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Ano: 2012  Vol. 16   Num. 1  - Jan/Mar
DOI: 10.7162/S1809-48722012000100013
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Intensidade do rudo produzido em sala de aula e anlise de emisses acsticas em escolares
Intensity of noise in the classroom and analysis of acoustic emissions in schoolchildren
Author(s):
Nelson de Almeida Filho1, Filipe Filletti2, Hiran Rocha Guillaumon2, Flavio Serafini3.
Palavras-chave:
perda auditiva provocada por rudo, estudantes, aprendizagem.
Resumo:

Introduo: Perda auditiva induzida por rudo configura-se como perda auditiva neurossensorial, geralmente bilateral, irreversvel e progressiva com o tempo de exposio. Como o rudo produzido por crianas na escola pode estar acima da intensidade considerada lesiva, o estudo verificou a ocorrncia em escolas de Taubat. Objetivo: Aferir se escolares esto expostos a rudos de intensidade lesiva cclea; definir o perfil destes escolares; demonstrar ocorrncia de alteraes na atividade coclear aps exposio de um dia ao rudo do ambiente escolar. Mtodo: Forma de estudo transversal com 28 alunos do ensino fundamental no primeiro semestre de 2009. Questionrios para avaliao de possvel leso coclear prvia. Avaliao da funo coclear atravs da anlise das emisses acsticas evocadas por produto de distoro, realizadas antes dos alunos entrarem em aula e logo aps o final destas. Aferio do rudo dentro das salas de aula e em locais de recreao durante o intervalo. Resultados: 57,1% acusaram alguma perda auditiva nos exames realizados antes das aulas. Ao final do dia, 04 meninas e 03 meninos tinham piorado em relao ao primeiro exame. O rudo alcanou valores maiores do que o recomendado nas trs salas estudadas. O maior nmero de alunos com piora pertenciam sala com maior nvel de rudo. O rudo produzido durante os intervalos tambm est excessivo. Concluso: O rudo nesta escola esta acima do limite. 42,85% dos alunos que apresentaram piora tinham desempenho escolar insuficiente. 25% apresentaram piora aps exposio aos rudos em um dia letivo.

INTRODUO

A perda auditiva induzida por rudo (PAIR) o resultado de uma leso orelha do trabalhador que depende tanto da intensidade, quanto do tempo de exposio e suscetibilidade da cclea ao rudo (1), e mais precisamente a surdez de percepo resultante de leso de clulas sensoriais do ouvido interno (cclea) (2).

Devido ao importante aumento do som no ambiente escolar nos ltimos anos, vrios estudos apresentam avaliao da intensidade do rudo escolar onde a criana permanece em mdia quatro horas por dia (3). Embora a Associao Brasileira de Normas Tcnicas (ABNT) estabelea que o rudo dentro da sala de aula deve atingir no mximo 50dB (4), estudo realizado por CELANI, BEVILCQUA e RAMOS (5) constatou que o rudo em ambiente escolar pode atingir at 94,3dB.


MTODO

Estudo Transversal aprovado pelo comit de tica e pesquisa no dia 24 de Abril de 2009 com Protocolo CEP/UNITAU 062/09. A pesquisa foi realizada na escola pblica E.M.E.F. Prof. lvaro Marcondes, com alunos do 6 ano do ensino fundamental durante o primeiro semestre de 2009 pertencentes s salas ditas "B, C e D". Da sala B foram estudados 12 alunos, da sala C 7 alunos e 9 alunos da sala D. Foram entregues trinta questionrios aos pais dos alunos com as melhores e as piores notas das trs salas, sem o conhecimento prvio dos pesquisadores quanto ao aproveitamento escolar de cada aluno. O questionrio referia-se s doenas da infncia do escolar e s ainda em tratamento, s doenas de membros da famlia relacionadas surdez e ao histrico de desenvolvimento do aluno. Um termo de consentimento explicava sobre os instrumentos que seriam utilizados na pesquisa e os resultados esperados. Resposta positiva s perguntas 06, 11, 12 e 13 do questionrio preenchia um critrio para avaliao de possvel leso coclear prvia.

Aps devoluo dos questionrios, os alunos foram submetidos a otoscopia para excluir do exame outras leses de orelha externa e realizada avaliao da funo coclear por meio da anlise das emisses acsticas evocadas por produto de distoro (EOAPD) com o Eroscan (Maico Inc, Minneapolis) nas frequncias de 2, 3, 4, 5 KHz; em cabine audiomtrica.

