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Ano: 2011  Vol. 15   Num. 2  - Abr/Jun
DOI: 10.1590/S1809-48722011000200009
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Correlao entre os Achados Audiolgicos e Incmodo com Zumbido
Correlation Between the Audiologic Findings and Tinnitus Disorder
Author(s):
Maria Fernanda Capoani Garcia Mondelli1, Alice Borges da Rocha2.
Palavras-chave:
perda auditiva; zumbido; questionrios.
Resumo:

Introduo: A correlao da perda auditiva com o zumbido pode ser justificada se considerarmos que esta o fator desencadeante do zumbido, uma vez que danos ou degeneraes da orelha interna e do nervo vestibulococlear podem ser geradores do zumbido. Segundo os diferentes relatos, 85 a 96% dos pacientes com zumbido apresentam algum grau de perda auditiva. Objetivo: Correlacionar o sexo, idade, grau e tipo de perda auditiva com o incmodo ocasionado pela presena do zumbido dos pacientes da clnica de Dispositivos Eletrnicos Aplicados a Surdez. Mtodo: Estudo retrospectivo de natureza exploratria de 100 pronturios de indivduos regularmente matriculados na Clnica de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de So Paulo FOB/USP com uso do instrumento THI (Tinnitus Handicap Inventory). Resultados e Concluso: O sexo, a idade assim como o grau de perda auditiva no possuem influncia sobre o incmodo gerado pelo zumbido, porm a ocorrncia da perda auditiva em portadores de zumbido progressivamente maior conforme o avano da idade e em indivduos com perda auditiva do tipo sensorioneural.

INTRODUO

A perda auditiva um fator que independente do grau de comprometimento afeta a qualidade de vida das pessoas e quando adquirida em adultos, surge gradualmente sendo capaz de dificultar a recepo da linguagem oral (1). De acordo com os dados da Sociedade Brasileira de Otologia - SBO (2005) (2), a perda auditiva acomete de alguma forma, cerca de 70% dos indivduos, tratando-se ento de uma questo de sade pbica, com necessidades especficas quanto promoo de sade e reabilitao auditiva.

A correlao positiva da perda auditiva com o zumbido pode ser justificada se considerarmos que esta o fator desencadeante do zumbido, uma vez que danos ou degeneraes da orelha interna e do nervo vestibulococlear podem ser geradores do zumbido (3-6). Portanto, bastante razovel assumir que a presena de perda auditiva aumenta o risco de o zumbido provocar interferncia na concentrao e no equilbrio emocional ou que ela funcione como um co-fator desta interferncia, isto , que a nota de incmodo dada ao zumbido seja "contaminada" pelo incmodo causado pela perda auditiva associada (7).

Segundo diferentes relatos, 85 a 96% dos pacientes com zumbido apresentam algum grau de perda auditiva (8).

O zumbido considerado uma percepo de som sem que haja sua presena no meio ambiente (3, 9). Consiste de uma sensao definida como ilusria que pode ser caracterizada como barulho semelhante ao rudo da chuva, do mar, de gua corrente, de sinos, insetos, apitos, chiado, campainha, pulsao e outros. Esta sensao pode ser contnua ou intermitente, apresentar diferentes caractersticas tonais, ser intensa ou suave, alm de ser percebida nos ouvidos ou na cabea (10-13).

Estudos epidemiolgicos relatam a incidncia de zumbido em 1 a 32% da populao, estimando-se cerca de 35 a 50 milhes de pessoas nos EUA. A incidncia aumenta na populao idosa, chegando a at 15% na faixa etria acima dos 65 anos (14).

Autores referem (15), que o zumbido apresenta prevalncia elevada, estando presente em 63,3% dos indivduos acima de 45 anos. Quanto aos prejuzos ocasionados por este sintoma, se observa falhas no raciocnio, na memria e na concentrao. Essas alteraes podem prejudicar as atividades de lazer, o repouso, a comunicao, o ambiente social e domstico, repercutindo na esfera psquica, provocando irritao, ansiedade, depresso e insnia. Aproximadamente 17% da populao so afetadas pelo zumbido dos quais 15% a 25% apresentam interferncia em sua qualidade de vida (16).

