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Ano: 2010  Vol. 14   Num. 4  - Out/Dez Print:
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Comparao da Frequncia de Queixa de Vertigem no Idoso Com e Sem Hipertenso Arterial
Comparison of Frequency of Vertigo in Elderly with And without Arterial Hypertension
Author(s):
Luciana Lozza de Moraes Marchiori1, Juliana Jandre Melo2, Fernanda Luisa de Figueiredo Possette3, Ariane Leme Correa4.
Palavras-chave:
Hipertenso, Vertigem, Sade do idoso.
Resumo:

Introduo: A presena de sintomas otolgicos associados hipertenso discutida h dcadas; entretanto, sua etiologia ainda permanece obscura. Objetivo: Comparar a frequncia de queixa de vertigem em pacientes idosos com e sem hipertenso arterial. Mtodo: Estudo prospectivo com 238 indivduos. Foi aplicado um questionrio para preenchimento sistematizado de dados para verificao da hipertenso arterial e da vertigem baseado no protocolo para anamnese audiolgica utilizada na rotina de atendimentos. Resultados e Discusso: Houve uma proporo maior de mulheres em ambos os grupos. Quanto idade, houve mdia de idade semelhante entre o grupo entre os dois grupos. Quanto ao uso de medicamentos, todos faziam uso de algum tipo de medicamento de forma continua. Na populao estudada com hipertenso arterial, 106 (90%) faziam uso de anti-hipertensivos. Dos 99 indivduos que relataram vertigem 22 (15,15%) dos idosos faziam uso de antivertiginosos. No grupo de hipertensos 58 (23,8%) indivduos relataram vertigem e no de no hipertensos 41 (16%) indivduos relataram vertigem. No houve significncia entre a queixa de vertigem e a hipertenso arterial no grupo estudado, isto provavelmente por alguns critrios como a excluso de indivduos com enfermidades e uso de medicamentos capazes de produzir vertigem, que no puderam ser evitados durante a execuo, pois a maioria deles tinha distrbios associados, situao comum nos idosos. Concluso: Observou-se em idosos, com e sem hipertenso arterial, grande frequncia da queixa de vertigem, embora no se tenha obtido relao significativa entre a queixa de vertigem e hipertenso arterial na populao estudada.

INTRODUO

Uma vez que a expectativa de vida da populao mundial vem crescendo, inmeros estudos tm sido desenvolvidos com intuito de contribuir para a melhoria da qualidade de vida na terceira idade.

Entre estes estudos esto os relacionados hipertenso arterial, devido a sua grande prevalncia nesta populao.

Como a hipertenso arterial pode causar alteraes vestibulares em decorrncia do comprometimento perifrico e/ou central do sistema vestibular, ocasionando vertigem, uma parcela dos estudos relacionados terceira idade tem sido realizado visando verificar tanto a relao entre a hipertenso arterial e a vertigem, como as atitudes a serem tomadas para minimizar ou sanar este sintoma.

Existe disfuno do equilbrio denominada tontura, sempre que h conflito na integrao de informaes sensoriais responsveis pelo controle postural prejudicando a sustentao do indivduo no espao (1). A tontura que, quando rotatria, denominada vertigem, uma sensao de perturbao do equilbrio, presente em uma infinidade de doenas, atingindo principalmente idosos. Sua origem est correlacionada em 85% dos casos com distrbios do sistema vestibular, ocorrendo a sua sintomatologia em geral, durante a movimentao da cabea ou mudanas posturais (2,3).

A grande incidncia de distrbios labirnticos se deve em parte hipersensibilidade do labirinto a vrios distrbios como: hormonais, metablicos, cervicais e circulatrios. Estudos mostram que alteraes auditivas e vestibulares podem ser secundrias hipertenso arterial sistmica (3,4).

Todas as clulas vivas precisam de fornecimento adequado de oxignio e nutrientes para manterem suas funes de maneira adequada, este fornecimento depende da integridade funcional e estrutural do corao e dos vasos sanguneos (5). A hipertenso arterial pode facilitar alteraes estruturais do corao e vasos sanguneos (6).

O comprometimento do aparelho circulatrio pode prejudicar o ouvido interno sendo que, um dos mecanismos fisiopatolgicos descritos o aumento da viscosidade sangunea, que acarreta uma diminuio do fluxo sanguneo capilar e consequentemente o transporte de oxignio (7).