No dia da pesquisa de campo, os alunos ficaram afastados dos demais em uma sala o mais isolado possvel de sons externos e foram submetidos a anlises realizadas em duas ocasies: antes entrarem na sala de aula para o dia letivo e logo aps o final das aulas daquele dia. Tambm se realizou a aferio do rudo dentro das salas de aula com um decibelmetro digital MSL-1325 MINIPA Ltda. (So Paulo) em cinco pontos distintos (nas 04 extremidades e no centro). Durante o intervalo entre as aulas tambm se realizou a aferio do rudo em locais de recreao.

Com os valores obtidos com o decibelmetro foi observada a intensidade mnima e mxima do rudo dentro da sala de aula com a presena de todos os alunos e no ptio, durante o intervalo. Foram comparadas: as EOAPD iniciais e as finais para a observao da existncia de possveis alteraes que sugiram leses cocleares ps exposio ao rudo escolar, sendo considerados alterados se apresentassem ausncia de resposta em duas ou mais frequncias e piorados quando mais uma frequncia se apresentasse ausente no segundo exame. Estes dados foram cruzados com as respostas aos questionrios dos alunos de melhores e de piores notas, a fim de definir um padro que possa justificar a diferena entre o aproveitamento escolar dos dois grupos alm de uma possvel perda auditiva.


RESULTADOS

De um total 28 alunos que participaram do estudo, as idades variaram de 10 14 anos, com predomnio da faixa etria dos 11 anos (57.1%) a mdia de idade foi de 11.11(desvio padro=0,916), sendo que 13 pertenciam ao gnero feminino e 15 ao masculino. Estes 28 alunos foram divididos por desempenho escolar, sendo 14 alunos com notas consideradas insuficientes e 14 alunos com notas consideradas suficientes, sendo que, dos alunos com notas insuficientes, 12 eram do gnero masculino e 02 do gnero feminino e dos com notas suficientes, 11 feminino e 03 masculino. No questionrio sobre questes que sugerissem leses por rudo, 07 alunos no preenchem nenhum critrio, 09 alunos preenchem 01 critrio, 07 alunos preenchem 02 critrios, 04 alunos preenchem 03 critrios e apenas 01 aluno preenche todos (04) critrios.

Em relao a Analise do Rudo, no Grfico 1 possvel observar os nveis mximos e mnimos do rudo produzido nas salas de aula B, C e D, sendo sala B do perodo matutino e salas C e D perodo vespertino, com todos alunos presentes e do rudo dentro da sala onde foram realizados os testes de emisses acsticas, fora da cabine audiomtrica. Os valores mximos 84,3; 96,2 e 93dB e mnimos de 66,1; 71,1 e 67,4dB so das salas B, C e D respectivamente.

O Grfico 2 apresenta nveis mximos do rudo nos intervalos do perodo matutino (83,8; 88,7) e vespertino (102 e 100dB) e mnimos matutinos (75,7; 59,5) e vespertino (78,6; 79,7) de rudo produzido no ptio durante os intervalos do dia letivo.

Conforme apresentado na Tabela 1, dos 28 alunos pesquisados, 16 apresentaram algum grau de alterao na resposta coclear no exame realizado no inicio do dia letivo, correspondendo a 57,1% da amostra. Destes 16 alunos, 11 eram do gnero masculino e 05 do feminino.

J na Tabela 2, observa-se que dos 28 alunos, 07 apresentaram piora da resposta coclear quando comparados ao exame inicial, correspondendo a 25% do total de alunos.



Grfico 1. Intensidade do rudo nas salas de aula, Taubat 2009.




Grfico 2. Intensidade do rudo durante os intervalos, Taubat 2009.




DISCUSSO

Como vrias so as causas para a surdez neurossensorial, fez-se necessrio responder um questionrio antes de correlacionar o rudo com as respostas ao exame de emisses acsticas dos alunos que participariam do estudo.

As perguntas no questionrio que sugerem leses por rudo so: Seu filho s assiste TV com volume alto?Seu filho usa Mp3 em volume alto? Seu filho fica exposto a som de alto-falante? Seu filho foi exposto a rudo forte tipo exploso de fogos de artifcio? 09 dos alunos que responderam a pelo menos um critrio era do grupo insuficiente e 07 dos alunos que responderam a pelo menos um critrio tambm apresentavam alterao coclear ao exame de emisses. Isto pode sugerir que um questionrio bem elaborado pode indicar alterao auditiva em pacientes com aproveitamento escolar insuficiente.

Infeces bacterianas e virais, especialmente sarampo, caxumba e meningite: Seu filho teve caxumba, sarampo ou meningite? Qual delas? Apenas trs alunos, um em cada sala, apresentaram infeces prvias (02 parotidites, 01 meningite) dos 03 alunos todos eram insuficientes e destes, 02 chegaram com alterao coclear pr exposio ao dia letivo sendo que um apresentou piora ps exposio. Aqui tambm o questionrio pode ajudar quando no se tem acesso a exames auditivos.