Quanto a sua forma pode ser contnuo ou intermitente, constante, mono ou politonal. J a sua intensidade pode variar, desde um zumbido audvel somente em ambientes silenciosos, at zumbido que causa grande desconforto ao indivduo. O zumbido pode ser considerado leve, quando s percebido pelo paciente em algumas situaes; moderado, quando o paciente percebe sua existncia, mas no sente desconforto; intenso, quando desagradvel e causa incmodo, prejudicando nas atividades do dia a dia; e severo, quando se torna intolervel, ouvido ininterruptamente, acompanhando o indivduo todo o tempo (17).

Dentre as diversas causas do zumbido, que dificilmente podem ser isoladas, esto as doenas otolgicas, alteraes cardiovasculares, doenas metablicas, neurolgicas, psiquitricas, fatores odontolgicos e possivelmente a ingesto de drogas, cafena, nicotina e lcool (18).

Pesquisadores (19) desenvolveram um questionrio especfico denominado Tinnitus Handicap Inventory (THI) que avalia os aspectos emocional, funcional e catastrfico, mostrando-se de fcil interpretao e aplicao. O THI composto por 25 perguntas, com um escore que varia de 0 a 100 e quanto maior o escore, maior a repercusso do zumbido na qualidade de vida do paciente. Vem sendo usado de forma ampla no contexto clnico para avaliao dos pacientes com zumbido, para a quantificao do incmodo relacionado a este sintoma e para avaliao de respostas a tratamentos propostos.

O THI considerado um mtodo mais completo de avaliao especialmente no que tange os aspectos psicolgicos e cotidianos do zumbido (20).

Segundo pesquisa (21) realizada com o objetivo de analisar o perfil audiolgico de pacientes portadores de zumbido, encontrou-se como resultado que o zumbido foi queixa frequente dentre os pacientes atendidos na clnica, sendo o zumbido unilateral o que apareceu com maior frequncia. A perda auditiva sensorioneural prevaleceu, embora tenham tambm sido constatados outros tipos de perda auditiva. A maioria dos pacientes relatou ter zumbido sempre e ser nico, o que corrobora com dados encontrados em outros estudos. A ocorrncia de queixa de zumbido por faixa etria e gnero e o tempo de instalao assemelha-se s encontradas em outros trabalhos que apontam que o zumbido mais frequente no sexo feminino, aumenta com o avano da idade, sendo maior em indivduos mais velhos, na maioria dos casos bilateral e nico e o tempo de histria da queixa maior que trs anos.

Por ser uma queixa bastante comum e cuja ocorrncia causa muito desconforto aos pacientes, interferindo no desempenho profissional e nas relaes familiares, decidiu-se investigar o grau de perda auditiva e o incmodo ocasionado pela presena do zumbido.

O objetivo deste trabalho correlacionar o grau de perda auditiva, sexo e idade com o incmodo ocasionado pela presena do zumbido dos pacientes de uma clnica de Dispositivos Eletrnicos Aplicados a Surdez.


MTODO

Para este estudo observacional de corte transversal, foram revisados retrospectivamente todos os pronturios de pacientes matriculados na Clnica de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de So Paulo FOB/USP.

O procedimento de anlise e seleo dos pacientes foi iniciado aps aprovao do Comit de tica em Pesquisa sob processo no202/2009.

Para a composio da amostra deste estudo foram estabelecidos alguns critrios de incluso:

a) Idade igual ou superior a 18 anos;

b) Perda auditiva de tipos e graus distintos com as caractersticas abaixo:

- Grau de perda auditiva: foi baseado na pesquisa da audiometria tonal limiar nas frequncias de 250, 500, 1000, 2000, 3000, 4000, 6000 e 8000 Hz para orelha direita e orelha esquerda. O grau de perda auditiva foi classificado utilizando os limiares audiomtricos das frequncias de 500, 1000, 2000 e 4000 Hz, classificado como leve (mdia de 26 a 40 dBNA), moderada (mdia de 41 a 60 dBNA), severa (mdia de 61 a 80 dBNA) e profunda (mdia acima de 81 dBNA), segundo a OMS-WHO (2007) (22).

- Tipo de perda auditiva: levou em considerao a comparao dos limiares entre a via area e a via ssea de cada orelha sendo classificado de acordo com SILMAN e SILVERMAN (1997) (23): perda auditiva condutiva, perda auditiva sensorioneural e perda auditiva mista.

c) Presena de zumbido unilateral ou bilateral e aplicao do instrumento THI (Anexo I) para a quantificao do incmodo relacionado este sintoma.

