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Ano: 2010  Vol. 14   Num. 3  - Jul/Set Print:
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Habilidades de Resoluo Temporal em Msicos Violinistas e No Msicos
Temporal Resolution Abilities in Musicians and No Musicians Violinists
Author(s):
Ricardo Alexandre Martinez Monteiro1, Franklin Martins Nascimento1, Carla Debus Soares2, Maria Ins Dornelles da Costa Ferreira3.
Palavras-chave:
msica, limiar auditivo, percepo auditiva.
Resumo:

Introduo: A resoluo temporal a percepo de um intervalo de tempo em que o indivduo discrimina dois sons sendo uma habilidade envolvida na msica. Objetivo: Identificar o desempenho da resoluo temporal em msicos violinistas e no msicos e correlacion-lo mdia dos limiares das frequncias graves e agudas, bem como, ao tempo de exposio diria msica. Mtodo: O presente estudo caracterizou-se por ser prospectivo e comparado entre dois grupos, sendo um composto por 20 msicos violinistas e outro por 20 no msicos semi pareados por idade e escolaridade que foram submetidos avaliao audiolgica e ao teste Gaps In Noise (GIN), para avaliar a resoluo temporal. Resultados: O desempenho do teste GIN do grupo de msicos no foi significativo em relao ao grupo controle seja na orelha direita (OD) ou na esquerda (OE). A correlao entre a mdia das frequncias agudas para OE com o teste GIN foi (p=0,001) no grupo controle. A mdia das frequncias graves para ambas as orelhas no grupo de msicos foi estatisticamente significativa sendo os maiores valores para OD (p=0,001). Concluso: No houve diferena entre o desempenho do teste GIN para ambos os grupos assim como a correlao entre o tempo de exposio diria a msica e o GIN. O limiar audiomtrico das frequncias agudas mostrou-se relevante na realizao do teste GIN.

INTRODUO

A inteno em pesquisar o processamento auditivo (central) (PA(C)), mais precisamente na habilidade de resoluo temporal ocorreu por meio da observao de msicos e da facilidade que eles demonstram em perceber os sons e transform-los em melodias, tanto sons verbais quanto no verbais. Com isso, pesquisas foram realizadas destacando a relao entre o PA(C) e a msica, bem como, a influncia de algumas variveis como o tempo de exposio msica, fatores culturais e familiares (1). O PA(C) definido por vrios autores como a percepo do som ou da alterao do mesmo dentro de um perodo restrito de tempo (2). Desenvolve-se desde a infncia, sendo que, a exposio ao som aos dois primeiros anos de vida de extrema importncia para o amadurecimento das estruturas do sistema nervoso central (3).

Um estudo aborda a contribuio que o PA(C) pode oferecer para identificar os aspectos relacionados discriminao auditiva no mbito escolar (4). Assim, destaca-se a importncia do fator tempo para a discriminao dos estmulos acsticos (5,6). O PA(C) pode ser definido como a eficincia e a efetividade com que o sistema nervoso central (SNC) utiliza a informao auditiva. Envolve, alm da discriminao auditiva, as habilidades de localizao e lateralizao do som, reconhecimento, aspectos temporais, testes de escuta dictica e com sinais acsticos degradados (7). A discriminao auditiva envolve a percepo dos estmulos acsticos em sucesses muito rpidas requerendo preciso das informaes que so levadas ao crebro. Assim, possibilita a decodificao e o entendimento da fala principalmente em situaes desfavorveis, como na presena de rudo de fundo e fala competitiva (4,8). Para a msica, a identificao do ritmo depende da percepo do tempo (9).

Dessa forma, o processamento temporal (PT) pode ser definido como a percepo do som ou a alterao do mesmo dentro de um domnio de tempo. O mesmo pode ser observado em muitos nveis~ do mais bsico (regulao de tempo neural no nervo auditivo) at o mais complexo (processamento cortical da audio binaural e da percepo do discurso). Isso permite ao ser humano, a percepo dos sons da fala e compreenso da linguagem oral (3, 10). O PT divide-se em quatro subcomponentes: ordenao ou sequencializao temporal, resoluo temporal ou discriminao~ integrao temporal ou adio e mascaramento temporal. Neste momento, apenas a resoluo temporal ser abordada de acordo com o objetivo do presente estudo (10).

