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Ano: 2011  Vol. 15   Num. 2  - Abr/Jun
DOI: 10.1590/S1809-48722011000200004
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Avaliao do Equilbrio Corporal na Doena de Parkinson
Physical Equilibrium Evaluation in Parkinson Disease
Author(s):
Franciele da Trindade Flores1, Angela Garcia Rossi2, Paula da Silva Schmidt1.
Palavras-chave:
doena de parkinson, testes de funo vestibular, eletronistagmografia.
Resumo:

Introduo: A doena de Parkinson pode estar entre as mltiplas causas de alteraes no equilbrio corporal. Objetivo: Dessa forma, o estudo tem por objetivo avaliar o equilbrio corporal de parkinsonianos. Mtodo: Estudo prospectivo do qual participaram doze indivduos com doena de Parkinson que foram avaliados atravs de testes de equilbrio esttico e dinmico, posturografia dinmica e vectoeletronistagmografia. Para comparar os resultados da posturografia dinmica, foi utilizado um grupo controle pareado. Resultados: Foram encontradas alteraes nas provas de Romberg-Barr, Untemberg e Marcha. O exame vestibular revelou seis casos normais, quatro sndrome vestibular central e dois casos de sndrome vestibular perifrica. Na posturografia dinmica, verificou-se alterao no equilbrio quando comparados ao grupo controle em todos os Testes de Organizao Sensorial, na mdia e na utilizao do sistema vestibular. Concluso: Pacientes parkinsonianos apresentam alterao do equilbrio corporal. A posturografia dinmica foi mais sensvel ao detectar as alteraes de equilbrio que a vectoeletronistagmografia.

INTRODUO

O equilbrio corporal a capacidade do ser humano de manter-se ereto ou executar movimentos de acelerao e rotao do corpo sem oscilao ou queda. A manuteno da postura garantida pela interao sensrio-motora (1) e a informao relevante, relacionada ao equilbrio corporal, depende dos sistemas visual, somatossensorial e vestibular (2).

Normalmente, o controle do equilbrio se realiza "automaticamente", sem que requeira ateno consciente. Quando o automatismo do equilbrio se rompe, preciso realizar um intenso esforo consciente para tentar superar as sensaes anormais e manter o controle do equilbrio.

As alteraes do equilbrio podem ocorrer por alguma falha em um ou mais dos sistemas, levando o indivduo a se queixar de desequilbrio corporal. Estas queixas so extremamente frequentes tendo, como principal sintoma, a tontura (3). A etiologia das tonturas pode estar relacionada a diversas causas de origem vestibular ou no, como disfunes crebro-vasculares, doenas metablicas e vasculares, alteraes cervicais, doenas neurolgicas, hipotenso postural, uso de medicamentos, presbivertigem, entre outras (4).

A perda da estabilidade postural pode ocorrer devido a doenas que acontecem em diferentes rgos ou tecidos, as quais iro influenciar na funo normal e determinar as manifestaes clnicas, evoluo e prognstico. As doenas acontecem por diversos motivos, podendo ser advindas de traumas, predisposio, fatores nutricionais, ambientais, genticos ou at mesmo por causas desconhecidas ainda pela medicina (5). As doenas, portanto, podem afetar o sistema nervoso central (SNC), o sistema nervoso perifrico (SNP), e o sistema msculo-esqueltico, prejudicando assim o equilbrio e a postura do indivduo (6).

