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Ano: 2000  Vol. 4   Num. 2  - Abr/Jun Print:
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Demonstração da anatomia cirúrgica do osso temporal em 3 dimensões
Author(s):
1Ricardo Ferreira Bento, 2Guilherme Carvalhal Ribas, 3Tanit Ganz Sanchez, 4Rubens Vuono de Brito Neto, 5Aldo Junqueira Rodrigues, 6Aroldo Miniti
Palavras-chave:
osso temporal, ensino, três dimensões.
Resumo:

A anatomia tridimensional cirúrgica do osso temporal humano está sem dúvida entre as mais refinadas e complexas do organismo. O seu conhecimento profundo e detalhado é ponto primordial para o otologista. As imagens tridimensionais estereoscópicas podem ser utilizadas com a finalidade de ensino e documentação. O objetivo desse trabalho é demonstrar a sua utilidade no ensino da anatomia cirúrgica do osso temporal. Para isso, foi utilizado um osso temporal conservado em formol. Após análise das distintas etapas de dissecção, os autores consideram que as imagens em 3 dimensões contribuíram muito para a demonstração e a compreensão da complexa anatomia cirúrgica do osso temporal humano.

INTRODUÇÃO

A complexidade e a riqueza de detalhes da anatomia tridimensional cirúrgica do osso temporal humano faz com que o otologista necessite conhecê-lo profundamente antes de iniciar sua prática cirúrgica. Para isso, um dos passos necessários é despender várias horas de treinamento de dissecção em ossos temporais de cadáveres, o que nem sempre é possível fora dos meios universitários.

Cada osso temporal apresenta distinções anatômicas peculiares, de modo que a sua anatomia tridimensional deve ser adequadamente compreendida e "fotografada" em nossa memória. Portanto, para abordarmos o osso temporal é da maior importância o seu conhecimento detalhado e um treinamento frequente para evitar a perda dessa "memória fotográfica" e o prejuízo de nosso trabalho. Portanto, em nossa opinião o cirurgião otológico deve ter sempre disponível um local para seu treinamento e aperfeiçoamento.

Para o ensino anatômico do ouvido, principalmente em termos de graduação em medicina ou em áreas paramédicas, seus inúmeros planos cirúrgicos e estruturas microscópicas interrelacionadas são de difícil demonstração. Além disso, a escassez de peças anatômicas em vários centros universitários faz com que a aplicação da técnica de tridimensão seja de extrema utilidade. A realização da técnica de imagens em 3 dimensões propriamente dita já foi descrita em outro artigo nesta mesma revista.1

Este artigo tem o objetivo de mostrar imagens do osso temporal em 3 dimensões, comprovando sua importância no ensino e pesquisa da área.

MATERIAL E MÉTODO

Um osso temporal humano conservado em formol foi dissecado para demonstração de sua anatomia cirúrgica em 3 dimensões, usando-se as etapas adotadas e preconizadas no Manual de Dissecção do Osso Temporal.2

As imagens em 3 dimensões foram realizadas conforme descrição no artigo anterior. Para visualizar todo o seu potencial no ensino da anatomia cirúrgica do osso temporal, é necessário colocar os óculos especiais que acompanham esta revista e aguardar alguns segundos até que a imagem se forme com mais nitidez.

RESULTADOS

Os resultados da demonstração anatômica do osso temporal em 3 dimensões estão expostos nas figuras:


Figura 1. Superfície lateral do osso temporal, mostrando sua porção escamosa, o processo zigomático anteriormente, o processo estilóide inferiormente e o processo mastoídeo posteriormente. A espinha supra-meatal (de Henle) localiza-se superiormente à parede posterior do CAE. A linha temporal se estende posteriormente ao processo zigomático e superiormente ao CAE, sendo o limite superior da cavidade mastoídea em relação à fossa média. A zona crivosa corresponde à projeção de células mastoídeas na cortical da mastóide. O ângulo formado pela espinha supra-meatal e a linha temporal é usado como referência da projeção externa do antro mastoídeo.


Figura 2. Cortical da mastóide aberta, permitindo a visualização do seio sigmóide, bloco labiríntico, meato acústico externo e dura-máter da fossa média. Observe a noção de profundidade existente entre as estruturas.


Figura 3. Visualização em profundidade do bloco labiríntico individualizado, do canal de Falópio em sua 2a e 3a porções, do golfo da jugular aberto e da região atical, com a bigorna e martelo articulados.


Figura 4. Etapa subsequente da dissecção, após broqueamento da parede posterior do CAE e abertura dos 3 canais semicirculares.


Figura 5. Etapa final da dissecção, após abertura da cóclea, permitindo a visualização das escalas vestibular e timpânica.


DISCUSSÃO

O recente e contínuo avanço nas técnicas fotográficas e de informática permitiram a modernização dos métodos de desenvolvimento de imagens estereoscópicas. Além da melhora em termos de qualidade e da possibilidade de produção em grande escala, as imagens em 3 dimensões começaram a ser usadas com a finalidade de aperfeiçoar o ensino, uma vez que a visão tridimensional estereoscópica permite a real apreciação da profundidade dos objetos.

A partir de 1997, a Disciplina de Topografia Estrutural Humana e a Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo iniciaram a produzir material didático estereoscópico com o objetivo de aprimorar o ensino médico. Além disso, ambas as Disciplinas começaram, mais recentemente, a ministrar cursos em diversos centros nacionais e internacionais com o objetivo principal de demonstração da complexa anatomia de alguns órgãos, entre eles o cérebro e o ouvido.

Em nossa opinião, o osso temporal humano, por sua complexidade cirúrgica inerente, é uma das estruturas cujo ensino específico da anatomia mais se beneficiou com o desenvolvimento da técnica de imagens tridimensionais. Como o campo de aplicação das imagens estereoscópicas na área médica é enorme (treinamento prático do profissional, transmissão de imagens à distância, realização de telecirurgias, etc), consideramos que sua incorporação no ensino pode ser de extrema utilidade.

Referências Bibliográficas

1. Ribas, GC; Bento, RF; Rodrigues Jr, AJ. Reproduções impressas de imagens tridimensionais estereoscópicas para ensino, demonstrações e documentações. Arquivos da Fundação Otorrinolaringologia 4(2): 48-54, 2000.

2. Bento, RF; Miniti, A; BOGAR, P; Caldas Neto, SC; Rodrigues Jr, AJ. Manual de Dissecção do Osso Temporal. 2a edição. Fundação Otorrinolaringologia, São Paulo, 1997.

Trabalho desenvolvido conjuntamente na Disciplina de Otorrinolaringologia e na Disciplina de Anatomia Topográfica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Endereço p/ correspondência: R. Pedroso Alvarenga, 1255, cj.22 - São Paulo - SP - CEP: 04531-012
Telefone: (0xx11) 3064-6556 - Fax: (11)881-6769- E-mail: tanitgs@attglobal.net

1- Professor-Associado da Disciplina de Otorrinolaringologia da FMUSP e Chefe do Grupo de Otologia da Divisão de Clínica Otorrinolaringológica do Hospital das Clínicas da FMUSP.
2- Professor-Assistente Doutor da FMUSP Disciplina de Topografia Estrutural Humana da FMUSP.
3- Médica Assistente Doutora da Divisão de Clínica Otorrinolaringológica do Hospital das Clínicas da FMUSP.
4- Médico Assistente e Doutorando do curso de Pós-Graduação da FMUSP.
5- Professor Titular da Disciplina de Topografia Estrutural Humana da FMUSP.
6- Professor Titular da Disciplina de Otorrinolaringologia da FMUSP.
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