A resoluo temporal definida como a percepo de um intervalo curto de tempo em que cada indivduo pode discriminar entre dois sinais auditivos de aproximadamente 2 a 3 ms. Assim, o limiar de resoluo temporal conhecido como acuidade auditiva temporal ou tempo de integrao mnimo (10). Para realizar tal avaliao, MUSIEK elaborou o teste (GIN), em que o indivduo deve perceber intervalos de 2ms a 20ms em meio ao rudo branco, (8, 11, 12, 13).

Em contrapartida, estudos realizados com msicos apontam que o treinamento musical dirio, utilizado por msicos profissionais, pode induzir funcionalmente a reorganizao do crtex cerebral. Assim, o contato com a msica antes dos sete anos de idade poderia contribuir com o desenvolvimento do PA(C), e mais precisamente do PT (14). Os msicos pesquisados apresentaram aumento do plano temporal esquerdo identificado atravs de exames de magnetoencefalografia. Os autores concluram que os msicos apresentaram melhor ativao neural devido ao treinamento musical de longo prazo (15).

Outra pesquisa ressalta que para haver um melhor desenvolvimento no plano temporal, o estmulo musical deveria iniciar antes dos nove anos de idade sendo importante para o PT. Na comparao de msicos experientes com no msicos, os primeiros responderam diferentemente aos estmulos musicais em comparao com o crebro dos no msicos. Este fato tambm foi observado, em msicos que iniciaram a sua atividade musical muito cedo (14). Contudo, outras pesquisas defendem que a habilidade musical inata e que o treinamento musical no o responsvel pela melhora no PT. No entanto os autores confirmaram a melhora do PT em relao a indivduos que foram expostos ao estmulo musical precocemente (16). Seguindo o mesmo pressuposto terico outro estudo aponta que a msica tem uma influncia positiva no desenvolvimento do PT, pois segundo seu estudo, indivduos que foram expostos a treinamento musical (cantores) durante quatro anos em comparao a msicos amadores sem orientao profissional, tiveram melhor desempenho na habilidade de resoluo temporal atravs do teste Random Gap Detection Threshold (RGDT), (17). Ao realizar um estudo comparativo entre jovens atravs dos testes GIN e RGDT, os estudantes de musicoterapia sobressaram-se em relao s estudantes de fonoaudiologia nos dois testes (12). A msica exerce importncia no desenvolvimento cerebral e no processamento dos sons sequenciais, no ritmo e na atividade do giro temporal e do lobo frontal demonstrando a existncia de uma relao entre o ritmo musical, a fala expressiva e o PT (18,19).

De acordo com o exposto, o objetivo do presente estudo identificar o desempenho da resoluo temporal em msicos violinistas e no msicos. Seguindo estes pressupostos tericos e a partir das pesquisas realizadas espera-se, atravs deste trabalho, identificar melhores limiares de resoluo temporal nos indivduos msicos. Tambm objetiva-se a correlao desta varivel com a mdia dos limiares das frequncias graves e agudas e mdia tritonal, bem como, com o tempo de exposio diria msica.


MTODO

O estudo foi realizado no laboratrio de audiologia da Instituio, e recebeu a aprovao do Comit de tica em Pesquisa, sob o protocolo 123/2008. Caracteriza-se por ser um estudo prospectivo, transversal, individual, observacional, contemporneo e comparativo.

Aps os esclarecimentos dos objetivos da pesquisa os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido, (TCLE) e o responsvel pela Instituio da qual pertencia o grupo em estudo assinou o Termo de Conhecimento Institucional (TCI). Os critrios estabelecidos para incluso dos participantes na pesquisa foram todos os msicos violinistas, que constituram o grupo em estudo. Para o grupo controle foram includos participantes no msicos emparelhados com o grupo em estudo de acordo com a idade. Como critrio de excluso estabeleceu-se aqueles que apresentassem alterao nos limiares auditivos tonais. Como critrios de excluso para ambos os grupos destacam-se os indivduos que no aceitaram participar da pesquisa, aqueles que apresentaram timpanometria representativa de alteraes na orelha mdia, bem como os usurios de medicao psicotrpica ou neurolgica. Tais critrios foram obtidos por meio de um questionrio especfico para msicos e no msicos e pelas medidas de imitncia acstica. Convm ressaltar que as possveis alteraes na audiometria tonal liminar configuraram critrio de excluso para o grupo de no msicos e varivel a ser analisada para o grupo de msicos.