Dentre os acometimentos do SNC, encontra-se a doena de Parkinson (DP), que pode estar entre as mltiplas causas que ocasionam alteraes no equilbrio corporal, a qual definida como uma afeco neurolgica progressiva e caracterizada essencialmente por sintomas motores, sendo a etiologia ainda desconhecida (7). Sabe-se que ocorre uma diminuio de dopamina produzida na substncia negra. Com o envelhecimento a velocidade de conduo dos impulsos nervosos reduzida, ocorrendo tambm alteraes nos neurotransmissores (8). A falta de dopamina (neurotransmissor que age nos ncleos da base) acarreta o surgimento da DP, causando um controle ineficiente dos movimentos. As decorrentes alteraes no controle motor tornam-se notveis, resultando em tremor de repouso, rigidez, acinesia, alterao dos reflexos posturais, instabilidade e distrbios do equilbrio e marcha, dentre outros sintomas (7). Alm disso, acarreta ainda o comprometimento da habilidade do sistema nervoso central no processamento dos sinais vestibulares, visuais e proprioceptivos responsveis pela manuteno do equilbrio corporal, com diminuio da capacidade de modificao dos reflexos adaptativos (9). Uma populao que aponta vrias disfunes vestibulares so os parkinsonianos, que tambm podem desenvolver sintomas labirnticos por conta da sua farmacoterapia (10).

Desta forma, tendo em vista a estreita relao entre DP e as alteraes vestibulares e do equilbrio corporal, justifica-se a realizao deste estudo, que tem como objetivo avaliar o equilbrio corporal de indivduos parkinsonianos.


MTODO

O presente estudo est registrado no Comit de tica e Pesquisa parecer n 0200.0.243.000.07. O grupo de estudo foi formado pelos pacientes que concordaram em participar da pesquisa aps conhecimento da mesma, pelo termo de consentimento livre e esclarecido.

Avaliou-se 12 indivduos com diagnstico de doena de Parkinson atendidos no setor de neurologia de um hospital universitrio local. Primeiramente fez-se um levantamento nos arquivos do setor de neurologia, no perodo de 01/01/2007 at 31/05/2008, para verificar os pacientes com diagnstico da doena, sendo que todos foram convidados a participar da pesquisa. Foram excludos do estudo aqueles que apresentassem parkinsonismo secundrio, outras alteraes neurolgicas ou mentais evidentes, amputao de algum membro, deficincia visual grave ou qualquer outra alterao que pudesse prejudicar a compreenso e realizao das tarefas propostas. Utilizou-se tambm, como critrio para excluso, a presena de algum tipo de alterao de nariz e/ou garganta, ouvido e o uso de droga ou lcool.

O grupo de estudo foi avaliado em funo do gnero, achados na avaliao do equilbrio esttico e dinmico, coordenao dos movimentos, posturografia dinmica (PD) e exame vestibular. No foram considerados a faixa etria, o tempo de instalao da doena e o tipo de tratamento.

Em decorrncia, buscou-se pessoas saudveis e sem queixas otoneurolgicas a fim de formar o grupo controle, para comparar os resultados da posturografia dinmica. O grupo controle foi formado pelo mesmo nmero de indivduos, mesmo gnero, idades similares ao grupo de estudo e seguindo os mesmos critrios de excluso do grupo de estudo.

Os procedimentos realizados foram inspeo otoscpica do meato auditivo externo, para verificar possvel presena de excesso de cermen ou alterao em orelha mdia, que poderia interferir nos resultados dos exames. Caso fosse encontrado excesso de cermem ou suspeita de alterao em orelha mdia, o paciente seria encaminhado ao mdico otorrinolaringologista. Aps a retirada de cermen ou tratamento o paciente retornaria para a continuidade das avaliaes.

Tambm foram realizados avaliao do equilbrio esttico e dinmico e coordenao dos movimentos atravs das provas descritas, segundo MANGABEIRA & GANANA (11), as quais primeiramente foram executadas com os olhos abertos e depois fechados, por 20 segundos cada situao. So elas: Prova da Marcha, Prova de Romberg, Romberg-Barr, Prova de Unterberger, Prova dos Braos Estendidos, Prova da Diadococinesia e Prova da Dismetria- index-joelho-nariz.

