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Ano: 2008  Vol. 12   Num. 3  - Jul/Set Print:
Case Report
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Adenoma Pleomorfo de Seio Maxilar - Relato de Caso
Pleomorphic Adenoma of Maxillary Sinus - A Case Report
Author(s):
Camila Cristina Ishikawa1, Fabrizio Ricci Romano2, Richard L. Voegels3, Ossamu Butugan3
Palavras-chave:
adenoma pleomorfo, seio maxilar, glndulas salivares
Resumo:

Introduo: O adenoma pleomorfo o tumor benigno glandular mais comum originado na cabea e pescoo. So raros os casos de adenoma pleomorfo de seio maxilar descritos na literatura. Objetivo: Relatar o caso de um paciente com uma massa nasal unilateral, com origem no seio maxilar, que teve o diagnstico histopatolgico de adenoma pleomorfo. Relato do Caso: A.O.V., 55 anos, branco, masculino, com queixa de obstruo nasal h anos e presena de massa polipide em fossa nasal esquerda. Submetido resseco tumoral via endoscpica, teve o diagnstico histopatolgico de adenoma pleomorfo. Concluso: O adenoma pleomorfo uma neoplasia benigna que, apesar de sua raridade, deve fazer parte do diagnstico diferencial de tumores nasais associados a queixas nasais crnicas.

INTRODUO

O adenoma pleomorfo o tumor benigno glandular mais comum originado na cabea e pescoo (1,2). o tumor que mais comumente afeta as glndulas salivares maiores, principalmente as glndulas partidas em 80% dos casos. As glndulas salivares menores so afetadas em somente 8% dos casos, geralmente em palato mole e duro (3). Raramente acometem outros locais do trato aerodigestivo.

Na cavidade nasal, sua localizao mais freqente a cartilagem quadrangular, seguido pela parede lateral nasal, sobretudo os cornetos (1). So raros os casos de adenoma pleomorfo de seio maxilar descritos na literatura (4).

O objetivo deste trabalho relatar o caso de um paciente com uma massa nasal unilateral, com origem no seio maxilar, que teve o diagnstico histopatolgico de adenoma pleomorfo.


RELATO DO CASO

A.O.V., 55 anos, branco, masculino, compareceu ao ambulatrio de Otorrinolaringologia com queixa de obstruo nasal h anos, prurido e espirros eventuais. Negava dor ou abaulamento facial ou episdios de sangramento.

Ao exame otorrinolaringolgico observou-se aumento moderado das conchas nasais inferiores, com presena de secreo mucide espessa em fossa nasal esquerda. Na nasofibrolaringoscopia observou-se a presena de uma massa de aspecto polipide, originando-se em meato mdio esquerdo e protruindo para a fossa nasal.

A tomografia computadorizada (Figuras 1 e 2) de seios paranasais revelou uma massa de contornos lobulados, ocupando o stio de drenagem do seio maxilar esquerdo, se estendendo para o seio maxilar esquerdo, meato mdio, inferior e rinofaringe ipsilaterais, comprimindo e desviando o septo nasalsseo para a direita. No se evidenciavam sinais de invaso ssea. No foi observado realce significativo pela injeo de contraste.


Figura 1. Tomografia computadorizada de seios paranasais em corte coronal, mostrando massa ocupando stio do seio maxilar esquerdo, estendendo-se para seio maxilar e cavidade nasal (seta).


Figura 2. Tomografia computadorizada de seios paranasais em corte axial, mostrando massa ocupando stio do seio maxilar esquerdo, estendendo-se para seio maxilar e cavidade nasal (seta).



Foi submetido resseco tumoral completa via endoscpica, sendo observada insero tumoral em parede superior de seio maxilar esquerdo. O exame histopatolgico deu o diagnstico de adenoma pleomorfo.

No ps-operatrio, paciente segue em acompanhamento ambulatorial, sem evidncia de recidiva clnica e tomogrfica aps quatro anos da cirurgia (Figuras 3 e 4).


Figura 3. Tomografia computadorizada de seios paranasais em corte coronal - controle ps-operatrio, mostrando ausncia de sinais de recidiva (seta).


Figura 4. Tomografia computadorizada de seios paranasais em corte axial - controle ps-operatrio, mostrando ausncia de sinais de recidiva (seta).



DISCUSSO

O adenoma pleomorfo raramente acomete a cavidade nasossinusal. Uma srie de casos de adenoma pleomorfo nasal, descrita por Compagno e Wong (5), incluiu 40 casos a partir de mais de 10.000 tumores de glndulas salivares, mas nenhum envolvimento primrio de seios paranasais foi encontrado. Em uma reviso de 2807 casos de neoplasias de glndulas salivares, Spiro (6) no descreveu nenhum tumor benigno de seios maxilares e etmoidais.

O adenoma pleomorfo pode se apresentar em qualquer idade, mas a maioria ocorre entre as 3e 6dcadas de vida, sendo mais comum em mulheres, sem preferncia por raa (2,4).