A partir destas colocaes resolveu-se neste trabalho comparar a frequncia de queixa de vertigem em pacientes idosos com e sem hipertenso arterial.


MTODO

A pesquisa foi realizada atravs de estudo com delineamento transversal, aps a anlise e aprovao do projeto, PP/0063/09, bem como do termo de consentimento pela resoluo 196/96-CNS.

Foram includos 238 indivduos, com idade acima de 60 anos. A populao foi selecionada na sequncia dos atendimentos da Clnica de Fonoaudiologia da Universidade Norte do Paran entre os anos de 2008 e 2009.

Foram excludos deste estudo, pacientes com histria alteraes metablicas, como diabetes e de distrbios vasculares como acidente vascular cerebral. Tambm foram excludos indivduos portadores de insuficincia renal crnica.

Os pacientes foram entrevistados pelas alunas voluntrias e bolsistas de iniciao cientfica supervisionadas pelas fonoaudilogas responsveis pela pesquisa.

Foi aplicado um questionrio para preenchimento sistematizado de dados clnicos tais como nome, idade, gnero e as seguintes perguntas: o senhor tem presso alta? Tem medido sua presso arterial ultimamente? Quando mediu a presso pela ltima vez? Quanto tem dado sua presso arterial? O nome do mdico? Ou a Unidade de Sade onde faz controle? Toma remdio para a presso arterial, qual ou quais os medicamentos que toma?. Foram respeitadas as normas estabelecidas pelo III Consenso Brasileiro de Hipertenso Arterial de 1998. Sendo considerados portadores de hipertenso arterial queles que responderam afirmativamente as perguntas referentes patologia e identificaram o(s) medicamento(s) que tomavam. Foi realizada anamnese com dados clnicos para verificao da vertigem baseado no protocolo utilizado na rotina de atendimentos da clinica escola.

A associao entre a queixa de vertigem e hipertenso arterial foi analisada mediante as estimativas da odds ratios (OR), por ponto e por intervalo e do valor da estatstica pelo Teste Qui-quadrado de Mantel-Haenszel.


RESULTADOS

Houve uma proporo maior de mulheres em ambos os grupos, sendo 123 (51,68%) da populao do gnero feminino e 115 (48,31%) do gnero masculino. Quanto idade, houve uma mdia de idade semelhante entre o grupo com hipertenso arterial e o grupo sem hipertenso arterial.

Quanto ao uso de medicamentos, todos os indivduos faziam uso de algum tipo de medicamento de forma continua como anti-hipertensivos, antiinflamatrios no-esteroidais, fitoterpicos, diurticos, vasodilatadores, antiarrtmicos, cardiotnicos, benzodiazepnicos, hipoglicemiantes orais, antidepressivos antiulcerosos e complexos vitamnicos. Os anti-hipertensivos foram os medicamentos mais citados, seguidos dos diurticos.

Na populao estudada com hipertenso arterial, 106 (90%) faziam uso de anti-hipertensivos na data da aplicao dos questionrios, prevalecendo o uso de betabloqueadores, seguidos dos antagonistas de receptor da angiotensina II, dos bloqueadores do canal de clcio e dos alfa-bloqueadores. Destes pacientes, que utilizavam medicamentos, 22 (21%) indivduos faziam uso de mais de um frmaco anti-hipertensivo, sendo a associao entre diurticos e inibidores de enzima conversora de angiotensina, a mais referida.

Dos 99 indivduos que relataram vertigem, 15 (15,15%) indivduos faziam uso de antivertiginosos na poca da pesquisa, prevalecendo o uso de dicloridrato de flunarizina.

No houve significncia entre a queixa de vertigem e a hipertenso arterial no grupo estudado (Tabela 1).









DISCUSSO

A hipertenso arterial e a insuficincia cardaca podem causar alteraes auditivas e vestibulares em decorrncia do comprometimento perifrico e/ ou central dos sistemas auditivo e/ou vestibular, alm do uso de medicamentos para alteraes metablicas e circulatrias, relatados pelos pacientes, tambm podem afetar a orelha interna e provocar tontura (8,9,10,11). Assim, pacientes que apresentam distrbios associados (situao comum nos idosos) que potencialmente podem causar tontura, tero uma prevalncia maior de vertigem e um prejuzo ainda maior da qualidade de vida. Isto se pode observar neste estudo, que apesar de no mostrar associao entre hipertenso arterial e vertigem nestes idosos, verificou que h grande frequncia tanto de vertigem como de hipertenso arterial nesta populao.