O THI composto por 25 questes, divididas em trs escalas. A funcional (F) mede o incmodo provocado pelo zumbido em funes mentais, sociais, ocupacionais e fsicas. A escala emocional (E) mede as respostas afetivas como ansiedade, raiva e depresso. A catastrfica (C) quantifica o desespero e a incapacidade referida pelo acometido para conviver ou livrar-se do sintoma. So trs as opes de resposta para cada uma das questes, pontuadas da seguinte maneira: para as respostas sim (4 pontos), s vezes (2 pontos) e no (nenhum ponto) (19).

As respostas foram pontuadas de zero, quando o zumbido no interfere na vida do paciente, at 100 (pontos ou %), quando o grau de incmodo grave. A somatria dos pontos resultantes das questes foram categorizada em cinco grupos ou graus de gravidade. De acordo com a proposta de pesquisadores (24) o zumbido pode ser:

grau 1: desprezvel (0-16%);

grau 2: leve (18-36%);

grau 3: moderado (38-56%);

grau 4: severo (58-76%); ou

grau 5: catastrfico (78-100%).

Foram correlacionados sexo, idade, grau e tipo de perda auditiva com o incomodo causado pelo zumbido.

Para anlise estatstica dos dados foram usados os testes Coeficiente de Correlao de Spearman, Teste de Mann-Whitney e o Teste do Qui-quadrado.


RESULTADOS

Foram analisados 1060 pronturios, dos quais 100 foram selecionados para esta pesquisa, obedecendo aos critrios de incluso, sendo que destes 53 eram do sexo feminino e 47 do sexo masculino. A faixa etria do grupo estudado variou de 22 a 89 anos, com mdia de 62,63 anos.

Os grupos foram separados por faixa etria e sexo (Grfico 1) para visualizao da predominncia do zumbido. Foi observado aumento gradativo do zumbido com o avano da idade em ambos os sexos e que h predominncia do sexo feminino a partir dos 45 anos, porm esta predominncia no estatisticamente significativa (p=0,47) de acordo com o Teste do Qui-quadrado.

Os graus de THI obtidos esto representados no Grfico 2.

No Grfico 3 foi realizada a distribuio dos graus de THI, divididos pelo sexo no sendo encontrada correlao estatisticamente significativa (p=0,09) entre os mesmos, de acordo com o teste Mann-Whitney.

Foram relacionadas as faixas etrias e o incmodo gerado pelo zumbido, representado pelos resultados do THI, no sendo encontrada correlao estatisticamente significativa (p = 0,09) de acordo com o Coeficiente de Spearman, os resultados so observamos no Grfico 4.

Os Grficos 5 e 6 esto representando as orelhas avaliadas quanto ao grau e tipo de perda auditiva.

O grau e o tipo da perda auditiva foram correlacionados com o incmodo gerado pelo zumbido, sendo que no foram encontrados correlao estatisticamente significativa entre ambas correlaes de acordo com o Coeficiente de Spearman e os resultados esto representado nos Grficos 7 e 8.

Quanto localizao do zumbido, 54 pacientes referiram que sentiam o zumbido em ambos os ouvidos e 46 acreditavam ser unilateral, sendo que destes 21 referiam ser na orelha direita e 25 na orelha esquerda, no houve casos em que o zumbido se localizava na cabea.






Grafico 1. Correlao entre sexo e idade dos individuos.




Grfico 2. Graus de incmodo mensurados pelo questionrio THI.




Grfico 3. Correlao entre sexo e o incmodo com o zumbido.




DISCUSSO

Houve predomnio do zumbido no sexo feminino na maioria das faixas etrias, porm esta predominncia no foi significativa e tanto no sexo feminino como no masculino ocorreu aumento gradativo do nmero de pacientes com queixa de zumbido com o avano da idade.

A literatura controversa quando observamos o acometimento do zumbido em ambos os sexos. Em nosso estudo no houve diferena entre o sexo masculino e o sexo feminino, semelhante aos achados de outros pesquisadores (25, 26).

A maioria dos autores que estudaram a incidncia do zumbido em clnicas ou hospitais encontraram uma maior incidncia desta queixa em pacientes do sexo feminino (27, 28) ou sem diferena significativa entre os sexos (29-31), concordando com os nossos achados.