A posturografia dinmica desenvolvida por Castagno (12), Foam-laser Dynamic Posturography (FLP), tambm foi utilizada para avaliao do equilbrio e suas relaes com os sistemas visual, proprioceptivo e vestibular. Consiste em uma tcnica simples para a avaliao da organizao sensorial, realizada atravs de 06 (seis) testes denominados de testes de organizao sensorial (TOS).

Os valores de referncia para a FLP em cada posio dos TOS isoladamente e sua mdia final encontram-se descritos no Quadro 1, conforme CASTAGNO (12), que realizou seu estudo com adultos jovens.

Outra maneira de realizar a anlise sensorial atravs da FLP demonstrar a capacidade do indivduo em utilizar os sistemas somatossensorial (SOM), visual (VIS), vestibular (VEST) e o grau de preferncia visual (PREF) para a manuteno do equilbrio ortosttico, considerando normais os valores maiores que 92% para SOM, 88% para VIS, 67% para VEST e 95% para PREF. O Quadro 2, segundo CASTAGNO (12), mostra as formas de avaliar o SOM, o VIS, o VEST e o PREF.

Para a realizao do exame vestibular, foi utilizado o Sistema Computadorizado de Vectoeletronistagmografia SCV 5.0, proposto por CASTAGNO (12). As provas realizadas com os pacientes desta pesquisa foram as seguintes, conforme indicado por MOR (13): Calibrao dos movimentos oculares (CAL), nistagmo espontneo (NE), nistagmo semi-espontneo (NSE) ou nistagmo direcional (ND), rastreio pendular (RP), nistagmo optocintico (NO), prova rotatria pendular decrescente (PRPD) e prova calrica.

Na avaliao do equilbrio esttico, dinmico e vectoeletronistagmografia, os resultados foram analisados de forma descritiva e colocados em quadros e tabelas.

Para verificar as possveis diferenas entre o grupo de estudo e controle nas variveis da posturografia dinmica, utilizou-se o teste no-paramtrico de Kruskal-Wallis, no qual se adotou nvel de significncia de 5%, ou seja, p<0,05. Os valores estatisticamente significantes foram salientados utilizando-se um asterisco.


RESULTADOS

Avaliou-se 12 indivduos, sendo 7 (58,3%) do sexo masculino e 5 (41,7%) do sexo feminino. A faixa etria variou de 44 a 79 anos, mdia de 65,5 anos. O tempo de convivncia com os sintomas variou de 1 a 20 anos. Quanto idade dos pacientes na descoberta da DP, 4 indivduos descobriram a doena na faixa etria de 40 a 50 anos, 4 dos 50 aos 60 anos, e 4 acima dos 60 anos.

Na Tabela 1, esto expostos os resultados obtidos nas provas de equilbrio esttico e dinmico.

Os dois pacientes que no conseguiram realizaram os testes de equilbrio esttico e dinmico apresentavam dificuldade de locomoo. Um apresentava dificuldade de iniciar os movimentos e o outro utilizava cadeira de rodas, em funo dos agravos da DP.

Dos 8 (66,6%) pacientes com alterao na prova da marcha, todos cometeram desvios; j dos 11 (91,7%) pacientes que apresentaram alterao na prova de Romberg- Barr, todos apresentaram queda. Dos 10 (83,3%) pacientes com alterao na prova de Unterberger, 7 realizaram avano e 3 cometeram desvio.

A Tabela 2 apresenta os resultados obtidos na prova de coordenao dos movimentos dos pacientes com DP.

Dos 8 (66,7%) pacientes com alterao na prova dos braos estendidos, 6 cometeram abaixamento de ambos os braos e 2 realizaram tambm desvio de ambos. Na index-nariz ocorreu a dismetria e, na diadococinesia, a alterao encontrada foi a disdiadococinesia.

Quanto aos resultados da vectoeletronistagmografia, os parkinsonianos no apresentaram alterao na calibrao horizontal e vertical, o mesmo ocorrendo na pesquisa do nistagmo espontneo, no qual todos estavam ausentes; apenas 2 pacientes apresentaram presena de nistagmo com os olhos fechados com valores da VACL= 5/s, o que pode ser considerado normal. Tambm no apresentaram alterao na pesquisa do nistagmo semi-espontneo e nistagmo optocintico.