A coleta foi realizada pela manh para garantir o repouso auditivo no grupo de msicos. Aps encaixarem-se nos critrios de incluso todos os participantes realizaram inspeo do meato acstico externo para verificar as condies de realizao dos exames subsequentes. As medidas de imitncia acstica foram realizadas com o equipamento AT22t da marca interacoustics e constituram-se de timpanometria e pesquisa dos reflexos acsticos. A audiometria tonal liminar foi o segundo exame realizado atravs dos equipamentos AC30 e AC33 ambos, da marca Interacoustics. Todos os equipamentos encontraram-se devidamente calibrados na data em que as avaliaes foram realizadas.

O terceiro teste utilizado foi o GIN, realizado atravs da conexo dos audimetros AC30 ou AC33 com CD player da marca Philips modelo AX2420/78. O teste consiste na deteco de intervalos de silncio em meio ao rudo branco com a durao de 6 segundos. Tais intervalos variam de 0 a 3 cuja durao varia de 2 a 20 ms, (13). Primeiramente, os participantes realizaram uma prtica com a faixa teste aps receberem a instruo do mesmo respondendo atravs da pra de respostas do audimetro. Na sequncia foi aplicada uma lista para cada orelha a 40dBNa da mdia de 500 Hz, 1000 Hz e 2000 Hz, obtida na audiometria tonal liminar. Para descrever o perfil da amostra segundo as variveis em estudo, foram realizadas tabelas de frequncia das variveis categricas, com os valores de frequncia absoluta (n) e percentual (%), e estatsticas descritivas das variveis contnuas, com valores de mdia, desvio padro, valores mnimo e mximo, e mediana.

Para comparao das variveis categricas entre os grupos foi utilizado o teste exato de Fisher. Para comparar as variveis numricas entre dois grupos foi utilizado o teste de Mann-Whitney, e para comparar as variveis numricas entre trs ou mais grupos foi utilizado o teste de KruskalWallis, devido ausncia de distribuio normal das variveis. Para comparar as variveis numricas entre OD e OE foi utilizado o teste de Wilcoxon para amostras relacionadas, devido ausncia de distribuio normal das variveis. Para analisar a relao entre as variveis numricas foi utilizado o coeficiente de correlao de Spearman, devido ausncia de distribuio normal das variveis. O nvel de significncia adotado para os testes estatsticos foi de 5%, ou seja, P<0.05.


RESULTADOS

O presente estudo constituiu-se em um grupo de 20 msicos violinistas e outro de 20 participantes no msicos semipareados por idade e escolaridade que formaram o grupo controle, todos do gnero masculino. Em relao idade participaram do estudo 10 (50%) msicos com idade inferior a 20 anos, trs (15%) com idade entre 20 e 29 anos de idade e sete (35%) com idade igual ou superior a 30 anos. J no grupo controle, nove (45%) participantes tinham idade inferior a 20 anos, quatro (20%) com idade entre 20 e 29 anos de idade e sete (35%) com idade igual ou superior a 30 anos.

Do grupo de msicos, trs (15%) cursaram o ensino fundamental incompleto, seis (30%) possuam o ensino mdio incompleto, sete (35%) o ensino completo, dois (10%) o ensino superior incompleto e dois (10%) possuam o ensino superior completo. No grupo controle, por sua vez, cinco (25%) dos participantes cursavam o ensino fundamental incompleto, trs (15%) possuam o ensino mdio incompleto, sete (35%) o ensino mdio completo, dois (10%) o ensino superior incompleto e trs (15%) possuam o ensino superior completo.

A Tabela 1 mostra a anlise comparativa, das variveis numricas entre os grupos. Convm ressaltar que o desempenho do grupo de msicos do teste GIN no foi estatisticamente significativo em relao do grupo controle. No entanto, pode ser verificado maior incidncia de alterao para a habilidade de processamento temporal no grupo de no msicos quando comparado ao grupo de msicos. Na sequncia, a anlise entre os resultados do teste GIN, foram comparadas s variveis faixa etria e escolaridade em cada grupo, no apresentando relao estatisticamente significativa. A anlise de correlao dos resultados obtidos no teste GIN com as variveis idade, mdia das frequncias graves, mdia tritonal e mdia das frequncias agudas, por orelha, foram realizadas atravs do teste de correlao de Spearman considerando os grupos separadamente.