Em um estudo realizado (32), analisando 1.806 pacientes de uma Clnica de Zumbido em Pordand, Oregon, foi constatado que 69% dos pacientes eram do sexo masculino, sendo apenas 31% do feminino. Provavelmente essa diferena pode ser atribuda ao fato de tal clnica ser referncia para avaliao de aspectos legais referentes ao zumbido.

Percebemos ento que, os estudos so paradoxos no que diz respeito influncia do sexo na prevalncia do zumbido. Alguns mostram discreto aumento da prevalncia no sexo feminino, outros sugerem maior prevalncia no sexo masculino, porm dificilmente alcanam significncia estatstica. Segundo estudiosos (33) a provvel justificativa para a maior prevalncia no sexo masculino poderia se atribuir ao fato de que os homens so mais expostos ao rudo ocupacional, sendo maior a prevalncia de perda induzida por rudo predispondo o zumbido. Porm, foram encontrados resultados de (34) que as mulheres so mais cuidadosas e preocupadas com a sade, sendo assim procuram auxlio mdico, o que explicaria o achado de maior prevalncia no sexo feminino.

Ao analisarmos os resultados do questionrio THI mensurando o incmodo em relao ao sexo dos pacientes constatamos que no houve diferena no incmodo gerado pelo zumbido entre os sexos. Estes achados corroboram com dados encontrados em outra pesquisa (35) que tambm utilizou o questionrio THI assim como com autores (36), que utilizaram outro questionrio (Tinnitus Severity Questionnaire, TSQ) para avaliao da gravidade do zumbido, mas que tambm abrangeram questes de qualidade de vida, dificuldades para concentrao, desconforto no silncio, reaes depressivas e com os achados de pesquisadores (37) que no encontraram influncia do sexo, idade ou durao do zumbido no incmodo gerado pelo sintoma, utilizando trs questionrios para avaliao (Tinnitus Handicap Questionnaire, Tinnitus Reaction Questionnaire e o Subjective Tinnitus Severity Scale).

Contudo, pesquisas (34) concluram que pacientes do sexo feminino atriburam notas de incmodo significantemente mais elevadas na escala anlogo-visual em relao aos pacientes do sexo masculino. Embora tenham obtido resultados diferentes em relao influncia do sexo feminino, o instrumento de avaliao foi diferente, prejudicando a comparao dos resultados. Apesar disso, h achados (38) de predomnio do sexo feminino entre pacientes com incmodo severo ou com alteraes do sono, em desacordo com nossos achados.

A mdia de idade encontrada em nosso estudo corrobora com relatos na literatura. Em uma pesquisa realizada (26) os resultados demonstraram uma maior prevalncia em pacientes acima de 60 anos em acordo com autores (39) que tambm observaram uma maior ocorrncia neste grupo, correspondendo a quase o dobro da prevalncia na populao geral, concordando com o nosso estudo. O mesmo ocorre com a mdia em relao ao sexo que de acordo com autores (35) no h diferena estatisticamente significante, o que corrobora com os nossos achados.

Apesar da maior prevalncia do zumbido com o aumento da idade, estudos mostram que no h relao entre idade e gravidade do sintoma ou resultado do tratamento. Este achado tambm concorda com pesquisadores (37) que no encontraram influncia da idade no incmodo gerado pelo zumbido, utilizando os questionrios THQ, TRQ e STSS, e com autores (35) que utilizaram o questionrio THI, concordando com os achados de nosso estudo. Porm, de acordo com alguns achados (40, 41), existe uma tendncia de aumento do incmodo do zumbido com o aumento da idade, em desacordo com nossos achados.

Os achados encontrados em nossa pesquisa vo de acordo com autores (26) que observaram a ocorrncia do zumbido bilateral em 56,34%, unilateral em 40,00% e na cabea em 3,64% dos casos, concorda tambm com achados (42) que demonstraram a prevalncia do zumbido bilateral.

Sabe-se que o zumbido surge como resultado da interao dinmica de vrios centros do sistema nervoso e do sistema lmbico e que as alteraes e ou leses na cclea representam apenas o gatilho do processo, causando desequilbrio nas vias inferiores do sistema auditivo, resultando em atividade neuronal anormal, mais adiante realada pelo sistema nervoso central e, finalmente, percebida como zumbido (43).

A incidncia de zumbido na populao com perda de audio e aproximadamente duas vezes aquela da populao com audio normal (44). Pesquisadores (45) descrevem que aproximadamente 67% dos pacientes com perda auditiva sofrem de zumbido, metade destes diz ser o zumbido um problema to grande ou at maior que sua perda de audio.

