgico atravs da endoscopia nasal. Relato do Caso: Paciente 80 anos, sexo feminino, com histria de dor ocular, diplopia e diminuio progressiva da acuidade visual, evoluindo com amaurose bilateral dois meses depois. Na TC e RNM de crnio evidenciou massa expansiva de seio esfenoide, sugestivo de mucocele. Paciente foi submetida cirurgia nasoendoscopica com abertura e ampliao do stio do seio esfenoide. Comentrios Finais: As patologias que acometem o seio esfenoidal apresentam grande importncia em funo das nobres estruturas que o circundam. A cirurgia endoscpica nasal uma via de abordagem excelente para o tratamento das mucoceles.

INTRODUO

As mucoceles dos seios paranasais so leses csticas expansivas benignas, ocorrendo mais comumente nos seios frontal e etmoidal, sendo raras no seio esfenoidal (1). Clinicamente, a mucocele caracteriza-se por um perodo inicial silencioso, de durao indeterminada, seguida por um perodo em que sua expanso promove deformidade e complicaes. A Tomografia Computadorizada de alta resoluo (TC) e a Ressonncia Nuclear Magntica (RNM) so os exames diagnsticos de escolha (2). O tratamento cirrgico, podendo ser abordado por mtodos convencionais ou por endoscopia nasal (3). Neste artigo apresentamos o caso de uma paciente que cursava com mucocele de seio esfenoidal (MSE) com sintomas neurolgicos.


RELATO DO CASO

A.C.S., 80 anos, sexo feminino, aposentada, natural de So Jos de Ub - RJ, apresentou-se para atendimento no Servio de Neurologia do HSJA com queixa de "cegueira". Relatava dor ocular, diplopia e diminuio progressiva da acuidade visual, evoluindo com amaurose bilateral dois meses depois. A TC de crnio evidenciou massa que emergia do seio esfenoidal e comprimia a inervao ocular. Foi encaminhada ao ambulatrio de Otorrinolaringologia que levantou forte suspeita de mucocele esfenoidal. A RNM confirmou a referida massa expansiva (Figuras 1 e 2), sugestivo de mucocele. Paciente foi submetida a cirurgia nasoendoscopica com abertura e ampliao do stio do seio esfenoide (Figuras 3 e 4).Foi acompanhada semanalmente atravs de endoscopia nasal, apresentando melhora completa do quadro algico, porem com discreta melhora na acuidade visual.


Figura 1. RNM em corte axial mostrando massa expansiva de seio esfenoide.



Figura 2. RNM em corte sagital mostrando massa cstica expansiva ocupando seio esfenoide e comprimindo estrutu-ras adjacentes.



Figura 3. Narina direita: Abertura do seio esfenoidal. direita corneto mdio, a esquerda septo nasal e ao centro abertura do seio com auxilio de pina.



Figura 4. Viso endoscpica do teto do seio esfenoidal. Viso por transparncia da artria cartida interna.



DISCUSSO

A mucocele definida como uma formao cstica expansiva resultante do acmulo e reteno de secreo mucosa em seio paranasal, ocorrendo quando drenagem do seio obstruda (1). Sua incidncia maior entre a terceira e quarta dcadas de vida, sem predileo por sexo (4). Em cerca de 60% dos casos, as mucoceles so secundrias a procedimentos cirrgicos nos seios da face, em 35% dos casos so primrias e 2% so traumticas. O seio esfenoidal, o menos comumente envolvido representa 1% a 8% das mucoceles paranasais (5). Apesar de benigna, o seu carter expansivo poder lentamente ocasionar eroso dos limites sseos dos seios paranasais por compresso e consequente reabsoro ssea, levando ao comprometimento de estruturas adjacentes (6). Foi o que ocorreu no referido caso, em que as estruturas adjacentes ao seio esfenoidal foram comprimidas, levando a sintomatologia descrita.

As manifestaes clnicas da MSE so variveis, sendo as mais comuns, cefaleia, oftalmoplegia, diminuio da acuidade visual, anosmia e sinais de obstruo nasal. Condies mais graves como abscesso cerebral, meningite e amaurose podem fazer parte do quadro (1). Em nosso caso a paciente relatava sintomas oculares de evoluo insidiosa culminando com amaurose bilateral por compresso do quiasma ptico.

O diagnstico diferencial das mucoceles feito com cisto de Rathke, cisticercose, cisto dermoide, adenoma hipofisrio, craniofaringeoma, glioma ptico, alm de leses neoplsicas da base do crnio, seios da face e nasofaringe (2).