As principais queixas so: obstruo nasal unilateral (71%) e epistaxe (56%). Outros sintomas so massa nasal, epfora e rinorria (7). Apresenta-se como uma massa indolor, unilateral, branco-acinzentada, submucosa, polipide, firme e encapsulada (2).

Os achados radiolgicos no so especficos. A TC mostra massa homognea, bem delimitada, sem calcificaes, com remodelamento sseo, sugerindo processo benigno de crescimento lento (7,8). A imagem na RNM varivel geralmente mostra massa bem delimitada, com hipossinal em T1 e sinal intermedirio e heterogneo em T2 (8).

O diagnstico realizado pela bipsia da leso suspeita. Histologicamente exibe alta celularidade mioepitelial com pouco ou nenhum componente estromal (7). O adenoma pleomrfico de cavidade nasal geralmente mostra um padro mais celular e com menos estroma, em contraste com os achados histolgicos dos tumores de glndulas salivares maiores (4).

O diagnstico diferencial inclui plipo, papiloma, angiofibroma, hemangioma e CEC (7).

O tratamento de escolha a exciso cirrgica com margens livres (3,7). O acesso depende do tamanho do tumor. Quando o tumorpequeno, recomenda-se abordagem via endoscpica transnasal; se houver comprometimento tumoral grande deve-se optar pela rinotomia lateral ou degloving mdio-facial complementado com endoscopia nasal (3). Em publicaes mais recentes, autores mostraram que o acesso intranasal endoscpico efetivo com baixa taxa de recorrncia (7). A radioterapia tem pouca utilidade nesses pacientes e s est indicada em casos de tumores irressecveis ou de contra-indicao cirrgica (3).

Acompanhamento de rotina ps-operatrio necessrio devido ao potencial de recorrncia (2,4 a 7,5% dos casos aps exciso primria) (7) e de transformao maligna (2 a3%), que ocorrem principalmente nos casos de recorrncia tumoral (3).

A presena de um tumor neste paciente, com sintomatologia pouco exuberante e de longa durao, refora a orientao de que todo paciente com queixa nasal crnica deve ser submetido investigao endoscpica ou tomogrfica, sob o risco de se estar deixando de diagnosticar afeces importantes e potencialmente graves.


COMENTRIOS FINAIS

O diagnstico diferencial de massa nasossinusal unilateral nem sempre fcil, uma vez que os pacientes apresentam, na maioria das vezes, sintomas inespecficos de evoluo lenta, e envolve diversos tumores benignos e malignos. O diagnstico definitivo realizado pelo exame histopatolgico.


REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1. Felix JAP, Tonon S, Saddy JC et al. Adenoma pleomrfico de septo nasal: relato de caso e reviso da literatura. Rev Bras Otorrinolaringol. 2000, 66: 409-412.

2. Rocha MP, Campagnolo AM, Macedo VS et al. Adenoma pleomrfico de septo: relato de caso. Rev Bras Otorrinolaringol. 2004, 70: 416-418.

3. Patrocnio TG, Patrocnio J, Patrocnio LG. Adenoma pleomrfico nasal: resseco via degloving mdio-facial. Arq Int Otorrinolaringol. 2006, 10: 154-158.

4. Berenholz L, Kessler A, Segal S. Massive pleomorphic adenoma of the maxillary sinus. Int J Oral Maxillofac Surg. 1998, 27:372-373.

5. Compagno J, Wong RT. Intranasal mixed tumors (pleomorphic adenomas). A clinicopathologic study of 40 cases. Am J Clin Pathol. 1977, 68:213-218.

6. Spiro RH. Salivary neoplasms: overview of a 35-year experience with 2807 patients. Head Neck Surg. 1986, 8:177-184.

7. Jackson LE, Rosenberg SI. Pleomorphic adenoma of the lateral nasal wall. Otolaryngol Head Neck Surg. 2002, 127:474-476.

8. Fushiki H, Morijiri M, Maruyama M et al. MRI of intranasal pleomorphic adenoma. Acta Otolaryngol. 2006, 126:889-891.














1. Mdica. Residente da Disciplina de Otorrinolaringologia do HCFMUSP.
2. Doutor em Cincias pela FMUSP. Mdico colaborador da Diviso de Clnica Otorrinolaringolgica do HCFMUSP.
3. Professor Livre-Docente da Disciplina de Otorrinolaringologia do HCFMUSP. Professor Associado da Diviso de Clnica Otorrinolaringolgica do HCFMUSP.

Instituio: Hospital das Clnicas da Faculdade de Medicina da Universidade de So Paulo. So Paulo / SP - Brasil.

Endereo para correspondncia:
Camila Cristina Ishikawa
Rua Frana Pinto, 512 - Apto. 161
So Paulo / SP - Brasil - CEP: 04016-002
Fax: (+55 11) 5539-1957
E-mail: camilaishikawa@yahoo.com.br

Artigo recebido em 8 de setembro de 2007.
Artigo aceito em 30 de maro de 2008.
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