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18
Ano: 2011  Vol. 15   Num. 4  - Out/Dez
DOI: 10.1590/S1809-48722011000400018
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Case Report
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Amaurose secundria a mucocele esfenoidal
Amaurosis secondary to sphenoid mucocele
Author(s):
Antonio Antunes Melo1, Slvio da Silva Caldas Neto2, Mariana Carvalho Leal Gouveia3, Patrcia Ferreira Santos4.
Palavras-chave:
mucocele, seio esfenoidal, acuidade visual.
Resumo:

Introduo: A mucocele do seio esfenoidal uma leso rara e benigna. Essas leses so provavelmente diagnosticadas tardiamente por serem assintomticas ou causarem sintomas no especficos. As caractersticas clnicas dependem de sua localizao e podem incluir dor fronto-orbitria, paralisia do nervo oculomotor, diminuio da acuidade visual, exoftalmia e anosmia. Os achados da tomografia computadorizada (TC) e ressonncia nuclear magntica (RNM) de nariz e seios paranasais aumentaram a preciso do diagnstico. O tratamento consiste na marsupializao e drenagem da mucocele por via endoscpica nasossinusal. O prognstico em relao viso depende da durao da perda da acuidade visual pr-operatria. Objetivo: Relatar um caso de mucocele esfenoidal de grandes dimenses. Relato de Caso: Os autores relatam um caso de mucocele do seio esfenoidal em um paciente masculino de 48 anos de idade que apresentou amaurose subitamente. Comentrios Finais: As caractersticas da mucocele esfenoidal so revistas com especial ateno para os seus achados clnicos e radiolgicos, bem como o tratamento cirrgico.

INTRODUO

A mucocele esfenoidal uma leso benigna de desenvolvimento lento com manifestaes clnicas tardias que rapidamente podem se agravar (1). As mucoceles so relativamente infrequentes, sendo mais comuns na regio fronto-etmoidal (2). Desde a primeira mucocele esfenoidal identificada por ROUGE em 1872, os mtodos diagnsticos tm progredido, principalmente a Tomografia Computadorizada (TC) e mais recentemente a Ressonncia Nuclear Magntica (RNM), que tornaram o diagnstico possvel em um estgio mais precoce (1). O tratamento cirrgico e o prognstico da mucocele depende do tempo de evoluo. Neste artigo descrito um caso de mucocele do seio esfenoidal dando especial ateno s manifestaes clnicas, radiolgicas e ao tratamento cirrgico.


RELATO DE CASO

Um paciente do sexo masculino (S.J.S.), cor parda, 48 anos, foi admitido no servio de Neurologia do Hospital da Restaurao - PE com histria de cefaleia frontal h cerca de 20 dias e dor em regio orbitria esquerda. Aps 04 dias do incio dos sintomas percebeu progressiva diminuio da acuidade visual bilateral sendo de menor proporo direita. Referia tambm obstruo nasal bilateral. Foi submetido TC de crnio onde foi evidenciada formao expansiva hipodensa que no sofreu impregnao pelo meio de contraste comprometendo o seio esfenoidal. Havia expanso do seio esfenoidal com adelgaamento e remodelao de suas paredes sseas, alm de espessamento mucoso maxilar e etmoidal. A leso deslocava superiormente o parnquima hipofisrio alargando a sela trcica com rechao superior da regio hipotalmica quiasmtica. Havia tambm abaulamento dos tecidos moles da rinofaringe obliterando sua luz e anteriormente estendia-se s pores posteriores das cavidades nasais promovendo remodelamento de alguns septos intercelulares etmoidais posteriores. Observou-se compresso dos canais pticos, sobretudo esquerda. Em vista de tratar-se de um processo expansivo de seio esfenoidal de etiologia desconhecida o paciente foi encaminhado ao Servio de Otorrinolaringologia do Hospital das Clnicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE) para avaliao. Ao exame otorrinolaringolgico de admisso foi observada tumorao em fossa nasal esquerda com restante do exame normal. A avaliao da oftalmologia mostrou hipopigmentao difusa com reas de atrofia iridiana, midrase mdia, opacificaes vtreas cintilantes, palidez total da papila, escavao total e mcula normal em olho esquerdo. No olho direito observou-se papila e mcula sem alteraes. A concluso foi atrofia ptica e estrabismo divergente esquerda. O paciente foi submetido cirurgia endoscpica nasossinusal em dezembro de 2000, observando-se no intra-operatrio a expanso da parede anterior do seio esfenoidal at o tero mdio das fossas nasais, mais importante esquerda. Foi realizada a marsupializao por resseco parcial da parede anterior da mucocele atravs de alargamento dos stios esfenoidais. O paciente evoluiu no ps-operatrio sem intercorrncias, referindo melhora da cefaleia rapidamente e da acuidade visual direita, porm sem alteraes do quadro visual no olho esquerdo em relao ao pr-operatrio. O paciente apresentou boa evoluo clnica ao longo das revises subsequentes e ao final de doze meses no havia sinais endoscpicos e radiolgicos de recorrncia da doena. A TC de seios paranasais aps seis meses de ps-operatrio mostrou extensa rea pneumatizada em esfenoide estendendo-se s fossas nasais.