No que se refere metodologia deste estudo, apesar do cuidado na delimitao da idade, concentrando a faixa etria em indivduos acima de 60 anos, alguns critrios como a excluso de indivduos com enfermidades e uso de medicamentos capazes de produzir vertigem certamente, no puderam ser evitados durante a execuo, uma vez que a grande maioria dos pacientes apresentava distrbios associados, situao comum nos idosos, que potencialmente por poderem ocasionar vertigem, podem ter ocasionado vieses, que refletiram na no significncia entre as variveis de estudo.

Cada vez mais se tem abordado o envelhecimento populacional, em todas as reas de estudo principalmente na de sade, isto porque ele se constitui atualmente em uma realidade mundial. No Brasil, o nmero absoluto de pessoas com mais de 60 anos aumentou nove vezes nas ltimas seis dcadas. Em 1940 era de 1,7 milhes e em 2000 saltou para 14,5 milhes, projetando-se para 2020 um contingente de aproximadamente 30,9 milhes de pessoas com mais de 60 anos (12).

Tendo-se em vista a expectativa de vida cada vez mais alta, vrios estudos tm sido desenvolvidos de modo a contribuir para a melhoria da qualidade de vida na terceira idade, sendo consideradas as magnitudes e as diferenas de cada grupo sobre o que eles mesmos valorizam na busca de seu bem-estar, alm de verificarem seus hbitos e cuidados com a sade, incluindo abordagens sobre o uso de medicamentos, doenas crnicas e atividades fsicas (13,14,15,16).

Salienta-se a grande porcentagem de queixa de vertigem, tanto no grupo de hipertensos 23,8% como no grupo de no hipertensos 16%, que vem de encontro com a literatura da rea sobre o assunto17,18 com intuito de citar que atitudes para verificar e tratar a vertigem em idosos certamente devem ser tomadas. Tais atitudes certamente ajudaro os muitos pacientes que deliberadamente restringem as atividades fsicas, viagens e reunies sociais, com a inteno de reduzir o risco de aparecimento destes sintomas desagradveis e assustadores, e para evitar o embarao social e o estigma que eles podem causar (15,16,17,18).

H tambm necessidade de que todos os profissionais da rea de sade, principalmente aqueles envolvidos com idosos, tenham conhecimentos tanto sobre a etiologia e sintomatologia da vertigem, como sobre o tratamento e consequncias da mesma, informando a populao sobre a vertigem de modo geral e mais especificamente sobre as atitudes a serem tomadas frente a um quadro de crise vertiginosa (19,20,21,22).


CONCLUSO

Observou-se nesta pesquisa em idosos, com e sem hipertenso arterial, grande frequncia da queixa de vertigem, embora no se tenha obtido relao significativa entre a queixa de vertigem e hipertenso arterial na populao estudada. Isto serve de base para que esse sintoma deva ser investigado e tratado no apenas na populao de hipertenso, mas em idosos de modo geral, visando melhoria na qualidade de vida desta populao.


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1 Doutorado em Medicina e Cincias da Sade - UEL. Professor Pesquisador.
2 Mestrado em Fonoaudiologia. Professor Adjunto I.
3 Graduao em Fonoaudiologia. Bolsista de iniciao cientfica do Curso de Fonoaudiologia da UNOPAR, Londrina, Paran, Brasil no ano de 2009. Fonoaudiloga Clnica.
4 Graduao em Fonoaudiologia. Fonoaudiloga Clnica.

Instituio: Universidade Norte do Paran - UNOPAR. Londrina / PR - Brasil. Endereo para correspondncia: Luciana Lozza de Moraes Marchiori - Campus Universitrio de Londrina - Clinica de Fonoaudiologia - Avenida Paris, 675 - Jardim Piza - Londrina / PR - Brasil - CEP: 86041-140 - Caixa Postal: 401 - Telefone: (+55 43) 3371-7775 - E-mail: luciana.marchiori@unopar.br

Artigo recebido em 6 de Agosto de 2010. Artigo aprovado em 4 de Setembro de 2010.
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