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Ano: 1997  Vol. 1   Num. 1  - Jan/Mar Print:
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Paralisa facial de origem traumtica.
Author(s):
Priscila Bogar, Ricardo Ferreira Bento
Palavras-chave:
O grupo de paralisia facial do HCFMUSP tem um protocolo de atendimento para todos os casos de paralisia traumtica. Geralmente, os pacientes so primeiramente atendidos no pronto socorro de otorrinolaringologia: j, neste momento, introduzimos corticides em dose de 8 mg de dexametasona por dia, em dose decrescente at 15 dias. Na primeira consulta ambulatorial, o paciente interrogado sobre o local e tipo do trauma, presena de otorragia e hipoacusia. importante interrogarmos, neste momento, se a paralisia foi imediatamente aps o trauma ou de instalao lenta ou tardia. Sabemos que se a paralisia no total, de instalao lenta ou tardia, o prognstico melhor, muitas vezes sem necessidade de interveno cirrgica. Nestes casos, supomos que no h seco ou compresso importante do nervo. Assim sendo, o edema causado pelo trauma sofre regresso rapidamente com o tratamento clnico. Avaliamos a funo do nervo facial clinicamente, atravs da graduao de House (I a IV).

Para determinarmos o provvel local de leso do nervo, o paciente submetido ao teste do lacrimejamento, audiometria e impedanciometria (pesquisa do reflexo estapediano, quando no prejudicado pela presena de lquido no ouvido mdio). Consideramos o teste do lacrimejamento o mais importante para casos de paralisia traumtica, pois ele, juntamente com a audiometria, determinante na escolha da via de acesso cirrgico a ser empregada (Quadro 1).

Indicamos testes eltricos para todos os pacientes com paralisia facial traumtica. A eletroneurografia o teste mais fidedigno, pois fornece o percentual de leso; havendo leso de mais de 90% das fibras, h indicao de descompresso cirrgica. Indicamos a eletro-neuroniografia somente aps 3 a 4 dias aps o trauma; antes disto, ela pode no demonstrar o verdadeiro grau de leso, pois ainda no se instalaram a leso neural no local da medio (face).O grande problema deste exame que ele s tem valor se for realizado antes de ocorrer degenerao Waleriana, isto , antes de 2 a 3 semanas aps a instalao da paralisia. Muitos pacientes com traumas extensos s nos procuram quando este tempo j se esgotou.

Quadro1

Audiometria Normalou Disacusia Condutiva

Cofose

Diminuio do Lacrimejamento

Descompresso Total (Fossa Mdia e Mastodea)

Descompresso Total (Mastodea e Translabirntica)

Lacrimejamento normal

Descompresso Via Mastodea

Descompresso Via Mastodea (Possvel Translabirntica)



Aps este perodo, podemos recorrer eletromiografia. Aps 10 a 14 dias de paralisia, a eletromiografia pode mostrar potenciais de fibrilao, significando degenerao ativa, e, aps 4 a 6 semanas, podemos detectar potenciais polifsicos, significando regenerao neural. A eletromiografia tambm indicada no seguimento de pacientes submetidos a descompresso ou anastomose do nervo facial. Se aps 18 meses de cirurgia, o paciente no apresenta melhora clnica ou potenciais polifsicos, sabemos que a cirurgia no obteve sucesso.

A tomografia computadorizada tem grande valor nos casos de paralisia traumtica, mas no essencial como o topodiagnstico ou os teste eltricos. Algumas vezes, podemos notar claramente onde o nervo facial foi afetado. Seguindo o trao de fratura, visualizamos espculas sseas pressionando o nervo. Para podermos ver o trao de fratura, a TC realizada em cortes de 1mm de espessura. Logicamente, todos os pacientes com trauma crnio-enceflico devem ser submetidos a TC de crnio, mas esta no de valia para o nervo facial. Devemos tambm ter em mente que, havendo trauma no nervo facial, ele sofre degenerao retrgrada de at 5 mm; portanto, a compresso pode estar a nvel de poro timpnica, mas o gnglio geniculado pode estar afetado.

Quando h indicao cirrgica, esta deve ser realizada o mais rapidamente possvel: de preferncia antes da degenerao neuronal. Quando ainda no houve degenerao Walleriana, a melhora clnica se d rapidamente aps a cirurgia e podemos esperar recuperao total sem seqelas. Aps esta degenerao, as fibras neurais crescem cerca de 1mm por ms; portanto, a recuperao da funo facial pode demorar at 18 meses. Neste perodo, em que no h estimulao da musculatura facial, devemos estimul-la atravs de exerccios passivos e ativos. Mesmo deste modo, devemos esperar recuperao parcial, com seqelas, como sincinesias e hipertonias.

1-Doutora em Otorrinolaringologia pela FMUSP. Mdica Assistente da Disciplina de Clnica Otorrinolaringolgica da FMUSP
2-Professor Associado da Disciplina de Clnica Otorrinolaringolgica da FMUSP
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