A TC de crnio considerado o exame de eleio, pois permite visualizar o grau de expanso sinusal, destruio ssea e o envolvimento de estruturas adjacentes. Alm disso, possvel fazer o diagnstico diferencial com neoplasias, j que a mucocele no sofre qualquer realce com a administrao de contraste (7). Esta demonstra, geralmente, uma massa cstica encapsulada e bem delimitada, podendo invadir estruturas adjacentes. A RNM fornece melhor informao sobre o comprometimento do nervo ptico e da artria cartida pela doena. Ocasionalmente, grandes mucoceles podem simular neoplasias sinusais na TC, enquanto que a RNM pode facilmente diferenciar uma extenso tumoral de um acmulo de secreo resultante de uma obstruo do stio sinusal. Seu uso no rotineiro, sendo recomendada quando a TC mostrar presena de eroso ssea, quando a mucocele estender-se para fora do seio e, ainda, quando existir perda parcial ou total da viso (8).

O tratamento das mucoceles cirrgico, sendo que a via de acesso pode ser por mtodos convencionais (transcraniana e transseptal) ou por endoscopia nasal. Tem por finalidade a confirmao diagnstica, drenagem e exciso ou masurpializao da parede do cisto (3).

Nesse caso optou-se pelo acesso endonasal por videoendoscopia, por ser uma abordagem funcional, pouco invasiva e de baixa morbidade, sendo realizada masurpializao e drenagem abrangente da leso, preservando o epitlio de revestimento. Um seguimento psoperatrio rigoroso se faz necessrio. Frequentes limpezas da cavidade da mucocele e das cavidades nasais ajudam na preveno da inflamao e da doena recorrente. Avaliaes endoscpicas de rotina so efetuadas na evoluo do paciente. Tomografia computadorizada ou ressonncia magntica pode ser necessria, principalmente, quando houver suspeita de recorrncia (9).


COMENTRIOS FINAIS

As patologias que acometem o seio esfenoidal so de grande importncia em funo das nobres estruturas que o circundam, manifestando-se muitas vezes com sintomas neurolgicos.A cirurgia endoscpica nasal uma via de abordagem excelente para o tratamento das mucoceles. Acredita-se que no referido caso no houve melhora importante da acuidade visual devido ao longo perodo em que as estruturas vasculares e nervosas foram comprimidas.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. Abe T, Ludecke D. Mucocele like formation leading to neurological symptons im prolactina secreting pituitary adenomas under dopamine agonist therapy. Surg Neurol. 1999, 52:274-79.

2. Gondim J, Pinheiro I, Junior OIT. Tratamento neurocirrgico da mucocele esfenoidal pela via nasoseptal transesfenoidal endoscpica: relato de dois casos. Arq. Neuropsiquiatr. 2002, 60(2-A):299-302.

3. Caylakli F, Yavuz H, Cajici A, Ozlvoglu LN. Endoscopic sinus surgery for maxillary sinus mucoceles. Head & Face Medicine. 2006, 29(2):1-5.

4. Ifbal J, Kanaan I, Ahmed M, et al. Neusurgical aspests sphenoid sinus mucocele. Br J Neurosurg. 1998, 12:527-530.

5. Rombaux P, Bertrand B, Eloy P, et al. Endoscopic endonasal surgery for paranasal sinus mucoceles. Acta Otorrinol Belg. 2000, 54:115-122.

6. Kennedy D.W, Josephson J.S, Zinreich S.J, Mattox D.E, Goldsmith M.M. Endoscopic sinus surgery for mucoceles: a viable alternative. Laryngoscope. 1989, 99:885-95.

7. Som PM, Shugar JMA. Antral Mucoceles: A new lok. J Comput Assist Tomogr. 1980, 4:484-488.

8. Gilain L, Aidan D, Coste A, Peynegre R. Functional endoscopic sinus surgery for isolated sphenoid sinus disease. Head & Neck. 1994, 16:433-7.

9. Nicolai P, Luca O, De Zinis R, Tomenzoli D, Maroldi R, Antonelli. Sphenoid mucocele with intracranial invasion secondary to nasopharyngeal acinic cell carcinoma. Head & Neck. 1991, 13:540-4.









1. Especialista em Otorrinolaringologia. Coordenador do Servio de Residncia Mdica em Otorrinolaringologia do Hospital So Jos do Ava.
2. Residente de Otorrinolaringologia do HSJA.
3. Acadmico Estagirio do Servio de Otorrinolaringologia do HSJA.

Insituio: Hospital So Jos do Ava
Itaperuna / RJ - Brasi. Endereo para correspondncia: Paulo Tinoco - Rua Coronel Luiz Ferraz, 397- Centro - Itaperuna / RJ - Brasil - CEP: 28300-000 - Telefone: (+55 21) 3822-2836 - E-mail: paulo_tinoco@ig.com.br

Artigo recebido em 9 de Julho de 2008. Artigo aceito em 10 de Maio de 2009.
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