Sendo assim, assim podemos considerar que a perda auditiva um dos fatores desencadeantes do zumbido, portanto a presena da perda auditiva aumenta as chances da ocorrncia do zumbido e deste provocar interferncia na qualidade de vida do paciente.

Pesquisas apontam que a gravidade do zumbido se correlacionou com o grau de dificuldade auditiva, sendo presena de perda auditiva leve nos pacientes com zumbido com pequeno incmodo e perda auditiva severa e profunda nos zumbidos com grande incmodo (40). Autores (37) encontraram maior impacto do zumbido na presena de perda auditiva associada, pacientes sem perda auditiva parecem ter menos incmodo.

Por outro lado, uma pesquisa (46) avaliou a relao entre o grau do THI com a presena ou ausncia de perda auditiva nesses pacientes com zumbido. Os dados do THI mostraram que na maior parte dos casos um grau discreto ou leve foi atribudo no THI para indivduos com perda auditiva; enquanto que nos pacientes com zumbido e audio normal houve maior nmero de graus moderado e catastrfico com resultado estatisticamente significativo quando comparado ao grupo de indivduos com perda auditiva. Autores (47) acreditam que a influncia do grau de perda auditiva na gravidade do zumbido ainda incerta, encontrando pobre correlao entre os limiares auditivos e o incmodo com o zumbido.

Em nosso estudo observamos que o grau catastrfico (grau 5), maior incmodo com o zumbido, teve correlao direta com o aumento do grau da perda auditiva, pois se percebeu que conforme aumentavam o graus da perda auditiva o grau 5 era o nico que aumentava de maneira gradativa, concordando com os achados (37, 40). Esse resultado pode estar associado ao fato de que com o aumento da perda auditiva ocorre maior degenerao da orelha interna ocasionando uma maior privao auditiva dos sons ambientais e com isso o som do zumbido passa a ser predominante e dessa forma vir a causar maior incmodo nesta populao.

Porm, esta relao no foi observada com os demais graus, no apresentando nenhuma correlao entre o grau da perda auditiva com os graus de incmodo com o zumbido, concordando com outros trabalhos (46, 47).

De acordo com pesquisadores (43), os indivduos com perda sensorial tipicamente apresentam leso das clulas ciliadas externas, com isso existe maior chance de desproporo e desigualdade entre clulas ciliadas internas e externas, resultando, em ltima anlise, no surgimento do zumbido. Em um estudo realizado (26) observou que 85% dos pacientes apresentam audiometria compatvel com perda auditiva do tipo sensorioneural, achado concordante tambm com outro trabalho (34), estes dados corroboram com os achados do nosso estudo demonstrando que o zumbido associado a perda auditiva sensorioneural o mais prevalente.



Grfico 4. Correlao entre as faixas etrias e o incmodo com o zumbido.




Grfico 5. Mdia do grau da perda auditiva nas 154 orelhas avaliadas.




Grfico 6. Mdia do tipo de perda auditiva nas 154 orelhas avaliadas.




Grfico 7. Correlao do grau de perda auditiva e o incmodo gerado pelo zumbido.




Grfico 8. Correlao do tipo de perda auditiva e o incmodo gerado pelo zumbido.




CONCLUSO

O sexo e a idade assim como o grau de perda auditiva no influenciaram o incmodo gerado pelo zumbido, porm a ocorrncia da perda auditiva em individuos portadores de zumbido progressivamente maior conforme o avano da idade e em indivduos com perda auditiva do tipo sensorioneural.


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1 Doutora em Distrbios da Comunicao pelo HRAC/USP. Professora Doutora do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru - Universidade de So Paulo.
2 Graduanda do Curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru - Universidade de So Paulo.

Instituio: Faculdade de Odontologia de Bauru - Universidade de So Paulo. Bauru / SP - Brasil. Endereo para correspondncia: Maria Fernanda Capoani Garcia Mondelli - Alameda Octvio Pinheiro Brizola 9-75 - Vila Universitria - Bauru / SP - Brasil - CEP: 17012-901 - Telefone: (+55 14) 3235-8332 - E-mail: mfernandamondelli@hotmail.com

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Artigo recebido em 26 de Novembro de 2010. Artigo aprovado em 5 de fevereiro de 2011.
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