A Figura 1 mostra os resultados do teste GIN obtidos em ambas as orelhas quando correlacionados a varivel mdia das frequncias agudas para a OE no grupo controle, sendo a correlao mdia das frequncias agudas para a OE com o desempenho do teste GIN para a OD (r= 0,561~
p= 0,009) e mdia das frequncias agudas para OE com o desempenho do teste GIN para a mesma orelha (r=0,521~ p= 0,001). Tais resultados indicam que quanto mais elevada for a mdia das frequncias agudas da OE, maior ser o limiar de deteco de gap no teste GIN no grupo controle.

Verificou-se ainda correlao significativa do tempo de exposio diria msica com o desempenho do teste GIN para a OE, indicando que aumento do tempo de exposio diria msica diretamente proporcional ao limiar de deteco de gap. Tal resultado pode ser observado na Figura 3. Por fim, a anlise comparativa entre as OD e OE foi realizada por grupo, sendo a nica varivel estatisticamente significativa a mdia das frequncias graves comparada entre as orelhas no grupo de msicos sendo que a OD apresentou valores maiores (p<0,001) como mostra a Figura 4. Atravs deste resultado possvel constatar que o grupo de msicos apresentou limiares audiomtricos na OD piores que na orelha contralateral para as frequncias graves.






Figura 1. Correlao do teste GIN com a mdia das frequncias agudas no grupo controle da OE e OD. - OD: orelha direita OE: orelha esquerda GIN: Gaps In Noise (intervalo no rudo).




Figura 2. Correlao do teste GIN da OD com a mdia das frequncias agudas da OE no grupo de msicos. - OD: orelha direita OE: orelha esquerda GIN: Gaps In Noise (intervalo no rudo).




Figura 3. Correlao do teste GIN da OE com o tempo de exposio diria msica. - OE: orelha esquerda GIN: Gaps In Noise (intervalo no rudo).




Figura 4. Anlise comparativa da mdia das frequncias graves para a OD e OE no grupo de msicos. - OD: orelha direita OE: orelha esquerda.




DISCUSSO

A busca de informaes sobre a correlao entre msica e resoluo temporal comparando msicos e no msicos, tem sido um fator frequente nas pesquisas atuais. No teste GIN, aplicado em ambos os grupos, no se obteve relao estatisticamente significativa quanto ao limiar de deteco de intervalo de silncio. Durante a coleta de dados observou-se que os msicos mais experientes eram hbeis na identificao dos intervalos de gap. Este fato associado ao resultado do presente estudo permitiu atrelar o desempenho da habilidade de resoluo temporal a outros fatores como a idade de iniciao musical e o tempo de exposio diria a msica.

De acordo com a Tabela 1, o tempo de aprendizado musical variou entre um e 25 anos, com mdia de 7,25 anos. Quanto idade, a mnima foi de 10 anos e a mxima de 48, com mdia de 24,6 anos. Ao considerar a mdia de idade dos participantes e a mdia do tempo de aprendizado, estima-se que a idade mdia de iniciao do aprendizado formal dos msicos foi de 17,4 anos.

Considerando a idade de iniciao musical responsvel pelo desenvolvimento e pela maturao das reas auditivas relacionadas msica (14), uma pesquisa envolvendo exames de neuroimagem identificou a predominncia hemisfrica esquerda no desempenho das habilidades de PT e concluiu que o pitch e a deteco de intervalos de tempo mostraram-se rebaixadas em indivduos com leso hemisfrica esquerda (19). Outros estudos tambm consideraram o tempo de iniciao e/ou treinamento musical como relevante para o desempenho como as habilidades relacionadas percepo do tempo (17, 20).