Na pesquisa do rastreio pendular horizontal, dos 12 pacientes avaliados, 6 apresentaram traado tipo I, 3 apresentaram rastreio tipo II e 3 foram do tipo III. J na pesquisa do rastreio pendular vertical, 4 apresentaram traado do tipo I, 4 do tipo II e 4 do tipo III.

O nistagmo per-rotatrio apresentou 9 casos de simetria e 3 casos de predomnio direcional.

Quanto pesquisa do nistagmo ps-calrico, 7 (58,5%) pacientes no apresentaram alterao e 5 (41,5%) apresentaram resultado alterado. A Tabela 3 mostra os resultados do nistagmo ps-calrico dos pacientes com DP.

Na concluso do exame vectoeletronistagmogrfico, 6 (50,0%) pacientes apresentaram exame alterado e 6 (50,0%) obtiveram exame sem alterao, sendo que dos 6 exames alterados, 4 foram de sndrome vestibular central e 2 de sndrome vestibular perifrica. Na Tabela 4 encontram-se os resultados obtidos na concluso final da vectoeletronistagmografia dos pacientes com DP.

Quanto aos resultados da posturografia dinmica, do total de 12 pacientes, 11 realizaram este teste, pois uma paciente possua limitao fsica, portanto no pde realizar esta etapa. Na Tabela 5, verificam-se os resultados da posturografia dinmica do grupo de estudo (GE), de acordo com a varivel sexo.

A Tabela 6 apresenta os resultados da posturografia dinmica do grupo e estudo (GC) e do grupo controle (GC).















DISCUSSO

No que se refere amostra, observou-se que o maior nmero de indivduos concentrou-se no gnero masculino, o que vai ao encontro do relatado por FAHN & PRZEDBORSKI (14); os mesmos afirmam que os homens so mais afetados do que as mulheres podendo ter uma relao de 3:2. J para outros autores (15), a DP tem carter universal, pode acometer ambos os sexos, diferentes raas e independe da classe social.

Os indivduos tinham idades mdia de 65,5 anos e quanto idade dos pacientes na descoberta da DP, 4 indivduos descobriram a doena na faixa etria de 40 a 50 anos, 4 dos 50 aos 60 anos, e 4 acima dos 60 anos. A prevalncia da doena aumenta com a idade da populao e inicia-se geralmente por volta dos 55 anos de idade, atingindo o indivduo em plena fase de atividade laborativa e aproveitamento da vida. Diversos autores (16) tambm referem que a prevalncia da DP aumenta com a idade, sendo que a idade mdia de acometimento encontra-se em torno de 55 anos em ambos os sexos e uma ampla variao na idade, de 20 a 80 anos. Para O'SULLIVAN (17), a idade mdia de surgimento da doena situa-se entre 58 e 60 anos de idade, embora uma pequena percentagem possa ser acometida pela doena na faixa dos 40, at dos 30 anos. Na presente pesquisa, nenhum paciente encontrava-se ou teve diagnstico na faixa etria abaixo dos 40 anos e tambm no se observou um maior nmero de indivduos acometidos com o aumento da idade. Neste estudo, no foi considerada para anlise estatstica a faixa etria dos pacientes em funo da pequena amostra, porm, a estratificao por idade poder ser realizada em estudos posteriores nos quais se obtenha um maior nmero de participantes.