DISCUSSO

A mucocele apresentada neste trabalho era esfenoidal, condio rara quando se observa a frequncia das mesmas dentre os diversos seios paranasais envolvidos. Conforme se encontra na literatura o paciente era do sexo masculino e pertencia faixa etria mais comum de acometimento, geralmente quarta e quinta dcadas de vida (1). No foi encontrada associao com cirurgia prvia, nem passado de polipose nasal, todavia havia sinusite etmoidal crnica envolvida neste caso como pode acontecer em cerca de metade dos pacientes com esta doena (3, 4). Os sintomas que surgiram no paciente como obstruo nasal e cefaleia desapareceram aps o tratamento o que faz pensar que a compresso direta fosse o mecanismo principal da origem das mesmas (5-7). No entanto, a perda visual melhorou apenas direita sendo que houve leso irreversvel esquerda. Este quadro talvez seja pela compresso indireta de origem vascular responsvel pelos sintomas transitrios e reversveis. A cefaleia que o sinal mais precoce e constante foi um dos sintomas de abertura tambm neste caso e caracteristicamente retro-orbitria. O achado excepcional, segundo a literatura, que neste caso um sinal oftalmolgico, especificamente a amaurose, foi um dos sintomas que iniciou o quadro clnico (1). Apesar de outros pares cranianos (III, IV e VI) poderem estar afetados, neste paciente isto no ocorreu, nem tambm a exoftalmia. Tambm no encontramos sinais endcrinos ou de complicaes intracranianas como, alis, so infrequentes nestes casos (8, 9). Conforme descrito na literatura a mucocele adelgaava as paredes do seio esfenoidal, preenchendo-o totalmente, porm o contraste utilizado na TC no modificava a sua densidade. Uma vez que a TC o mtodo de eleio para o diagnstico e o mesmo foi definido no se considerou necessria realizao de RNM (10). A opo de tratamento cirrgico foi de acesso trans-nasal endoscpico com abertura de seio esfenoidal e sua completa marsupializao como se encontra descrito normalmente (11). Da mesma forma, no houve complicaes importantes por ser procedimento de baixa morbidade (12). O seguimento mnimo de um ano foi respeitado e no houve recidivas neste perodo, porm deve ser ressaltado que estas podem ocorrer tardiamente.


COMENTRIOS FINAIS

A mucocele esfenoidal uma doena rara e que por cursar insidiosamente tem diagnstico muitas vezes tardio e cujo mtodo diagnstico de eleio a tomografia computadorizada de seios paranasais com contraste. uma doena que deve ser lembrada no diagnstico diferencial das leses esfenoidais pelo otorrinolaringologista. O tratamento realizado usualmente a marsupializao e drenagem por via endoscpica nasossinusal.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

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1) Doutor. Otorrinolaringologista - HC-UFPE.
2) Livre Docente. Professor Adjunto da Disciplina de Otorrinolaringologia do HC-UFPE.
3) Doutora em Otorrinolaringologia USP. Otorrinolaringologista do Hospital Agamenon Magalhes.
4) Mestre em Cirurgia - UFPE. Otorrinolaringologista do Hospital Agamenon Magalhes.

Instituio: Servio de Otorrinolaringologia da Universidade Federal de Pernambuco. Recife / PE - Brasil. Endereo para correspondncia: Antonio Antunes Melo - Rua Dom Joo de Souza 40, Apto. 2102 - Madalena - Recife / PE - Brasil - CEP: 50610-070 - Telefax: (+55 81) 3492-2695 - E-mail: antunes.orl@gmail.com

Artigo recebido em 21 de Julho de 2009. Artigo aprovado em 28 de Abril de 2011.
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