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Ano: 2011  Vol. 15   Num. 1  - Jan/Mar Print:
Case Report
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Colesteatoma Primrio de Meato Acstico Externo Bilateral
Primary Cholesteatoma of the Bilateral External Acoustic Meatus
Author(s):
Luciana Almeida Moreira1, Raquel Chartuni Pereira Teixeira1, Carlos Eduardo Guimares de Salles2, Cludia Ins Guerra de Sousa Silva2, Daniel Mochida Okada3.
Palavras-chave:
colesteatoma, meato acstico externo, primrio, bilateral.
Resumo:

Introduo: O colesteatoma de meato acstico externo uma patologia rara. A maioria das sries na literatura descreve casos secundrios, com poucos relatos de colesteatoma primrio. Caracteriza-se pela eroso da poro ssea do meato acstico externo por proliferao de tecido escamoso adjacente. Objetivo: Relatar um caso raro de colesteatoma primrio de meato acstico externo bilateral. Relato do Caso: Paciente de 20 anos, sexo feminino, com otalgia h 3 anos, associada hipoacusia e otorreia esquerda. Sem histria prvia de patologias otolgicas. otoscopia, observava-se eroso bilateral do meato acstico externo com grande quantidade de debris epidrmicos. A tomografia computadorizada evidenciou colesteatoma de meato acstico externo bilateral, sendo a paciente submetida timpanomastoidectomia radical modificada direita. Comentrios Finais: O colesteatoma primrio de meato acstico externo uma patologia rara, fazendo parte do diagnstico diferencial de otalgia e otorreia crnicas. A avaliao da sua extenso deve ser feita com tomografia computadorizada e o tratamento de eleio a cirurgia.

INTRODUO

O colesteatoma de meato acstico externo (CMAE) uma doena rara, acometendo 1 a cada 1000 pacientes com queixas otolgicas (1). Caracteriza-se pela eroso da poro ssea do meato acstico externo (MAE) pelo tecido escamoso adjacente (2). Pode ser classificado em primrio ou secundrio a trauma, cirurgia, processo inflamatrio ou obstruo do MAE (5,6). Existem na literatura vrias sries descrevendo CMAE secundrios, mas poucos relatos de CMAE primrios (2,3). Em artigo recente, PERSAUD et al. relataram o primeiro caso de CMAE primrio bilateral em um jovem negro (4). Relatamos um caso raro de CMAE primrio bilateral em uma paciente de 20 anos.


RELATO DO CASO

L.C.B.S., estudante, sexo feminino, 20 anos, natural de So Paulo, relatou otalgia montona bilateral h 3 anos, associada a hipoacusia e otorreia esquerda (Figura 1). Referiu perodos de piora da otalgia, associados principalmente a entrada de gua no MAE. No havia histria prvia de outras afeces, trauma ou cirurgias otolgicas. otoscopia, apresentava eroso de ambos os MAE, com grande quantidade de debris epidrmicos, que impossibilitavam a visualizao da membrana timpnica (Figura 2). Audiometria tonal (AT) mostrou perda condutiva leve bilateral. Tomografia Computadorizada (TC) de ossos temporais evidenciou CMAE bilateral, com maior eroso ssea da parede posterior do MAE direita (Figuras 3 e 4). Realizado timpanomastoidectomia radical modificada direita com confeco de microcaixa e interposio de osso cortical da mastoide entre cabea do estribo e fscia temporal. No ato cirrgico, observou-se eroso da parede posterior do MAE, com grande quantidade de material descamativo. Houve boa evoluo ps-operatria, com reduo do "gap" direita na AT (Figura 5), encontrando-se sem sinais de recidiva da leso. No momento, a paciente aguarda interveno contralateral.



Figura 1. Audiometria tonal pr-operatria. - Observa-se perda condutiva bilateral, maior esquerda.




Figura 2. Otoscopia esquerda. - Presena de debris epidrmicos no meato acstico externo, com eroso da parede posterior.




Figura 3. Tomografia computadorizada de ossos temporais em corte coronal - lado esquerdo - Alargamento do conduto auditivo e presena de material com densidade de partes moles.




Figura 4. Tomografia computadorizada de ossos temporais em corte axial - lado esquerdo - Mastoide bem pneumatizada e aerada, evidenciando que a patologia no originada da orelha mdia.