Nos achados da prova da marcha, a maioria dos pacientes mostraram alterao, sendo o desvio encontrado em todos os casos; a prova de Romberg resultou em poucas dificuldades se comparada prova de Romberg- Barr, na qual quase que a totalidade mostraram resultado alterado, sendo a queda em todos os casos, fato que pode ser justificado pelo aumento da dificuldade desta prova em relao a de Romberg e pela rigidez muscular dos parkinsonianos, que comprometendo a musculatura do tronco, determina srias alteraes como o encurvamento e a projeo do corpo para a frente (propulso) e para trs (retropulso) que so alteraes da postura que podem determinar quedas para a frente e para trs, respectivamente (18). Na prova de Unterberger, as alteraes encontradas foram os avanos, seguido dos desvios. Estes achados concordam com o relato de VOLPI & NAVARRO (19), os quais realizaram um estudo de caso com o objetivo de aplicar a reabilitao vestibular em pacientes com vertigem posicional paroxstica benigna (VPPB), analisando o grau de melhora da aplicao deste tratamento em uma paciente com VPPB, sem nenhuma doena associada, e outra com DP associada. Dentre as avaliaes, foi aplicado o teste do equilbrio esttico por meio das provas de Romberg e Romberg-Barr e teste do equilbrio dinmico por meio da prova de Babinski-Weil. Nos testes do equilbrio, realizados inicialmente, a paciente com DP apresentou anteropulso no teste de Romberg, lateropulso para direita no Romberg-Barr e desvio da marcha para a direita no teste de Babinsky-Weil.

Nesta pesquisa, encontrou-se alterao nos testes de equilbrio dinmico dos pacientes com DP, o que corrobora outro estudo (6), no qual avaliou-se quantitativamente o equilbrio dinmico de diferentes pacientes neurolgicos, dentre eles, os com DP, por meio do desempenho no teste Get Up And Go (TGUG). Os pesquisadores no encontraram diferena estatisticamente significante em relao ao equilbrio dinmico entre as diferentes doenas estudadas. Para eles, talvez isso possa ter ocorrido pela baixa amostragem, embora observaram que todos os participantes do estudo foram capazes de percorrer a distncia de trs metros mas, no entanto, no conseguiram realizar o percurso com um tempo igual ou menor a dez segundos, tempo estimado para um individuo saudvel. Nos pacientes com DP, a mdia foi de 17 segundos. De acordo com os achados dos autores, permite-se dizer que o equilbrio dinmico est afetado em doenas neurolgicas, podendo gerar dificuldade na realizao de suas atividades de vida diria (AVD's) e atividade de vida prtica (AVP's).

Quanto aos resultados obtidos nas provas de coordenao dos movimentos, os pacientes apresentaram dificuldades na hora de coordenar os movimentos da prova dos braos estendidos, alm de disdiadococinesia, seguida de alterao no teste de ndex-nariz. A DP se caracteriza por uma degenerao da substncia negra e outros ncleos pigmentados do tronco cerebral. Como consequncia, ocorre uma diminuio da dopamina cerebral, gerando, nos portadores de Parkinson, manifestaes que se concentram num controle deficiente dos movimentos (20). importante salientar que estes so testes de importncia complementar, pela possibilidade de oferecerem informaes topodiagnsticas adicionais, no confronto com outros dados do exame da funo vestibular, e nunca isoladamente (21).

Quanto aos resultados da vectoeletronistagmografia, as maiores alteraes dizem respeito pesquisa do nistagmo ps-calrico, na qual 5 (41,5%) dos pacientes apresentaram resultado alterado, sendo 2 (16,6%) casos de predomnio direcional. Os achados deste estudo concordam em parte com os relatos de BASSETO et al. (22), os quais encontraram alteraes no exame vestibular dos parkinsonianos, que foram em grande parte na prova calrica, porm, com predomnio da hiporreflexia labirntica bilateral.

REICHERT et al. (23) desenvolveram um estudo com 36 pacientes portadores de DP e encontraram, com maior incidncia, a hiporreflexia e arreflexia, seguidas pelo predomnio labirntico e hiperreflexia. A presente pesquisa tambm difere, em parte, deste estudo, visto que no se encontrou a hiporreflexia e arreflexia como achado relevante, mas observou-se a ocorrncia do predomnio labirntico e hiperreflexia.