Uso de medicamentos, especialmente antibiticos aminoglicosdeos e antineoplsicos: Seu filho ficou internado e recebeu antibiticos pela veia por mais de trs dias? Qual a infeco? Apenas dois alunos alm dos que apresentaram infeces prvias fizeram uso de antibitico endovenoso. Ambos faziam parte do grupo de alunos insuficientes.

Voc, me do aluno, teve alguma infeco diagnosticada durante a gravidez? Houve algum problema durante a gravidez deste filho? Apenas quatro mes apresentaram infeces durante a gestao (infeco urinria) sendo que somente estas apresentaram problemas durante o parto. Destes alunos, trs estavam no grupo insuficiente e todos apresentaram alterao coclear, sendo um pr e trs ps exposio.

Doena de Mnire: Seu filho reclama de tontura ou zonzeira? Ele j reclamou de barulho ou zunido na cabea? Como esta pergunta subjetiva tivemos dificuldade em interpretar suas respostas.

Voc tem que repetir vrias vezes at que o seu filho entenda? O seu filho aumenta o volume da televiso com frequncia?

As emisses otoacsticas evocadas (EOAE) so energias sonoras de fraca intensidade que so amplificadas pela contrao das clulas ciliadas externas da cclea, podendo ser captadas no meato acstico externo em resposta a um estmulo acstico (6). Classificam-se em: transitrias ou transientes (EOAT) - evocadas por um estmulo acstico breve, normalmente um clique, de espectro amplo que abrange um gama de frequncias; produto de distoro (EOAPD) - evocado por dois tons puros simultneos (f1 e f2) que por intermodulao produzem como resposta um produto de distoro (2f1- f2); estmulo-frequncia (EOAEF) - evocadas por sinal contnuo de fraca intensidade na frequncia do estmulo apresentado, so menos usadas clinicamente em decorrncia de seu registro oferecer muitas dificuldades tcnicas e o tempo de exame ser maior (7).

As EOAE so registradas na grande maioria dos indivduos que apresentam audio normal, independente da idade e sexo. Sua presena indica a integridade do mecanismo coclear, podendo estabelecer se a atividade acstica de determinada orelha est dentro dos limites da normalidade independente da inteno do paciente querer ou no colaborar com a anlise. A triagem com emisses otoacsticas apresenta menor nmero de falsos positivos e falsos negativos. Por sua rapidez, por seu carter no-invasivo e por sua fidedignidade, um teste com o perfil ideal para programas de triagem (7).

Vrios fatores podem estar relacionados ao fato de dos 14 alunos com notas insuficientes, 12 serem do gnero masculino. Estudos relatam que os meninos tendem a ter rendimento escolar menor que as meninas, devido a serem mais agitados, terem menor poder de concentrao, terem o desenvolvimento psicossomtico mais lento que das meninas (6).

Este trabalho demonstrou que o rudo produzido dentro da sala de aula da escola estudada alcanou valores maiores do que o recomendado nas trs salas estudadas, sendo os valores mximos 84,3; 96,2 e 93dB e mnimos de 66,1; 71,1; 67,4. Notou-se que a sala C obteve valores tanto mximos como mnimos superiores das demais salas (96,2-71,1) e as trs salas estudadas estavam acima do valor de 50dB preconizado pela ABNT (4). A intensidade encontrada neste estudo similar ao estudo de CELANI et al (5) e maior que o de SERAFINI et al. (8). Porm, em relao ao estudo realizado por RIBEIRO et al (9), cujos valores de pico ultrapassaram os 100 dB (A) nas 3 sries pesquisadas, os resultados do presente estudo foram menores.

O rudo produzido durante os intervalos tambm est excessivo em ambos os perodos letivos (matutino e vespertino) com valores mximos no perodo da manh alcanando 88,7dB e no perodo da tarde 102dB, ultrapassando o protocolo do ministrio da Sade, que de 85dB (1). Porm os alunos ficavam expostos a esse rudo por aproximadamente 20 minutos (durao do intervalo). A ABNT (4) preconiza que no tempo de 20 minutos para ocorrer leso coclear a intensidade do rudo precisa ser de 108dB. No dia da avaliao no observamos valores superiores a este, porm identificamos que 02 alunos da sala B (matutino) pioraram no exame de emisses acsticas no final do dia letivo, enquanto que um nmero maior de alunos do perodo vespertino pioraram (04 da sala C e 01 aluno da sala D).

Estudos demonstram que o rudo leva ao estresse, dificuldade de concentrao, retardo do desenvolvimento neuropsicomotor, agressividade e baixo rendimento (7). O rudo encontrado nas salas de aula da escola e no ptio se comparados com o dados da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia mostram os mesmos nveis de rudo causados por trnsito intenso, carro de corrida e trem subterrneo, faixas entre 80 e 110dB (10), demonstrando que, certamente, os valores encontrados neste estudo no so apropriados para o ambiente escolar, to pouco para a sade fsica e mental das crianas nessa fase de aprendizagem, como para os outros profissionais da escola.