O tamanho da populao e a possvel existncia de msicos com alterao da habilidade de resoluo temporal tambm so fatores a serem considerados. No grupo de msicos, o limiar de deteco de gap mximo para a OD foi de 15 ms ao passo que no grupo de no msicos a mesma medida foi de 10 ms. A figura 1 mostra a correlao do teste GIN com a mdia das frequncias agudas para o grupo de no msicos, ou seja, o aumento do limiar para as frequncias agudas diretamente proporcional ao limiar de deteco de gap. Convm ressaltar que o referido grupo apresentou uma mdia de 9,25 dB para as frequncias agudas da OD e 8,50 dB para a mesma faixa de frequncia da OE, sendo estes, valores situados no padro de normalidade. Assim, destaca-se a relevncia dos limiares das frequncias agudas no desempenho do teste GIN. A referida faixa de frequncia possui ondas de menor comprimento cujas clulas responsveis pela identificao dos intervalos de tempo devem se encontrar intactas. As frequncias agudas tambm so mais eficientes para a deteco de gap devido ao uso de filtros de banda larga, para a percepo e constatado que quanto mais larga a banda, melhor o desempenho da resoluo temporal (2, 8). Dessa forma, a elevao do limiar audiomtrico das frequncias altas pode influenciar nos resultados do teste GIN (2).

Os resultados evidenciados na Figura 2 mostram a correlao estatisticamente significativa do teste GIN da OD com a mdia das frequncias agudas da OE no grupo de msicos. Tal constatao evidencia resultados semelhantes entre o grupo de msicos e no-msicos em relao relevncia dos limiares das frequncias agudas no desempenho do teste GIN (2), seja na orelha homolateral como na contralateral, porm ainda no possvel explicar tal relao.

A Figura 3 tambm mostra a relao estatisticamente significativa entre o tempo de exposio diria msica e o desempenho do teste GIN da OE, ou seja, o aumento da primeira varivel diretamente proporcional ao aumento da segunda que representa a piora no desempenho da resoluo temporal. Dessa forma, possvel discutir que o tempo de exposio diria a msica no se constitui como facilitador do desempenho em resoluo temporal, talvez, em funo da iniciao musical tardia (14).

A Figura 4 apresentou a anlise comparativa da mdia das frequncias graves entre as orelhas no grupo de msicos apontando que os limiares da OD do referido grupo foram piores quando comparados aos limiares da OE. Os msicos pesquisados, expe a OD a outros instrumentos, bem como a outros violinos, a um nvel de presso sonora elevado que poderia justificar o aumento do limiar. Um estudo pesquisou 30 msicos expostos a nveis de presso sonora superiores a 85 dBNPS e comprovou alterao nos limiares auditivos em ambas as orelhas (21). Por outro lado, uma pesquisa com trabalhadores expostos a rudo ocupacional tambm identificou piores limiares na OD sem motivo aparente (22).

Num estudo envolvendo msicos da orquestra sinfnica de Minas Gerais identificou-se maior perda auditiva na OE nas frequncias agudas e no na mdia de frequncias graves como nos achados deste estudo (23). Convm ressaltar que o violino, produz ondas originadas pela vibrao das cordas em atrito, que se propagam atravs do seu corpo fornecendo uma intensidade perto de 80 dBNPS cuja propagao resulta em ressonncias direcionais para as frequncias altas, relacionando-se, assim, com o resultado do presente estudo (24).


CONCLUSO

O desempenho do teste GIN no foi estatisticamente significativo em relao ao grupo controle. O limiar das frequncias agudas mostrou-se relevante na determinao do limiar de deteco de gap para ambos os grupos. Alm, disso o tempo de exposio diria msica no se constituiu como facilitador do desempenho da resoluo temporal. Outros estudos com uma populao maior e com msicos cuja iniciao musical tenha ocorrido mais cedo se tornam necessrios.


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1 Bacharel em Fonoaudiologia. Fonoaudilogo.
2 Mestrado. Professora do Curso de Fonoaudiologia do Centro Universitrio Metodista - IPA (Porto Alegre) e Fonoaudiloga do Setor de Audiologia do Me de Deus Center (Porto Alegre).
3 Doutorado. Professora do Curso de Fonoaudiologia do Centro Universitrio Metodista - IPA (Porto Alegre) e da Faculdade Nossa Senhora de Ftima (Caxias do Sul).

Instituio: Centro Universitrio Metodista - IPA. Porto Alegre / RS - Brasil. Endereo para correspondncia: Maria Ins Dornelles da Costa Ferreira - Rua Luiz Afonso 158 /702 Bairro Cidade Baixa - Porto Alegre / RS - CEP: 90050-310 - Telefone: (+55 51) 9823-0198 - E-mail: costa.ferreira@terra.com.br

Artigo recebido em 5 de Maro de 2010. Artigo aprovado em 16 de Maio de 2010.
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