Na presente pesquisa, dos 12 avaliados, encontrou-se 6 (50,0%) com exame alterado, sendo encontrado em maior proporo a sndrome vestibular central. BASSETO et al. (22), avaliando 30 pacientes com DP, observaram a ocorrncia de nove casos de sndrome vestibular perifrica deficitria bilateral; seis casos de sndrome vestibular perifrica deficitria unilateral; seis casos de sndrome vestibular perifrica irritativa unilateral; cinco casos de exame vestibular normal; dois casos de sndrome vestibular perifrica irritativa bilateral; um caso de sndrome vestibular central irritativa bilateral e um caso de sndrome vestibular central deficitria bilateral.

Em outro estudo de BASSETO et al. (24), realizou-se uma pesquisa com objetivo de verificar a efetividade dos exerccios de reabilitao vestibular por meio de avaliao pr e ps-aplicao do questionrio Dizziness Handicap Inventory - adaptao brasileira, em pacientes com DP. Os parkinsonianos foram submetidos, dentre outros procedimentos, avaliao vestibular por meio da vectoeletronistagmografia. Com relao avaliao da funo vestibular, constataram alterao em todos os idosos (100,0%) com predomnio da hiporreflexia labirntica unilateral (37,5%) no grupo A (submetidos aos exerccios de CAWTHORNE E COOKSEY) e bilateral (25,0%) no grupo B (submetidos aos exerccios de Herdman), seguida da hiperreflexia labirntica (25%). Atravs disto, evidenciou-se no exame vestibular a frequncia da sndrome vestibular perifrica deficitria em ambos os grupos, em cinco pacientes (62,5%), dos 8 avaliados.

Quanto aos resultados da posturografia dinmica do grupo de estudo (GE), de acordo com a varivel gnero, verificou-se que no h diferena estatisticamente significante em nenhuma das condies dos TOS e nem quanto a de utilizar os sistemas somatossensorial (SOM), visual (VIS), vestibular (VES) e o grau de preferncia visual (PREF), para a manuteno do equilbrio ortosttico. No h, na literatura consultada, relatos de que os homens ou as mulheres sofram, em maior ou menor proporo, as alteraes relacionadas ao equilbrio corporal na DP.

Quando comparado o grupo de estudo com o grupo controle, verificou-se diferena estatisticamente significante (p < 0,05) em todos os TOS, na mdia e na utilizao do sistema vestibular (VEST), no se aplicando o mesmo para a utilizao do sistema somatossensorial (SOM), visual (VIS) e o grau de preferncia visual (PREF), para a manuteno do equilbrio ortosttico, indicando, desta forma, alteraes do equilbrio nos parkinsonianos, principalmente relacionadas dificuldade destes pacientes em utilizar o sistema vestibular.

Durante a realizao da PD, pudemos observar tambm a ocorrncia de muitas quedas. Este achado corrobora os de diversos autores, os quais afirmam que as alteraes do equilbrio encontram-se presentes nos pacientes com DP. Boa parte dos pacientes parkinsonianos apresenta uma inadequada interao dos sistemas responsveis pelo equilbrio corporal; sistema vestibular, visual e proprioceptivo; em consequncia desta alterao, esses pacientes tendem a deslocar seu centro de gravidade para frente, sendo incapazes de realizar movimentos compensatrios para readquirir equilbrio e, desta forma, caem facilmente (25). COUNALT-COUBOIS et al. (26) atribuem as dificuldades no equilbrio no somente s alteraes motoras da doena. Segundo esses autores, o indivduo com DP se encontra em conflito constante de processamento sensitivo central, pois entra em contato com informaes visuais e somatossensoriais ntegras e com reaes vestbulo-galvnicas exacerbadas.