Em relao aos exames de emisses acsticas realizados no inicio do dia letivo, dos 28 alunos avaliados, 16 (57,1%) acusaram algum grau de perda auditiva. Destes 16, 07 eram do grupo de alunos insuficientes, sendo possvel que o atraso escolar esteja relacionado alterao auditiva. Tambm se observou que 06 destes responderam que estavam expostos a som intenso (preenchiam pelo menos um dos critrios para exposio a som). Com esses dados e o nmero limitado da amostra no podemos afirmar que essas alteraes preexistentes so devido exposio ao rudo produzido durante sua vida escolar com o decorrer dos anos, porm alerta-nos no s para o rudo dentro da escola, mas tambm os hbitos desses alunos, como usar o aparelho de mp3 no volume alto, exposio msica alta em discotecas, conversao com volume vocal elevado.

Nos exames realizados ao final do dia letivo, constatou-se que 07 alunos tinham piorado em relao ao primeiro exame, sendo que todos faziam parte do grupo dos 16 alunos que j apresentavam alguma alterao do exame inicial. Destes 07 alunos com piora, 04 eram meninas e 03 meninos; 02 eram do perodo matutino (sala B), e os demais do perodo vespertino (04 da sala C e 01 aluno da sala D). A sala C foi a que apresentou maiores valores para a intensidade do rudo, o que pode estar relacionado com o maior nmero de alunos com piora da resposta coclear ao exame de emisses.









CONCLUSO

O rudo produzido nesta escola esta acima do limite estipulado pela ABNT e Ministrio da Sade.

42,85% dos alunos que apresentaram piora do exame de emisses acsticas tinham desempenho escolar insuficiente

25% dos alunos apresentaram piora nos exames de emisses acsticas aps exposio aos rudos em um dia letivo.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. Brasil. Ministrio da Sade. Secretaria de Ateno Sade. Departamento de Aes Programticas Estratgicas. Perda auditiva induzida por rudo (PAIR). Srie A. Normas e Manuais Tcnicos. Braslia: Editora MS, 2006. Disponvel em http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/06_0444_M.pdf.

2. Hungria H. Otorrinolaringologia. 8 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

3. Cruz OLM, Costa SS. Disacusias Neurossensoriais Induzidas por Rudo. In: Cruz OLM, Costa SS, Oliveira JAA. Otorrinolaringologia: Princpios e prtica. Porto Alegre: Artes Mdicas, 1994, 21:222-3. ABNT. Associao Brasileira de Normas Tcnicas.

4. NBR 10152: Nveis de Rudo para conforto acstico. Rio de Janeiro: ABNT, dez 1987.

5. Celani AC, Bevilcqua MC, Ramos CR. Rudo em escolas. Fono: Rev. Atual. Cient. 1994, 6(2):1-4.

6. Dal'igna MC. Desempenho escolar de meninos e meninas: h diferena? Educ. Rev. 2007, 46:41-267.

7. Pialarissi P, Gattaz G. Emisses Otoacsticas: Conceitos Bsicos e Aplicaes Clnicas. Arq. Int. Otorrinolaringol. 1997, 1(2). Disponvel em http://www.arquivosdeorl.org.br/conteudo/acervo_port.asp?id=13.

8. Serafini F., Moreira PAC, Santos ECC, Merotti FO, Bortoleto MS, Lenci R. Can noise induced hearing loss happen in elementary schools? Proceedings of XXX Congress of the NES. Oporto Portugal. 2003. Disponvel em: http://www.neurootology.org/archives/22.

9. Ribeiro MER, Oliveira RLS, Santos TMM, Scharlach RC. A percepo dos professores de uma escola particular de Viosa sobre o rudo nas salas de aula. Rev. Equilbrio Corporal e Sade. 2010, 2(1):27-45.







1) Graduando (estudante)
2) Graduado em medicina.
3) Professor Doutor. Professor Titular e Chefe do Servio de Otorrinolaringologia do Hospital Universitrio de Taubat - UNITAU.

Instituio: Universidade de Taubat - Departamento de Medicina. Taubat / SP - Brasil. Endereo para correspondncia: Nelson de Almeida Filho - Rodovia Geraldo Scavone 1000, Lote 68 - Jacare / SP - Brasil - Fax: (+55 12) 3951-8577 - E-mail: nelson_almeida41@hotmail.com

Artigo recebido em 1 de Junho de 2011. Artigo aprovado em 10 de Julho de 2011.
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