Figura 5. Audiometria tonal ps-operatria. - Observa-se manuteno do gap areo-sseo.




DISCUSSO

A primeira descrio do CMAE foi feita por TOYNBEE em 1850, mas a definio exata desta doena s foi obtida por PIEPERGERDES et al. em 1980, quando a diferenciao entre CMAE e Queratose Obliterante (QO) foi estabelecida (2). A QO definida como o acmulo de queratina produzida por esfoliao da pele do MAE. Em contraste, o CMAE se caracteriza pela eroso da poro ssea do MAE a partir do tecido escamoso adjacente (2). O diagnstico diferencial tambm deve incluir neoplasias, necrose assptica e otite externa maligna (1). O quadro clnico geralmente se caracteriza por otalgia leve e constante, otorreia espordica e prurido no MAE. Hipoacusia, quando ocorre, se deve a obstruo do MAE pelos debris de queratina. Alteraes da membrana timpnica no fazem parte do quadro (1).

A etiologia do CMAE permanece obscura, existindo a tentativa de classific-la como primria, ou secundria a cirurgia, trauma, processo inflamatrio, estenose congnita ou obstruo do MAE (5,6).

Em relao ao CMAE primrio ou espontneo, existem vrias teorias que tentam explicar sua etiologia. Uma afirma que tal afeco poderia surgir a partir de um pequeno trauma no MAE, que levaria a uma periostite e posterior infiltrao/eroso pelo tecido escamoso adjacente (3). A outra postula que alteraes na migrao epitelial da pele do MAE e no cerume produzido por esta levariam ao surgimento do CMAE (6).

O tratamento do CMAE baseia-se na natureza da leso e na intensidade dos sintomas. Pacientes com sintomas leves, leses pequenas e circunscritas, com alto risco cirrgico ou que recusam a cirurgia podem ser tratados clinicamente com frequentes aspiraes sob microscopia e gotas otolgicas quando necessrio. O tratamento cirrgico est indicado nos demais casos, para prevenir progresso da eroso e complicaes. O procedimento cirrgico determinado pela extenso da osteonecrose, eroso e julgamento do cirurgio (3).


COMENTRIOS FINAIS

O CMAE uma afeco rara, que faz parte do diagnstico diferencial de otalgia crnica e otorreia. O tratamento eminentemente cirrgico, sendo o acompanhamento clnico, de exceo. A avaliao da leso e o planejamento cirrgico devem ser feitos aps a realizao de TC de ossos temporais. A cirurgia mais realizada a mastoidectomia radical modificada.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. Anthony PF, Anthony WP. Surgical treatment of external auditory canal cholesteatoma. Laryngoscope, 1982. 92(1):70-5.

2. Piepergerdes MC, Kramer BM, Behnke EE. Keratosis obturans and external auditory canal cholesteatoma. Laryngoscope. 1980, 90(3):383-391.

3. Vrabec JT, Chaljub G. External canal cholesteatoma. Am J Otolaryngol. 2000, 21(5):608-14.

4. Persaud R, Singh A, Georgalas C, Kirsch C, Wareing M. A new case of synchronous primary external ear canal cholesteatoma. Otolarynol Head Neck Surg. 2006, 134(6):1055-6.

5. Naim R, Linthicum Jr. F, Shen T, Bran G, Hormann K. Classification of the external auditory canal cholesteatoma. Laryngoscope. 2005, 115(3):455-60.

6. Holt JJ. Ear canal cholesteatoma. Laryngoscope. 1992, 102(6):608-13.









1 Mdica. Residente em Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabea e Pescoo no HSPE-SP (R3).
2 Otorrinolaringologista.
3 Otorrinolaringologista. Mdico Assistente da Otologia do HSPE- SP.

Instituio: Hospital do Servidor Pblico Estadual de So Paulo. So Paulo / SP - Brasil. Endereo para correspondncia: Luciana Almeida Moreira - Rua Borges Lagoa, 933 - Apto. 73 - Vila Clementino - So Paulo / SP - Brasil - CEP: 04038-032 - Telefone: (+55 11) 8684-5502 - E-mail: lu21moreira@hotmail.com

Artigo recebido em 5 de Fevereiro de 2009. Artigo aprovado em 10 de Maio de 2009.
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