COUNALT-COUBOIS et al. (26) tiveram por objetivo avaliar o impacto da estimulao do ncleo subtalmico bilateral no controle do equilbrio na DP e determinar como o gnglio basal est relacionado s modificaes sensoriomotoras e atua na organizao neurossensorial do equilbrio e programao postural motora. Os parkinsonianos foram avaliados, dentre outros procedimentos, pela posturografia esttica e dinmica, incluindo organizao sensorial e adaptao do teste, imediatamente antes e 6 meses aps a implantao bilateral dos eletrodos dentro do ncleo subtalmico. Como resultado, os autores observaram que o teste esttico mostrou uma melhora na preciso do controle postural e o teste dinmico salientou o nmero reduzido de quedas e a habilidade dos pacientes de desenvolverem mais estratgias sensrio-motoras, quando estimulados. O teste da organizao sensorial mostrou uma melhora do equilbrio e, desta forma, uma melhor resoluo do conflito sensorial. Eles concluram que a estimulao do ncleo subtalmico bilateral permitiu uma reduo na rigidez e, portanto, uma melhora na habilidade de usar a propriocepo muscular como uma informao confivel, resultando na supresso do conflito proprioceptivo.

YARROW et al. (27) utilizaram a plataforma de presso para avaliar 21 pacientes com Parkinson, que apresentavam tremor presente no ortostatismo, e, como o mesmo poderia estar influenciando na instabilidade postural e desequilbrio, observaram que estes pacientes apresentaram alteraes no equilbrio e postura.

ABE et al. (28) desenvolveram uma pesquisa com o objetivo de analisar o equilbrio de pacientes com DP, grau leve e moderado, atravs da fotogrametria e verificaram uma maior mdia de oscilao anterior e posterior dos pacientes com grau leve em relao ao paciente grau moderado. Observaram, ainda, que a mdia de oscilao anterior dos pacientes de grau leve foi superior a mdia de oscilao posterior destes mesmos pacientes, fato no observado no paciente com grau de acometimento moderado.

A instabilidade postural nos doentes de Parkinson pode ser caracterizada como uma alterao no processamento dos estmulos sensoriais, especialmente dos sistemas proprioceptivo, vestibular e somtico. Com a progresso da DP, existe perda dos reflexos posturais, que ocasionam episdios de queda e incapacidade em ficar em p sem auxlio (10).

Atravs dos estudos supracitados, observamos que os pacientes com DP podem desenvolver alteraes no equilbrio corporal, o que, neste estudo, pde ser verificado pelos achados dos testes de equilbrio esttico e dinmico, coordenao dos movimentos, vectoeletronistagmografia e, principalmente, atravs dos achados da posturografia dinmica, indicando ser esta de grande utilidade no diagnstico e investigao da DP (29).















CONCLUSO

Pacientes portadores de DP apresentam alterao do equilbrio corporal. A posturografia dinmica mostrou-se mais sensvel para detectar as alteraes de equilbrio nos parkinsonianos do que a vectoeletronistagmografia. A vectoeletronistagmografia computadorizada mostrou-se normal, na metade dos indivduos do grupo de estudo, indicando que o labirinto e as vias vestbulo-oculomotoras estariam normais nestes indivduos e que o distrbio do equilbrio por eles apresentado seria decorrente de disfuno em outras reas do sistema nervoso central ou perifrico.


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1 Mestrado. Fonoaudiloga.
2 Doutorado. Professor Adjunto do Curso de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Santa Maria. Fonoaudiloga.

Instituio: Universidade Federal de Santa Maria. Santa Maria / RS - Brasil. Endereo para correspondncia: Universidade Federal de Santa Maria - UFSM - Franciele da Trindade Flores - Rua 8 de maio, 137 - Bairro Salgado Filho - Santa Maria / RS - Brasil - CEP: 97040- 360 - Telefone: (+55 55) 9916-2537 - E-mail: francieletflores@yahoo.com.br

Artigo recebido em 9 de Setembro de 2010. Artigo aprovado em 24 de Janeiro de 2011.
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